quarta-feira, 31 de outubro de 2012

'Gonzagão - A Lenda', espetáculo musical de João Falcão, relê clássicos do Rei do Baião

Cena de Gonzagão -A  Lenda


Já dissemos mais de uma vez aqui neste espaço, que o ano de 2012 seria pródigo em homenagens a Luiz Gonzaga, tendo em vista ser o ano do seu centenário de nascimento


A bola da vez é uma peça teatral em forma de musical dirigida por um conterrâneo de Gonzagão. Ele tentou fugir do trivial e, além de contar a história do Nordestino do Século XX na linguagem teatral, fez a releitura de várias músicas em arranjos inusitados.
Oriundo de São Lourenço da Mata, João Falcão nasceu em 1958, quando Luiz Gonzaga (1912-1989), filho de Exu, no mesmo Pernambuco, já contava mais de cinco dezenas de LPs, os maiores sucessos da carreira e vinte anos no Rio, fazendo fama com sua sanfona.

A figura do Rei do Baião sempre esteve fortemente presente - no imaginário familiar e popular, no repertório do dia a dia e nas festas juninas. Às vezes, em viagens, ele encontrava o artista em restaurantes de beira de estrada, entre um show e outro.

O dramaturgo também queria prestar a sua homenagem neste ano do centenário. Não na linha estritamente biográfica, como Breno Silveira fez em Gonzaga, de Pai Pra Filho, que estreou sexta. "Queria fazer a homenagem do teatro", explica o autor e diretor de Gonzagão - A Lenda, em cartaz no Rio de Janeiro, no Teatro do Sesc Ginástico.

Falcão leu tudo que encontrou sobre seu personagem. Preferiu uma abordagem "mais lúdica" do que "wikipédica". Falar mais do que mito (o menino pobre que ganhou majestade, o criador não só de um gênero, mais da própria ideia de sertão) do que do homem (o garoto que saiu de casa para tentar a sorte com música, o pai de Gonzaguinha).

As mais de 50 músicas selecionadas, tocadas por quatro instrumentistas e cantadas por nove atores, também são episódios dessa história. O jovem e o velho Lua são interpretados ora por um ator, ora por outro.

A sanfona é protagonista, mas não onipresente. "Como o texto e a direção não são realistas, vi a oportunidade de desviar da estética tradicional do baião, a sonoridade de raiz, a sanfona, a zabumba e o triângulo. Incluímos o cello, a rabeca, a viola caipira e a percussão com bateria", conta o diretor musical, Alexandre Elias, que vem do sucesso de Tim Maia - Vale Tudo.

Pouca Diferença, (Que diferença da mulher o homem tem?) que o Rei do Baião gravou com Gal Costa, tem toque de jazz; A Feira de Caruaru virou um funk; Assum Preto é cantada só ao som do cello; Qui Nem Jiló, acompanhada de rabeca e voz, é lentinha.

Metade dos músicos e atores é nordestina, mas isso não foi um pré-requisito na fase de audições. Mais do que sotaque, o que se buscava era um canto natural, sem vícios - o que anda difícil de encontrar, segundo preparadores vocais, em tempos de supremacia de musicais da Broadway nos teatros. Uma surpresa do elenco é o sanfoneiro, cantor de forró e motorista de táxi Marcelo Mimoso, que nunca assistiu a uma peça de teatro.


Referência: estadao

Os 110 anos do nascimento de Drummond são celebrados com vários eventos


Drummond: o filho ilustre de Itabira MG

 

Ontem à noite, reportagens da TV já mostraram o bairro e o prédio onde o poeta morou, no Rio de Janeiro, com depoimentos de fãs e vizinhos. Conseguiu-se até entrevista da arredia esposa do homenageado

Hoje, 31, é dia de fazer festa para o poeta Carlos Drummond de Andrade, nascido há exatos 110 anos em Itabira, Minas Gerais. E eventos estão sendo organizados país afora, por instituições variadas, para integrar a programação do Dia D. São saraus, leituras, conversas e exibição de filmes que relembram o poeta mineiro em seu aniversário


O “Dia D” foi idealizado pelo Instituto Moreira Salles e realizado pela primeira vez em 2011, e é inspirado no Bloomsday - quando fãs de James Joyce se reúnem no mundo todo para celebrar o autor de Ulisses com palestras, leituras e uma passada nos pubs irlandeses sempre presentes nas cidades. Aqui, o Dia D inspirou outro evento - o Hora de Clarice, que prestou, no ano passado, homenagem à Clarice Lispector em 8 de dezembro, dia de seu aniversário.

A programação do Dia D é dinâmica e vem sendo atualizada no site diadrummond.ims.uol.com.br. Inclui cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, Salvador, Brasília, Itabira e até o Porto, em Portugal - lá, Sura Berditchevsky encena a peça Cartas de Maria Julieta para Carlos Drummond de Andrade.

Em 2012, os cariocas saíram ganhando, já que a programação no Rio é mais extensa. Hoje, às 14 h,foi aberta a mostra de cinema Drummond Homenageia Greta Garbo. O primeiro filme a ser exibido foi Grande Hotel (14 h). Depois o público poderá assistir Dama das Camélias e Ninotchka À noite, Ferreira Gullar, Eucanaã Ferraz e Ivan Marques participam de um bate-papo mediado por Luiz Fernando Vianna. Na Academia Brasileira de Letras,será realizado o recital Sete Vozes de Drummond. 


Em São Paulo, às 17h30, a Biblioteca Mario de Andrade promoveu o Sarau Dia D, quando o público foi convidado a compartilhar suas impressões acerca da poesia de Drummond. Alunos de cursos pré-vestibular tiveram a chance de assistir a aula da professora Ivone Dare sobre o livro O Sentimento do Mundo, na livraria da Companhia das Letras, no Conjunto Nacional. 

A livraria Bamboletras, de Porto Alegre, também aderiu à programação dando descontos. Vale para as obras escritas por ele. Na Mineirinha, em Belo Horizonte, haverá exibição de filmes e sarau com a presença de escritores, entre os quais Carlos Herculano Lopes e Ricardo Aleixo.

Em Brasília, palestra com os professores da UnB Alexandre Simões Pilati e Germana Henrique Pereira de Sousa na livraria Sebinho, às. Lá, haverá ainda a exposição Drummond, Testemunho da Experiência Humana, além da interpretação do poema Caso do Vestido, por Adeilton Lima.

