segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A língua portuguesa e as expressões que viram moda




Dentro do nosso português, periodicamente surgem expressões que entram no cotidiano e se tornam lugar comum em determinados segmentos da sociedade. Elas podem surgir e logo cair no esquecimento, podem durar um pouco mais ou até mesmo se perpetuar no cotidiano do nosso idioma

Há cerca de três décadas, 10 de cada 10 palestrantes utilizavam a expressão “inserido no contexto”, mesmo quando o contexto não comportava a inserção. Usava-se no discurso político, no “economês” dos ditos entendidos do assunto, nos meios acadêmicos e, principalmente, nas acaloradas discussões dos movimentos sindicais que ganhavam fôlego e expressividade naquela época.

Podemos citar também o famosíssimo “agregar valor” que ainda permeia muitas conversas. Realmente, existem várias situações nas quais a expressão pode e deve ser utilizada para definir o quanto algo pode acrescentar a outro item. O problema é uso indiscriminado da frase, quando se quer mostrar uma pretensa erudição que, mal colocada, soa como esnobismo.

Esta foi cunhada basicamente pelos comentaristas econômicos: “fazer leitura de cenário”. A partir da necessidade de antever como a economia se comportaria em um determinado horizonte temporal (aí está mais uma), criou-se a expressão que hoje é utilizada para definir uma análise de determinada situação que se apresenta em variadas atividades do dia-a-dia.

As frases famosas acima citadas, são de autoria desconhecida. Alguém falou, outro copiou e o efeito cascata de encarregou de difundi-las, mas tem uma internacionalmente conhecida que se sabe quem a cunhou: “quebra de paradigma”. Esta é provavelmente a mais usada -- e abusada -- nas discussões contemporâneas de mudança organizacional e progresso intelectual. Seu autor, Thomas Kuhn, citou-a no seu livro "A Estrutura das Revoluções Científicas", lançado há 50 anos.

Claro que podemos e devemos, (em determinadas situações) , usar as citações acima, O problema é saber quando e o quanto utilizá-las. Em excesso ou fora de sintonia com o assunto, podem passar uma imagem de pedantismo, pseudo eruditismo ou mesmo falta de conhecimento da matéria em discussão. Se for em uma roda de amigos, você pode apenas passar por esnobe, mas se for em uma entrevista de emprego, por exemplo, a gafe pode lhe custar a vaga.

Euriques Carneiro

Um comentário:

  1. É verdade Euriques. Tem gente que usa e abusa das expressões que são apenas modismo, caindo no lugar comum e se tornando ridículo, às vezes. Há que se ter parcimônia no uso dos citados termos.
    Adorei o post.

    Ezequias Batista

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