quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Estreia: 'Tudo o que amo' alterna amor e política na Polônia




Jovens buscam liberdade em meio a regime comunista na história do longa. Filme representou o país no Oscar de filme estrangeiro em 2010.


O nome é Lech Walesa e o ano é 1981. O sindicato Solidariedade sacode a Polônia reprimida pelo regime comunista. A seu modo, os adolescentes que integram uma banda punk da produção polonesa "Tudo o que amo", do diretor Jacek Borcuch, vão viver o seu verão de liberdade. Exibido no Festival de Sundance, o filme foi o representante da Polônia nas indicações ao Oscar de filme estrangeiro de 2010.
É um delicado retrato de geração o que se delineia na tela, colocando em primeiro plano os sonhos, angústias, brincadeiras e aventuras dos jovens Janek (Mateusz Kosciukiewicz), seu irmão Staszek (Mateusz Banasiuk) e amigos como Kazik (Jakub Giersal) - que de vez em quando falta às aulas para esconder as marcas dos espancamentos seguidos de seu pai, o que não abala nem a ousadia nem a ironia do garoto. Enfrentar esse pai violento é sua forma pessoal de resistência.
Contrariando o clichê, o pai de Janek Staszek (interpretado por Andrzej Chyra, visto em "Elles" e "Katyn"), que é militar, é uma pessoa notavelmente aberta e liberal, que evita envolver-se com as manobras cada vez mais autoritárias de um regime abalado pelas manifestações pró-democracia. A mãe (Anna Radwan), é enfermeira e constata de perto a precariedade das condições de trabalho.
Conscientes da instabilidade desse contexto político, incorporado nas letras agressivas e libertárias de sua banda, os garotos estão mais interessados em experimentar o sexo e o amor. Para Janek, começa um romance com a colega Basia (Olga Frycz).
A política, porém, impõe-se sobre o cotidiano, quando o presidente-general WojciechJaruzelski (aparecendo em noticiário verídico da época) decreta lei marcial, que implica o fechamento das escolas e toque de recolher, além de várias prisões, como do pai de Basia - criando um obstáculo ao seu envolvimento com um filho de militar como Janek.
Os tempos sombrios se fecham sobre a família, com a doença da avó paterna (Elzbieta Karkoszka) - proporcionando à história uma bem-vinda digressão, que proporciona algumas das melhores cenas do filme, retratando uma conversa do pai de Janek com seu próprio pai (Zygmunt Malanowicz), que guarda a memória da Polônia antes da 2ª Guerra, e de Janek com seu pai, num momento fortemente emotivo.
Há muito humor na maneira como a história acompanha as aventuras eróticas de Janek com uma vizinha mais velha, a fogosa mulher do capitão Sokolowksi (Katarzyna Herman).
De maneira muito consistente, o filme do diretor e roteirista Jacek Borcuch - que tem um passado consistente como ator - desenvolve um retrato sólido e nuançado de geração e de um período crucial na história de seu país. Tanto para os jovens, quanto para os habitantes da nação, vai ser imperioso encontrar novas saídas para amadurecer.
O filme estreia exclusivamente em São Paulo, no Cinesesc.
Fonte: g1.com.br

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

"Saga da Amazônia” e “Matança”: ícones de protesto contra o desmatamento




Início dos anos 80, Vital Farias e Jatobá, compõem músicas de protesto contra a agressão à natureza, notadamente quanto ao desmatamento das nossas florestas

As músicas tornaram-se hinos de protesto ecológico, quando ainda se pensava muito pouco no assunto.
No mundo contemporâneo, mais que modismo, é absolutamente necessário ter ações e atitudes que primem pelo respeito ao meio ambiente e preocupem-se com a sustentabilidade. Grande parte das pessoas já se pensam o futuro e repensam o planeta que vamos deixar para as gerações que virão depois de nós.
Empresas que trazem na sua missão o sentido da sustentabilidade, já utilizam o fato do candidato a emprego ter atitudes sustentáveis como fator de desempate em certames de seleção. Os grandes mercados consumidores da ocidente já rejeitam produtos cujos fabricantes exploram mão de obra infantil ou tenham na sua linha de produção, qualquer processo que agrida a natureza.
 Trata-se de conceitos que vão se difundindo mundo afora e o próprio mercado vai expurgar empresas que não se enquadrem no perfil de sustentabilidade. As grandes corporações já incluem no seu planejamento estratégico o “balanço social”. Nele constam as ações sociais da empresa, como os programas de apoio a entidades beneficentes, tratamento e reaproveitamento de água, economia de energia, reciclagem de lixo, recuperação de áreas degradas, entre outras.
Só que nós estamos falando de hoje, de 2012, quando estas questão estão sendo amplamente discutidas. Semanalmente, as revistas de circulação nacional trazem matérias sobre o assunto e os telejornais diários estão sempre exibindo reportagens que abordam a conservação do meio ambiente, o respeito à biodiversidade e exemplos de ações sustentáveis.

VITAL FARIAS E JATOBÁ: VANGUARDISTAS

Lá no início da década de 80, dois compositores, o baiano Jatobá e o paraibano Vital Farias, compuseram as duas obras de arte (vide as letras das músicas no final desta matéria), que já expressavam a preocupação dos artistas com a degradação das espécies, a preservação da natureza e a sustentabilidade das ações do homem. Era uma visão vanguardista dos dois poetas que, além de construírem duas belíssimas letras, ainda conclamavam as pessoas a repensarem as suas atitudes, sob pena de inviabilizarem a vida no planeta para as gerações vindouras.

As músicas “Saga da Amazônia” e “Matança”, espelham aquela afirmação sobejamente conhecida: “música não tem idade...”. Falar de ecologia hoje, quando o assunto é palpitante e presença obrigatória em todos os meios, - acadêmicos e ou não, - é fato corriqueiro. O grande mote de Vital Farias e Jatobá, foi ter abordado o tema há 30 anos, quando pululavam pelo país as carvoarias, (dizimando a madeira e manchando indelevelmente os pulmões dos carvoeiros), a exploração desenfreada da mão de obra infantil e a poluição galopante dos rios e mananciais, entre outras mazelas que agrediam natureza e seres humanos. “Matança” foi gravada por Xangai e “Saga da Amazônia” foi sucesso na voz de Elba Ramalho, além da gravação do próprio Vital Farias.
Euriques Carneiro
 
Quem hoje é vivo, corre perigo...