Na cidade natal do poeta, a festa já começou na semana passada. Hoje, participantes do projeto Drummonzinhos recitam versos em pontos comerciais de Itabira. Na Livraria Cultura de Salvador, e na do Recife, serão exibidos Consideração do Poema e Uma Pedra no Meio do Caminho - Biografia de um Poema.

Euriques Carneiro

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Neste Dia Nacional do Livro, destacamos uma entrevista sensata


No Dia Nacional do Livro, comemorado nesta segunda-feira (29), a especialista em literatura infantil e escritora Ieda de Oliveira ressaltou que a leitura é um hábito passado essencialmente pelo exemplo


Na entrevista concedida pela escritora, destaquei o trecho abaixo, o qual achei bastante pertinente:

"Eu me educo quando leio Guimarães Rosa, eu me educo quando leio Jorge Amado, tanto quanto me educo quando leio Ana Maria Machado. Educo-me ainda diante de uma tela de Renoir ou ouvindo Mozart ou Chico Buarque de Holanda. Quando o artista, por meio de um domínio técnico, conduz o seu leitor para fora de si mesmo, levando-o, pelo prazer estético, a refletir e olhar o mundo a sua volta, estabelecendo novos sentidos, ele o está educando. Cada um trabalhando com sua matéria-prima, que no caso do escritor é a palavra ".
Biblioteca Arnold Silva - Feira (BA)
As palavras de Ieda de Oliveira, remeteram-me à década de 70 quando, morando em Feira de Santana e sem condições de comprar livros, recorria à Biblioteca Municipal Arnold Silva para ler os grandes clássicos da literatura mundial. Foi dessa forma que devorei todos os livros de Jorge Amado, de Machado de Assis e do escritor francês Julio Verne. A respeito da obra de Verne, um dos mais famosos deles, 20 mil léguas submarinas, foi levado ao cinema com um final totalmente adverso do livro. Na versão escrita, o Náutilus, - submarino revolucionário para a época, - comandado pelo Capitão Nemo, entra em um redemoinho e some nas profundezas do mar, mas no cinema, o capitão é abatido pela Marinha Britânica. Na verdade, o Náutilus reaparece no livro "A Ilha Misteriosa", encalhado e com o seu comandante já velho e bastante debilitado. Só no epílogo deste livro é que o lendário Capitão Nemo veio a falecer.
Grande Sertão, Veredas: clássico da literatura brasileira

Do acervo da Arnold Silva, li ainda A Barca dos Homens (Autran Dourado), Corpo Vivo (Adonias Filho), Grande Sertão, Veredas (Guimarães Rosa), entre outras inúmeras obras da literatura nacional. No tocante aos clássicos internacionais, lembro-me de Do outro lado do rio, entre as árvores e Por quem os sinos dobram (Ernest Hemingway), Sidarta e O Lobo da estepe (Herman Hesse) e Madame Bovary (Gustave Flaubert), dentre tantos outros. Lia avidamente, voltando à biblioteca logo em seguida para devolver e pegar outro, fazendo deste hábito um circulo virtuoso do qual colho frutos até hoje.

Continuo fazendo do hábito da leitura uma constante e, relembrando a afirmação do inicio da matéria, fazendo com que os meus filhos mantenham esta prática. Como disse a Ieda, “um hábito passado essencialmente pelo exemplo.”

Euriques Carneiro



Rock in Rio Card esgota-se em apenas 52 minutos


Modelo do Rock in Rio Card


O cartão equivale a um ingresso antecipado, no qual o público garante sua entrada no evento antes mesmo da confirmação de todas as bandas e atrações. Venda de ingresso começa em abril

O lote com 80 mil entradas do Rock In Rio Card foi vendido em tempo recorde. Em apenas 52 minutos, os ingressos já tinham se esgotado. Tudo indica que o festival, que será realizado nos dias 13, 14, 15, 19, 20, 21 e 22 de setembro, na Cidade do Rock, deverá superar o número de espectadores da edição do ano passado.
O Rock in Rio Cards é um cartão que equivale a um ingresso antecipado, no qual o público garante sua entrada no evento antes mesmo da confirmação de todas as bandas e atrações. Em 2011, a venda antecipada de 100 mil ingressos encerrou em três semanas.

De acordo com a organização do Rock In Rio, o fã que adquiriu o produto pode escolher em qual data pretenderá usá-lo, antes que a venda oficial de ingressos seja aberta ao público em geral — a escolha poderá ser feita de 1º de fevereiro até 1º de abril de 2013.
A compra de Rock in Rio Card, exclusiva para o território brasileiro, foi feita por 27 estados, sendo que 54% foram realizadas por fãs do Rio de Janeiro, 14% de São Paulo, e 11% de Minas Gerais. Para quem não conseguiu comprar, a organização do Rock in Rio reforça que a venda oficial de ingressos começará em abril de 2013.

Para a edição do Rock in Rio 2013, tanto o Rock in Rio Card como o ingresso tem o valor de R$260 (inteira) e R$130 (meia-entrada), e não houve (nem haverá) cobrança de taxa de conveniência.

O empresário Roberto Medina anunciou ontem uma novidade para o Rock in Rio 2012: a volta do Rock Street. A  rua será inspirada na Grã-Bretanha e Irlanda. O público se sentirá viajando pelo exótico bairro londrino Camden Town e o irlandês Grafton Street, com artistas de rua também imersos nesta temática.
Lennon: o homenageado do Rock in Rio


De acordo com a assessoria de comunicação do Rock in Rio, o homenageado da Rock Street será John Lennon, incorporado por uma estátua viva. Haverá músicos interpretando clássicos do rock inglês, bandas de música irlandesas e malabaristas punk, assim como outras figuras presentes na última edição: caricaturista, acrobatas, mágico, cartomantes... Tudo no característico clima descontraído, envolvente e espontâneo da Rock Street. As lojas, bares e restaurantes terão cenografia desenhada por João Uchoa e serão ambientados nos pubs ingleses e nas ruas de Dublin.

A Rock Street terá uma programação com novos nomes do rock inspirados pelas bandas inglesas. Todos os dias haverá a Rock Street Big Band tocando Beatles. Com uma pegada jazzística e arranjos inéditos, a Big Band terá participação especial de renomados artistas brasileiros. A Rock Street acolherá também apresentações diárias de companhias de danças irlandesas, que se caracterizam pela explosão de ânimo e força.

