quinta-feira, 5 de julho de 2012

Nova biografia de Gandhi, traz revelações sobre a vida privada do líder indiano



“Mahatma Gandhi e Sua Luta com a Índia”, do jornalista e escritor Joseph Lelyveld, é a nova biografia do cultuado líder indiano Mahatma Ganghi, assassinado em 1948, sem conseguir aproximar muçulmanos e hindus.

O autor mostra todo o respeito que devota ao fundador da Índia independente, que elaborou a tática de resistência não violenta: "Este homem que tinha fama e poder, vagando por uma região rural remota, tentando, pelo próprio exemplo moral, trazer a paz, na esperança de que poderia espalhar a boa vontade pelo resto do país, era tido como um visionário, cuja luta era uma uma utopia fadada ao fracasso. Ele fez jejum, conseguiu acalmar as revoltas étnicas em Calcutá e, em seguida, Nova Déli, arriscando a própria vida."

Lelyveld parte do ponto de vista de que não teríamos o mais influente líder pacifista do século 20, o pai da segunda república mais populosa do planeta, sem a sua passagem de 21 anos pela África do Sul, entre a minoria indiana. Foi neste périplo que Gandhi enfrentou o racismo, o colonialismo e deu os primeiros protestos que iriam solidificar sua liderança no retorno à Índia, onde ele, em menos de 5 anos, transformou o nacionalismo burguês e elitista em um movimento popular que aglutinou uma legião de integrantes das classes menos favorecidas.

A obra foi baseada fundamentalmente nas experiências do autor como correspondente do New York Times na África do Sul e na Índia. Gandhi morreu odiado por muitos de seus compatriotas, que se consideravam traídos por sua luta contra a divisão que resultou na criação do muçulmano Paquistão. Lelyveld compara Gandhi, no fim da vida, a um Rei Lear, "obrigado a reduzir sua ambição de mudar o mundo". Uma ambição visionária que continua a informar causas díspares, da Primavera Árabe ao movimento ecológico.

Em março de 2011, logo após o lançamento americano de “Mahatma Gandhi e Sua Luta com a Índia”, uma das primeiras resenhas foi publicada pelo Wall Street Journal e assinada pelo historiador de ultra-direita Andrew Roberts. O estudioso, que não esconde a profunda antipatia pelo biografado, destacou uma pequena passagem do livro, em que Lelyveld transcreve cartas amorosas de Gandhi ao arquiteto e halterofilista alemão Hermann Kallenbach. Gandhi morou com Kallenbach em Johannesburgo e os dois fundaram uma comunidade utópica rural, a Fazenda Tolstoy. Foi o suficiente para a deflagração de uma “guerra” internacional. Um tabloide sensacionalista inglês estampou a manchete Gandhi Largou a Mulher Para Viver Com Um Amante e a notícia caiu na "tamasha", a sensacionalista mídia indiana. Gujarat, o Estado natal de Gandhi, baniu o livro, que ainda não estava em circulação. Políticos indianos denunciaram o que imaginaram ser um ataque a seu herói nacional e partiram para ataques pessoais a Lelyveld.

O epílogo da biografia mostra Gandhi recusando qualquer proteção policial, numa Índia recém-independente e dilacerada pela violência genocida entre hindus e muçulmanos. O resultado não poderia ser outro senão a morte do líder com vários disparos à queima-roupa de um ultranacionalista hindu. No tribunal, o réu justifica o crime, lembra Lelyveld: "Ele tinha um caráter tão nobre, que o governo indiano, para atender Gandhi, ia acabar favorecendo os muçulmanos. Um homem tão moral tinha que desaparecer da cena política", concluiu o assassino.

A bizarra explicação para o crime nos remete a outras mentes criminosas como a de Ali Agca, que atentou contra a vida do Papa João Paulo II e Marc Chapman, algoz de John Lennon, cujas justificativas para os atentados fogem às mais elementares razoabilidades do ser humano.

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