domingo, 30 de setembro de 2012

Morre, Autran Dourado, o autor de "A Barca dos Homens"




Depois de  passar cinco meses internado devido a problemas respiratórios, morreu neste domingo Autran Dourado. O enterro foi realizado nesta tarde, no cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio de Janeiro, onde o escritor morava desde 1954.

Nascido em 1926, na cidade de Patos de Minas, Waldomiro Freitas Autran Dourado publicou mais de 20 livros, entre romances, novelas e ensaios. Sua primeira obra, Teia, foi publicada em 1947. Também publicou Uma vida em segredo, A Barca dos Homens e Confissões de Narciso.

Seu romance mais famoso, Ópera dos mortos, de 1967, chegou a ser incluído pela Unesco, da Organização das Nações Unidas (ONU), em uma coleção de Obras Representativas da Literatura Universal. Os Sinos da Agonia (1974), outro trabalho de sua autoria, foi adotado em exames de admissão de universidades na França.

Dourado recebeu diversos prêmios ao longo de 60 anos de carreira, incluindo, em 2000, o Prêmio Camões, o mais prestigiado da língua portuguesa. Em 2008, recebeu da Academia Brasileira de Letras o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto da obra.


Nem só de preservação e belezas naturais vive Fernando de Noronha




Tendo que importar quase todos os ingredientes, a culinária de Fernando de Noronha surpreende com a mistura de simplicidade, frescor, requinte e qualidade

Quando se fala em culinária brasileira, o que vêm à mente é o churrasco gaúcho, a moqueca baiana, os sabores exóticos do norte brasileiro e outros pratos servidos Brasil afora. Culinária de Fernando de Noronha? Como, se a ilha só produz peixe? É aí que está o segredo que surpreende os desavisados.

Quando se decola do Recife até Fernando de Noronha, a expectativa é de uma ilha dos sonhos,com água esverdeada e a certeza de que ali é um pedaço do paraíso. A gastronomia é um item com o qual o visitante certamente não têm maiores preocupações. É aí que o arquipélago embevece os turistas com uma gastronomia fresca, requintada e saborosa. Mesmo com a dificuldade para se adquirir ingredientes, já que todos vêm do continente, chefs mostram habilidade em unir o frescor de peixes como atum e cavala — que podem ser pescados na ilha — com legumes e verduras orgânicos cultivados respeitando a natureza, como é a tônica do arquipélago.
Tratando-se de um local com oferta tão generosa de frutos do mar, Fernando de Noronha tem neste segmento o carro chefe da sua culinária. Pescados na ilha, os peixes são tão frescos que, nos passeios de barcos, são servidos crus, como sashimi. O ceviche, prato peruano, é presença garantida. O Bar do Cachorro, cenário do forró que anima a ilha nas segundas,  quartas e  sextas, serve a iguaria com pouco tempero para que apenas o sabor do peixe prevaleça. Frutos do mar como lagosta, polvo, lula e camarões e também as frutas são trazidos do continente devido à falta de quantidade suficiente para abastecer os restaurantes. Já as ervas, verduras e folhas são todas cultivadas lá de forma artesanal, assim como a pesca, pois são proibidas as modalidade de arrasto, com bombas ou qualquer outra que venha por em risco a diversidade de Fernando de Noronha.


São apenas dezesseis restaurantes que disponibilizam o serviço na ilha. Treze casas oferecem serviço à la carte e três são na modalidade self-service. As opções atuais contrastam com histórias de seis anos. Naquela época, para se comer bem em casas charmosas com gastronomia interessante, era necessário desembolsar grandes quantias de dinheiro e ainda disputar espaço com os hóspedes das pousadas mais caras. Com os novos empreendimentos, já é possível fazer boas refeições sem que o preço nos lembre o Fasano ou o Copa D'orr.

Em filme de animação, Transilvânia já tem hotel 5 “estacas”


 
Esqueça o Drácula convencional, à procura de pescoços suculentos para sugar. O animação Hotel Transilvânia mostra um Drácula bem diferente do convencional

Ser monstro não é nada fácil: como seguir uma carreira e viver em paz com a família em um mundo cheinho de... humanos? Foi por isso que o Conde Drácula resolveu abrir um resort onde as criaturas podem relaxar à vontade, o Hotel Transilvânia da animação em 3D que estreia na próxima sexta-feira.

E até monstro gosta de conforto! O hotel “cinco estacas” fica na Romênia e têm 1.250 quartos (950 dos quais são para os hóspedes) e, ao contrário do que a gente espera, é um lugar superdivertido e cheio de brincadeiras — e a entrada de humanos é expressamente proibida desde 1898. Mas o que acontece quando Drácula reúne Frankenstein, uma múmia, um lobisomem e outros amigos para comemorar o aniversário de 118 aninhos da filha? Saiba mais sobre essa aventura monstruosa aqui.

Vampirinha voluntariosa

Assim como os humanos, os monstros também precisam relaxar de vez em quando e deixar os problemas e preocupações do dia a dia de lado. E tem ocasião melhor que comemorar o aniversário da filha adolescente? Em Hotel Transilvânia, Drácula (ou Drac, para os íntimos) convida o Tio Frankenstein, a Múmia Murray, o Lobisomem Wayne, o Homem Invisível Griffin e outros amigos para comemorar os 118 anos de Mavis, uma vampirinha que passou a vida toda no hotel e não vê a hora de sair pelo mundo.

A festa está muito boa, mas o que fazer quando Jonathan, um moleque humano e mochileiro aparece para se hospedar por lá? Para abafar o caso, Drac apresenta o menino aos hóspedes como “Johnnystein”, um primo que nem o Tio Frank sabia que tinha. Mas o problema começa a ficar monstruoso quando Johnny e Mavis se tornam mais próximos. Mavis sente um tal “tchan” de que sua mãe tanto falava, e a menina fica ainda mais dividida entre deixar o pai e seu mundo para trás, e ser mais independente, conhecer gente nova e viver a vida. E agora, hein?

A galerinha que já viu o filme adorou e se divertiu com as peripécias e as enrascadas nas quais o new Drácula se mete. Mas como o vampiro não pode achincalhar a sua imagem, ele também armas das suas como esvaziar a piscina bem na hora que o Johnnystein pula nela.

Referência: CB

sábado, 29 de setembro de 2012

Casarões e restaurantes de MG com o melhor da comida mineira são atrativos




Guimarães Rosa traçou uma rota em "Grande Sertão, Veredas", que se tornou um roteiro que mistura cultura e gastronomia em Minas Gerais

O percurso feito na obra Grande sertão: veredas foi longo e contemplou, na época, outros pequenos vilarejos do interior de Minas Gerais. Hoje, as vilas transformaram-se em municípios, mas conservaram o jeito tranquilo da maior parte das cidades mineiras. Algumas trocaram de nome, como Vila Risonha, agora chamada de São Romão, no qual o protagonista Riobaldo se depara com uma tropa de mulas, que vão levar sal para o estado de Goiás. Entre as localidades, Brasília de Minas, que antes da construção da capital era conhecida apenas por Brasília, estão entre os pontos de parada obrigatória, principalmente, para quem quer provar o melhor da cozinha da região. Destaque também para o último local percorrido pelo protagonista: Paracatu. Com grandes casarões históricos, o lugar vive um bom momento na economia e ampliou a rede de hotéis.

