quarta-feira, 1 de agosto de 2012

35 anos do Centro de Abastecimento de Feira de Santana




... De Santana

Na feira de Feira
Defendendo a féria
Vendendo de tudo
Desvendando nada

No meio da feira
Tinha uma fogueira
Do calor humano
Que dava risada

No pé da ladeira
Tem mulher faceira
Comida caseira
Por quatorze pratas
E no final da feira
Aquela suadeira
E a negrada cheirando ( Bis)
A xixi de vaca
Destruiram a feira
Sede de quem mata
A Fauna , a flora, a força
dessa gente nata
Que sofre calada
Com uma grande mágoa
E um nó na garganta
Que nunca desata
Senhora Santana
Chora sente falta
Da feira que no mundo
Afora ganhou fama ai...ai...
Devolva a FEIRA DE SANTANA
O povo cala e o coração reclama!
 

Augusto Jatobá, poeta nascido em Campo Formoso, mas que viveu muito tempo em Feira de Santana, compôs a música "...De Santana" em protesto pela transferência da feira livre de Feira de Santana para o Projeto Cabana. Ainda hoje, se perguntarmos à maioria dos moradores de Feira, - mesmo aos que residem nela há cerca de 30 anos, - o que é o Projeto Cabana, a maioria não saberá responder. O projeto nada mais é do que Centro de Abastecimento de Feira de Santana (CABANA), que passou a ter o status de “maior entreposto comercial do interior do Norte/Nordeste”, ao ser inaugurado em 01.02.1977. A outrora feira livre que ocupava toda a Praça da Bandeira e estendia os seus tentáculos pela Marechal Deodoro, Senhor dos Passos, Conselheiro Franco e Sales Barbosa, foi transferida para o Centro de Abastecimento, gerando a música-protesto de Jatobá.

No ponto de táxi do Largo São Francisco, onde eu costumava estacionar o meu Fusca à espera dos parcos passageiros, a discussão era de como o novo entreposto comercial influenciaria na nossa atividade. As opiniões eram divididas e choviam argumentos contrários ou favoráveis ao novo projeto do prefeito José Falcão da Silva. Logo surgiram os problemas e alguns deles se arrastam até os dias de hoje, mesmo decorridos 35 anos da implantação. Material orgânico em decomposição, buracos que surgiram nos acessos e, quando chovia, o caos era total com verdadeiras “Lagoas do Prato Raso” que se formavam em vários pontos do Centro de Abastecimento. Como o pessoal que compunha a classe de taxistas era de uma criatividade ímpar, logo o CABANA passou a ser conhecido em nosso meio como “Centro de Aborrecimento”.

Apesar das melhorias implantadas nestas três décadas, o local ainda é carente de uma série de equipamentos, a exemplo de banheiros em quantidade compatível com a dimensão do projeto, manutenção das vias de acesso e um melhor ordenamento dos diversos galpões. Abstraindo-se as carências citadas, o Centro de Abastecimento abriga uma infinidade de vendedores dos mais variados produtos. Não chega a ter a diversidade da Feira de Caruaru (PE), mas pode-se encontrar produtos e serviços absolutamente sui generis no CABANA. 


Ainda não vi em nenhum outro entreposto, um local onde você possa comprar um peixe ainda vivo, pedir para abater e retirar toda as espinhas. Pois no Centro de Abastecimento isto é possível. Se você vai fazer um suculento caruru, existe uma gama imensa de vendedores dos ingredientes para o preparo da iguaria, com qualidade e preço para todos os bolsos. Quer sair da balada ao raiar do dia e encarar uma feijoada ou mocotó? Lá já tem desde as 5 da matina. Prefere almoçar? Inúmeras barracas servem de churrasco a rabada, de moqueca de peixe a dobradinha. Tudo isso a preços altamente convidativos.
 
Como a oferta é muito grande em todos os produtos comercializados, os preços são geralmente bem mais baixos. Além dos componentes básicos da cesta, - frutas, verduras, legumes, carnes, etc., - é possível comprar churrasqueiras improvisadas em rodas de carro, mesas, cadeiras e tamboretes, artesanato em couro, palha e barro, enfim, a mais inusitada das mercadorias, pode ser encontrada no Centro de Abastecimento. Conversando com os comerciantes locais, é possível encontrar “fundadores”, pessoas que já migraram da feira livre do centro da cidade, e outras que chegaram ao CABANA recentemente. Os mais antigos já não sonham tanto e contentam-se com a possibilidade de sobreviver condignamente, já os mais novos, empolgam-se com algumas histórias de empresários de sucesso que iniciaram a carreira no Centro de Abastecimento e sonham em seguir pela mesma trilha.
Para relembrar os velhos tempos, indaguei de alguns taxistas quais os sonhos e as perspectivas da classe em relação ao CABANA. Opinião geral: o Centro não é mais de “Aborrecimento”, mas não continua sem “Abastecer” a féria dos que lá atuam.

Euriques Carneiro

Um comentário:

  1. Belas reminiscências dos 35 anos de CABANA. Quantas feijoadas, dobradinhas, cozido e meninico de carneiro já degustei nas barracas para as quais os "finos" torcem o nariz, mas cujo sabor e aroma superam a aparente deficiência de higiene. Viajei no tempo com esta matéria. Congratulações meu caro Euriques Carneiro. Fortíssimo abraço.

    João Neto

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