Saga da Amazônia

(Vital Farias)
Era uma vez na Amazônia a mais bonita floresta
mata verde, céu azul, a mais imensa floresta
no fundo d'água as Iaras, caboclo lendas e mágoas
e os rios puxando as águas

Papagaios, periquitos, cuidavam de suas cores
os peixes singrando os rios, curumins cheios de amores
sorria o jurupari, uirapuru, seu porvir
era: fauna, flora, frutos e flores

Toda mata tem caipora para a mata vigiar
veio caipora de fora para a mata definhar
e trouxe dragão de ferro, prá comer muita madeira
e trouxe em estilo gigante, prá acabar com a capoeira

Fizeram logo o projeto sem ninguém testemunhar
prá o dragão cortar madeira e toda mata derrubar:
se a floresta meu amigo, tivesse pé prá andar
eu garanto, meu amigo, com o perigo não tinha ficado lá

O que se corta em segundos gasta tempo prá vingar
e o fruto que dá no cacho prá gente se alimentar?
depois tem o passarinho, tem o ninho, tem o ar
igarapé, rio abaixo, tem riacho e esse rio que é um mar

Mas o dragão continua a floresta devorar
e quem habita essa mata, prá onde vai se mudar???
corre índio, seringueiro, preguiça, tamanduá
tartaruga: pé ligeiro, corre-corre tribo dos Kamaiura

No lugar que havia mata, hoje há perseguição
grileiro mata posseiro só prá lhe roubar seu chão
castanheiro, seringueiro já viraram até peão
afora os que já morreram como ave de arribação
Zé de Nata tá de prova, naquele lugar tem cova
gente enterrada no chão:

Pois mataram índio que matou grileiro que matou posseiro
disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro
roubou seu lugar

Foi então que um violeiro chegando na região
ficou tão penalizado que escreveu essa canção
e talvez, desesperado com tanta devastação
pegou a primeira estrada, sem rumo, sem direção
com os olhos cheios de água, sumiu levando essa mágoa
dentro do seu coração

Aqui termina essa história para gente de valor
prá gente que tem memória, muita crença, muito amor
prá defender o que ainda resta, sem rodeio, sem aresta
era uma vez uma floresta na Linha do Equador...
+++++++++++++++++++++++++++
Matança
(Jatobá)
Cipó caboclo tá subindo na virola
Chegou a hora do pinheiro balançar
Sentir o cheiro do mato da imburana
Descansar morrer de sono na sombra da barriguda
De nada vale tanto esforço do meu canto
Pra nosso espanto tanta mata haja vão matar
Tal mata Atlântica e a próxima Amazônica
Arvoredos seculares impossível replantar
Que triste sina teve cedro nosso primo
Desde menino que eu nem gosto de falar
Depois de tanto sofrimento seu destino
Virou tamborete mesa cadeira balcão de bar
Quem por acaso ouviu falar da sucupira
Parece até mentira que o jacarandá
Antes de virar poltrona porta armário
Mora no dicionário vida eterna milenar

Quem hoje é vivo corre perigo
E os inimigos do verde da sombra, o ar
Que se respira e a clorofila
Das matas virgens destruídas vão lembrar
Que quando chegar a hora
É certo que não demora
Não chame Nossa Senhora
Só quem pode nos salvar é

Caviúna, cerejeira, baraúna
Imbuia, pau-d'arco, solva
Juazeiro e jatobá
Gonçalo-alves, paraíba, itaúba
Louro, ipê, paracaúba
Peroba, maçaranduba
Carvalho, mogno, canela, imbuzeiro
Catuaba, janaúba, aroeira, araribá
Pau-fero, angico amargoso, gameleira
Andiroba, copaíba, pau-brasil, jequitibá

Diogo Nogueira lança DVD gravado no Teatro Karl Marx, em Cuba




"Diogo Nogueira ao Vivo em Cuba é um "desvio de percurso" na carreira do sambista carioca de 31 anos e 400 mil CDs e DVDs vendidos desde 2007. No trabalho ele mescla pérolas da MPB com ritmos caribenhos, numa alusão ao país onde foi gravado o DVD

A afirmação é dele mesmo. Depois de Tô Fazendo a Minha Parte - sucesso alavancado pela música título, incluída na novela Amor Eterno Amor, e pelo samba Sou Eu, de Chico Buarque e Ivan Lins, e vencedor do Grammy Latino de melhor álbum de samba -, o que viria era um CD de inéditas, em parte já escolhidas. Mas ele acabou saindo com mais um DVD, o meio com o qual se lançou, cantando sucessos do pai, João Nogueira. O que faz sentido, a analisar o gosto do brasileiro por esta mídia, considerado peculiar no mercado internacional. "Não vejo problema de lançar outro ao vivo (o terceiro), acho que isso é uma besteira. Já está saindo com 100 mil cópias, o que significa alguma coisa", diz o cantor, que aproveitou o convite para participar da Feira Internacional de Havana, no Teatro Karl Marx, com capacidade para mais de 5 mil pessoas, para registrar sua passagem pela cidade - que era a cara de João. "Não sei se ele foi a Cuba, mas era apaixonado por Fidel, Che Guevara..."

"Não teve nenhuma estratégia de marketing de gravadora nisso. Diogo só está aproveitando a oportunidade de lançar o que ele gosta e o que o público dele gosta", conta o diretor do DVD e seu empresário, Afonso Carvalho, sobre o repertório: lados A do repertório de samba, que ele já cantava em shows, mas ainda não havia gravado. Músicas que todo brasileiro já ouviu em outras vozes: O Que É, O Que É (Gonzaguinha), Coração em Desalinho (Monarco/Ratinho), Deixa a Vida me Levar (Eri do Cais/ Serginho Meriti), Vou Festejar (Jorge Aragão/ Neoci Dias/ Dida), Acreditar (Dona Ivone Lara/ Delcio Carvalho). 

Há algum tempo, Diogo se vê mais próximo dos ritmos caribenhos. Em faixas como Tanta Saudade (Djavan/ Chico Buarque), Que Maravilha (Toquinho/ Jorge Ben Jor) e Madalena (Ivan Lins/ Ronaldo Monteiro), sente-se o tempero cubano - exceção num cenário em que os arranjos, de seu cavaquinista e diretor musical, Henrique Garcia, e de Alceu Maia, soam homogeneizadores.

A voz e a postura de galã casam bem em temas românticos superpopulares dos anos 80, como Verdade Chinesa (Carlos Colla/Gilson), Ex-Amor (Martinho da Vila) e Deixa Eu te Amar (Mauro Silva/ Camilo, Agepê). O repertório autoral ficou de fora. "A gente resolveu só colocar sucessos, músicas que sempre tiveram muita aceitação nos meus shows, complementando com a pitada de salsa. Não faria sentido estar em Cuba e fazer só samba", explica Diogo, que em cinco anos já ouviu coros em palcos nos Estados Unidos e Europa. 