Paixão em Barra do Guaicuí

Tire uma manhã ou tarde para passear em Barra do Guaicuí, distrito de Várzea da Palma, mas bem mais perto de Pirapora (15 quilômetros). O povoado, às margens do encontro do Velho Chico com o Rio das Velhas, tem como principal cartão-postal a igreja de pedra inacabada de São Jesus de Matosinhos, onde uma imensa gameleira parece ter abraçado parte do templo (foto). Lá foi o local em que o personagem Riobaldo, o protagonista, descobriu que amava Diadorim. Dica: durma em Pirapora, onde a rede hoteleira é melhor e, de quebra, poderá passear no vapor Benjamim Guimarães. O bilhete custa R$ 40 e os passeios ocorrem aos fins de semanas e, eventualmente, nos feriados.

Infância em Lassance

Entre Corinto e Várzea da Palma, o pequeno município de Lassance, onde o calor impera boa parte do ano, foi a cidade em que o cientista Carlos Chagas descobriu o Tripanosoma cruzi, responsável pela doença batizada com o sobrenome do médico. Lá, há um museu, numa praça arborizada, em referência à importante descoberta (foto). A entrada é gratuita. Outro ponto turístico é a Cachoeira Os-Porcos. Rosa escolheu Lassance para ser a cidade em que Diadorim passou parte da infância. O visitante não se arrependerá de ir ao município, porém, uma manhã ou tarde é o suficiente para o passeio. Para pernoite, recomenda-se ir às vizinhas Corinto ou Pirapora.

Fonte: CB

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

47 anos depois, Fernanda Montenegro revive Zulmira, em filme de Eduardo Ades




Aos 82 anos e na plenitude da sua capacidade interpretativa, Fernanda Montenegro recria a personagem que interpretou em 1965, no filme 'A Dama do Estácio'


Do alto dos sessenta anos de carreira, todas as mais altas glórias alcançadas, o nome de Fernanda Montenegro já não pode ser dissociado da imagem de diva-mor da dramaturgia brasileira, com passagens impagáveis no teatro, cinema e televisão, senhora respeitável, "grande dama".

Topetudo, o diretor de cinema estreante Eduardo Ades, não teve constrangimento na hora de convidar a atriz de 82 anos para fazer uma prostituta decadente, que anda decotada, fala palavrão e faz ponto na rua, apesar do avançado dos anos. Quando Ades lhe mostrou o roteiro, em 2010 - quando ele tinha apenas 28 anos -, Fernanda não demorou a aceitar o papel. Como a atriz estava atuando na novela Passione, da TV Globo, solicitou apenas o tempo necessário para terminar de gravar o folhetim.

Foi também o período que o diretor, com experiência apenas em curtas, produção e curadoria de mostras de cinema e em publicidade, precisava para captar os R$ 80 mil necessários à filmagem, completando o orçamento com R$ 20 mil de recursos próprios. 
A protagonista de A Dama do Estácio, o curta de Ades, que passou pelo Festival de Cinema de Huesca, na Espanha, em junho, e a mostra de curtas de São Paulo, em agosto, e será exibido hoje no Festival de Cinema do Rio, não é uma personagem qualquer. É uma homenagem à primeira incursão cinematográfica dela: A Falecida, de Leon Hirszman.

No filme de 1965, Fernanda é a Zulmira de Nelson Rodrigues, uma mulher obcecada com a própria morte, que ambiciona um enterro de luxo que a redima da vida miserável de subúrbio. Tuberculosa, acaba morrendo. 
 

Ela agora volta a Zulmira, desta vez uma prostituta que chora porque não tem dinheiro para comprar o caixão em que gostaria de ser enterrada. Cortejada por um antigo amor, dono de uma funerária, ela diz que só se casará com ele caso o caixão escolhido, pomposo, lhe seja dado de presente. Quer tê-lo por perto, dentro de casa. Ele resiste a ceder à excentricidade, mas sucumbe, e Zulmira se casa de noiva e tudo.

Os 22 minutos do filme acabam com a velha prostituta na caçamba de uma kombi pelas ruas do Estácio, bairro tradicional e decadente da área central do Rio. Véu na cabeça, celebra com o amigo travesti, o caixão ao lado, ao som de O X do Problema.

Ratificando a sua condição de estrela, sem qualquer “estrelismo”, Fernanda dedicou cinco dias às gravações, entre o fim de Passione e viagens com o monólogo Viver Sem Tempos Mortos, e contribuiu com ideias cênicas. Deu palpites no figurino e no roteiro - "nesta vida eu aprendi um pouquinho de dramaturgia", brincou. "Foi uma parceria enorme, Fernanda estava inteira. No último dia, a equipe estava apaixonada", lembra Ades. "É claro que intimida, mas ela está ali tão naturalmente que desarma isso."

Referência: estadao


Vinhos de qualidade e frutas selecionadas compõem o novo cenário do sertão




O sertão não virou mar, como previu o Conselheiro, mas tornou possível a produção de excelentes vinhos, frutas selecionadas,  carne de bode e os peixes mais saborosos, tudo em perfeita harmonia


As sagradas águas do Velho Chico não se cansam de produzir milagres ao longo do seu curso, da Serra da Canastra (MG),onde nasce, ao Pontal do Peba (AL), onde se encontra com o Atlântico. Em uma região onde a seca castiga os moradores ano após ano, o Rio São Francisco muda totalmente a paisagem e permite a produção de vinhos de alta qualidade, comparados aqueles oriundos do Sul do país.
Estamos falando da divisa dos estados da Bahia e Pernambuco, especificamente das cidades-irmãs Petrolina e Juazeiro. Estas cidades e algumas vizinhas próximas, a cerca de 700 km do Recife e 400 km de Salvador, se destacam pela riqueza e diversidade de seus sabores, seja das frutas para exportação, das comidas típicas ou dos vinhos, que vêm ganhando cada vez mais espaço nos últimos anos.
Ponte que separa as cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA)
Com várias vinícolas na região,o Vale do São Francisco, consolidou-se como a Rota do Vinho, passeio turístico onde os visitantes podem conhecer os vinhos tropicais, que possuem um sabor especial, segundo seus produtores. Visitando as propriedades e degustando o produto oriundo de vinhas, imagina-se que, dada a aridez da região, aquilo só pode ser fruto de um milagre.
Variedade das frutas produzidas no Vale do São Francisco

