quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Brasil olímpico: o prestígio de um país é proporcional ao orgulho de seus cidadãos.




Brasileiro residente no Canadá critica posição 'derrotista' de torcedor brasileiro
LEITOR FABRICIO MORAES DE TORONTO (CANADÁ)
Esta é a primeira Olimpíada que passo fora do Brasil. Atualmente moro no Canadá e posso observar como a mídia e a população daqui encaram os resultados dos atletas olímpicos. Com uma delegação olímpica quase tão grande quanto a do Brasil e considerado um país desenvolvido, o Canadá ficou atrás do Brasil no ranking geral de medalhas, com apenas um ouro.

Porém cada medalha de prata ou de bronze conquistada pelo Canadá foi muito comemorada, sendo um grande orgulho para o país. Mesmo as classificações que não resultaram em medalhas foram celebradas por aqui.
Infelizmente, no Brasil, o que tenho acompanhado --e o que sempre vi em edições olímpicas anteriores-- é o brasileiro valorizando as derrotas, e não as vitórias, como no caso da judoca que foi agredida no Twitter após sua desclassificação.

O Brasil ganhou um ouro no primeiro dia de competição e totalizou três no final dos jogos! Onde está o orgulho do povo brasileiro por ter representantes nossos que, com muito esforço e muitas vezes pouco patrocínio, se classificaram para um torneio mundial e chegaram perto de serem os melhores do mundo? Vamos lá, Brasil! Tenhamos orgulho de todos os atletas que nos representaram em Londres!
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Opinião do Artecultural

Este foi o ponto de vista de um brasileiro residente no Canadá e ela reflete a nossa velha mania de menosprezar as nossas vitórias. Vejam o que ele fala sobre o Canadá. Trata-se do país com 3º. IDH do planeta, com economia estabilizada e um povo educado, altamente culto e bem informado. Apesar dos fatores favoráveis ficaram na posição de numero 36 nas Olimpíadas de Londres, com apenas uma medalha de Ouro. Enquanto isso, o Brasil ficou em 22º. lugar, com 3 Ouros. E mais, enquanto nós achamos o nosso resultado pífio, eles comemoraram o feito dos seus atletas, com entusiasmo.

O dramaturgo e escritor brasileiro Nelson Rodrigues, criou a expressão “complexo de vira latas”, ao perdermos a final da Copa do Mundo de 1950, em pleno Maracanã, quando a nossa seleção era considerada a melhor do mundo e imbatível até então. Pelo visto, o complexo continua mais vivo do que nunca no futebol olímpico e ainda se estendeu para o vôlei de quadra, o vôlei de praia, o judô e demais modalidades nas quais, nós brasileiros imaginamos que voltaríamos com a medalha dourada no peito.

Todos pedem investimentos das áreas publicas e privadas no esporte e eles devem realmente ser mais encorpados, mas mesmo que eles sejam disponibilizados agora, os resultados não são imediatos: costumam aparecer depois de muitos anos. Assim, preparemos os nossos espíritos, pois não vamos ter o desempenho de China, EUA e Grã Bretanha, na Olimpíada do Rio 2016. Teremos sim, que valorizar e nos orgulhar dos resultados que venham ser obtidos pelos nosso atletas, ainda que eles estejam aquém das nossas expectativas.

Euriques Carneiro




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