sexta-feira, 6 de julho de 2012

DVD "Caixa de Ódio", de Arrigo Barnabé, foca a obra de Lupicínio Rodrigues


O que o estilo de Arrigo Barnabé tem a ver com a obra de Lupicínio Rodrigues?
Arrigo Barnabé é controverso e está longe de se contentar com o lugar comum. Manteve-se assim quando levou ao palco repertório de canções de Lupicínio Rodrigues, e também quando transpôs esse show para o DVD. Caixa de ódio — O universo de Lupicínio Rodrigues (que ganha reedição pela Coleção Canal Brasil, um ano após ser lançado) é incomum não só porque evita itens corriqueiros nos DVDs de shows (como o making of nos extras e a participação de convidados), mas porque aposta na provocação ao visitar a obra de um compositor que, em princípio, não teria a ver com o intérprete.
 

Dentro desta linha, em Caixa de ódio, o artista, que habitualmente se apresenta ao piano, limita-se a cantar. Mas se preocupa menos em ser um cantor afinado do que em explicitar, por meio de seu canto rascante, como um Tom Waits à brasileira, a intensidade dos sentimentos presente na música do compositor gaúcho. A obra de Lupicínio guarda o tem da melancolia e não é à toa que a criação do termo “dor de cotovelo” é a ele atribuída. Lupicínio buscou em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam sempre juntos.“Não acredito em nada que não tenha angústia, isso talvez é o que mais me atrai nas canções de Lupicínio, e também a raiva, gosto muito de trabalhar com a raiva, a revolta”, afirma Arrigo. E é a expressão desses estados de espírito exaltados que aproxima cantor e autor.
O músico paranaense mistura em suas composições elementos e procedimentos da música erudita do século XX a letras ferinas sobre a vida e as mazelas da grande cidade. É comum a utilização de séries dodecafônicas, aliada a uma prosódia muito próxima da fala urbana de seu tempo. Arrigo foi considerado um revolucionário quando surgiu no cenário musical, com o disco “Clara, Crocodilo”, em 1980 e foi considerado pela crítica especializada como a maior novidade da MPB, desde o advento da Tropicália. Após duas décadas, Barnabé aventura-se por outros caminhos da música e, dentro desta nova proposta, nada melhor que buscar inspiração no autor de clássicos como “Felicidade” e “Nervos de Aço”. Arrigo Barnabé canta Lupicínio Rodrigues. Pode ser inusitado, mas o resultado é, no mínimo, instigante.

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