Mas a fartura não fica só nos vinhos, pois uma grande variedade de frutas são produzidas no Vale, abastecendo o mercado interno e também com grande percentual dedicado à exportação. São uvas de várias espécies, melões e mangas, dentre outras espécies frutíferas, da melhor qualidade e com sabor inigualável. Quando indagado sobre o diferencial das frutas do Vale, o produtor Agenor Brito dá uma explicação bem simples: “temos o melhor solo e clima propício. Nosso problema era água, que se tornou farta após a irrigação. Agora é só alegria”.
Apesar da fartura, a água só é abundante nas proximidades do Rio São Francisco. Sertão adentro, continua o sofrimento e, plagiando Gilberto Gil, em “Procissão”: 'entra ano, sai ano e nada vem e o sertão continua ao Deus dará...' Na aridez da caatinga, a saída é criar bodes que são animais rústicos e perfeitamente adaptados à realidade do sertão. Com o consumo em franco crescimento, não há problemas de demanda para o criador: o que ele tiver em ponto de abate é facilmente vendido. Com a consultoria dos órgãos de assistência técnica, estão sendo implantadas melhorias genéticas no rebanho, bem como novas técnicas de manejo, cria e recria que vêm agregando valor à carne caprina e melhorando a renda do produtor.
Surubim: o mais nobre dos peixes da região
Complementando a cadeia produtiva, ainda há a produção de pescado que, se ainda está longe da escala produzida em Paulo Afonso (BA), - detentora do maior rebanho de tilápia em cativeiro do país, - gera trabalho e renda para os criadores, sendo uma ótima alternativa para a região. As grandes vinícolas e produtores de frutas geram os empregos, a pecuária, a caprinocultura e a piscicultura proporcionam atividades produtivas para os pequenos agricultores e esta diversidade econômica vem fazendo a diferença naquele pedaço do sertão.  Assim, complemento a Procissão, de Gil, relatando o sofrimento do povo Nordestino: “mas se existe um Jesus no firmamento, cá na terra isso tem que se acabar...”

Euriques  Carneiro


O “malungo” Elomar faz show em Recife bancado por abnegados fãs


Provando mais uma vez que, infelizmente, cultura não atrai patrocínio, quatro amigos resolveram bancar os custos da apresentação e levar o menestrel da música regional para o Recife

Coisa de quem gosta de maneira desmesurada. A presença de Elomar Figueira Mello nos palcos de Pernambuco é uma realização de um projeto pessoal para o advogado e funcionário público Miguel Souza e para seus amigos Alex Valentim, Nívia Arruda e Cleide Lima. O quarteto, que se conheceu há dois anos, através da internet, ainda em tempos de Orkut, descobriu em uma comunidade da rede social uma paixão em comum: o artista baiano, compositor de musica regional, árias e óperas.
Todos de segmentos totalmente díspares, sem qualquer ligação com o meio artístico ou experiência em produção, os quatro amigos têm se doado completamente à causa. Por falta de patrocínio para bancar os concertos de Elomar no Recife, - as portas se fecham quando o assunto é arte e cultura, - Manoel resolveu arcar com o próprio dinheiro os custos da turnê. O valor financeiro ele não diz, mas o pessoal “é uma questão de honra”.
Com os três amigos, Manoel não tem medido esforços para fazer da apresentação de Ensaiando o Riachão do Gado Brabo especial. Eles mesmos têm feito a divulgação do evento. “Distribuímos panfletos na Mimo, em Olinda, e no Festival Internacional de Teatro de Objetos (Fito) – vide matéria sobre esse evento aqui no Artecultural, -. E fizemos questão de nós mesmos entregá-los, porque é interessante quando a pessoa conhece o artista e seu trabalho, para caso surja alguma pergunta, a gente saiba responder”, afirma. “Se precisar, no futuro, faremos de novo.” Pessoas que agem dessa forma, costumam ter desapego pelo material, pois lhes interessa muito mais a realização pessoal.
Elomar é autor de vários clássicos da musica regional, a exemplo Arrumação, Curvas do Rio, O Pedido e Desafio do Auto da Catingueira, entre outros. Sem dedicar-se ao cancioneiro popular há muitos anos, o artista passou a compor musica clássica, com inúmeras árias no currículo. Apesar do novo viés artístico, suas musicas ainda estão entre as mais pedidas nos seus shows e nas apresentações do cantor Xangai, considerado por muitos, o maior intérprete da obra de Elomar.
Referência: JC online

Restaurante Leite: 130 anos de história na capital pernambucana


Tido como o mais antigo empreendimento do gênero em atividade no Brasil, o Restaurante Leite, em Recife, faz aniversário com festa comemorativa nesta quinta-feira (27), com traços e história que faz lembrar o Café Tortoni, em Buenos Aires


A história do Café Tortoni, em Buenos Aires, está ligada à vida cultural da cidade, servindo como um ponto de encontro de intelectuais reconhecidos, tanto argentinos como estrangeiros. O mesmo pintor Quinquella Martin, liderava uma espécie de confraria para promover as artes e as letras, chamado “La Peña“,também conhecida como “Agrupación Gente de Artes y Letras”,participaram e assistiram distintas personalidades como Arthur Rubinstein, Jorge Luis Borges, José Ortega y Gasset, Alfonsina Storni, Juana de Ibarbourou, Conrado Nale Roxlo, Ricardo Vinhas, Roberto Arlt, Baldomero Fernández Moreno e Molina Campos. Entre outras figuras ilustres são lembrados , Carlos Gardel, Albert Einstein, Federico García Lorca, o Rei da Espanha Juan Carlos de Bourbon e outros.

Café Tortoni: tradição secular em Buenos Aires

Em terras brasileiras, mais precisamente em Recife, existe um restaurante com história parecida. Estamos falando do Restaurante Leite que, assim como o Café Tortoni, foi ponto de encontro de políticos, empresários e intelectuais pernambucanos e, ainda hoje, atrai uma legião de clientes fidelizados e pessoas que desejam conhecer o centenário restaurante.
Pouquíssimos restaurantes brasileiros exibem a longevidade do Leite. Inaugurado pelo português Armando Manoel Leite de França, preserva até hoje os grandes janelões, os pesados móveis de madeira escura e os portentosos arcos do salão. A cozinha, que atraiu clientes ilustres como Juscelino Kubitschek e Assis Chateaubriand, está repleta de influências lusitanas do fundador.


O Leite mantém cardápio de qualidade sem ter preços extorsivos

Há exatos 130 anos o nome e o lugar são os mesmos. Já não se sabe mais o que é rua, o que é restaurante. Ao passar pela porta de vidro, ainda está lá, na mesa 19, Gilberto Freyre saboreando uma cartola “preparada de modo especial”. Lá, encontra-se também, um pouco mais ao centro, o ex-presidente Juscelino Kubitschek. Para ele, um supremo de garoupa ao molho de camarão ou um tornedorao molho madeira. Mais à esquerda, trinta cadeiras vazias ao redor de uma mesa. É que Assis Chateaubriand, Chatô, ligou reservando. Pediu apenas quinze lugares, mas o garçom sabe que sempre aparecem mais outros quinze “babões”. Ainda vivem ali, milhares de histórias impregnadas no recinto.

Restaurante Leite: 130 anos de história em Recife

Apenas para se ter uma ideia da importância do restaurante, ele se tornou parte da cidade e da história. Viu a abolição da escravatura, a Proclamação da República, a revolução de 1930, o golpe de 1964... Um dos motivos aos quais Armênio atribui o sucesso da casa é ter feito do corpo de funcionários uma família. O atendimento é altamente qualificado e, ao contrário do se pode imaginar, os preços passam longe do absurdo. Para o recifense ou visitante, uma visita ao local vai muito além da gastronomia: é um ato de alimentar o espírito.