O famoso grupo local Los Van Van foi chamado para esquentar o clima com El Cuarto de Tula, gravada no CD do Buena Vista Social Clube. A batida da santería se integra à do samba no medley de Mineira (João Nogueira/Paulo César Pinheiro) e Samba de Arerê (Arlindo Cruz/Xande de Pilares/Mauro Jr). O CD inédito, com produção de Leandro Sapucahy (de discos tão distintos quanto o de Arlindo Cruz, Aline Calixto e o de samba de Maria Rita) ficou para o início de 2013 - finda a longa agenda de shows, que contempla capitais e interiores. Em São Paulo, a data é 14 de setembro, no HSBC Brasil. 

O DVD tem, além do show (assistido por maioria cubana, mas também por estudantes brasileiros), um minidoc com o passeio de Diogo por Havana. Ele já pensa em novas viagens. Próxima parada: Cabo Verde.

Fonte: estadao

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Sinal dos tempos: livro de Garcia Marquez tem tradução autorizada em mandarim




Um dos mais famosos livros de Gabriel García Marquez, "O Amor nos Tempos do Cólera", é lançado na China

A primeira versão autorizada em mandarim de
 O Amor nos Tempos do Cólera, um dos mais famosos romances do escritor Gabriel García Márquez, chegou finalmente à China, um mercado em que durante anos circularam versões ilegais de muitas obras do Nobel de Literatura colombiano. 

Ainda que tímidos, surgem no horizonte os primeiros sinais de abertura política na China. Por anos, versões ilegais de traduções do Nobel de Literatura circularam no país, mas a
 professora de espanhol Yang Ling foi encarregada da tradução da obra, de 1985, publicada pela editora Thinkingdom e lançada nesta segunda-feira, 27, na estatal Academia Chinesa de Ciências Sociais, em Pequim.

"Com o livro, cada um pode reencontrar seu próprio sentimento do 'primeiro amor' e García Márquez aparece como um homem real, de carne e osso, e sentimos profundamente o que ele sente", descreveu Yang à agência
 Efe ao comentar a obra célebre, sua primeira tradução de um romance latino-americano. A professora acrescentou que enquanto Cem Anos de Solidão pode ser definido como um livro escrito com "a caneta de Deus", em O Amor..., "Márquez se revela como Jesus: com um lado humano e um lado divino".

"O que mais me impressionou foi o amor. É um tipo de amor diferente. Os chineses não falam tanto disso porque geralmente somos mais tímidos. García Márquez fala muito do amor. O amor que está em seu livro me comoveu muito. E acaba nos mostrando que é a coisa mais importante da vida e que sem ele não podemos viver", refletiu Yang. Chen Zhongyi, pesquisador de Filologia Hispânica da Academia de Ciências Sociais da China e que traduziu "Gabo" nos anos 1980, elogiou a tradução lançada nesta segunda e afirmou que "no plano de fundo há muito da história da sociedade (colombiana), mas o mais importante é a imaginação e o estilo de García Márquez".

Por sua vez, a diretora do Instituto Cervantes de Pequim (organismo que colabora com a editora do livro), Inmaculada González, opinou à
 Efe que a nova tradução é admirável porque durante muitos só se conheciam na China edições não reconhecidas nem por "Gabo" nem por seu agente. "É um grande passo adiante e também representa um novo momento da situação editorial na China, que cada vez adquire mais direitos de autores estrangeiros e também certamente significa que cada vez serão traduzidos mais autores chineses", opinou González.
O primeiro-secretário da Embaixada da Colômbia na China, Luis Roa, encarregado de Assuntos Culturais, opinou por sua vez que a obra "é um grande presente cultural e literário que 'Gabo' dá ao povo chinês e um grande legado literário da literatura colombiana que finalmente se torna oficial".

Em 1990, o Nobel de Literatura colombiano chamou os chineses de "piratas" ao descobrir que suas obras eram traduzidas sem autorização, e reza a lenda entre os hispanistas chineses que afirmou que "nem 150 anos após sua morte autorizaria". Com o protocolo de 1991 do Convênio de Berna para a Proteção das Obras Literárias e Artísticas, editoras chinesas, primeiro estatais e depois privadas, tentaram adquirir os direitos da obra prima do realismo mágico latino-americano, mas consideraram muito alto o preço que Carmen Balcells, agente de "Gabo", havia estabelecido.

A tradução agora publicada, de Thinkingdom Media Group Ltd, é a terceira que a casa editorial apresenta de García Márquez após ter lançado em maio do ano passado a versão oficial de
 Cem Anos de Solidão e pouco depois o ensaio No he venido a dar un discurso (não publicado no Brasil). "Anteriormente seus trabalhos não haviam sido publicados formalmente, por isso achamos que temos a responsabilidade de publicá-los para contribuir com a melhora da literatura que existe na China e para que os leitores chineses possam conhecer o trabalho de García Márquez", declarou à Efe 
Liu Cancan, representante da editora.

Fonte: agencia Efe

40 anos depois de lançado, disco de Gilberto Gil, "Expresso 2222" ganha reedição




Tudo o que Gilberto Gil faria pela música popular brasileira no decorrer das quatro décadas seguintes já estava apontado naquele disco. Quem fez a leitura correta antecipou-se aos trabalhos seguintes de Gil

 Completando 40 anos, o álbum "Expresso 2222" ganha, nas próximas semanas, uma reedição especial, remasterizada nos estúdios ingleses de Abbey Road, e com o sofisticado projeto gráfico da capa original do LP transposto para o tamanho reduzido do CD. 
(Uma versão em vinil também estava nos planos da Universal Music, que detém o catálogo da Philips --gravadora responsável pelo lançamento do LP em 1972. Mas, por ora, a ideia foi adiada.) "Meus trabalhos futuros já estavam delineados ali, em uma série de procedimentos que depois foram se desdobrando em conjuntos criativos", diz Gil. "Elementos dos discos 'Refazenda' (1976) e 'Refavela' (1977), por exemplos, foram garimpados ali."
Que elementos são esses? "A introdução da guitarra no samba e no baião em 'Chiclete com Banana', o início das canções filosofantes e introspectivas em 'Eu e Ele', o forró em 'Sai do Sereno'", diz.

