sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Vinhos de qualidade e frutas selecionadas compõem o novo cenário do sertão




O sertão não virou mar, como previu o Conselheiro, mas tornou possível a produção de excelentes vinhos, frutas selecionadas,  carne de bode e os peixes mais saborosos, tudo em perfeita harmonia


As sagradas águas do Velho Chico não se cansam de produzir milagres ao longo do seu curso, da Serra da Canastra (MG),onde nasce, ao Pontal do Peba (AL), onde se encontra com o Atlântico. Em uma região onde a seca castiga os moradores ano após ano, o Rio São Francisco muda totalmente a paisagem e permite a produção de vinhos de alta qualidade, comparados aqueles oriundos do Sul do país.
Estamos falando da divisa dos estados da Bahia e Pernambuco, especificamente das cidades-irmãs Petrolina e Juazeiro. Estas cidades e algumas vizinhas próximas, a cerca de 700 km do Recife e 400 km de Salvador, se destacam pela riqueza e diversidade de seus sabores, seja das frutas para exportação, das comidas típicas ou dos vinhos, que vêm ganhando cada vez mais espaço nos últimos anos.
Ponte que separa as cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA)
Com várias vinícolas na região,o Vale do São Francisco, consolidou-se como a Rota do Vinho, passeio turístico onde os visitantes podem conhecer os vinhos tropicais, que possuem um sabor especial, segundo seus produtores. Visitando as propriedades e degustando o produto oriundo de vinhas, imagina-se que, dada a aridez da região, aquilo só pode ser fruto de um milagre.
Variedade das frutas produzidas no Vale do São Francisco

Mas a fartura não fica só nos vinhos, pois uma grande variedade de frutas são produzidas no Vale, abastecendo o mercado interno e também com grande percentual dedicado à exportação. São uvas de várias espécies, melões e mangas, dentre outras espécies frutíferas, da melhor qualidade e com sabor inigualável. Quando indagado sobre o diferencial das frutas do Vale, o produtor Agenor Brito dá uma explicação bem simples: “temos o melhor solo e clima propício. Nosso problema era água, que se tornou farta após a irrigação. Agora é só alegria”.
Apesar da fartura, a água só é abundante nas proximidades do Rio São Francisco. Sertão adentro, continua o sofrimento e, plagiando Gilberto Gil, em “Procissão”: 'entra ano, sai ano e nada vem e o sertão continua ao Deus dará...' Na aridez da caatinga, a saída é criar bodes que são animais rústicos e perfeitamente adaptados à realidade do sertão. Com o consumo em franco crescimento, não há problemas de demanda para o criador: o que ele tiver em ponto de abate é facilmente vendido. Com a consultoria dos órgãos de assistência técnica, estão sendo implantadas melhorias genéticas no rebanho, bem como novas técnicas de manejo, cria e recria que vêm agregando valor à carne caprina e melhorando a renda do produtor.
Surubim: o mais nobre dos peixes da região
Complementando a cadeia produtiva, ainda há a produção de pescado que, se ainda está longe da escala produzida em Paulo Afonso (BA), - detentora do maior rebanho de tilápia em cativeiro do país, - gera trabalho e renda para os criadores, sendo uma ótima alternativa para a região. As grandes vinícolas e produtores de frutas geram os empregos, a pecuária, a caprinocultura e a piscicultura proporcionam atividades produtivas para os pequenos agricultores e esta diversidade econômica vem fazendo a diferença naquele pedaço do sertão.  Assim, complemento a Procissão, de Gil, relatando o sofrimento do povo Nordestino: “mas se existe um Jesus no firmamento, cá na terra isso tem que se acabar...”

Euriques  Carneiro


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