Em 2013, o palco da Rock Street será maior: em torno de 13 metros de largura e 3,5 metros de altura, a apenas um metro do chão, muito próximo ao público. A rua contará com 20 contêineres-loja e estrutura em fibra de vidro (material sustentável e de fácil reutilização).

"A Rock Street é um lugar de interação e de inclusão, onde o público se sente parte do cenário e participa do espetáculo. Nossa rua foge da tradicional separação palco-público. Na Rock Street, o público está dentro do palco. O inesperado acontece a qualquer momento e procuramos incentivar o improviso", explica Bruce Henri, diretor artístico do espaço.

Fonte: JC online

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Organizadores do Salão do Chocolate dizem que o doce conquistou o planeta


 
O mundo se rendeu ao chocolate e o seu consumo vem aumentando ano após ano, gerando receitas importantes para os países produtores

No Japão o hábito de comer chocolate mais que triplicou na última década, a Coréia do Norte vai no mesmo caminho com crescimento vertiginoso e a China, que tinha números irrisórios, já ameaça ser o líder mundial em consumo dentro de poucos anos. A julgar pelo tamanho do mercado chinês e o crescimento da renda local, esta previsão não demora muito a se concretizar.

Desde sua criação, o salão parisiense, que reúne 400 participantes, faz escola: hoje há cerca de 20 salões em todo o mundo dedicados ao chocolate, desde Nova York até Xangai, passando por Lima (Peru), Salvador (Brasil), Moscou (Rússia), Zurique (Suíça) e, claro, Tóquio. Seul, onde vive um quarto dos 48 milhões de habitantes da Coreia do Sul, lançará em janeiro seu salão, o que reflete a alta do interesse pelo produto.

No Brasil, com cerca de 192 milhões de habitantes, "o mercado de chocolate está em explosão", disse em entrevista à AFP o chef francês Stéphane Bonnat, acrescentando que o consumo no país prefere, há anos, um cacau fino, de grande qualidade.

A Rússia é o maior mercado potencial para o chocolate, com um aumento de 30% há cinco anos. Atualmente, um russo consome somente três quilos de chocolate por ano, muito dos alemães, britânicos ou suíços, que degustam entre dez e 12 quilos por ano.
O cacau pronto para consumo

O apogeu e o ocaso do cacau no Brasil

Em 1746 houve a primeira plantação do cacaueiro na Bahia. Foi na fazenda Cubículo, às margens do rio Pardo, atual Município de Canavieiras. O responsável pelo plantio foi o colonizador Antonio Dias Ribeiro que trouxe do Pará as sementes da nova cultura regional. No ano de 1752 chegou a Ilhéus. Após, espalhou-se pelo sul da Bahia.
As matas eram derrubadas para a implantação desta nova cultura na Bahia. Os trabalhadores sofriam com a baixa remuneração e as condições de trabalho. A cultura do cacau foi importante para a economia da Bahia e do Brasil. Os produtores de cacau colheram muito poder e riqueza com a cacauicultura. Ilhéus foi o maior polo cacaueiro da Bahia tendo o maior porto exportador de cacau do Brasil.

O auge da cultura do cacau foi no final do século XIX e início do século XX. O Brasil chegou a ser o maior exportador mundial de cacau. Em 2006, o cacau continua participando da economia da região sul da Bahia. Mas as doenças enfraqueceram as plantações.
Fruto acometido pela "vassoura de bruxa"


A "vassoura-de-bruxa", a mais destrutiva doença do cacaueiro, contribuiu fortemente para a derrocada da cacauicultura e da economia regional a partir de 1989, provocando grandes impactos econômicos e sociais negativos para a região.. Esta doença só existia no norte do país e somente o homem, intencionalmente ou não, poderia ter propagado a "vassoura-de-bruxa" no sul da Bahia.

Pragas à parte, a derrocada da região cacaueira na Bahia foi fortemente influenciada por outros fatores. Como o fruto tinha alto valor agregado, os produtores “deitaram em berço esplêndido” e acharam que a prosperidade era infinita. Vieram as gastanças perdulárias, aquisição de imóveis no sul do país e no exterior, filhos que foram enviados para estudos nas melhores escolas internacionais, festas homéricas e outros tantos hábitos de consumo excessivamente caros.

Quando a atividade começou a dar sinais de decadência, os cacauicultores passaram a recorrer a empréstimos bancários e, como a influência política do grupo era bastante forte, estas operações jamais eram liquidadas. O Congresso Nacional, alegando a crise no setor, sempre dava um jeito de prorrogar as dívidas existentes e os bancos oficiais irrigavam as plantações com novos e generosos créditos. O resultado desta prática danosa, todos nós conhecemos: produção decrescente ano após ano, desemprego idem na atividade e o Brasil, que já foi responsável por grande parte do cacau produzido no mundo, hoje amarga uma irrisória 6ª colocação, com apenas 5% de participação no mercado. A Costa do Marfim manteve a liderança na produção mundial de cacau em 2011, com 35%, seguida de Gana, com 24%. Na sequencia vem a Indonésia, Nigéria e República dos Camarões.

Como se pode notar, existem inúmeros outros motivos além da vassoura-de-bruxa que levaram a cacauicultura do Brasil do 1º para o 6º lugar na ranking da produção mundial.

Euriques Carneiro

Em “O Terceiro Reich em Guerra”, Richard J. Evans mostra a verdadeira face do nazismo




A chegada dos nazistas ao poder colocou fim à República de Weimar, uma democracia parlamentar estabelecida na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial, iniciando-se uma era negra para a história da humanidade 

Com a nomeação de Adolf Hitler como chanceler, em 30 de janeiro de 1933, a Alemanha nazista (também chamada de Terceiro Reich) rapidamente tornou-se um regime no qual os alemães não possuíam direitos básicos garantidos. Após um incêndio suspeito no Reichstag, o parlamento alemão, em 28 de fevereiro de 1933, o governo criou um decreto que suspendia os direitos civis constitucionais e declarou estado de emergência, durante o qual os decretos governamentais podiam ser executados sem aprovação parlamentar.
Entornado no papel de ditador, Hitler tinha a última palavra tanto na legislação nacional quanto na política externa alemã. Esta última era guiada pela crença racista de que a Alemanha era biologicamente destinada a expandir-se para o leste europeu por meio de força militar, e de que uma população alemã, maior e racialmente superior, deveria ter domínio permanente sob o leste europeu e a União Soviética.