 CANÇÃO DO PÓS-EXÍLIO
Gil começou a gravar o "Expresso 2222" em abril de 1972 --três meses depois de chegar do exílio londrino, que durara dois anos e meio. As sessões aconteceram no estúdio Eldorado, no centro de São Paulo, sob a coordenação de Roberto Menescal.
Optaram por gravar ao vivo no estúdio (todos os músicos tocando juntos), o que agilizou bastante o processo. "Terminamos em uma semana", lembra Menescal. "O Eldorado deve ter sido cinema um dia e tinha um palco. Gravávamos em cima dele. Na época, os tropicalistas andavam em grupo. Então, os amigos sempre apareciam. Juntavam 15 pessoas na plateia."
Para o guitarrista Lanny Gordin, a velocidade das gravações se deveu aos muitos ensaios feitos na casa de Gil.
"Quando me reuni com o [pianista Antonio] Perna, o Bruce [Henry, baixista] e o Tutty [Moreno, baterista], parecia que a gente já se conhecia de outras encarnações. Falávamos pouco e nos comunicávamos pelo som", diz.
Lanny aponta uma revolução na maneira como Gil tocou violão naquele disco.
"Ele criou um novo estilo. Entrei na onda dele. Mudei meu jeito de tocar. Minha música, que era jazzística, ficou mais contemporânea", diz.
Tutty Moreno também vivia em Londres quando a maior parte dessas canções foi escrita.
Chegaram a morar na mesma casa: os dois, as respectivas mulheres de então (Ina e Sandra) e o pequeno Pedrinho --filho de Gil, que morreu em 1990, cuja foto estampa a capa de "Expresso 2222".
"Menescal, como produtor, respeitou integralmente as ideias do Gil, e o disco foi gravado sem nenhuma interferência", descreve o baterista.
Quase nenhuma. O espírito de liderança de Menescal teve de entrar em cena pelo menos uma vez.
É que, a exemplo de "Transa" (1972), de Caetano Veloso, a capa de "Expresso 2222" não seguiria os padrões "quadrados" dos discos comuns. Para tanto, foi encomendado a Edinizio Ribeiro Primo um projeto gráfico que também transformasse a embalagem do LP de Gil em obra de arte. Primo fez um trabalho singular. Uma capa redonda, com diâmetro bem maior do que o do vinil que continha.
"Acabou 30% maior do que a dos discos convencionais", afirma Menescal. "Expliquei que não caberia nas caixas da transportadora nem nas prateleiras das lojas. Mas o cara não abria mão." Teve que pedir que Gil interviesse. A solução conciliadora foi dobrar as bordas redondas para dentro da capa, fazendo-a parecer quadrada. "Mesmo assim, custou tanto que deu prejuízo. Quanto mais vendesse, mais dinheiro a companhia perderia. Chegaram a torcer para vender pouco", conta Menescal.

Fonte: folha ilustrada
 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Artesanato da Região Centro Oeste destaca o grupo Flor do Cerrado




Por mais paradoxal que possa parecer, o galopante processo de globalização valorizou o fazer manual. O artesanato, hoje, é a contrapartida à massificação e à uniformização de produtos globalizados, promovendo ao mesmo tempo o resgate cultural e a identidade regional

Vem da região centro-oeste, um dos mais belos produtos artesanais e que, além da beleza traz no seu bojo um apelo bem contemporâneo que é a sustentabilidade. A matéria prima utilizada, folhas de árvores, são 100% ecológicas pois elas não são retiradas vivas e sim quando caem dos galhos.

As mais utilizadas e preferidas pelos artesãos, são as folhas da árvore moeda, pela textura e pela facilidade de “esqueletizar”. O grupo Flor do Cerrado/DF  é um dos que mais se destaca neste tipo de arte. A produção é pequena, pois há consciência ambiental. São usadas apenas as folhas descartadas pelas árvores, para não esgotar a planta e não prejudicar a natureza.

O processo de esqueletização consiste em deixar as milhares de folhas no fogão à lenha por um certo tempo, lavar e separar por tamanho. A esqueletização serve para que as folhas sejam preservadas secas, impossibilitando o desenvolvimento de fungos. Depois é feito crochê com elas para montar as flores. As mulheres da Flor do Cerrado também fazem tingimentos naturais destas flores com urucum, pau-brasil, macela e açafrão.

 Toda essa técnica é uma arte. A esqueletização torna as folhas delicadas, quebradiças e difíceis de serem crochetadas. É preciso ter uma mão muito delicada para trabalhar. Para se ter uma ideia, para fazer uma cortina de 1,30 x 1,60 m são cerca de um mês de trabalho e alguns milhares de folhas esqueletizadas e finamente trabalhadas.

Recife foi palco de mais um show de classe internacional




A capital pernambucana continua efervescendo culturalmente e trazendo grandes nomes da música nacional e internacional. Depois de Paul McCarteny, em abril, agora foi a vez de Dionne Warwick se apresentar em Recife

Um dos maiores expoentes do soul esteve no Brasil no último sábado (25). A casa de espetáculos Chevrolet Hall, em Olinda (PE), lotou para receber uma das mais belas vozes do gênero, a americana Dionne Warwick, que trouxe seu show a Pernambuco pela primeira vez. A diva subiu ao palco por volta das 22h30, cumprimentando o público presente com um delicado e formal “Good evening”, mas foi de uma cordialidade à toda prova.
O espetáculo foi aberto com a canção Walk on by, um de seus primeiros sucessos, que lhe valeu a indicação para um Grammy, em 1965. Uma série de hits dos anos 1960 e 1970 seguiu a abertura, contemplando o começo da carreira da ex-cantora de música gospel, com canções que falam sobre promessas amorosas e corações partidos, bem ao gosto dos fãs da cantora.
Fazendo um contraponto com o estilo da prima Whitney Houston, - falecida em fevereiro, - em um tom intimista, porém comedido e tranquilo com o qual se consagrou, ela levou ao público os dramas light de Anyone who had a heart e You'll never go to heaven (ninguém poderia soar mais elegante do que Dionne ao maldizer que "se você partir meu coração, não vai pro céu"). Sem falar muito com o público, mas sempre sorrindo, ela emendou com Message to Michael, This girl’s in love, The look of love e Alfie. Aos 71 anos, Dionne demonstrou que mantém com força e vigor a voz que suaviza fãs há mais de cinco décadas, com o arrebatamento de uma jovem.
Quando lembramos que 2012 foi cruel com a música pop, ceifando precocemente as carreiras de Whitney Houston, em fevereiro, e de Donna Summer, em maio, é uma honra e talvez uma oportunidade única poder ser embalado, ao vivo, pela leveza das canções magistralmente interpretadas por ninguém menos que Dionne Warwick.


