sexta-feira, 27 de julho de 2012

Malhador, Umburanas e Rio do Peixe: referências na indústria e artesanato de couro na Bahia


Se você possui carteiras e cintos de alguma marca de projeção nacional, tem grandes chances de estar usando um produto fabricado em um dos distritos produtores de artigos de couro de Ipirá (BA)

O Povoado Rio do Peixe surgiu aproximadamente no ano de 1907. Recebeu esse nome porque o rio que ali passava era muito piscoso e muitas pessoas vinham de outros lugares em busca da fartura do pescado. A pesca era uma fonte de sustento e lazer.

O distrito está localizado a 18 km da cidade de Ipirá e os povoados vizinhos são Malhador e Umburanas. O clima é semiárido e o maior problema é aquele comum em toda a região: a seca. A vegetação predominante é a caatinga, caracterizada por uma longa planície. A pecuária bovina é predominante, mas também existe um bom rebanho caprino, - animal que melhor se adapta à vegetação da região, - além de ovinos e suínos.



A prática de curtir couro e fabricar sandálias rudimentares é uma tradição de décadas da região, mas foi nos últimos 20 anos que a produção do artesanato de couro assumiu ares de indústria. Atualmente, os povoados de Malhador e Umburanas têm na atividade a redenção de um povo que deixou de depender das chuvas para poder ter o que por na mesa de refeições. Praticamente toda a população destas localidades vivem, direta ou indiretamente, da atividade ligada à industrialização do couro.

Esses distritos do município de Ipirá respondem por uma grande fatia dos produtos derivados do couro como cintos, carteiras, bolsas e sapatos que, após o acabamento, recebem as etiquetas de marcas famosas, mas são legítimos produtos “Made In Ipirá”. 

Você que nos acompanha aqui no Artecultural, muito provavelmente usa ou já utilizou algum produto fabricado em Umburanas, Rio do Peixe ou Malhador. No comércio de Ipirá, existem show rooms de marcas locais, que vendem produtos de alta qualidade, fabricados em couro legitimo.

O artesanato de couro de Ipirá é famoso ainda por fabricar os melhores uniformes de vaqueiros do Estado. Perneira, gibão, jaleco, luvas e chapéu fabricados pelos artesãos ipiraenses, são sinônimo de qualidade e exportados para outros estados da Federação.

Finalizo esta matéria prestando uma homenagem ao meu tio Aureliano Rodrigues Fernandes (Liano), um dos mais competentes artesãos de Ipirá. No início dos anos 70, convivi com Tio Liano e tive a honra de ajudá-lo a confeccionar os mais belos e bem talhados uniformes de vaqueiro da região.

A benção, meu tio. Que Deus lhe ilumine, sempre!

4 comentários:

  1. Parabéns pela lembrança de um artesenato tão rico e diversificado. Bela matéria!

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  2. A matéria vem valorizar uma arte secular da população que vive desta atividade nos distritos de Malhador, Rio do Peixe e Umburanas. Adorei ler. PARABÉNS!

    Sergio Rios

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  3. Adorei a Postagem! Me ajudou em uma pesquisa. Parabéns!

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  4. parabéns pela matéria, vc tem conto de alguns fabricantes de carteiras dessa região?

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