O Terceiro Reich em Guerra – Richard J. Evans

Neste livro que conta parte das atrocidades de Hitler, Evans traça a ascensão e a queda do poderio militar alemão entre 1939-1945, bem como a mobilização de toda uma "comunidade dos povos" a serviço da Segunda Guerra Mundial, uma guerra de conquista, subjugação racial e genocídio. As grandes batalhas e acontecimentos do conflito encontram-se neste livro, desde a invasão da Polônia, a batalha de Stalingrado até o suicídio de Hitler no bunker. No centro do livro, está o relato do extermínio dos judeus em nome de uma reestruturação racial na Europa.
Obra bem escrita e sem tendências ao sensacionalismo, traça um perfil do que foi o Terceiro Reich, com detalhes que, apesar de cruéis, são fidedignos aos fatos de conhecimento de toda a comunidade internacional. Os feitos nazistas são negados por uns mas renegados pela totalidade das pessoas de bom senso e que prezam pelos direitos mais elementares da humanidade.

Euriques Carneiro

Jardim Botânico do Rio abre exposição de acervo de Tom Jobim

 Exposição Tom Jobim- Música e Natureza 


A partir da próxima terça-feira (30), parte do acervo pessoal e da obra do compositor e maestro Antonio Carlos Jobim (1927-1994) vai ganhar exposição permanente no Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Com curadoria de Paulo Jobim e Elianne Jobim, filho e nora do compositor, a exposição Tom Jobim- Música e Natureza vai tornar acessível ao público registros inéditos da trajetória de um dos visitantes mais ilustres do Jardim Botânico. Em seus passeios matinais, Tom conversava com os pássaros e costumava compor entre as árvores do parque que abriga mais de 6 mil espécies da flora brasileira e estrangeira.

A exposição vai ocupar 190 metros quadrados do Instituto Antonio Carlos Jobim, criado em 2001 e sediado no parque. O instituto tem como objetivo preservar e disponibilizar para o público, em especial para estudantes e pesquisadores, a obra musical e poética de Tom Jobim. Desde 2007, passou a abrigar também acervos de outros compositores, como Dorival Caymmi, Chico Buarque e Gilberto Gil, e também do arquiteto Lucio Costa. Em fase de catalogação, serão incorporados em breve ao instituto os acervos dos compositores Milton Nascimento e Paulo Moura.

O piano de armário da marca Weimar, no qual Tom criou suas composições quando vivia na Rua Nascimento Silva, 107, no bairro de Ipanema, será exposto ao público pela primeira vez, juntamente com móveis do estúdio do músico, objetos pessoais – como o famoso chapéu - , manuscritos, partituras, troféus e fotografias.

De acordo com Paulo Jobim, a exposição permite às novas gerações conhecer mais profundamente a vida e a obra de Tom. “Eles poderão entrar no mundo especial de um artista que lhes instigará a reflexão, não somente sobre sua obra musical, mas também sobre a natureza e a busca de uma vida com mais harmonia”, ressalta.

Juntamente com a mostra permanente, o Instituto Antonio Carlos Jobim inaugura na terça-feira o projeto educativo O observador da natureza. Trata-se de uma visita guiada para grupos escolares que vai promover atividades de música e observação da fauna e da flora no espaço externo do Jardim Botânico. Crianças e jovens vão percorrer as vielas por onde o maestro caminhava e costumava identificar as espécies de pássaros pelo seu canto.

Com entrada franca, a exposição poderá ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h às 17h. O endereço do parque é Rua Jardim Botânico, 1008, no bairro do mesmo nome, zona sul do Rio.

Fonte: Agencia Brasil

domingo, 28 de outubro de 2012

O José Wilker modesto: "Por acaso, sou um ator com defeito", diz




Participar de um movimento de teatro cuja função era ilustrar o método de alfabetização do Paulo Freire, foi fundamental no inicio da carreira de Wilker

O capitulo final do remake da novela Gabriela foi ao ar na sexta-feira, 26 e, ao lado do Ari Fontoura, José Wilker foi um dos atores a participar dos dois folhetins. Na versão 2012, ele deu um verdadeiro show de interpretação, mostrando o sofrimento interior do “Coronel Jesuino”. Em duas cenas específicas ele se superou, fazendo um marido transtornado com a dor de uma perda que ele mesmo provocou: sentindo o perfume dos vestidos da esposa morta e declarando o seu amor após ser condenado a 30 anos de reclusão pelo assassinato dela.
O genuino esgar de sofrimento do "Coronel Jesuino"
Cearense de Juazeiro do Norte, José Wilker saiu de lá para exercer o ofício de ator no Rio de Janeiro. Passou privações, e dormiu em praias, ônibus, mas não reclama daquela época. Hoje um dos maiores atores brasileiros, diz com modéstia que a carreira é uma sucessão de acasos.
A exemplo de muitos grandes atores, José Wilker nunca frequentou uma escola de teatro para exercer o ofício de ator. A sua formação artística começou aos oito anos de idade, de uma forma cotidiana. “Ouvi muito rádio, era a janela para o mundo que tinha. Fui muito ao circo, vi muito palhaço... Junto com isso aconteceu uma coisa para mim quase acidental, mas formadora, que foi participar de um movimento de teatro que se fundava em Recife, cuja função era ilustrar o método de alfabetização do Paulo Freire”, conta Wilker.
Este foi apenas o pontapé inicial pois a partir dali Wilker se incorporou ao time dos bons atores de TV, teatro e cinema. Alias, falando em cinema, pouquíssimas brasileiros conhecem a historia da sétima arte como ele. Dos grandes diretores aos consagrados atores, dos mais premiados filmes de todos os tempos, passando pela área técnica do cinema, José Wilker tem profundo conhecimento. Basta vê-lo comentando as edições do Oscar, onde informa, esclarece e identifica cada um dos candidatos e convidados.


Leiloado por cifra recorde, 'O Grito' está em exibição no MoMA

"O Grito", quadro do pintor norueguês Edvard Munch


Único exemplar da obra em mãos de colecionador particular, O Grito foi temporariamente cedido ao renomado museu nova-iorquino até março/2013

Nova York - A única versão de "O Grito", quadro do pintor norueguês Edvard Munch, que está fora da Noruega e foi leiloado em maio passado pela cifra recorde de US$ 119,9 milhões, começou a ser exibido na última quarta-feira (24/10) no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York.