domingo, 26 de agosto de 2012

100 anos de Gonzagão: a homenagem da vez foi em São Paulo




Homenagem a Luiz Gonzaga no Vale do Anhangabaú(SP) teve shows de Elba Ramalho e Falamansa, festival gastronômico, exposição e leituras de cordéis abordando a obra do artista nordestino
Já falamos aqui no Artecultural da avalanche de homenagens a Luiz Gonzaga que ocorreriam em todo o país, neste ano em que artista pernambucano, completaria 100 anos. A mais recente, aconteceu neste final de semana, 25 e 26, na capital paulista. As atrações, gratuitas, foram das 12h até às 23h, compostas por apresentações musicais, uma exposição e degustação de pratos típicos, com destaque para os shows de Elba Ramalho e da banda Falamansa.
Acompanhadas por maciça presença de público, as performances musicais foram divididas em dois palcos separados no Vale do Anhangabaú, no centro da cidade. O Falamansa se apresentou ao lado de Jorge du Peixe, da Nação Zumbi, às 20h do sábado enquanto Elba cantou por volta das 15h30 do domingo. Outro artista de destaque na programação foi o músico Dominguinhos parceiro e grande amigo de Luiz Gonzaga, que encerrou a série de shows.
As loas à carreira do "Rei do Baião" foram celebradas ainda durante um evento gastronômico nas ruas da cidade, que teve pratos típicos da culinária do nordeste do país com a colaboração de chefs e estabelecimentos de São Paulo, como o “Bar dos Cornos”. As comidas foram oferecidas durante todo o final de semana com preços entre R$ 5 e R$ 15.  Já no espaço "Tenda de Cordel Chapéu de Palha", houve exposição e leituras de cordéis e poemas com referências à obra de Luiz Gonzaga e o cotidiano do Nordeste que ele cantou durante a sua carreira.
Aconteceu ainda um debate na Galeria Olido sobre a redescoberta do forró durante a década de 1990, - onda na qual apareceram artistas e grupos como Falamansa - e um cortejo que partiu, a partir do meio-dia de domingo, dois pontos da cidade: a Praça da República, com o trio “Ó do Forró” e a Praça da Sé, com o trio Bastião.
Desta vez foi em São Paulo, - cidade que abriga  uma incontável legião de nordestinos,  - mas até o dia 13 de dezembro, data do nascimento do “Velho Lua”, muitos outros eventos ainda acontecerão em sua homenagem. E ele é merecedor de todas elas.
 

Mercado de livros de autoajuda é abalado com a descoberta de fraude




Depois de se tornar uma verdadeira febre ao redor do planeta, os livros de autoajuda sofreram um duro golpe depois da derrocada de um dos maiores nomes do gênero, Jonah Lehrer

Lehrer, ("Imagine: Como Funciona a Criatividade", "O Momento Decisivo",  "Proust Foi um Neurocientista") viu  a sua reputação se desintegrar em menos de 45 dias. Primeiro, foi acusado de autoplágio: repetia ou reciclava histórias e reportagens nos vários veículos para os quais escrevia. Logo após, um blogueiro especializado em Bob Dylan desmascarou o primeiro capítulo de "Imagine". Diversas frases atribuídas ao compositor tinham sido inventadas. "É difícil explicar. É só essa sensação de que você tem algo a dizer", Dylan diz no livro. Sem conseguir encontrar a fonte de tal frase, o blogueiro passou semanas questionando o jornalista.

A prova de que Lehrer autoplagiava-se e atribuía frases e expressões a pessoas que nunca as tinha pronunciado, arranhou indelevelmente a credibilidade de um grande negócio contemporâneo e de um dos maiores filões da indústria editorial mundial: a autoajuda classe A, aquela que não ousa dizer o nome. Vários dos maiores best-sellers americanos da última década e alguns dos mais bem-pagos palestrantes do mundo seguem religiosamente essa fórmula, que já contagia obras em campos tão diversos como economia, psicologia, arquitetura, saúde ou física.

Grandes corporações, órgãos públicos e organizações de todo o mundo pagam verdadeiras fabulas aos “papas” do segmento autoajuda e milhões de pessoas acorrem aos auditórios para ouvirem as palavras como uma espécie de panaceia que podem resolver todos os problemas do ser humano. Não é bem assim e os mais sensatos sabem disso, mas o modismo dita as normas. Soa chique para os colegas de trabalho e as pessoas do convívio, dizer que assistiu a uma palestra dos grandes nomes deste mercado.

Lehrer e demais palestrantes do segmento, se tornaram celebridades por conta das conferências TED (sigla para Tecnologia, Entretenimento e Design), a série de palestras nas quais nomes de variadas áreas do conhecimento recorrem a frases de efeito, histórias humanas e dicas para mudar sua vida. Agora que a carreira de Jona Lehrer tende ao ocaso, o mercado aguarda para onde vai apontar o segmento de palestras de autoajuda, antes de pagar polpudos cachês a palestrantes da área.



Jornal e radio paulistas lançam concurso do melhor disco da MPB




O jornal Estado de São Paulo e a rádio Eldorado realizam enquete pela internet para eleger o melhor álbum da MPB, dentre 30 escolhidos por uma equipe montada pelo Grupo Estado

Polemica à vista: os defensores do samba certamente vão querer um representante do gênero como melhor, os fãs da bossa nova torcerão o nariz se o eleito não for uma das pérolas do gênero,  e pelo mesmo caminho vão trilhar os que defendem os demais ritmos que estarão entre os 30 pré-escolhidos.

Dada a diversidade da MPB, haverá discordâncias já na escolha da lista dos 30 mais e certamente o Top 30 não gozará da unanimidade, mas enquanto o resultado final não é divulgado, escolha o seu preferido e dê seu voto no endereço www.estadao.com.br.