Euriques  Carneiro

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

'Gonzaga - De Pai para Filho' abre Festival do Rio




Há uma cena de Gonzaga em que o rei do baião, interpretado por Adélio Lima, retruca para o filho, com quem briga: "Você não tem o direito de me humilhar assim". Luiz Gonzaga Jr., que nesse momento está estourando (na arte), acusa o pai de haver virado palhaço dos militares. Explodem acusações e ressentimentos

Algo vai se passar nesta quinta-feira à noite na tela do Cine Odeon, no coração da Cinelândia, em pleno centro do Rio. A autoproclamada capital audiovisual da América Latina estará iniciando seu festival de cinema. Até o dia 11, quando serão anunciados os vencedores da mostra competitiva Première Brasil, o Rio sedia o evento que, mais uma vez, deverá primar pelo gigantismo. Serão 400 filmes de 60 países, distribuídos em 20 mostras, em 25 locais de exibição. Programas para todas as tribos e gostos. Muitos convidados nacionais e internacionais.
Tudo isso começa a rolar na sexta-feira para o público. A sessão de abertura é para convidados, que vão assistir a "Gonzaga - De Pai para Filho", o novo Breno Silveira. Talvez seja injusto com o diretor de "2 Filhos de Francisco", que virou, anos atrás, com mais de 5 milhões de espectadores, o fenômeno que todo mundo sabe. O ano não está sendo bom para o cinema brasileiro. Apenas um filme - "E Aí, Comeu?", com Bruno Mazzeo -, superou a marca de 2 milhões de espectadores. O próprio Silveira, com seu filme com músicas de Roberto Carlos ("À Beira do Caminho"), ainda não fechou 200 mil espectadores.
Havia a expectativa de que as canções do Rei fossem um atrativo tão forte que o público lotaria as salas. Apesar do boca a boca, o denso "À Beira do Caminho" é rotulado de filme triste, portanto, difícil, num mercado que gosta de rir e que, se é para chorar, prefere as maldades de Carminha na novela "Avenida Brasil", à espera da punição exemplar que lhe aplicará o autor João Emmanuel Carneiro. Gonzaga é outra coisa. Um grande filme popular, centrado na relação complicada entre dois gigantes da música brasileira - o sanfoneiro Luiz Gonzaga e seu filho Gonzaguinha.
Silveira aposta de novo na equação 'música + emoção', que tanto o atrai. O filme possui qualidades extraordinárias - elas passam pelo elenco que inclui os três intérpretes de Lua, mais Júlio Andrade, impressionante como Gonzaguinha. Possui também, e vamos ver até que ponto ela será uma força, a máquina da Globo, que vai transformar a promoção do filme numa peça-chave da comemoração do centenário de nascimento de Gonzagão, em 12 de dezembro. "Gonzaga" estreia em 26 de outubro. Silveira diz que nunca fez nada tão grande em sua carreira e, mesmo assim, ressalta. "Nem três filmes dariam conta do gigante que é Gonzagão. Ele é um mito que não para de crescer, uma das raízes da cultura, não só da música brasileira."
Première Brasil - aberta por "Entre Vales", de Philippe Barcinski -, Première Latina, Perspectivas do Cinema Mundial, Midnight Movies, Mundo Gay serão apenas algumas das mostras. O festival terá seções dedicadas ao cinema inglês e ao português, com a pré-estreia da obra-prima "Tabu", de Miguel Gomes (mas ele virá somente para a Mostra de São Paulo). Haverá uma retrospectiva dedicada ao príncipe do terror, John Carpenter. Jeremy Irons lidera a lista de convidados internacionais.
FESTIVAL DO RIO 2012
Abertura quinta, 20 h, no Cine Odeon, com "Gonzaga - De Pai para Filho". De 27/9 a 11/10. www.festivaldorio.com.br

Fonte: estadao

Teatro do SESC – Salvador, apresenta “TOMO SUAS MÃOS NAS MINHAS”, a preços populares




Ministério da Cultura e a Petrobras trazem para Salvador o espetáculo “TOMO SUAS MÃOS NAS MINHAS”, com duas apresentações no Teatro do SESC, no Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana

TOMO SUAS MÃOS NAS MINHAS” - Baseado nas cartas trocadas entre o autor e dramaturgo russo Anton Tchecov e a atriz do Teatro de Arte de Moscou Olga Knipper, o espetáculo apresenta uma reflexão sobre a vida e a arte. Os escritos revelam o amor entre ambos e a dedicação e paixão pelo teatro. Tchekhov, um dos mais famosos poetas russos, conhece Olga Knipper ensaiando sua peça "A Gaivota".

A intensa correspondência produzida pelos dois começa com o primeiro encontro em Moscou e continua com o aprofundamento da relação. Olga estimula Tchekhov a escrever novas peças, obras primas de sua dramaturgia, como "As três irmãs", "Tio Vânia" e "O jardim das Cerejeiras". De Carol Rocamora. Tradução, adaptação e direção: Leila Hipólito. Com Roberto Bomtempo e Miriam Freeland ou Symone Strobel (stand-in). Consultora Artística: Ilka Marinho Zanotto. Direção de Arte: Fernando Mello da Costa. Iluminação: Maneco Quinderé. Figurinos: Kika Lopes. Trilha Sonora: Alexandre Pereira.

LOCAL: Teatro do SESC  Pelourinho – Largo do Pelourinho nº 19 – Salvador (BA)
DIAS: 28 e 29 de setembro / 2012 (Sexta e Sábado)
HORA: 20 horas
VALOR: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)


Euriques F. Carneiro

Centro de Artesanato de Pernambuco – CAPE, abrirá suas portas nesta terça, 25 de setembro




Em área que era marcada pelo abandono, o Marco Zero ganha Centro de Artesanato de Pernambuco – CAPE. O espaço foi aberto nesta terça-feira (25), às 16h, com acervo de 16 mil peças de 500 artesãos do Estado.


O que era área degradada agora é centro de artesanato e cultura, com espaço para souvenires, cestaria, trabalhos manuais e artesanato contemporâneo e, bem ao estilo do ufanismo pernambucano, já está sendo considerado o maior do gênero em todo o país
À beira das águas que emolduram o centro histórico do Recife, o mesmo Armazém 11 que por anos deu à região um clima estranho de abandono agora reabre sua portas, com ar bem mais moderno. O local, onde se estocava açúcar no passado, se transformou no Centro de Artesanato de Pernambuco (Cape), que enfim ficou pronto, depois de três anos de reforma e seis meses de atraso. Nesta terça-feira, 25, a partir das 16h, está sendo entregue à população e aos turistas, repleto de objetos do artesanato da terra de Gonzagão.

O centro, - que já sendo considerado o maior do segmento no Brasil, - tem um acervo de 16 mil peças, de 500 artesãos, entre trabalhos feitos com couro, madeira, cerâmica, barro, além de produtos têxtil. No espaço, mestres tradicionais como Dila, Ana das Carrancas, J. Borges e Manoel Eudócio dialogam com trabalhos mais contemporâneos que bebem da fonte da cultura popular. Lá também poderão ser encontradas as famosas peças dos descendentes e seguidores do maior ceramista de todos os tempo, o Mestre Vitalino de Caruaru.
 
