quarta-feira, 25 de julho de 2012

Expocrato foi mais um evento a homenagear os 100 anos de Luiz Gonzaga


A 61ª Exposição de Crato (CE) – Expocrato, realizada de 08 a 15 de julho, prestou uma abrangente homenagem no centenário de nascimento de Gonzagão, com exposição e até interatividade do público com melodia e letra das músicas do Rei do Baião

A inspiração na trajetória do cantor e compositor Luiz Gonzaga em cantar a cultura e a natureza do Cariri inspirou a criatividade para homenagear o Rei do Baião durante a Expocrato. São diversas formas de manifestação em comemoração ao centenário do artista. No stand da Universidade Regional do Cariri (Urca), é realizada exposição que traça a sua relação com as áreas do Geopark Araripe, com a mostra "(en)cantos: Natureza e Cultura do Araripe na obra de Luiz Gonzaga". A exposição deverá continuar para as escolas do Município. No mesmo espaço funciona o Centro de Interpretação do Geopark.

Passaram por dia pelo local em média 5 mil pessoas. O espaço abria às 10 horas e os admiradores das músicas do Rei do Baião puderam contemplar o seu trabalho de forma interativa na exposição. No painel onde podiam ser vistas paisagens da região, como a cachoeira de Missão Velha, a música relacionada como inspiração levava o ouvinte a acompanhar a letra e a imagem ao mesmo tempo. As lembranças estavam por toda parte, desde o gibão de couro, até um quadro do Museu Asa Branca, exposto no local.

As 500 músicas gravadas por Luiz Gonzaga estavam escritas na linha que traça a trajetória da exposição. No meio do caminho, foi possível o encontro com os artesãos do barro, do couro e madeira da região. Os filmes expuseram a confecção do artesanato produzido na região. E para quem não teve a oportunidade de acompanhar a Escola Unidos da Tijuca, este ano, na Marquês de Sapucaí, pode admirar fantasias que ficaram expostas, do desfile que homenageou os 100 anos do Rei do Baião. Segundo uma das curadoras da exposição, a historiadora Sandra Nancy, a pretensão da mostra foi mostrar essa interface do artista, por meio da sua forte relação com o Cariri. Conforme a curadora, a exposição foi concebida com múltiplas linguagens da arte, o que evidencia a relação existente entre a cultura e a natureza, no contexto do Geopark Araripe, figurada na produção do cantor pernambucano.

A exposição no Crato é um dos eventos marcados na voz do Rei do Baião, como a música, além da própria canção "Eu vou pro Crato", que evoca a cidade de forma doce. "... cratinho de açúcar, tijolo de buriti". Além da fé, centrada no Padre Cícero, e a festa de Santo Antônio, de Barbalha, são destacadas na musicalidade do artista, que segundo Sandra Nancy, foram trabalhadas dentro da exposição de forma a contemplar a música de Luiz Gonzaga e a cultura da região.
 
A fachada trouxe o colorido das imagens do cantor, com chapéu de couro, e faz uma releitura da obra do artista norte-americano, Andy Warhol, com luzes e a dinâmica dos festejos tradicionais e populares do Araripe. "Por essa mostra, trouxemos representações dos saberes, fazeres, e ofícios do povo do Cariri, os quais inspiraram o artista", diz. E essa realidade leva a horizontes da arte com as xilogravuras, por meio do trabalho de xilógrafos como Zé Lourenço, a pintura do artista plástico Paulo Bento, os filmes elaborados pelo cinegrafista Fernando Garcia, a poética do carnavalesco Paulo Barros, da Unidos da Tijuca.

Toda uma programação musical foi desenvolvida em torno do trabalho do Rei do Baião, com apresentações de artistas regionais. O desfile de grupos de tradição mirins de Barbalha abriu a programação, com reisado, cangaceiro, brincantes que aprendem ofício da arte popular, para dar sequência ao legado cantado pelo rei do baião.

Este ano, a 61ª Exposição Centro-Nordestina de Animais e Produtos Derivados (Expocrato) faz uma homenagem ao centenário do Rei do Baião. A alusão ao cantor encontrava-se por toda a cidade. O evento, que acontece anualmente, abriu a temporada de férias no Interior, especialmente no Cariri. A festa contou com a realização de 32 shows e teve uma maciça presença de público que prestigiou a sexagenária exposição.

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