quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Diogo Nogueira lança DVD gravado no Teatro Karl Marx, em Cuba




"Diogo Nogueira ao Vivo em Cuba é um "desvio de percurso" na carreira do sambista carioca de 31 anos e 400 mil CDs e DVDs vendidos desde 2007. No trabalho ele mescla pérolas da MPB com ritmos caribenhos, numa alusão ao país onde foi gravado o DVD

A afirmação é dele mesmo. Depois de Tô Fazendo a Minha Parte - sucesso alavancado pela música título, incluída na novela Amor Eterno Amor, e pelo samba Sou Eu, de Chico Buarque e Ivan Lins, e vencedor do Grammy Latino de melhor álbum de samba -, o que viria era um CD de inéditas, em parte já escolhidas. Mas ele acabou saindo com mais um DVD, o meio com o qual se lançou, cantando sucessos do pai, João Nogueira. O que faz sentido, a analisar o gosto do brasileiro por esta mídia, considerado peculiar no mercado internacional. "Não vejo problema de lançar outro ao vivo (o terceiro), acho que isso é uma besteira. Já está saindo com 100 mil cópias, o que significa alguma coisa", diz o cantor, que aproveitou o convite para participar da Feira Internacional de Havana, no Teatro Karl Marx, com capacidade para mais de 5 mil pessoas, para registrar sua passagem pela cidade - que era a cara de João. "Não sei se ele foi a Cuba, mas era apaixonado por Fidel, Che Guevara..."

"Não teve nenhuma estratégia de marketing de gravadora nisso. Diogo só está aproveitando a oportunidade de lançar o que ele gosta e o que o público dele gosta", conta o diretor do DVD e seu empresário, Afonso Carvalho, sobre o repertório: lados A do repertório de samba, que ele já cantava em shows, mas ainda não havia gravado. Músicas que todo brasileiro já ouviu em outras vozes: O Que É, O Que É (Gonzaguinha), Coração em Desalinho (Monarco/Ratinho), Deixa a Vida me Levar (Eri do Cais/ Serginho Meriti), Vou Festejar (Jorge Aragão/ Neoci Dias/ Dida), Acreditar (Dona Ivone Lara/ Delcio Carvalho). 

Há algum tempo, Diogo se vê mais próximo dos ritmos caribenhos. Em faixas como Tanta Saudade (Djavan/ Chico Buarque), Que Maravilha (Toquinho/ Jorge Ben Jor) e Madalena (Ivan Lins/ Ronaldo Monteiro), sente-se o tempero cubano - exceção num cenário em que os arranjos, de seu cavaquinista e diretor musical, Henrique Garcia, e de Alceu Maia, soam homogeneizadores.

A voz e a postura de galã casam bem em temas românticos superpopulares dos anos 80, como Verdade Chinesa (Carlos Colla/Gilson), Ex-Amor (Martinho da Vila) e Deixa Eu te Amar (Mauro Silva/ Camilo, Agepê). O repertório autoral ficou de fora. "A gente resolveu só colocar sucessos, músicas que sempre tiveram muita aceitação nos meus shows, complementando com a pitada de salsa. Não faria sentido estar em Cuba e fazer só samba", explica Diogo, que em cinco anos já ouviu coros em palcos nos Estados Unidos e Europa. 

O famoso grupo local Los Van Van foi chamado para esquentar o clima com El Cuarto de Tula, gravada no CD do Buena Vista Social Clube. A batida da santería se integra à do samba no medley de Mineira (João Nogueira/Paulo César Pinheiro) e Samba de Arerê (Arlindo Cruz/Xande de Pilares/Mauro Jr). O CD inédito, com produção de Leandro Sapucahy (de discos tão distintos quanto o de Arlindo Cruz, Aline Calixto e o de samba de Maria Rita) ficou para o início de 2013 - finda a longa agenda de shows, que contempla capitais e interiores. Em São Paulo, a data é 14 de setembro, no HSBC Brasil. 

O DVD tem, além do show (assistido por maioria cubana, mas também por estudantes brasileiros), um minidoc com o passeio de Diogo por Havana. Ele já pensa em novas viagens. Próxima parada: Cabo Verde.

Fonte: estadao

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