segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O santoamarense Caetano Veloso completa 70 anos na próxima terça, 07


Quando vemos no youtube os videos do Caetano garotão, cabelos longos, cantando nos vários festivais que fizeram época na década de 60, ficamos a imaginar: "...caramba, o cara já é setentão!..." Setentão mas, a exemplo dos bons vinhos, cada vez melhor e cada vez mais admirado e laureado

Na estreia fonográfica de Caetano Veloso em 1967, os versos “Meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo o que quer.” insinuam uma inquietação que persegue o artista por toda a sua trajetória. Será que ele, ao se olhar no espelho com 70 anos, diria que conseguiu ser tudo o que quis? Sua resposta, certamente, seria não, mesmo que Caê tenha sido muitos, vários, ao mesmo tempo e em tempos diferentes. E, incansável, ainda é. A explicação para a negativa é que sua alma de adolescente, sempre em busca da adrenalina que ronda as primeiras descobertas, não deixou que seu “coração de criança” sossegasse.

Sempre se reinventando, a figura de camaleão cabe bem ao nosso baiano de fina estampa, nascido em Santo Amaro da Purificação, discípulo de João Gilberto, filho de Dona Canô e irmão de Maria Bethânia, e que completa sete décadas de vida nesta terça-feira, 07.08. É difícil pensar em algum gênero que ele não tenha cruzado e em alguma influência que não tenha sido incorporada a seu som. Caetano Emanuel Viana Telles Veloso, veste com gosto a indumentária de paladino da música universal e não tem pudores em se arriscar. Tornar-se um roqueiro de cabelos brancos é uma prova disso. Brincar com os modismos dos timbres eletrônicos também. Qual a estrela da MPB que se arriscaria a, tocar o pagodão "Kuduro" no seu show? pois Caetano faz isto e seu público classifica a ousadia como um ato de irreverência. O espírito jovem lhe é tão íntimo que ele deve passar o 7 de agosto criando, em estúdio.
 

Multifacetado

Polêmico em muitas oportunidades, sincero, sempre, Caetano tem um quê de superbacana desde que o samba é samba. É argonauta, narciso, transcendental, neolítico, épico, índio e vampiro: um objeto não-identificado. Ser estrangeiro e muito romântico… é beleza pura. Nele, Jimi Hendrix e Cinema Novo se misturam e fazem um baião atemporal. Caê é ateu e vê milagres, é uns e outro. Em outras palavras, é qualquer coisa.

As múltiplas facetas do músico podem ser resumidas em uma só: a tropicalista. Para entender as raízes do movimento que ele ajudou a erguer ao lado do parceiro Gilberto Gil, e pelo qual navegou em todo o seu trajeto, é preciso voltar ao ano de 1967. Foi no 3º Festival da Record que os dois baianos deflagraram uma nova proposta estética que buscava aproximar a canção brasileira do som que alvorecia no mundo. Fundir era questão de ordem. A canção "Alegria, Alegria"  dava vazão a inquietações que Caetano Veloso trazia consigo desde a adolescência.

O maior letrista vivo deste país, surpreende a cada composição. Quando compôs "Podres Poderes", seus fãs acharam que ele tinha chegadoa ao ápice. Aí ele vem com "Força Estranha" e a estupefação foi ainda maior. Mas quando ouvimos "Haiti" deixamos de nos surpreender, pois sempre se aguardará uma nova canção emblemática de Caetano. A música evoluiu através dos tempos e, para ele, aquela marcha acentuada por guitarras nada mais era do que uma versão abrasileirada da música pop que se fazia lá fora. A letra, com descrições cinematográficas, citava elementos da cultura de massa, como a Coca-Cola e Brigitte Bardot. Afinal, tais elementos não faziam parte de nossa cultura também? O que havia de tão mal assim no som da jovem guarda de Roberto e Erasmo Carlos que a turma nacionalista execrava? Por que as guitarras elétricas não poderiam adornar nossas canções? Na guerra entre o iê-iê-iê e a MPB, a Tropicália surgiu como uma terceira — e definitiva — via. Depois dela, nada se viu de tão relevante até os dias de hoje.

Referência: Folha



Um comentário:

  1. "O tempo passa, o tempo voa, e o Caetano Veloso continua numa boa..." Chegar aos 70 anos, tão respeitado e premiado, produzindo inúmeras jóias da MPB, é para poucos.
    PARABÉNS Caetano. Você é o cara!!!

    André Meira

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