segunda-feira, 29 de abril de 2013

As diferenças que fazem a diferença


A pluralidade de conhecimentos verificada quando se reúnem pessoas de várias regiões do país, mostra a diversidade cultural desse Brasil de dimensões continentais que, apesar dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados, fala um só idioma


No último final de semana, fugi da micareta de Feira de Santana (BA) e fui para um dos vários resorts do Litoral Norte da Bahia, também conhecido como Linha Verde. No café da manhã do sábado, restaurante fervilhando de hóspedes de variadas regiões do país, - e até alguns portenhos, - quando pude travar conhecimento com vários “dialetos” falados Brasil afora. Com a magnitude territorial brasileira, é natural que o português sofra inúmeras variações e as figuras de linguagem e corruptelas se sucedam.


Diante do prato de aipim, paulistas com os seus “r” dobrados chamam-no de “mandjoca” (isso mesmo, pois eles ignoram o encontro vogal existente em “mandioca” e falam com se houvesse um “j” no meio da palavra). Já os nordestinos, - aí excluídos os baianos, - se referem ao tubérculo como “macaxeira”. Mais à frente, uma fumegante travessa de charque frito tinha ainda mais definições: alguns se referiam ao prato como “jabá”, “carne seca” ou “carne de sertão”, a depender da região de origem da pessoa. 


E a babel continuou no tabuleiro onde estava sendo servida uma iguaria tendo como base a massa de mandioca, com os seus variados recheios. Para os baianos é “biju”, para sergipanos e alagoanos é “tapioca” e como para os sulistas que ainda não conhecem o Nordeste, ela é totalmente desconhecida eles esperavam alguém pedir para familiarizar-se com a denominação. Interessante mesmo foi ver uma adolescente assistindo ao preparo de uma tapioca com recheio de queijo, presunto e doce de leite, comentar espantada: “uai... a massa  dessa omelete á branca!” Desnecessário dizer que a garota em questão era mineira.


Lá pelas 9 da manhã, dia nublado, sol meio tímido e a água da piscina bastante fria, mas os mais corajosos já arriscavam alguns mergulhos. Um destes heróis, quando indagado sobre a temperatura da água, a resposta veio rápida: “isto aqui lá no Rio Grande é sol de rachar, tchê...”. Iniciam-se as rodadas de petiscos e, dentro da mais pura tradição da Bahia, ao lado dos recipientes, haviam duas panelinhas: uma com molho “lambão”, - apenas para ressaltar o sabor da comida, - e outra com molho de pimenta “malagueta”, esse sim, bastante ardido. Ressalte-se que ambas os vasilhames estavam identificados com o tipo de molho, mas uma catarinense aventurou-se no de malagueta e, por pouco, não necessitou dos serviços disponíveis no posto médico do hotel.



A pluralidade saltava aos olhos nas mesas ao redor da piscina onde, ao lado das latinhas de cerveja e dos copos de uísque ou “roscas” (coquetel servido com frutas tropicais, açúcar e vodca), sempre tinha uma garrafa de água quente e a indefectível cuia de chimarrão, como a indicar a presença de gaúchos naquelas plagas.


Vivenciando e assistindo esse espetáculo de fusão cultural que povoa a imensidão deste país, pude ratificar a minha convicção de que poucos lugares do mundo possuem tamanha diversidade de costumes e culturas e que, mais que isso, são as nossas diferenças que fazem a diferença nesse Brasilzão.

Euriques Carneiro

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