quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Incêndio em cobertura dúplex no Rio de Janeiro, destruiu obras-primas de pintores como Di Cavalcanti




Incêndio que destruiu obras inestimáveis de um dos maiores acervos particulares do país, levanta a problemática da proteção prevista no Estatuto dos Museus. A norma prevê auxílio oficial para conservar coleções particulares, mas  a parceria não é conhecida e ainda não foi firmada com nenhum marchand

O Estatuto de Museus prevê que acervos particulares de relevância possam ser considerados de interesse nacional e, assim, receber ajuda do Estado  foi criado em 2009. Apesar da lei, nenhuma coleção privada ainda foi incluída nessa categoria, segundo o diretor do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), José do Nascimento Junior. "Não se tira a propriedade nem a possibilidade de venda, mas é possível ajudar nos procedimentos de manutenção e prevenção de incêndios."

 
Samba: um dos marcos de De Cavalcanti

Trocando em miúdos: o Estado enquanto instituição não tem ingerência quando se trata de propriedade privada, mas pode ser acionado caso haja interesse do dono. O estatuto ainda está sendo regulamentado e por isso não é muito conhecido. "Com o decreto de regulamentação, espera-se que seja mais divulgado", disse Nascimento. Ele contou que ofereceu ajuda oficial do governo a Jean Boghici nesta terça-feira, 14. Mas o colecionador teria respondido que, no momento, não havia essa necessidade.
Já há uma ocorrência onde o Estatuto foi acionado, dez meses depois de ser criado, em 2009. O Ibram fez uso da lei e auxiliou no processo de recuperação do acervo de Hélio Oiticica. Quase três anos depois, o trabalho continua, com a recuperação de bólides e caixas.
"Devemos terminar até o fim do ano", afirma César Oiticica, irmão do artista. "Aprendi que o ideal é não ter ar-condicionado. Hoje, temos ar central, alarmes potentes e sistema de acionamento de gás que congela o ambiente."
Que não se pense que o problema é exclusividade do Brasil.Mesmo na Europa e demais países, onde milhares de tesouros de pintura e escultura se espalham por casas de pequenos e grandes colecionadores privados, os seguros de obras de arte não são obrigatórios. Cálculos das seguradoras consultadas em Paris indicam que em torno de 15% a 20% dos proprietários de bens artísticos contam com seguros específicos. A maior parte das companhias seguradoras da França dispõe de planos para proteger quadros, esculturas e objetos de decoração valiosos, mas a prática não é uma constante. Entre as opções estão os seguros individuais ou por obra de arte. Já para peças valiosas, como um quadro de Andy Warhol, por exemplo, a opção mais frequente é a contratação de um seguro habitacional. Mas oito em cada dez não têm essa proteção.

Em museus como o Louvre, por exemplo, obras como a Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci, não têm seguro especial. Isso ocorre em quadros considerados inestimáveis. Nestes casos, nem o Ministério da Cultura tem interesse nem as seguradoras têm cacife para bancá-los e o Estado entra como fiador. Dado o altíssimo culto das apólices de seguro,  os maiores museus da Europa preferem investir em sistemas de segurança com câmaras de alta resolução, sistema de sensores ultrassofisticados e demais itens que a moderna tecnologia disponibiliza para segurança de pecas de alto valor.
Parte do acervo que era mantido no apartamento
Referencia: AE

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