quinta-feira, 11 de abril de 2013

Academia Brasileira de Letras elege Rosiska Darcy para cadeira 10

Rosiska Darcy: a nova imortal da ABL
Ao todo, 15 candidatos concorreram à cadeira 10 e o fato curioso foi mais uma derrota de Antonio Cicero. A segunda vaga ainda está aberta e um dos candidatos é o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso que, inicialmente, afirmou que só concorreria se fosse candidato único

Um dos nomes mais fortes na eleição era o do escritor carioca Antonio Cícero, que se gaba da sua extensa bibliografia. Com uma produção literária que vai dos ensaios filosóficos às letras de músicas que fizeram sucesso no repertório de Marina Lima, - irmã do escritor, - ele se candidatou incentivado por membros da própria ABL que gostariam de manter a cadeira ocupada por um poeta. Antes de Ivo, a cadeira, cujo patrono é o árcade Evaristo da Veiga, fora ocupada por Rui Barbosa, Laudelino Freire, Osvaldo Orico e Orígenes Lessa.


A escritora Rosiska Darcy de Oliveira, a nova ocupante da cadeira 10 da Academia Brasileira de Letras (ABL),ocupa a vaga aberta com a morte, em dezembro do ano passado, do poeta alagoano Ledo Ivo. Ela foi eleita na tarde de hoje (11/4) com 23 votos, contra seis dados ao poeta Antônio Cícero, cinco ao também poeta Marcus Accioly e quatro à historiadora Mary del Priore. Dos 38 acadêmicos, 26 votaram na sessão plenária e 12 por carta.

“A Academia está muito contente com a eleição de Rosiska Darcy de Oliveira e se sente enriquecida com o aumento de seu naipe feminino”, disse o secretário-geral entidade, Geraldo Holanda Cavalcanti, que presidiu a sessão, substituindo a presidenta da Casa, Ana Maria Machado, ausente por motivos particulares. Além da presidenta e da agora eleita Rosiska, outras três mulheres integram a ABL, as escritoras Nélida Piñon e Lygia Fagundes Telles e a professora de literatura Cleonice Berardinelli.

Jornalista, escritora, ensaísta e conferencista, Rosiska Darcy de Oliveira, formada em direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, esteve exilada durante a ditadura militar. Na Suíça, tornou-se doutora em educação e lecionou durante dez anos na Universidade de Genebra, na Suíça.

De volta ao Brasil, fundou o Instituto de Ação Cultural (Idac) e foi assessora especial do professor Darcy Ribeiro, na época vice-governador do Rio de Janeiro. No governo federal, presidiu o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e foi embaixadora do Brasil na Comissão Interamericana de Mulheres da Organização dos Estados Americanos (OEA). É consultora de organismos internacionais e membro do Painel Mundial sobre Democracia da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).


A questão feminina é o tema dos dois primeiros livros de Rosiska - Le féminin ambigu e La culture des femmes - publicados na Europa, e também de Elogio da diferença, lançado no Brasil e nos Estados Unidos. Colunista dos jornais O Globo e O Estado de S.Paulo, publicou outros quatro livros que reúnem suas crônicas A dama do unicórnio, Outono de ouro e sangue, A natureza do escorpião e Chão de terra.

Dedicada à questão da cidadania, a recém-eleita acadêmica preside a organização não-governamental Rio Como Vamos, que tem como objetivo monitorar a gestão municipal da cidade do Rio de Janeiro.

Ao todo, 15 candidatos concorreram à cadeira 10, uma das duas em aberto na Academia. A outra era ocupada pelo jornalista e escritor paulista João de Scantimburgo, que morreu no dia 22 de março. As inscrições para esta segunda vaga ainda estão abertas e um dos candidatos é o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso.


Referencia: Agencia Brasil

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