Esta versão de "O Grito", pintada em 1895 e que representa um homem vestido de azul segurando a cabeça tendo como pano de fundo um céu avermelhado, será exposta no quinto andar do museu nova-iorquino até 29 de abril de 2013. A obra está acompanhada de outras duas telas de Munch, assim como de litografias.

A tela foi emprestada ao MoMA pelo comprador, cuja identidade não foi revelada, no leilão de maio passado em Nova York. Segundo fontes, se trataria do investidor multimilionário americano Leon Black.

Este é o único dos quatro exemplares da obra ainda em mãos de um colecionador particular e o único que está atualmente fora da Noruega, pois uma das versões restantes pertence à galeria nacional de Oslo e outras duas, ao Museu Munch da capital norueguesa.

Entre 1893 e 1910, o pintor expressionista Edvard Munch (1863-1944) fez quatro versões de "O Grito", que se tornou, com o passar do tempo, em símbolo universal da angústia.
Segurança adicional
Sede do MoMA, em Nova Iorque

A segurança do MoMA foi reforçada, embora não exageradamente durante a mostra, apesar dos antecedentes de dois espetaculares roubos de versões da tela nos últimos quinze anos em museus noruegueses.

"A instalação fica nas galerias da coleção de pintura e escultura do quinto piso, que já conta com tecnologia considerável" de segurança, explicou esta quarta-feira à AFP Margaret Doyle, assessora de imprensa do MoMA. "O único elemento adicional para 'O Grito' é a instalação de uma cobertura de plexiglas", destacou.

France Press

Bule Bule resgata o repente em show na Cidade da Cultura

Antonio Queiroz, Bule Bule e Asa Filho


A arte do repente esteve presente no palco da Cidade da Cultura, em Feira de Santana (BA), na noite do último sábado, 27, com os principais nomes do gênero, na Bahia

A Organização Cidade da Cultura, espaço dedicado à preservação da arte e da cultura em Feira de Santana, capitaneado pelo artista e pesquisador Asa Filho, apresentou neste sábado um espetáculo dedicado ao repente. Quatro dos maiores repentista da Bahia estiveram presentes, com destaque para o mais laureado deles, Bule Bule.

O compositor e repentista, que é natural de Antonio Cardoso, subiu ao palco acompanhado de Antonio Queiroz e desfilaram  pelas várias modalidades do repente, encantando o público que compareceu ao espaço de cultura. A pedido da plateia, eles se enfrentaram em uma “peleja”, quando Bule Bule afirmou com o seu costumeiro bom humor: “cantoria que não tem peleja não é cantoria”. Além dos repentes, Bule Bule declamou várias poesias “matutas” mostrando a diversidade da sua arte e o alcance da cultura regional.
João Ramos, Caboquinho e Bule Bule


Após o primeiro intervalo, o protagonista  convidou ao palco os baluartes do repente feirense, os irmãos Caboquinho e João Ramos. Herdeiros da arte do patriarca Dadinho, - que por décadas compôs dupla com o filho Caboquinho, - eles mostram a habilidade de sempre com os versos e o repente, atendendo às solicitações do público que apresentavam motes para os repentes da dupla.

Durante o espetáculo, o anfitrião Asa Filho esteve sempre presente e, além de bem receber os clientes que vieram prestigiar o evento, dava canjas no palco, ora empunhando o triângulo e, em outras oportunidades, fazendo vocal para os artistas que se apresentavam.

Bule Bule montou um estande com várias peças da sua arte, a exemplo de exemplares de literatura de cordel, livros, CDs e DVDs.  

Foi uma noite de exaltação à arte do repente e oportunidade única de ver reunidos nomes tão importantes para a preservação da cultura popular. Nossos efusivos parabéns  a  Asa Filho e Jaci, promotores e  timoneiros do espaço cultural Cidade da Cultura.

Euriques Carneiro

sábado, 27 de outubro de 2012

“Gonzaga - de pai para filho” mostra, mais uma vez, o talento de Breno Silveira

Gonzaguinha e Gonzagão, vividos pelos atores Júlio Andrade e Chambinho do Acordeão

Um acerto de contas entre pai e filho, com final feliz. Esse é o drama que sustenta o filme Gonzaga - de pai pra filho, que estreou ontem, 26, nos cinemas de todos o Brasil

Com mais de duas décadas dedicando-me à pesquisa sobre a vida e obra de Luiz Gonzaga, assisti à estreia do filme “Gonzaga - de pai para filho”, já na primeira sessão da estreia nesta quinta-feira, 26. O diretor Breno Silveira deu mostras da sua habilidade em lidar com a historia de um dos mais laureados artistas brasileiros, o Nordestino do Século XX, Gonzagão.
Sem hesitar em mostrar o lado triste da historia, Breno escancara o relacionamento difícil que permeou a existência dos dois  artistas. Quem conhece a trajetória de Gonzaga sabe que ele pecou muito em relação à criação do filho, curvando-se aos caprichos da sua esposa D. Helena e sendo omisso no seu papel de pai, na real acepção da palavra.

Outro grande mérito do diretor foi retratar D. Helena com  fidedignidade. Toda a literatura disponível sobre a vida do Rei do Baião mostra o quanto ela foi autoritária, inflexível e, no tocante a Gonzaguinha, absolutamente cruel. Jamais aquiesceu que o garoto morasse com o casal e, quando o Gonzagão impôs essa condição, após uma grave crise de tuberculose, ela tanto fez que Gonzaga brigou com o filho e ele acabou indo embora.
Filho e pai fizeram uma única turnê juntos, em 1981

Para coroar o sucesso do filme, constata-se atuações convincentes dos atores  Land Vieira, quando jovem, Chambinho do Acordeão, na fase intermediária, e Adélio Lima, o mais velho, além  do show de interpretação do ator Júlio Andrade, que "ressuscitou" o músico Gonzaguinha, segundo o diretor Breno Silveira. Nada mais justo, pois Júlio Andrade incorporou o personagem em todos os sentidos: desde os trejeitos de Gonzaguinha, a maneira de falar e o hábito de fumante inveterado.