Qualquer peça pode ser adquirida, pois todo o acervo está à venda. As peça tem preços variando de R$ 1 a R$ 3 mil, divididas entre as seções mestres, suvenires, artesanato contemporâneo, cestaria, têxtil, trabalhos manuais e brinquedos populares. O centro faz parte de um complexo cultural que está sendo erguido na área portuária do Recife. No dia 13 de dezembro, - quando Gonzagão completaria 100 anos de vida, - a expectativa do governo do Estado é abrir o Cais do Sertão Luiz Gonzaga.
EXPOSIÇÃO - Na inauguração do Centro de Artesanato de Pernambuco acontece também a abertura de uma exposição temporária na galeria de artes, coordenada por Márcio Almeida, da Secretaria de Cultura do Estado. Tradição/Tradução, aberta até 25 de novembro, reúne obras dos artistas plásticos contemporâneos Marcelo
 
Euriques Carneiro

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Lucas da Feira: herói ou bandido, ele permeia a história de Feira de Santana


Personagem ambíguo, Lucas da Feira, o líder que se tornaria famoso entre os escravos que se revoltaram contra sua condição e que fugiram dos engenhos da região, é visto por muitos como um facínora atroz e sanguinário e por outros como herói, como se fora um Robin Hood do sertão

Lucas da Feira, alcunha pela qual era conhecido Lucas Evangelista, nasceu em 18.10.1807, em Feira de Santana (BA) na fazenda Saco do Limão, hoje bairro da Pedra do Descanso. Há controvérsias sobre a data sua morte: algumas publicações dizem que foi em 02.02.1849, outras afirmam que foi em 25.09 daquele ano.

Como filho de escravos, pertenceu, a princípio, a D. Anna Pereira do Lage e após o falecimento dela, passou ao domínio do Padre José Alves Franco, vindo mais tarde a caber, em nova partilha, ao pai deste, Alferos José Alves Franco. Durante esta última transição de senhor, ele fugiu para as matas da cidade de Feira, em meados do ano de 1828, se juntando a uma quadrilha em conjunto com Flaviano, Nicolau, Bernardino, Januário, José e Joaquim, sendo ele preso em 23.01.1848 após ser alvejado com um tiro no braço.
Em 2010, houve um projeto para homenagear Lucas da Feira nomeando uma rua com seu nome, mas o projeto foi rejeitado, visto que existem também imagens negativas dele entre os historiadores. Foi argumentado que não se podia esquecer os assaltos que ele cometeu durante vinte anos aos moradores da cidade de Feira de Santana.
Franklin Maxado: poeta e historiador feirense
Como um Lampião em menor escala, há correntes de pensamento que veem em Lucas um herói que lutou pelas classes menos favorecidas. Outros enxergam no personagem um reles bandido que roubava e praticava inúmeros outros crimes. Assim, alguns historiadores argumentam que Lucas lutou contra a escravidão e foi um  bandido nos moldes de Robin Hood, na tendência como teria sido o Zumbi dos Palmares. Já outros historiadores como Franklin Maxado, Monsenhor Renato Galvão e Hugo Navarro relatam uma vida criminosa atribuída à vida de Lucas.
Monsenhor Renato Galvão: "Lucas nunca foi um herói"
 Há um consenso, entretanto que Lucas Evangelista ajudou a formar um dos primeiros grupos considerados como cangaço na primeira metade do século XX. Como herói ou como bandido, é impossível falar da história de Feira de Santana dissociando-a da imagem de Lucas da Feira.

Euriques Carneiro

Disco e festas integram comemoração internacional dos 70 anos de Tim Maia




Disco em homenagem a Tim Maia é destinado ao público americano e deixa de fora algumas músicas que se tornaram grandes sucessos na inigualável voz do soul man brasileiro

Exceto em conversas de DJs e colecionadores, blogs especializados e adesivos "Obey", colados em fendas urbanas de Nova York, Tim Maia ainda é uma incógnita ao Norte do Equador. O que não é tão óbvio sendo que Caetano, Jorge Ben Jor e Os Mutantes viveram dias de glória cult internacional em décadas recentes, anos em que a bossa foi trocada pela Tropicália nas playlists de brasiliófilos descolados.

No entanto, o lançamento e comemorações internacionais dos 70 anos de Sebastião Rodrigues Maia indicam que nosso grande soul man caminha para ter o merecido reconhecimento no país para o qual se mudou na adolescência, sonhando em ser um cantor de rock. "Tenho certeza de que deixamos de fora muitas canções que os brasileiros veneram. Mas você sabe: fizemos este disco para pessoas fora do Brasil. E você tem noção de que quase ninguém o conhece fora daí, não?", conta Yale Evelev, chefe da gravadora Luaka Bop, de David Byrne.
O disco a que Yale se refere é Nobody Can Live Forever: The Existential Soul of Tim Maia, que a gravadora lança na terça-feira, 2, (disponível em vinil duplo e MP3, pelo iTunes). Trata-se de uma coletânea com foco nos primeiros anos da obra de Tim Maia, lançada como cartão de visitas do cantor. Entre os destaques estão faixas de Racional, volumes 1 e 2, ao lado de outros destaques da discografia de Tim nos anos 70.
"Escolhemos as canções que na primeira audição teriam mais impacto em nosso público", diz Yale, que trabalha há anos para conseguir lançar as faixas. A ideia do projeto surgiu de Paul Heck, curador do projeto Red Hot + Rio, que promove duetos entre artistas brasileiros e internacionais. Heck escolheu as preferidas. Yale também deu palpites, assim como Greg Kaz, especialista em música brasuca, residente de festas no Brooklyn e de Manhattan que se tornou um dos grandes disseminadores da música brasileira no underground nova-iorquino, ao lado de Joel Stone, dono da famosa loja Tropicália In Furs, antro da psicodelia made in Brasil de Nova York.
As raridades a que Yale se refere são as faixas do Tim Maia Racional, discos raros aqui no Brasil, que chegam a custar US$ 250 nos EUA. O fato de o disco ser lançado pela Luaka Bop também tem importância: a gravadora de David Byrne, do Talking Heads é responsável pelo lançamento de ícones como Caetano, Gilberto Gil, Chico Buarque, Gal Costa, Tom Zé e Os Mutantes.
Alguns dias antes do lançamento, na data do septuagésimo aniversário de Tim Maia, (sexta-feira, dia 28), uma festa coletiva internacional será feita em homenagem ao cantor. Rádios e lojas de discos de Nova York, Londres, Estocolmo e Belo Horizonte, entre outras cidades, recebem DJs que tocarão sets dedicados a celebrar a obra do cantor.

