segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Novo livro de Diogo Mainardi, segundo Mário Sabino


Ex-colunista semanal da Veja, Diogo Mainardi lança livro onde aborda a saga do seu filho Tito, portador de paralisia cerebral em virtude de erros médicos


A revista Veja de 22.08, traz uma crítica de Mario Sabino sobre o novo livro de Diogo Mainard, - A Queda - As Memórias de um Pai em 424 Passos, onde o autor narra a trajetória de vida do seu filho Tito, em 424 capítulos curtos e emblemáticos

Diogo Mainardi assinou uma coluna na revista de 1999 a 2010 e, ao tempo em que tinha inúmeros leitores que corriam ávidos para a sua narrativa tão logo tinham o exemplar em mãos, angariou uma legião de desafetos. 

Notabilizou-se sobretudo pela “marcação cerrada” ao governo Lula, com ênfase nas críticas pessoais ao próprio Presidente da República, chegando a escrever o livro 'Lula é minha anta', onde achincalha a figura de Luiz Inácio Lula da Silva, como político e ser pensante. 

Dono de um estilo meio que sarcástico mas com uma fortíssima dose de preconceito, - sobretudo com os nordestinos, - o colunista e escritor, que viveu grande parte da sua vida na elitizada Veneza, dava palpites semanais sobre um assunto que ele pouco entendia e conhecia: o Brasil.

Bajulação explícita

A critica de Sabino é uma apoteótica peça de bajulação ao escritor, que leva o leitor a pensar que o ensaísta está a falar de um grande mestre das letras, do tipo Charles Dickens, Jean Paul Sartre ou Shakespeare, por exemplo. 

Há passagens impagáveis: “No livro, Veneza continua a ser extraordinária, como na época de Goldoni, mas não como um tributo ao engenho humano, e sim à sua prepotência, da qual Diogo se despiu existencialmente”, ou uma afirmação do próprio Mainardi que mostra o verdadeiro tamanho do seu ego: “ Em meus romances, eu era o narrador onisciente, que comandava o destino de um bando de personagens idiotas. Morreu a minha soberba autoral e, sem ela, era impensável continuar a escrever romances.” 

 A trajetória de Mainardi sempre foi de uma autor que escreve para as elites, para as camadas mais abastadas da população, tanto de punjança econômica quanto de cabedal acadêmico. Os seus livros soam inteligíveis para as pessoas comuns que não tiveram a oportunidade de frequentar os melhores colégios e faculdades e nem a dádiva de viver fora do país e desfrutar da cultura e erudição europeias. Isto posto, não é de surpreender a sua autopropalada "soberba autoral".

Não vamos aqui abordar o drama pessoal do autor, cujo monta é de dar calafrios em qualquer ser humano, principalmente quem conhece o dom de ser pai ou, como eu, que teve a excruciante dor de sepultar um filho. Quando o acontecido é um desígnio do Senhor, deve ser mais fácil de aceitar, mas quando trata-se de grosseiros erros médicos, deve ser uma dor inenarrável a comprimir peito. Esta é uma questão de foro íntimo, a qual respeitamos.

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