sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Protesto do grupo Pussy Riot expõe a face repressora do governo russo



O governo Putin foi alvo de protestos do grupo Pussy Riot e o resultado pode ser uma pena de até 7 anos de prisão para as integrantes, gerando insatisfação e protestos de grande parte dos soviéticos

O mundo está assistindo ao a uma injusta medição de forças onde um governo, que ainda está a nos luz de uma democracia, pode condenar três jovens que estão causando a maior dor de cabeça política que Putin já sofreu. Uma história de arte versus poder, de sociedade civil versus igreja e estado. Ou, como disse um documentarista que está registrando os acontecimentos, de "punk versus Putin". (Ele acrescenta que "estamos falando de 'Crime e Castigo', - obra maior de Dostoiévski - mas como há uma banda na prisão, temos também um pouco dos Monkees. Ou uma versão distorcida de um filme dos Beatles".).

O que se está discutindo, - notadamente no Ocidente, - é até quando um simples protesto de adolescentes pode ser considerado um ato criminoso que venha a atentar contra a segurança de um país como a Rússia. Analisa-se sobretudo, se o gesto de protesto do grupo musical Pussy Riot foi tão grave, a ponto das integrantes encontrarem-se aprisionadas, incomunicáveis, - não recebem visitas nem dos familiares, - e ainda terem negados os pedidos de libertação sob fiança. Os cristãos ortodoxos estão em pé de guerra, queimando tudo que faça referencia ao grupo e manifestando toda a sua repúdia às atitudes das integrantes da banda. Até aí, nada demais, pois trata-se de ações de cunho religioso e cada manifesta-se de acordo com as suas convicções, mas a postura do Presidente Putin demonstra o quão reacionário é o seu governo e que as propaladas ações com vistas ao restabelecimento da democracia no país não passam de balela. Ele continua com o mesmo viés político que o mundo conheceu, desde a sua chegada ao poder na Rússia.

Desde a chegada de Putin ao poder, nenhum político, jornalista, líder oposicionista ou personalidade pública criou tanto ruído. E tampouco deflagrou debates potencialmente tão significativos. O mais impressionante de tudo, talvez, seja o fato de que tudo que elas realizaram foi feito via arte, sem agressões e sem confrontos com os poderes constituídos. O gesto das meninas teve o grande mérito de chamar a atenção do mundo civilizado sobre os direitos individuais na Rússia. Resta-nos aguardar e verificar onde essa corda vai quebrar. Queira Deus que ela contrarie o dito popular e não quebre do lado mais fraco.
Euriques Carneiro

Um comentário:

  1. Para quem já viveu essa situação chega a dar arrepios!
    Boa matéria, Euriques. Gostei mesmo!

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