Fonte: estadao

Atestado de óbito de Vladimir Herzog dirá que ele morreu por maus-tratos




Quem acompanhou os anos da ditadura até o final dos dias do malfadado General João Figueredo, cansou-se de ler a versão oficial que Vladimir Herzog teria cometido suicídio, enforcando-se na cela onde encontrava-se preso
A verdade viria à tona quase quatro décadas depois, a partir da sentença do juiz Márcio Martins Bonilha Filho, da 2ª Vara de Registros Públicos do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O magistrado determinou na noite de segunda-feira (24) a retificação do atestado de óbito do jornalista Vladimir Herzog, que morreu em 1975 na capital paulista. O atestado, emitido no período da ditadura, indicava que sua morte foi consequência de suicídio. Porém, por ordem da Justiça o atestado de óbito informará que a morte dele foi causada por maus-tratos.
Por determinação do juiz, a partir de agora, passará a constar no documento a seguinte informação: “A morte [de Herzog] decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do 2º Exército – SP (DOI-Codi)”. O DOI-Codi era a sigla conhecida do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna subordinado ao Exército, que atuava como órgão de inteligência e repressão do governo.
A retificação se deu a partir de um pedido da Comissão Nacional da Verdade, representada pelo coordenador, ministro Gilson Dipp. A solicitação foi encaminhada a pedido da viúva Clarice Herzog. Na decisão, o juiz Bonillha Filho elogiou a atuação da comissão.
A comissão conta com respaldo legal para exercer diversos poderes administrativos e praticar atos compatíveis com suas atribuições legais, entre as quais recomendações de ‘adoção de medidas destinadas à efetiva reconciliação nacional, promovendo a reconstrução da história’”, disse o magistrado na sua decisão.
Croata de nascimento, Vlado Herzog passou a assinar Vladimir por considerar seu nome exótico. Naturalizou-se brasileiro e se tornou um dos destaques do movimento pela restauração da democracia no Brasil, depois do golpe militar de 1964. Sem esconder as suas convicções políticas, era militante do Partido Comunista e sofreu torturas em São Paulo.
Vladimir foi encontrado morto, na cela onde estava preso, no dia 25 de outubro. Segundo informações fornecidas na época, o jornalista foi localizado enforcado com o cinto que usava. Porém, a família e os amigos jamais aceitaram essa versão sobre a morte dele. Nas fotos divulgadas, o jornalista estava com as pernas dobradas e no pescoço havia duas marcas de enforcamento, indicando estrangulamento. Ademais, as barras da janela onde teria havido o suicídio, eram tão baixas que o jornalista teria que ter ficado de joelhos para conseguir atentar contra a sua própria vida. No período da ditadura, eram comuns as versões de morte associadas a suicídio, todas elas contestadas, mas a de Vlado é a primeira onde conseguiu-se mudar a versão oficial.

Euriques Carneiro

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Che Guevara (1928-1967) foi um guerrilheiro argentino. Foi um dos principais líderes da Revolução Cubana. Percorreu de moto quase toda a América Latina. Presenciou na Guatemala, a queda do ditador Jacob Arbenz. Conheceu Fidel e Raul Castro no México e integrou-se ao Movimento Nacionalista Revolucionário. Acreditava na construção do Socialismo.



"É preciso ser duro, mas sem perder a ternura, jamais..." Quem não já viu esta frase estampada em camisetas, posters e cartazes ao redor do mundo? sua filha Aleida Guevara, lança-se na tarefa de preservação da imagem, evitando a exploração negativa

Ela tem os olhos do pai, um olhar que virou emblema do século 20. E possui também seu profundo senso de injustiça social. Mas a Dra. Aleida Guevara sempre teve que dividir seu "papi" com o mundo. Ela não se incomoda com os pôsteres, as faixas, os cartões postais, os grafites e as camisetas, mas ela e sua família estão tentando suprimir as utilizações "desrespeitosas" da célebre foto de seu pai feita por Alberto Korda em 1960. Tarefa difícil: é a imagem mais reproduzida do mundo.

"Não é fácil", a doutora diz, sorrindo. "Não queremos controlar a imagem nem ganhar dinheiro com ela. Mas quando ela é explorada negativamente, é difícil. Às vezes as pessoas sabem o que ele representa, às vezes não. Na maioria dos casos acho que a imagem é usada bem, como símbolo da resistência à repressão."

A imagem de Che num biquíni foi um caso que a família não pôde impedir, mas o rosto de Che, que era abstêmio, numa garrafa de vodca foi uma batalha ganha pela família com a ajuda da Campanha do Reino Unido de Solidariedade com Cuba.
No próximo mês se completarão 45 anos desde a morte de Ernesto "Che" Guevara, o guerrilheiro que ajudou a liderar a revolução cubana e tornou-se ícone da rebelião. Este ano é também o 50º aniversário do bloqueio americano, o embargo comercial e de viagens que vem sufocando a economia cubana.

Devido ao impasse ao estilo da Guerra Fria, os Estados Unidos ainda gastam milhões para fazer transmissões de rádio e TV com propaganda política para Cuba. Os cubanos ainda são os únicos imigrantes que os EUA incentivam com a concessão de cidadania automática.
País subdesenvolvido que proporciona educação e saúde de primeiro nível a todos seus habitantes, Cuba conserva políticas antidissidentes, encarcerando jornalistas e ativistas antigoverno. Apesar de uma libertação em massa de dissidentes realizada em 2011, as autoridades cubanas, segundo a Anistia Internacional, "não toleram qualquer crítica às políticas do Estado que seja feita fora dos mecanismos oficiais estabelecidos sob controle do governo. Leis sobre 'desordem pública', 'periculosidade' e 'agressão' são empregadas para processar adversários do governo. Nenhuma organização política ou de direitos humanos é legalmente aceita."

A Dra. Guevara está no Reino Unido em função de outro aniversário: o 14º ano desde que os Cinco de Miami --espiões encarregados de infiltrar grupos terroristas anti-Castro operando a partir da Flórida-- foram encarcerados nos Estados Unidos. A pediatra de Havana, que tem 51 anos, vai liderar uma vigília noturna diante da embaixada dos EUA em Londres em 18 de setembro. "Não sou política, mas rejeito a injustiça", ela insiste.

"TIO"

Aleida tinha 7 anos quando Che foi morto por um grupo de soldados bolivianos e agentes da CIA num povoado boliviano isolado. Tendo apenas recordações vagas de seu pai, ela o conheceu melhor através de seus diários e das recordações de outros, incluindo o homem que ela chama de "tio": Fidel Castro.

“Fidel já me contou muitas histórias belas sobre meu pai, mas não posso lhe perguntar demais --ele ainda se emociona muito quando pensa em Che”. Por exemplo, meu pai tinha letra péssima, então pediram à minha mãe que transcrevesse seus diários. Quando Raúl Castro veio a nossa casa para buscar o manuscrito, minha mãe sabia que Raúl e Fidel também escreviam diários, então falou: 'Se houver relatos nos diários que difiram, vocês precisam basear-se no de Che, já que ele não está aqui para se defender'. Raúl ficou muito bravo e falou: 'Não, enquanto Fidel e eu estivermos vivos, Che estará vivo. “Ele está conosco sempre.’Os dois já estavam chorando.”

