domingo, 23 de setembro de 2012

Mostra em São Paulo apresenta espetáculos de mímica contemporânea




A mímica pode associar-se a diversas formas de arte. A origem dramática reporta-se ao teatro grego. Segundo alguns, estaria ela atrelada a uma das Musas – Polímnia – que, juntamente com Terpsícore (dança) e Calíope (poesia) teria sido responsável pela educação de Apolo, antes de sua ascensão ao monte Parnaso

A mímica como forma de arte é, muitas vezes, vinculada à figura do pierrô apaixonado, uma associação comum feita pelas pessoas. Algo que ajudou a criar esse estereótipo no Brasil foi o trabalho do francês Marcel Marceau, um dos mímicos mais lembrados pelo público, que pintava o rosto de branco, fazia gestos e não emitia nenhum som. Porém, segundo Victor de Seixas, coordenador da 4ª Mostra de Mímica Contemporânea, a mímica como arte é bem mais abrangente que essas estéticas e pode ter, inclusive, espetáculos com personagens falantes.

A mostra, em cartaz na capital paulista, traz oficinas, peças teatrais, performances, sarau e colóquio até o dia 29 deste mês. Seixas conta que um dos objetivos do festival é mudar um pouco da visão estigmatizada de que a mímica se restringe à estética de Marceau. “A mímica não necessariamente é um espetáculo mudo. Ela é uma abordagem teatral, em que o corpo está em primeiro plano”, explica.

No evento, dois espetáculos apresentam falas: Um deles, O Dia em Que Aprendi a Dizer NÃO, do Colectivo El Sótano, do Rio Grande do Sul, brinca com a cultura do futebol, usando a bola e a estética do esporte na mímica. O outro é Jogo da Memória, da companhia baiana Mimos, que além de usar a fala e os movimentos corporais, trabalha com vários projetores. “Todos os espetáculos deste ano têm a característica da parte visual”, conta.


Há também trabalhos de outros países, como a performance cênica Blue, da libanesa Chantal Maihac e o workshop Narração Coreográfica e o Corpo do Ator, da companhia parisiense À Fleur de Peau. Do Chile, a peça Mutation, da companhia La Escena Física, fala sobre as transformações do mundo moderno. “Trata da relação do homem com a mutação que o mundo sofreu. [Isso] acaba gerando uma mutação no homem também”, resumiu.

Nesta edição, a ideia do festival é ter como foco as regiões brasileiras. Por isso, há atrações da Bahia, do Rio Grande do Sul, Ceará, de São Paulo e Goiás. O QQISS!? - As aventuras de Pendu e Cami, do grupo goiano Sonhus Teatro Ritual, é uma montagem visual inspirada na história do Mágico de Oz e na banda inglesa Pink Floyd. “É uma história bem imagética que se exprime por imagens", um teatro bem visual. Usa efeitos de luz, manipulação de objetos, máscaras. “É um trabalho bem bonito”, explicou Seixas.

A abertura do festival ocorreu na sexta-feira (21) e reuniu alguns dos principais profissionais mímicos de São Paulo, que se apresentaram em um sarau. De acordo com Victor de Seixas, o sarau promove um encontro rico, pois cada um dos artistas tem uma escola e estilo diferentes. “Dentro da mesma arte, você tem diferentes possibilidades”, contou.

Para exemplificar, Seixas compara a mímica com a dança. “Na dança, por exemplo, você tem vários tipos. Você tem a clássica, o balé, o forró. E a mímica também navega pelo mesmo caminho, existem vários tipos de mímica”, disse. Ele contou que, na mostra paulistana, o tipo valorizado foi a vanguarda e, nas oficinas, priorizou-se a criação corporal. “Algumas mais próximas da dança, outras, da voz em movimento”, completou.

As oficinas estão abertas para todo o público, mas algumas são voltadas aos profissionais da área. Para participar, é necessário fazer a inscrição pessoalmente na Rua Três Rios, 363, bairro Bom Retiro. Para todos os espetáculos, os ingressos começam a ser distribuídos uma hora antes de cada apresentação. Todas as atividades e atrações são gratuitas.


France Press

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