terça-feira, 10 de julho de 2012

Tábata Amaral: da escola pública de São Paulo para Harvard


Uma medalhista olímpica brasileira, vinda da rede pública de ensino, está prestes a trocar o Brasil pelos Estados Unidos. Tábata Amaral de Pontes, de 18 anos, tem mais de 30 medalhas no currículo, entre competições nacionais e internacionais de física, matemática, química e astronomia.


Tábata está indo para Harvard, uma das mais respeitadas universidades do planeta. Filha de um cobrador de ônibus e de uma vendedora de flores, moradores da periferia de São Paulo, no extremo da zona sul, Tábata foi aprovada em seis universidades norte-americanas, todas gozadoras do mais alto conceito. Ela concluiu o ensino médio no Etapa, como bolsista. A felicidade de Tábata só não é maior porque a confirmação da aprovação em Harvard, na quinta-feira, foi recebida três dias antes do falecimento de seu pai. Apesar da tenra idade, ela é fundadora do programa Vontade Olímpica de Aprender, (VOA) que dá aulas de matemática para alunos de colégios públicos. À época, chegou a comentar: “parece impossível passar, mas esse é o meu sonho”.

Em uma sala de aula do cursinho Etapa, uma legião de jovens estudam para enfrentar o vestibular do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), um dos mais concorridos do país. A professora Tabata Amaral de Pontes conduz a aula de eletroquímica com postura de doutora. Responde às dúvidas individualmente. Na lousa, escreve fórmulas que, aos desabituados, mais parecem grego ou húngaro. Tabata não tem cabelo de cientista maluco, tampouco a cara do nerd clássico. Com apenas 18 anos, ela usa aparelho nos dentes, tênis All Star, calça jeans detonada e presilha tipo tic tac para não deixar a franja cair em seu rosto de menina. Nem por isso é menos respeitada pelos alunos, que a chamam de professora, inclusive os mais velhos do que ela.

Como dissemos acima, Tabata foi aceita simplesmente em seis instituições que fazem parte da lista das 20 melhores universidades do mundo: Instituto de Tecnologia da Califórnia (CalTech), Yale, Princeton, Colúmbia, Harvard e Pensilvânia. Detalhe importante: ela vem de uma família da Vila Missionária, bairro de classe média baixa na Zona Sul de São Paulo. Estudou em colégio público até o começo da 7ª série. Nos demais anos, ganhou uma bolsa do próprio Etapa, onde hoje ensina alunos que pagam uma mensalidade de R$ 1.500.


 
Embora seja uma exceção na realidade das escolas públicas, Tabata representa uma nova geração de jovens que já não mais sonham em sentar-se nas carteiras dos melhores centros do Brasil, como a USP ou o ITA. Eles ampliaram seus horizontes estudantis ao descobrir que, sim, a possibilidade de frequentar o ensino superior fora do Brasil é real – e menos inalcançável do que se imaginava no passado. 

Estudiosos ligados à área educacional vêem o caso de Tábata como uma exceção, uma junção bastante rara de inteligência, tirocínio, capacidade de absorção de conhecimentos e determinação. O que salta aos olhos de todos que tomam conhecimento da sua história é a origem humilde da jovem. Ela não teve acesso aos melhores colégios, aos cursos de língua estrangeira e nem teve as facilidades de casa confortável, acesso diuturno a internet, tv a cabo e nem motorista para o trajeto casa/escola/casa. Enfrentou a dura realidade de pertencer à classe menos favorecida dos brasileiros, mas enxergou nesta realidade uma barreira a ser transposta. Não satisfeita com o sucesso pessoal, fundou a ONG e dedica parte do seu escasso tempo a ajudar pessoas que, como ela, enfrenta sérias dificuldades para buscar uma lugar ao sol.

Exemplos como este nos enche de esperança e lembra-nos o quanto nossos conterrâneos pode nos encher de orgulho. Plagiando o célebre escritor baiano, João Ubaldo Ribeiro: "Viva o Povo Brasileiro".

Um comentário:

  1. A Tábata Amaral esteve hoje no programa Caldeirão do Hulk, dentro do quadro soletrando. Ela é show!

    Amanda Porto

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