"Se Che não tivesse morrido na Bolívia, teria morrido na Argentina, tentando mudar as coisas nesse país", ela diz. "Talvez a América Latina fosse um continente diferente hoje. Minha mãe sempre diz que, se meu pai tivesse vivido, todos nós seríamos humanos melhores." Che era estudante de medicina na Argentina quando, durante uma viagem de motocicleta pela América Latina, em 1952, ficou revoltado com a pobreza que viu. Passou a teorizar sobre política, depois pegou em armas e uniu-se à revolução que derrubou o corrupto regime de Fulgencio Batista em Cuba.

Foi então, quando a classe média e os ricos cubanos fugiram do país em direção a Miami, que um abismo se abriu entre Cuba e Estados Unidos, abismo que desde então vem se aprofundando a cada presidente americano que passa. A promessa feita por Obama de enfrentar a questão cubana até agora não deu em nada. "Tínhamos grandes esperanças, mas estamos decepcionados com Obama. Com ele, as coisas talvez até tenham piorado para nós", diz Aleida Guevara.

Ela acredita que a revolução continua a borbulhar em fogo baixo na América Latina, aonde a disparidade entre ricos e pobres vem crescendo, coisa que, como fazia Che, ela atribui à industrialização crescente liderada pelos EUA. "A crise econômica atual é mais perigosa para a América Latina que qualquer outra anterior. Agora não se trata apenas de óleo --os EUA querem água, também. O Brasil está destruindo sua floresta para extrair ferro, o México é um aterro sanitário de resíduos descartados. Desta vez é a terra que está sendo destruída também."

Críticos de Che afirmam que a imagem do jovem fotogênico em uniforme de combate e que escrevia poesia ganhou precedência sobre a brutalidade de sua revolução. Guevara não tinha receios em matar. "Era uma revolução", diz sua filha. "É claro que eu preferiria que não tivesse havido sangue, mas essa é a natureza da revolução. Numa verdadeira revolução, você precisa conseguir o que quer pela força. Um inimigo que não quer lhe dar o que você quer? Talvez você tenha que tomar. Meu pai tinha consciência do risco para sua própria vida."

"É claro que eu senti raiva de crescer sem pai, mas minha mãe sempre me disse 'ame seu pai por quem ele foi, um homem que teve que fazer o que fez'. Meu pai morreu defendendo seus ideais. Até o último minuto, foi fiel àquilo em que acreditava. É isso o que eu admiro."
Mas ela diz que teria gostado de poder discutir com ele. "Quando eu tinha 6 anos ele me mandou uma carta. Nela, dizia que eu deveria ser boazinha e ajudar minha mãe com os trabalhos de casa. Fiquei brava porque a carta que ele mandou a meu irmão dizia 'vou levar você para a Lua' e a de meu outro irmão, 'vamos partir e combater o imperialismo juntos'. Fiquei irritada. Eu também queria ir à Lua. Por que eu não podia combater o imperialismo?"

Aleida Guevara é a mais velha dos quatro filhos de Che com sua segunda esposa, Aleida March. "Crescendo em Cuba como filhos de Che, não tivemos privilégios. Meus colegas não souberam quem eu era até a primeira vez em que falei na TV cubana, em 1996. Mas é importante não guardar silêncio, porque há injustiças sendo cometidas."

Fonte: folha.com.br


domingo, 23 de setembro de 2012

Mostra em São Paulo apresenta espetáculos de mímica contemporânea




A mímica pode associar-se a diversas formas de arte. A origem dramática reporta-se ao teatro grego. Segundo alguns, estaria ela atrelada a uma das Musas – Polímnia – que, juntamente com Terpsícore (dança) e Calíope (poesia) teria sido responsável pela educação de Apolo, antes de sua ascensão ao monte Parnaso

A mímica como forma de arte é, muitas vezes, vinculada à figura do pierrô apaixonado, uma associação comum feita pelas pessoas. Algo que ajudou a criar esse estereótipo no Brasil foi o trabalho do francês Marcel Marceau, um dos mímicos mais lembrados pelo público, que pintava o rosto de branco, fazia gestos e não emitia nenhum som. Porém, segundo Victor de Seixas, coordenador da 4ª Mostra de Mímica Contemporânea, a mímica como arte é bem mais abrangente que essas estéticas e pode ter, inclusive, espetáculos com personagens falantes.

A mostra, em cartaz na capital paulista, traz oficinas, peças teatrais, performances, sarau e colóquio até o dia 29 deste mês. Seixas conta que um dos objetivos do festival é mudar um pouco da visão estigmatizada de que a mímica se restringe à estética de Marceau. “A mímica não necessariamente é um espetáculo mudo. Ela é uma abordagem teatral, em que o corpo está em primeiro plano”, explica.

No evento, dois espetáculos apresentam falas: Um deles, O Dia em Que Aprendi a Dizer NÃO, do Colectivo El Sótano, do Rio Grande do Sul, brinca com a cultura do futebol, usando a bola e a estética do esporte na mímica. O outro é Jogo da Memória, da companhia baiana Mimos, que além de usar a fala e os movimentos corporais, trabalha com vários projetores. “Todos os espetáculos deste ano têm a característica da parte visual”, conta.


Há também trabalhos de outros países, como a performance cênica Blue, da libanesa Chantal Maihac e o workshop Narração Coreográfica e o Corpo do Ator, da companhia parisiense À Fleur de Peau. Do Chile, a peça Mutation, da companhia La Escena Física, fala sobre as transformações do mundo moderno. “Trata da relação do homem com a mutação que o mundo sofreu. [Isso] acaba gerando uma mutação no homem também”, resumiu.

Nesta edição, a ideia do festival é ter como foco as regiões brasileiras. Por isso, há atrações da Bahia, do Rio Grande do Sul, Ceará, de São Paulo e Goiás. O QQISS!? - As aventuras de Pendu e Cami, do grupo goiano Sonhus Teatro Ritual, é uma montagem visual inspirada na história do Mágico de Oz e na banda inglesa Pink Floyd. “É uma história bem imagética que se exprime por imagens", um teatro bem visual. Usa efeitos de luz, manipulação de objetos, máscaras. “É um trabalho bem bonito”, explicou Seixas.

A abertura do festival ocorreu na sexta-feira (21) e reuniu alguns dos principais profissionais mímicos de São Paulo, que se apresentaram em um sarau. De acordo com Victor de Seixas, o sarau promove um encontro rico, pois cada um dos artistas tem uma escola e estilo diferentes. “Dentro da mesma arte, você tem diferentes possibilidades”, contou.

Para exemplificar, Seixas compara a mímica com a dança. “Na dança, por exemplo, você tem vários tipos. Você tem a clássica, o balé, o forró. E a mímica também navega pelo mesmo caminho, existem vários tipos de mímica”, disse. Ele contou que, na mostra paulistana, o tipo valorizado foi a vanguarda e, nas oficinas, priorizou-se a criação corporal. “Algumas mais próximas da dança, outras, da voz em movimento”, completou.

As oficinas estão abertas para todo o público, mas algumas são voltadas aos profissionais da área. Para participar, é necessário fazer a inscrição pessoalmente na Rua Três Rios, 363, bairro Bom Retiro. Para todos os espetáculos, os ingressos começam a ser distribuídos uma hora antes de cada apresentação. Todas as atividades e atrações são gratuitas.