Saí do cine Itaguari ainda com os olhos marejados pela carga emocional do filme e a certeza de ter visto uma das melhores películas do cinema nacional. Breno foi fiel à trajetória dos artistas e abordou até passagens menos conhecidas. Uma delas, quando Luiz Gonzaga demitiu dois musicos por bebedeira e recrutou um borracheiro e um frentista em um posto às margens da BR 116 para atuarem como zabumbeiro e triangueiro, respectivamente. Detalhe: ele teve apenas um dia para treinar os dois “músicos”, sem qualquer experiência anterior. O zabumbeiro era alto e o tocador de triangulo anão, então, Gonzaga mostrando sua veia histriônica, os apelidou de “Custo de vida” e "Salário mínimo”. Perfeito!

Recomendo a todos: aos que gostam de forró, aos que admiram a trajetória dos dois astros da nossa música, aos que têm paixão pelo cinema e aos que amam a arte e a cultura do Nordeste.

Euriques Carneiro

Milton Nascimento chega aos 70 anos com um rosário de comemorações



Como não ligar a Milton Nascimento, a imagem de Fafá de Belém soltando a voz em “Coração de Estudante”, tentando extirpar o tumor maligno da ditadura e clamando pelas “diretas já”?

Milton Nascimento é o autor da trilha sonora do povo brasileiro nas últimas cinco décadas. De seu cancioneiro, surgiram não apenas músicas marcantes, mas hinos essenciais. Ao se pensar em amizade, por exemplo, como não recorrer a Canção da América? E o reflexo da guerreira Maria, Maria que se esconde em cada mulher? Milton exalta a negritude, canta o homem trabalhador, sonda a solidão e a morte, o credo e a repressão.
 Coração de estudante é um emblema da abertura política ocorrida no país nos anos 1980. Trens de ferro, bicas nos quintais e oratórios fazem parte dos infindos passeios do menino deslumbrado pelos sons de sua Minas Gerais, da África e da América Latina. No dia em que ele completa 70 anos — mesmo ano em que comemora meio século de trajetória artística —, voltar-se para sua obra, de mais 400 canções, é perceber que existe um pouco dele em cada um de seus admiradores.
Milton fez algumas de suas músicas sozinho. Contudo, encontrou em nomes como Fernando Brant, Márcio Borges e Ronaldo Bastos — para citar os mais constantes — os parceiros ideais, aqueles que conseguiam traduzir em palavras os múltiplos sentimentos que suas melodias insinuavam. “Essas canções contam também as histórias da minha vida e as da dele. Nos fez colocar o pé na profissão e nos tornaram as pessoas que somos hoje”, analisa o amigo Márcio Borges, coautor de Vera cruz e Clube da esquina 1 e 2. “Foram músicas feitas por amigos, sem pensar no retorno, mas que acabaram batendo no coração dos brasileiros”, reforça Brant, que escreveu os versos de San Vicente e Maria, Maria.
 Em apresentações na TV, momentos impagáveis como a interpretação de “Cio da Terra”, com os irmãos Pena Branca & Xavantinho, no programa Som Brasil ou no ótimo especial “Travessia”, que foi ao ar em dezembro de 82, na TV Globo. Setentão sim, mas com muito chão pela frente e a vontade incansável de cantar a história do povo brasileiro.

CD, DVD e Blu-ray em homenagem aos 80 Anos do Cristo Redentor

Show que resultou CD, DVD e Blu-ray


Há 80 anos que a paisagem do Rio de Janeiro é pontuada pelo Cristo Redentor, inaugurado em 12 de outubro de 1931, após 5 anos de obras. Símbolo da Cidade Maravilhosa, o monumento, localizado no topo do morro do Corcovado, a 709 metros acima do mar, recebe visitas de muitas pessoas ao redor do mundo
A gravadora EMI lançará no Brasil e no exterior o CD, DVD e Blu-ray “Show da Paz”, projeto que celebrou os 80 anos do Cristo Redentor. O espetáculo foi registrado no dia 12 de outubro (dia do aniversário do famoso monumento e feriado de Nossa Senhora Aparecida), na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
O projeto foi resultado de uma parceria entre a EMI, a Arquidiocese do Rio e a produtora GLP Marketing, responsável por todos os eventos de celebração dos 80 anos do Cristo. A música brasileira estará obviamente muito bem representada no show em Copacabana.
A produção do evento trouxe grandes intérpretes apresentando clássicos da Bossa Nova, como “Corcovado” (Tom Jobim), “Samba do Avião” (Tom Jobim) e “Garota de Ipanema” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), e canções populares inesquecíveis, casos de “Aquele Abraço” (Gilberto Gil), “Do Leme ao Pontal” (Tim Maia), e “Cidade Maravilhosa” (André Filho).

Euriques F. Carneiro


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Cinquenta Tons de Cinza' vira fenômeno na França



Livro foi lançado no País em 17 de outubro. Nos primeiros cinco dias, registrou as maiores vendas no país desde o último volume da série Harry Potter


A crítica literária francesa bateu pesado na publicação de E.L. James, mas de nada adiantou. O livro bateu recordes sucessivos de vendas desde o dia 17 passado, data em que foi lançado no país.
A tradução para o francês do romance sadomasoquista "Cinquenta Tons de Cinza" ocupa o primeiro lugar na lista de mais vendidos, com 100 mil cópias comercializadas em poucos dias, apesar das críticas devastadoras.

O livro, um fenômeno literário em todo o mundo, com 40 milhões de cópias vendidas, foi lançado na França em 17 de outubro. Nos primeiros cinco dias, registrou as maiores vendas no país desde o último volume da série Harry Potter.
Como comparação, o primeiro livro para adultos da autora de Harry Potter, J.K. Rowling, "A Casual Vacancy", levou três semanas para alcançar a marca de 100 mil vendas no país e atualmente ocupa o quarto lugar na lista de best-sellers. O sucesso do livro, chamado de "pornô para mães", foi conquistado apensar das críticas devastadoras dos suplementos literários franceses.

"O livro está para a literatura assim como a comida de gatos Whiskas está para a gastronomia", afirma a revista L'Express, enquanto a edição francesa da revista Cosmopolitan considera a obra "insípida" e "maçante".

O livro da autora britânica E.L. James, que conta a relação da universitária Anastasia Steele e do empresário magnata Christian Grey, foi publicado em 2011.O segundo e terceiro volume da trilogia, "Cinquenta Tons Mais Escuros" e "Cinquenta Tons de Liberdade", serão lançados na França no início do próximo ano.

