terça-feira, 31 de julho de 2012

“Tá legal / eu aceito o argumento / mas não altere a música nordestina tanto assim...”



Os analistas culturais de plantão concordam em um ponto: o panorama atual da música regional nordestina encontra-se em uma inércia de descaracterização de sua origem cultural

A linguagem abordada nas letras já não é acessível a todos, o sentido das músicas já não tem o mesmo direcionamento, assim como seu público não é o mesmo. Neste novo paradigma a sobreposição instrumental em relação às letras faz com que, a sonoridade baste para identificar se a música é ou não regional. 
  As cantorias, mesmo as realizadas em ambientes tradicionais, as chamadas cantorias pé-de-parede, apresentam hoje modificações decorrente de sua adaptação ao rádio, ao disco, e às novas mídias, especialmente em relação ao conceito de tempo.
  A gravação da música folclórica, com arranjos da cultura de massa, apresentada por músicos consagrados tem uma influência de retorno sobre a produção popular. E como exemplo mais evidente é o relativo ao papel de Luiz Gonzaga. O baião, na forma divulgada pelo cantor, não era conhecida pela cultura folk, tendo a sua forma primitiva, o chamado baião-de-viola, ou simplesmente baiano, sendo substituída pelo ritmo arranjado por ele e seus produtores. Os instrumentos tradicionais desta música, como a viola, a rabeca e a banda de pífanos, cederam lugar aos conjuntos ditos “regionais”, que utilizam instrumentos como a sanfona, zabumba, bombo, caixa, triângulo e pandeiro. Mas é evidente que se referindo ao caso de Luiz Gonzaga, que foi um mito para a nossa música, se caracteriza como uma inovação e não descaracterização.
  Mas apresentação de grupos folclóricos, vista através da televisão, e mesmo ao vivo, tem refletido sobre os meios populares, levando a introdução de mudanças no vestuário, adereços e até na função e na forma de apresentação das manifestações folclóricas espontâneas. Como é o exemplo dos novos estilos de quadrilhas juninas, onde a ideia primordial do vestuário matuto hoje cede lugar a altas produções, onde os dançarinos usam chapéu de camurça, lindas botas, maquiagens e demais adereços que descaracterizam a regionalização da dança.
  Como também é o caso da nossa música típica mais conhecida, o forró, que hoje se encontra completamente descaracterizado, até em sua forma instrumental. Onde as guitarras, bateria, teclados e outros, tomaram o lugar da zabumba, sanfona e triângulo. Formando um novo estilo qualquer, que só não é o nosso verdadeiro forró pé-de-serra.
  Não vamos ficar olhando pelo retrovisor, achando que só as manifestações culturais do século passado é que tem valor, contudo as raízes regionais precisam ser sempre lembradas para só assim desenvolver uma forma onde possa expressar, mesmo que de forma evolutiva, os costumes de uma região. É preciso cuidar para que os resultados desta expressão possam servir para um entendimento maior dos que não vivem tais costumes, e possa ser instrumento de identificação e de conscientização para que reconheçam a riqueza e o valor de sua cultura. Precisamos estar abertos para o novo, experimentar sons e expressões culturais pouco ortodoxas, mas sem esquecer as raízes e a tradição cultuadas por gerações anteriores. Buscar esta interação entre o tradicional e o novo é o desafio cultural do século XXI.

A casa de shows Canecão poderá se tornar espaço cultural da UFRJ



Estudantes da UFRJ querem que prédio do Canecão seja espaço cultural

Rio de Janeiro – O prédio onde funcionava o Canecão, antiga casa de shows da capital fluminense, que pertence à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está ocupado desde a última terça-feira (24/7) pelos estudantes da instituição. Eles reivindicam que a Reitoria da UFRJ transforme o local em um espaço cultural público.

"A nossa meta é transformar isso aqui [Canecão], diferente do que ele era até então, em um espaço público administrado pela universidade. A gente acha muito ruim a lógica dos espaços da universidade serem inacessíveis à população. Afinal de contas, se a universidade é pública, aquilo o que é dela deve ser acessível a todo mundo", disse Carolina Barreto, uma das líderes do movimento.

Ela lembrou que o movimento estudantil tem desenvolvido atividades culturais gratuitas e abertas ao público em geral, desde que o espaço foi ocupado pelos cerca de 200 estudantes da instituição. Segundo Carolina Barreto durante toda a semana ocorreu no local atividades culturais como maratona cinematográfica, shows e oficinas.