France Press

Começa em Munique a Oktoberfest, a maior festa de cerveja do mundo



Segundo previsões, mais de seis milhões de pessoas de todo o mundo devem participar desta edição, na qual serão consumidos sete milhões de litros de cerveja nas 35 barracas gigantes instaladas em um terreno de 26 hectares em Munique

"Para todos os que viajam para o exterior, a Oktoberfest é a primeira coisa que reservam, a primeira coisa que querem fazer", explica Brittany, exibindo um elegante "dirndl", traje tradicional bávaro com um generoso decote.

"Se nos divertirmos, voltaremos no próximo fim de semana. Ouvimos muitas coisas boas sobre a Oktoberfest", acrescenta. Para sua amiga Olivia, que usava um elegante vestido branco, as roupas tradicionais são o melhor da festa. "Nunca tinha vindo à Alemanha antes e quando penso em Munique, penso nos vestidos. Sei que são típicos, mas são tão legais!", afirma.

Algumas barracas são alugadas por grandes empresas que recebem seus sócios, seus clientes e jornalistas. Como tira-gosto, os participantes terão à disposição dezenas de milhões de bretzels (biscoitos assados), knodel (massas com carne, sêmola ou pão) e outros pratos típicos da Baviera. No ano passado foram consumidos durante a Oktoberfest 118 bois e 53 bezerros.

Mais de 200 anos de história


Andreas Maffey, piloto de avião bávaro de 33 anos, se sente orgulhoso de participar da festa. "Temos a sorte e o privilégio de ter o maior festival do mundo na nossa porta", explica.

"Durante a Oktoberfest, reservo minha mesa a cada dia, mas não posso vir todos os dias porque meu fígado não suportaria", brinca o piloto, embora tenha garantido que neste sábado está preparado para beber oito litros de cerveja.

Embora a festa seja comemorada há 202 anos, a de 2012 é a 179ª edição porque as duas guerras mundiais, duas epidemias de cólera e a hiperinflação dos anos 1920 forçaram a suspensão de 24 edições. Este ano, os participantes se queixam do que consideram um aumento vertiginoso do preço do litro da cerveja, que custa entre 9,10 e 9,50 euros.

Nos últimos dez anos, o preço da "mass" (a jarra de um litro) aumentou 43% e há um movimento de cidadãos que quer estabilizar o preço em torno dos 7 euros.Como acontece todo ano, turistas do mundo inteiro vêm a Munique para viver esta festa tradicional alemã, em que os homens vestem suas tradicionais calças bordadas de couro e as mulheres, saias longas e corselete com decote profundo.

As calças de couro são consideradas as melhores para se beber porque são elásticas e vão se adaptando ao volume do ventre à medida que cresce sob o efeito da cerveja.

A festa da cerveja tem origem no casamento do futuro rei da Baviera, Luis I, com Teresa von Sachsen-Hildburghausen, em 12 de outubro de 1810. Mais tarde foi antecipada para o mês de setembro, quando o clima é mais ameno na Baviera.

Nos últimos anos, a festa se tornou um evento internacional e agora também é comemorada em Brasil, Austrália, Canadá, China, Estados Unidos e Rússia. A edição deste ano terminará em 7 de outubro.


Fonte: CB

sábado, 22 de setembro de 2012

Clint Eastwood volta a atuar como ator em "Curvas da vida"




Mais querido e respeitado do que nunca, com carreira solidificada como ator e diretor, Clint Eastwood volta a frente das câmaras em "Curvas da Vida". O intérprete do consagrado personagem Dirty Callaghan continua em grande forma

Los Angeles - Após anunciar que deixaria a carreira de ator para se dedicar exclusivamente à direção, Clint Eastwood volta aos 82 anos para frente das câmeras em "Curvas da vida", uma comovente reflexão sobre a velhice e as relações entre pai e filha

E para melhor se contradizer, a lenda de Hollywood também decidiu não dirigir sua última obra, que estreia nesta sexta-feira (21/9) nos Estados Unidos, para confiar as rédeas a seu colaborador e produtor de longa data, Robert Lorenz.

A última vez que Clint Eastwood deixou ser dirigido em um filme foi há quase 20 anos, em "Na linha de fogo" (1993), de Wolfgang Petersen. "Mas Robert Lorenz fez um trabalho excepcional", declarou o ator à imprensa durante a apresentação do filme em Beverly Hills. "Fazia anos que ele reclamava e esperneava para poder dirigir e esta foi a ocasião", acrescentou o ator com humor e ironia.
 
Adorado por legiões de fãs, que louvam o classicismo elegante de seus filmes, a imagem do grande ídolo foi manchada neste ano eleitoral nos Estados Unidos por sua participação na recente Convenção Republicana.

As preferências políticas do astro já eram conhecidas há muito tempo, mas o conteúdo de seu discurso - onde a bizarrice disputou com a inconsistência em seu diálogo com uma cadeira vazia representando o presidente Barack Obama - afetou um pouco a lenda, dando a imagem de um homem cansado e envelhecido.

Mas foi um homem confiante, engraçado e com voz segura, embora rouca, que se apresentou ante a imprensa especializada para vender seu filme, rindo das perguntas sobre sua idade e sobre os anos que passam. "Quando você chega a uma certa idade, você fica feliz com o simples fato estar aqui ainda!", declarou com um grande sorriso. "Gosto da minha carreira até aqui, e eu tento apreciar o caminho que ainda me resta". "Apenas mentimos", completou.
O envelhecimento e suas indignidades estão no centro de "Curvas da vida", onde Clint Eastwood interpreta um caçador de talentos para um clube de beisebol de Atlanta, recusando-se a admitir que esteja ficando cego.

Velho e rabugento, ele também é incapaz de ter uma sincera e calma relação com sua filha (Amy Adams), que, no entanto, resolve acompanhar o pai em uma missão na Carolina do Norte para tentar furar a casca desse pai empedernido.

Eastwood afirma ter tido um grande prazer ao abandonar a farda de diretor e se limitar ao seu trabalho como ator. "Depois de 'Gran Torino', eu pensei que era um pouco estúpido fazer as duas coisas ao mesmo tempo... mesmo tendo feito isso por 40 anos", disse.

Sua estreia como diretor foi em 1971, com "Perversa paixão".
 
"Eu pensei que deveria me contentar em ser apenas um ator, para não complicar a minha vida. E esta foi a oportunidade. Tinha só de olhar a Amy (Adams) e jogar a bola", brincou.

"Eu provavelmente não faria as duas coisas ao mesmo tempo, pelo menos por enquanto", acrescentou. "Mas eu também disse, há alguns anos atrás, que não atuaria novamente, e mudei de ideia. Muitas vezes, nós apenas mentimos para nós mesmos".

Na convenção republicana, contudo, ele não estava mentindo quando pediu aos americanos para não reelegerem o presidente Barack Obama. Mas reconheceu que não talvez não tivesse todas as ideias no lugar no momento de seu discurso, apesar de ter pedido cinco segundos para pensar antes de entrar no palco. "Quando você entra no palco e encontra 10.000 pessoas extremamente animadas, é preciso esvaziar sua mente", explicou.

Referência: CB