 Já é possível votar desde o dia 25 e até a meia noite do dia 4 de setembro, o internauta poderá escolher um dos 30 álbuns apresentados. No sábado, dia 8, o jornal fará uma matéria especial com o disco que recebeu mais votos.

sábado, 25 de agosto de 2012

"Impressionismo: Paris e a Modernidade" está em cartaz no CCBB




‘Impressionismo’, no Centro Cultural Banco do Brasil, atinge 100 mil visitantes em 20 dias

Se você mora ou vai visitar as metrópoles Rio de Janeiro e São Paulo de agosto a janeiro/2013, o Centro Cultural Banco do Brasil das duas capitais apresentam  exposição que vem atingindo números recorde de visitantes.
A exposição Impressionismo: Paris e a Modernidade atingiu o número de 100 mil visitantes nesta sexta-feira, 24, com a visita da estudante de direito Victoria Bortman, de 23 anos. Ela foi recepcionada pela equipe do CCBB e ganhou um catálogo da exposição pelo número.
A mostra trouxe ao Brasil 85 peças do acervo do Museu d’Orsay de Paris. Obras-primas de Claude Monet, Vincent Van Gogh, Édouard Manet, Paul Gauguin, Pierre-Auguste Renoir estão entre os quadros expostos. O CCBB planeja, para atender à demanda das visitas, mais duas ‘viradas impressionistas’ antes do encerramento, em outubro.
CCBB SP
Impressionismo: Paris e a Modernidade
4 de agosto a 7 de outubro
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112
Centro – São Paulo – SP
Terça a domingo – 10h às 22h
Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652
CCBB RJ
Impressionismo: Paris e a Modernidade
22 de outubro de 2012 a 13 de janeiro de 2013
Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66
Centro – Rio de Janeiro – RJ
Terça-feira a domingo, de 9h às 21h
Informações: (21) 3808-2020


Número de visitas à residência de Elvis Presley só é inferior à da Casa Branca




Graceland, a mansão onde Elvis Presley morou é a segunda residência mais visitada nos EUA, atrás a pena da residência oficial do Presidente dos EUA, a Casa Branca

A história mostra que talvez nunca tenha existido um fenômeno musical mais impactante que Elvis Aaron Presley (1935-1977). Mas, por trás da fachada de Graceland, e dentro dos 20 cômodos da mansão, o homem público tornava-se o filho de Gladys e Vernon, o pai de Lisa Marie, o marido de Priscila Presley e o amigo da Máfia de Memphis. A propriedade que pertencia ao casal Thomas e Ruth Moore só foi comprada pelo rei do rock (título que detestava) em 1957, aos 22 anos, por US$ 102.500, como um presente para a mãe, única mulher à qual foi fiel durante toda a vida.

As origens humildes, enraizadas na pequena cidade de Tupelo, Mississippi, ficaram como rastro de seu caráter generoso. Mas logo que acumulou uma pequena fortuna passou a gastá-la na mesma proporção — e a comprar tudo o que um novo rico poderia sonhar: fliperamas, carros (teve mais de 200 Cadillacs) e aviões (o primeiro, um Convair 880 de 1958, por US$ 250 mil; outro apenas a serviço de seu empresário, o controverso Coronel Parker, para que chegasse antes aos shows e preparasse tudo com antecedência). O astro se dava a inúmeros outros caprichos como roupas extravagantes e tudo que dizia respeito à tecnologia, item que ainda engatinhava no inicio da década de 70.

É em busca de detalhes da vida de Presley que milhares e milhares de admiradores ardorosos visitam a Graceland, aumentando ainda mais a aura de mistério que cerca a trajetória do astro.  

João Gilberto não consegue impedir publicação de obra bibliográfica


João Gilberto em show no Rio em 2008 e a capa do livro da editora Cosac Naify (Foto: AFP / Divulgação Cosac Naify)Justiça nega pedido de João Gilberto de apreender biografia não autorizada. Livro da editora Cosac Naify tem entrevistas e artigos sobre músico baiano. `Produto é obra de informação e, como tal, deverá ser admitido', diz juiz

O Tribunal de Justiça de São Paulo negou pedido de João Gilberto de apreender os exemplares do livro "João Gilberto", lançado em 2012 pela editora Cosac Naify, organizado pelo professor da USP Walter Garcia. O cantor alegou em seu pedido que a "obra apresenta conteúdo ofensivo à sua imagem, por meio de exposição não autorizada de retrato pessoal".
O pedido do cantor citava na ação o termo "neurótico", usado em relação a ele no livro. Para o juiz Guilherme Zuliani, em sua decisão nesta quarta-feira (22), o uso da palavra "não alcança o peso que anima paralisar a produção, porque nesse setor, o vocábulo não ganha o sentido de doença mental, mas, sim, de excentricidade de músicos e artistas ('esquisitices')".

"A biografia é uma obra de informação e, como tal, deverá ser admitida, ainda que sem o consentimento do biografado", disse Guilherme Zuliani na decisão. Ele negou o veto imediato do acesso do livro ao público pretendido pelo cantor.
O juiz usou um trecho de "Os direitos de personalidade", livro escrito por Adriano de Cupis, em sua justificativa. "As pessoas de certa notoriedade, assim como não podem opor-se à difusão da própria imagem, igualmente não podem opor-se à divulgação dos acontecimentos de sua vida". Ele citou também outra frase de Cupis: "Será, portanto, lícita a biografia, mas ilícita a narrativa romanceada ou dramatizada, que não é necessária para a exposição de fatos pessoais".

Segundo a Cosac Naify, em seu site oficial, "'João Gilberto' apresenta uma seleção de entrevistas concedidas pelo cantor e reúne depoimentos de pessoas que participaram de seu cotidiano." A editora informa que "o livro conta com textos e depoimentos de Dorival Caymmi, Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, Mario Sergio Conti, José Miguel Wisnik, Lorenzo Mammì e outros".

Fonte: G1.com.br

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Punição às integrantes do Pussy Riot, dá visibilidade ao rock russo


O preço está sendo muito caro, - dois anos de prisão, - mas os olhos do mundo pop se viraram para Moscou depois da condenação proferida pela Justiça russa contra as integrantes da banda de punk-rock Pussy Riot, acusada de “vandalismo”





 O Pussy Riot é agora o grupo russo mais conhecido e mais comentado do planeta. Defendidas pela comunidade internacional, as jovens integrantes do Pussy Riot — Nadezhda Tolokonnikova, Yekaterina Samutsevich e Maria Alekhina — ganharam a ribalta mais por conta do protesto contra o presidente Vladimir Putin, do que pela qualidade da produção musical. Tendo as balaclavas coloridas como peça obrigatória do figurino, as moças fazem um som punk pesado e agressivo, mas que não prima pela sonoridade.

 Várias celebridades internacionais de peso cerraram fogo na defesa das três meninas. A mais veemente delas, Madonna causou polêmica durante turnê na Rússia e condenou duramente a ação do governo daquele país. “Eu protesto contra a condenação do Pussy Riot a uma colônia penal por dois anos por uma performance de 40 segundos que exaltou suas opiniões políticas”, informou a cantora. A sua intervenção no imbróglio já lhe rendeu a ira do governo russo que não quer saber da presença da cantora em seu território. Além dela, Paul McCartney e Björk manifestaram apoio ao grupo, sendo acompanhados por vários outros artistas de reconhecimento internacional.
Em virtude do destaque dado à prisão das moças, o cenário musical russo começa a ganhar força. Nos anos 2000, o duo T.A.T.U também se destacou, com duas jovens cantando sobre sua liberdade sexual no hit All the things she said. Atualmente, as moças se separaram e partem para carreira solo. Yulia Volkova inclusive lançou no último mês o single Didn’t wanna do it. Pela repercussão que o fato ganhou mundo afora e pela reação do segmento artísitico, a condenção das garotas foi um verdadeiro “tiro no pé” do governo Putin, que já não goza da simpatia da comunidade internacional e agora se vê confrontando com três garotas que queriam apenas expressar o seu sentimento através da música.