Euriques Carneiro

Escritor Javier Marías recusa prêmio de 20 mil euros

Javier Marias abdicou do premio de 20 mil euros

Autor de 'Os Enamoramentos' abriu mão de ganhar 20 mil euros do governo da Espanha e alegou estar evitando premiações de instituições estatais


Em março de 1973, Marlon Brando foi anunciado o vencedor do Oscar de melhor ator pelo seu trabalho em "O Poderoso Chefão", dirigido por Francis Ford Coppola em 1972. Ao invés de Brando subir ao palco para receber a estatueta dourada, quem apareceu em cena foi uma "jovem atarracada, mas bela a seu modo, de longas tranças e olhar determinado". Foi a forma que o laureado ator encontrou para protestar contra o cerco a índios rebelados de Wounded Knee.

Nesta quinta, 25, foi a vez do escritor espanhol Javier Marías recusar-se a receber a premiação relativa ao Prêmio Nacional de Narrativas, outorgado pelo governo da Espanha. Em coletiva de imprensa, agradeceu o júri por ter escolhido seu livro Os Enamoramentos, lançado recentemente no Brasil pela Companhia das Letras, mas recusou o prêmio de 20 mil euros (cerca de R$ 52 mil). 

Marías justificou dizendo que tem evitado as instituições estatais, independente do governo em vigência. “Espero que não tomem minha postura como uma queixa ou demonstração de ingratidão”, disse. 
No ano passado, o vencedor foi Marcos Giralt Torrente e em 2010, José Javier Cercas Mena. Em outras ocasiões em que ganhou prêmios institucionais, o autor aceitou.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Santo Antonio de Jesus agraciada com um concerto de nível internacional

Nesta quinta-feira, 25, no Clube dos 100, moradores e visitantes de Santo Antonio de Jesus terão a oportunidade única de assistir a uma apresentação do músico Mateus Dela Fonte, o violonista baiano mais premiado no exterior



Mateus Dela Fonte foi o vencedor de numerosos concursos de violão no Brasil e na Europa. Foi galardoado com prêmios especiais como “Melhor Interpretação de uma obra de Bach” no IV Concurso Internacional de Violão Iserlohn (Alemanha, 2010) e “Melhor Intérprete de Música Brasileira” no II Prêmio Paraíba de Música (Brasil, 1998). Como solista conquistou o 1° prêmio no VIII Concurso de Música L´Arjau per a joves na categoria de música contemporânea Catalã (Espanha, 2004). Em 2010 foi lançado o seu Debut-CD intitulado “Sarabande & Samba”, com obras do repertório Alemão, Espanhol e Brasileiro.

Dela Fonte nasceu em Salvador onde iniciou seus estudos na Universidade Federal da Bahia com Mário Ulloa. Seguiu para especializar-se em Barcelona e em Madrid com Àlex Garrobé, Pablo de la Cruz e Gabriel Estarellas. Foi bolsista da  AECI e da  Fundación Carolina. Em 2012 concluiu o Konzertexamen com a nota máxima na Musikhochschule Stuttgart sob a orientação do Prof. Johannes Monno.

O jovem e renovado artista tem sido convidado como solista e músico de câmara em diversos países da Europa e América Latina, atuando em renomados festivais como: 25. Guitar Festival Mikulov (República Checa) e Internationale Gitarrenfestspiele Nürtingen (Alemanha); entre outros. O musico foi solista frente a diversas orquestras, entre outras, à Orquestra Filarmônica de Württemberg, sob a direção do Regente e compositor Salvador Brotons.

Na área da música contemporânea Mateus fez a estreia de diversas obras, muitas delas dedicadas a ele ou ao Poetrio Brasilis, incluindo o Concert de Tardor para violão e orquestra de Xavier Berenguel.

Como músico de câmara Mateus Dela Fonte trabalha principalmente com o Poetrio Brasilis, formado por Marta Carmo (cello) e Vítor Díniz (flauta). O trio recebeu em 2012 o 2° Prêmio (1° não outorgado) além do prêmio do público no II Concurso Internacional de Música de Câmara com Violão Aschffenburg, na Alemanha. Desde então o trio tem sido convidado a atuar regularmente neste país.

Mateus Dela Fonte reside atualmente na Alemanha e encontra-se a passeio na sua terra natal. Convidado a se apresentar em Santo Antonio, não se furtou a agraciar aos que comparecerem ao recital com a sua arte e técnica apurada.

EVENTO: Recital de violão clássico
ARTISTA: Mateus Dela Fonte - www.mateusdelafonte.com
LOCAL: Clube dos 100 – Santo Antonio de Jesus
DATA: 25.10 – Quinta-feira
HORA: 19:30 h

Paulinho da Viola e Gil estarão no "Vozes da América Latina", no Carnegie Hall

Paulinho da Viola...



Dois representantes da “velha guarda” da MPB, Gilberto Gil e Paulinho da Viola, confirmaram presenças no festival promovido em Nova Iorque, em novembro próximo
...e Gilberto Gil: representantes da nossa MPB
Gilberto Gil, Paulinho da Viola e Arnaldo Antunes são algumas das estrelas de "Vozes da América Latina", um festival de um mês de duração organizado em novembro no famoso Carnegie Hall de Nova Iorque, com o objetivo de promover a rica cultura da região.

Outros nomes da música sul-americana como o maestro venezuelano Gustavo Dudamel (vide matéria sobre ele aqui no Artecultural), estarão presentes. Representando a Cuba de Fidel, estará a lenda do jazz daquele país, Chucho Valdés no evento que combina música, dança, cinema, fotografia, literatura e artes visuais, tudo para conquistar a atenção dos americanos e os milhões de imigrantes que vivem na terra do Tio Sam.

"Dos irresistíveis ritmos do jazz afrocubano até a sofisticação do samba brasileiro, da intensa paixão das rancheiras mexicanas à alegria contagiante do movimento de ação social venezuelano El Sistema, a cultura latino-americana capturou a atenção do mundo", afirmam os organizadores.

"Vozes da América Latina" terá início no dia 8 de novembro com um show de Gilberto Gil, centrado no forró e cujo repertório terá mais uma das incontáveis homenagens pelo 100 anos de Gonzagão. O ritmo também será representado pelo grupo "Cordestinos", que abordará o forró, o baião e outros ritmos nordestinos.

