segunda-feira, 30 de julho de 2012

Obra maior de Rachel de Queiroz ganha versão em quadrinhos



O Quinze, um dos maiores romances da literatura nacional, chega na versão em quadrinhos, em um excelente trabalho do artista gráfico paraibano, Shiko

Publicado em 1930, o romance O Quinze, de Rachel de Queiroz, renovou a ficção regionalista. Possui cenas e episódios característicos da região, com a procissão de pedir chuva, são traços descritivos da condição do retirante. O sentido reivindicatório, entretanto não traz soluções prontas, preferindo apontar os males da região através de observação narrativa.

A história de O Quinze começa cinza azulada, quase negra. Logo, conforme evolui a trama de Conceição, Vicente e Chico Bento, as páginas mudam do azul da calmaria para um amarelo alaranjado cheio de agonia, até alcançar o clímax da história, num céu vermelho que clama por chuva. Foi por meio das cores da aquarela que o artista Francisco José de Souto Leite, o Shiko, paraibano de Patos (1977), conseguiu traduzir a histórica narrativa de Rachel de Queiroz, agora publicada em quadrinhos pela Editora Ática. O livro faz parte da coleção Clássicos Brasileiros em HQ, que já recontou tramas como O Alienista, Triste fim de Policarpo Quaresma e O Cortiço.

Dando cores a um sofrimento narrado em preto e branco

A transferência da narrativa de O Quinze para os quadrinhos não amenizou os duros parágrafos de Rachel de Queiroz sobre um dos piores anos já vividos na seca nordestina. Ao contrário, graças ao traço realista e delicado o quadrinista Francisco José de Souto, o Shiko, o cenário ganhou figurantes, os nomes ganharam rostos e a fome, feições. As ilustrações dão vida a um sertão cruel, botam fogo na terra quente que engole os corpos esquálidos e machucados pela seca. Mas a adaptação respeita o livro publicado em 1930, e mantém suas falas originais. O ilustrador não suprime a descrição do ambiente, e faz questão de unir às palavras brilhantes da autora ao próprio traço.

O grande mérito de Shiko é transcrever para os quadrinhos uma narrativa dolorosa e recheada de passagens onde impera o sofrimento, sem perder o sentido original e dando contornos ainda mais realistas aos cenários magistralmente narrados por Rachel de Queiroz.

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