A França reverencia Pablo Picasso




Arredio por natureza, convencer Picasso a se deixar fotografar já não era tarefa fácil. Fazer com que ele concordasse em ser o alvo de um documentário então, soava como impensável para Clouzot

Não era propriamente uma arena, mas tal qual um matador enfrentando um touro, o artista aproxima-se do seu cavalete. Pablo Picasso, o mais influente artista do século XX, está fazendo arte, e Henri-Georges Clouzot, o famoso cineasta francês (As Diabólicas, O Salário do Medo), está fazendo um filme. Em 1995, Clouzot conseguiu convencer seu amigo Picasso a fazer um documentário de arte, onde ele registraria o momento da sua misteriosa criatividade.
 
Ali, na intimidade do seu estúdio, sem camisa e desprovido de pompa, o artista mostrou o seu lado intimista sem a aura de renomado pintor. Para o filme, o mestre criou 20 telas. Usando tinta e papel especial, Picasso cria fantásticos desenhos, e Clouzot filma o lado oposto da tela, capturando sua criação em tempo real. Quando o artista pintou em óleo, Clouzot, mudou a cor do filme e usou a técnica de animação em stop-motion. Por decisão de Picasso, todas as telas pintadas foram destruídas quando o filme foi finalizado. O governo francês decretou, em 1984, este documentário como um tesouro nacional, preservando-o para que futuras gerações possam admirar o grande mestre em pleno labor criativo.

 


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Brasil e futebol explicados por Nelson Rodrigues


Comemoraçãodo centenário do autor, livro reúne textos inéditos do dramaturgo pernambucano, que construiu a sua lendária biografia no Rio de Janeiro, para onde se mudou ainda criança





A impressão que se tem é que o futebol brasileiro só existe para merecer as palavras grandiloquentes de Nelson Rodrigues. Maior escritor do esporte nacional, o dramaturgo pernambucano tem crônicas inéditas sobre o tema reunidas na coletânea Brasil em campo (Nova Fronteira, 160 páginas), organizada pela filha do autor, Sônia Rodrigues. O livro ganha lançamento quinta (23/8), data do centenário do autor, no Museu da República, no Rio de Janeiro, com leitura de Malu Mader. Na mesma ocasião, serão relançados alguns títulos do autor que estavam esgotados nas livrarias, como A vida como ela é, Vestido de noiva, A mulher sem pecado, Valsa nº 6, Doroteia e Anjo negro.

Nelson foi um dos primeiros a supor que o futebol é uma das chaves de compreensão para se entender o Brasil. O título da primeira crônica do livro resume sua posição: No Brasil, o futebol é que faz o papel da ficção. Para ele, os grandes arquétipos da literatura mundial – heróis, vilões – poderiam ser encontrados em clássicos ou peladas, e as principais viradas do País estão nos fatos futebolísticos, da derrota na Copa de 1950 até a redenção com Pelé e Garrincha, oito anos depois.
As crônicas têm o tom de Nelson, exagerado e preciso ao mesmo tempo, exatamente o que um assunto como o futebol pede. Interessante é que o dramaturgo, já em 1956, falava que o principal problema do Brasil não era a falta de talento, mas a aversão a si mesmo. Brincava (sempre com um fundo de seriedade) que o que faltava à seleção era apenas um psicanalista, muitas décadas antes disso virar uma moda no futebol.

O livro, assim, termina por ser uma síntese tanto do futebol como do Brasil. Na obra estão os personagens clássicos das suas crônicas, como Pelé, o “semidivino crioulo”, em quem está sintetizado o País, e Garrincha, seu ideal de Peri, o herói de O Guarani. Nelson é ainda mais preciso quando vai falar dos tipos gerais do Brasil, do torcedor sempre pessimista, do juiz impassível, ainda que diante de milhares de pessoas o xingando.
No fim, o futebol brasileiro é para Nelson uma certeza eterna, a única unanimidade possível. Ele mesmo se define quanto a isso. “Qualquer jogo é, para o crítico de futebol, ‘falho tecnicamente’. Já eu tenho o defeito inverso. (...) Nasci com vocação para admirar”, diz em um dos textos.

 Fonte: jconline

Toda a obra de Luiz Gonzaga será relançada em 58 CDs




No ano do seu centenário, Luiz Gonzaga terá sua discografia reeditada, em um total de 58 discos

Pela primeira vez na história, toda a discografia de Luiz Gonzaga (1912-1989) vai ser reeditada em CD. A promessa é da gravadora Sony Music, que detém o catálogo da RCA, pela qual o rei do baião lançou a maior parte de sua obra. A empresa também negocia com a EMI o licenciamento dos álbuns que o músico pernambucano produziu pela Odeon. A reedição integra a série de comemorações do centenário do compositor, celebrado em 13 de dezembro deste ano.

Com previsão de chegar às lojas em pequenos lotes a partir de setembro, o pacote soma 58 discos, que serão vendidos separadamente. Chegou-se a cogitar a edição de uma caixa com a obra completa, mas, dado o tamanho da empreitada, o produto final sairia caro demais para o consumidor. "Estamos no projeto desde o ano passado. Desses 58 álbuns, 15 nunca foram lançados em CD", contabiliza Bruno Baptista, gerente de marketing estratégico da Sony. Segundo ele, a etapa mais complexa é a restauração dos fonogramas gravados em discos de 78 rotações no período que vai de 1941 a 1960. Desse lote, ele diz, sairão 15 CDs com 16 faixas cada um..

Outra iniciativa da Sony para comemorar o centenário de nascimento de Gonzagão é a preparação de um álbum de duetos póstumos, em que artistas vivos vão interpretar sobre gravações deixadas pelo cantor --algo como o que já foi feito no Brasil com a obra de Renato Russo e, lá fora, com a do norte-americano Nat King Cole. "Recuperamos tapes [gravações] de duas polegadas e digitalizamos 20 músicas", conta Baptista. "Tudo está sendo feito com direção dos músicos Fagner e José Hamilton. Ainda estamos na fase de selecionar os nomes dos convidados."