O centenário Carnegie Hal, foi inaugurado em 1891 pelo russo Pyotr Tchaikovsky e é, junto com o Metropolitan Opera, uma das salas de concertos de maior prestígio de Nova York, tendo recebido os mais renomados artistas do planeta ao longo da sua existência.


Discografia dos Beatles será lançada em vinil, em novembro próximo

Discografia em vinil: lançamento será em novembro de 2012

Lançamento do projeto com todos os discos remasterizados ocorrerá no dia 13.11. Destaques para os álbuns 'White Album' e 'Sgt Peppers'


Para delírio dos amantes do vinil, toda a discografia dos Beatles será lançada em novembro próximo, no formato “bolachão”.aplicando-se os recursos da remasterização, grande parte dos chiados e reunidos de estática foram filtrados, resultando em uma qualidade bem próxima da do CD.
A coleção virá em vinil de 180 gramas, conforme anúncio da gravadora EMI. O lançamento do projeto ocorrerá no dia 13 e tem como destaque as reproduções fac-símiles dos discos originais da banda, como o pôster do grupo em The White Album e os recortes de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Os fãs aguardam com justificada expectativa álbuns como “Abbey Road” e “Help”, dois dos maiores sucessos do grupo inglês.
Os 12 LPs dos Beatles estarão disponíveis individualmente como também em uma caixa que os reúne em edição limitada. Mais ainda, compreenderá um livro de 252 páginas escrito pelo produtor de rádio Kevin Howlett e trazendo imagens inéditas de gravações e make up dos rapazes de Liverpool, bem como dos bastidores de alguns shows.
O preço sugerido não foi divulgado mas especula-se que deve ficar em torno de R$ 50,00 por disco, mesma faixa dos lançamentos recentes de CDs. Agora é verificar o estado dos toca discos e aguardar a data do lançamento.

Euriques Carneiro

Família de Luiz Gonzaga não foi convidada para eventos em sua homenagem

Terceira geração do clã Gonzaga


Quase uma centena de parentes do Rei do Baião vive no rio de Janeiro, mas nenhum deles foi convidado a participar do desfile da Unidos da Tijuca e nem do filme de Breno Silveira


Em meio a toda badalação em torno do centenário de Luiz Gonzaga, foi relegado a um injusto descaso um capítulo dos mais importantes da saga iniciada em 1908, quando os irmãos Januário e Pedro Anselmo, vindos do Sertão do Pajeú, chegaram ao Araripe, em Exú (PE). 

Os dois conheceram as irmãs Ana e Maria, conhecidas como Santana e Baia. Em 1909, Januário casou com Santana e Pedro com Baia. Em 13 de dezembro de 1912 nasceu Luiz Gonzaga que anos mais tarde levaria os pais e os irmãos para o Rio de Janeiro.
O capítulo de que poucos lembram são os netos e bisnetos de Januário e Santana, que moram em Santa Cruz da Serra, em Caxias, Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Formam um clã com cerca de 80 pessoas, todos vizinhos. São 15 casas construídas em um terreno comprado por Luiz Gonzaga ao compositor Ataulfo Alves há 56 anos. Todos são nascidos no Estado fluminense.
João Januário Maciel: apelido de Joquinha foi dado por Gonzagão
As filhas e filhos dos irmãos e irmãs de Luiz Gonzaga já passaram dos 50 dos anos, alguns estão chegando aos 60. Seus descendentes também já são adultos. E mantém viva a memória dos antepassados. Ninguém conhece mais a história da família do que eles: “Tio Gonzaga vinha sempre nos visitar. Porque as irmãs moravam todas aqui. Queria visitar uma, visitava todas”, diz Ana Lídia, 58 anos, viúva, filha de Muniz (Raimunda), falecida no ano passado, ressaltando que Gonzagão tinha uma preocupação de pai com as irmãs e sobrinhas: “Ele chegava e ficava reclamando do cabelo de uma, da roupa da outra. Sempre esteve presente”, continua Ana Lídia, que recebeu a reportagem do Jornal do Comercio na casa, simples, mas espaçosa confortável, que Gonzagão deu de presente à sua mãe. No quintal, com ela estão irmãos primos, filhos e sobrinhos.

O clã Gonzaga assemelha-se a uma tribo de índios longe do seu lugar de origem. Apega-se ao idioma e à tradição para não perder a identidade. A tradição dos Gonzaga está presente por toda parte da casa: dos panelões onde mãe Santana (como a avó é chamada) preparava os almoços dominicais do clã a uma placa Rua Zé Gonzaga, na parece do alpendre da casa, lembrança do tio, falecido em 2002, que foi também cantor famoso. No entanto produtores culturais e autoridades competentes, nunca se lembram deste lado A que virou lado B quando homenageiam o Rei do Baião. 

Ninguém do clã foi, por exemplo, convidado sequer para assistir ao desfile das escolas de samba no Carnaval deste ano. Viram pela TV a Unidos da Tijuca vencedora do carnaval 2012, tendo como tema o tio Gonzagão: “Para mim aquilo não foi homenagem a tio Gonzaga, foi mais ao Nordeste, a Vitalino”, comenta Ana Lidia, referindo-se ao mestre ceramista, Vitalino de Caruaru. Assim como não foram lembrados no Carnaval, tampouco o foram pela produção do filme Luiz Gonzaga de pai para filho, de Breno Silveira, que teve avant-première no Festival do Rio, no Cine Odeon, e tem estreia nacional na sexta-feira, 26. 

É como se existissem duas famílias Gonzaga. A da Baixada Fluminense, e a da Zona Sul Carioca, formada pelos filhos de Gonzaguinha: “Não tenho contato com Daniel, nem com as irmãs dele. O próprio Gonzaguinha vinha pouco aqui. Aparecia mais quando Gonzaga estava. Agora este filme ninguém da família viu. Eu nem sabia da estreia, não fomos convidados. Eu gosto de ir a eventos que tenham a ver com tio Gonzaga, mas só quando sou chamada. Este ano fui muito nas escolas (ela já foi professora), fizeram muita homenagem a tio Gonzaga”. 

A opinião de Ana Lídia sobre o filme é mais ou menos um não vi e não gostei: “Pelo pouco que assisti na TV, pelo que contou Joquinha, meu irmão, que viu no Recife, me parece meio fantasioso. Tem coisas que não aconteceram. Eles não vieram aqui, portanto perderam de saber a verdadeira história”, arremata.
Fonte: JC online