O que o grande público admirador da obra do Rei do Baião espera, é que os convidados guardem alguma consonância com a musicalidade de Gonzaga. Já vimos inúmeras “homenagens”, - notadamente neste centenário do seu nascimento, - com pessoas absolutamente estranhas ao universo do forró, tentando interpretar os maiores sucessos do Velho Lua. Resultado: performances bizarras e apresentações caricatas que só deturpam o sentido, a melodia e a beleza da música que Gonzagão cantou e embeveceu seu público nos 50 anos de chão percorridos mundo afora.

Minha vida é andar
Por esse país
Pra ver se um dia
Descanso feliz...



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Será sábado, 25.08, a 38ª edição do Festival de Violeiros do Nordeste




A Associação dos Violeiros e Trovadores da Bahia (AVTB) promove com a parceria da Prefeitura de Feira de Santana e Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), a 38ª edição do Festival. A principal ideia do evento, como ressalta o violeiro e diretor financeiro da AVTB, é manter a cultura viva, favorecendo o surgimento de uma nova geração de violeiros e repentistas.

Aproximando-se das quatro décadas de realização e compondo o calendário cultural da cidade, o Festival de Violeiros do Nordeste será realizado mais uma vez em Feira de Santana. Em sua 38ª edição, o festival vai acontecer neste sábado (25), no Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), às 20h. A iniciativa é uma realização da Associação dos Violeiros e Trovadores da Bahia (AVTB) e tem a parceria da Prefeitura de Feira de Santana e Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs).

Duplas de outros estados estarão presentes

Para abrilhantar o festival, o público contará com a participação de seis duplas, sendo que Caboquinho, João Ramos e Bule Bule farão uma apresentação especial. As outras cinco duplas são de Pernambuco (Mocinha de Passira e Severino Tomaz), Alagoas (Gilberto Alves e Vem Vem- Sergipe), Bahia (Paraíba da Viola e Davi Ferreira; e Antônio Maracujá e Nadinho), e Paraíba (João Bezerra e Pameirinha-Paripiranga). Cada dupla terá o tempo de 20 minutos para contar quatro gêneros diferentes, indicados pela produção após sorteio. “Eles vão abordar temas populares como vaquejada, festa de São João, Copa do Mundo, dentro outros”, disse Ramos. A comissão julgadora, por sua vez, será composta por três pessoas e escolhida no momento do festival.

Bule Bule fará apresentação especial
 
“Os participantes vão ser premiados com troféus simbólicos e cachê, que variam de acordo com a distância da cidade de cada um”, informa o misto de violeiro e professor da karatê, João Ramos, acrescentando que “sem o apoio da Prefeitura e Uefs não seria possível fazer o festival”. João Ramos e Caboquinho são filhos e herdeiros do talento de uma dos maiores nomes do gênero, o saudoso Dadinho, que por várias décadas fez dupla com o filho Caboquinho. Além das duplas de outros estados, uma das maiores atrações do evento é Bule Bule, violeiro, repentista, cantor e compositor de vários sucessos, gravados por nomes de peso como o forrozeiro Quininho de Valente. Ressalte-se ainda que o acesso do público é gratuito. Vale a pena conferir e prestigiar uma das maiores manifestações culturais do Nordeste.
 

O consumo de carneiro é uma ótima opção para quem não abre mão da carne no cardápio

 


Experimentamos nos últimos anos, um verdadeiro boom no consumo de carne de carneiro, com restaurantes especializados e chefs de renome aventurando-se em receitas que levam a carne ovina


Dentre as carnes vermelhas, a carne dos ovinos destaca-se por seu alto valor nutritivo, sendo rica fonte de proteínas, vitaminas do complexo B, ferro, cálcio e potássio. Possui textura macia, sabor suave e é de fácil preparo.
A demanda pela carne ovina concentra-se na de cordeiros, sendo exigido um produto com teor moderado de gordura, suficiente para garantir a maciez e sabor característico, mas não muito marcante. Tradicionalmente o mercado tem sido abastecido com animais oriundos de sistemas de criação onde atingem condições de abate, com peso vivo entre 28 e 30 kg, aos 150 a 180 dias de idade. É comum a dúvida dos menos enfronhados no assunto, sobre o que é carneiro e o que é cordeiro. Na verdade, a expressão “cordeiro”, é muito pouco usada no nordeste brasileiro, onde se define como “borrego” o animal novo, com até cerca de 10 quilos, e genericamente de “carneiro”, a partir deste patamar. Assim, no sul/sudeste do país, é chamado cordeiro o carneiro jovem, com até 8 meses, recém-desmamado ou em período de aleitamento. Quando o animal passa dessa idade é que é chamado carneiro.
No Nordeste, além do carneiro, também é largamente consumida a carne de bode, animal que, pela sua rusticidade e facilidade de adaptação, é criado em larga escala nas regiões áridas e semiáridas de todo o Nordeste. Semelhante à classificação dos carneiro, quando filhote ele é chamado de cabrito, passando à condição de bode, após o desmamamento, por volta dos 12 a 15 meses de idade.
Após décadas de tradição na criação de carneiros e bodes sem qualquer melhoria genética, vários produtores estão investindo na qualidade do rebanho, com a aquisição de reprodutores e matrizes de boa linhagem. Esta mudança está refletindo-se na qualidade do rebanho e, por consequência, no ganho dos criadores que conseguem melhor rendimento. As raças que mais se adaptam às condições do clima nordestino são “Dorper” e “Santa Inês” e, o cruzamento destas duas espécies, costumam produzir animais encorpados , resistentes e com bom ganho de peso.
Reprodutor da raça Dorper
O consumo do carneiro é muito mais difundido em razão do maior rebanho, da maior facilidade de manejo e rendimento superior, mas é fato corriqueiro no nordeste, os anúncios dos restaurantes especializados com a denominação sempre ligada ao bode: “Bode na Brasa”, “Rei do Bode”, Bode & Cia”, entre outras, mas que na verdade servem carne de carneiro. A exemplo de Porto Seguro, onde existe a “Passarela do Álcool” e Aracaju com a sua “Passarela do Caranguejo”, algumas cidades dispõem de espaços específicos para o comércio especializado na iguaria. Um dos mais famosos é o “Bodódromo”, na cidade pernambucana de Petrolina, onde cerca de duas dezenas de restaurantes servem carne de carneiro e bode, em diversas formas de preparo: no churrasco, ensopado (ou “guizado” como no linguajar pernambucano), na forma de sarapatel, buchada ou meninico, pratos que são preparados com os miúdos do animal.
Bodódromo - Petrolina (PE)