A líder estudantil destacou que a reitoria garantiu que há uma licitação em andamento para a retirada do mobiliário externo, que até então é utilizado com forma de impedir a passagem dos alunos. Apesar de haver uma licitação, segundo Carolina Barreto, a instituição não fixou um prazo para a retirada dos materiais da entrada da casa de shows, que segue ocupada por tempo indeterminado.

"A universidade tem toda a capacidade de administrar esse espaço. Não é possível que nós estudantes, em menos de uma semana, demos vida a ele [prédio do Canecão], limpamos e fizemos uma série de atividades culturais, e a UFRJ que tem um corpo técnico para isso não consiga", destacou. A líder estudantil informou que existe a possibilidade da diretoria da instituição se reunir esta semana com os alunos para uma nova negociação sobre a destinação do prédio.
Ela ainda ressaltou que a ocupação do Canecão também tem o objetivo de chamar a atenção do governo sobre a greve dos professores das universidades federais, iniciada há mais de dois meses em todo o país. De acordo com Carolina Barreto, os estudantes apoiam o movimento dos professores e têm uma pauta própria de reivindicações. Eles cobram, entre outras medidas, melhorias nas condições estruturais das instituições federais e contração de novos docentes.

"A gente vai fazer uma reunião com a sociedade civil para ampliar essa discussão na próxima quinta-feira [2/8], e também sobre a questão da greve nacional. A gente tem hoje uma dificuldade de negociar com o governo federal. Nem estudantes, nem técnicos estão conseguindo negociar com o governo federal", declarou.

Fonte: CB

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Obra maior de Rachel de Queiroz ganha versão em quadrinhos



O Quinze, um dos maiores romances da literatura nacional, chega na versão em quadrinhos, em um excelente trabalho do artista gráfico paraibano, Shiko

Publicado em 1930, o romance O Quinze, de Rachel de Queiroz, renovou a ficção regionalista. Possui cenas e episódios característicos da região, com a procissão de pedir chuva, são traços descritivos da condição do retirante. O sentido reivindicatório, entretanto não traz soluções prontas, preferindo apontar os males da região através de observação narrativa.

A história de O Quinze começa cinza azulada, quase negra. Logo, conforme evolui a trama de Conceição, Vicente e Chico Bento, as páginas mudam do azul da calmaria para um amarelo alaranjado cheio de agonia, até alcançar o clímax da história, num céu vermelho que clama por chuva. Foi por meio das cores da aquarela que o artista Francisco José de Souto Leite, o Shiko, paraibano de Patos (1977), conseguiu traduzir a histórica narrativa de Rachel de Queiroz, agora publicada em quadrinhos pela Editora Ática. O livro faz parte da coleção Clássicos Brasileiros em HQ, que já recontou tramas como O Alienista, Triste fim de Policarpo Quaresma e O Cortiço.

Dando cores a um sofrimento narrado em preto e branco

A transferência da narrativa de O Quinze para os quadrinhos não amenizou os duros parágrafos de Rachel de Queiroz sobre um dos piores anos já vividos na seca nordestina. Ao contrário, graças ao traço realista e delicado o quadrinista Francisco José de Souto, o Shiko, o cenário ganhou figurantes, os nomes ganharam rostos e a fome, feições. As ilustrações dão vida a um sertão cruel, botam fogo na terra quente que engole os corpos esquálidos e machucados pela seca. Mas a adaptação respeita o livro publicado em 1930, e mantém suas falas originais. O ilustrador não suprime a descrição do ambiente, e faz questão de unir às palavras brilhantes da autora ao próprio traço.

O grande mérito de Shiko é transcrever para os quadrinhos uma narrativa dolorosa e recheada de passagens onde impera o sofrimento, sem perder o sentido original e dando contornos ainda mais realistas aos cenários magistralmente narrados por Rachel de Queiroz.

domingo, 29 de julho de 2012

Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros terminou neste sábado



Uma das maiores atrações do calendário cultural do Planalto Central, realizado há mais de 10 anos e considerado o maior evento de cultura do Nordeste Goiano, o Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros foi encerrado neste sábado (28)

O pajé de uma tribo da etnia Dessana, Raimundo Kissibi, descende de uma linhagem que perdura há quase 2 mil anos. Os deuses de sua religião legaram conhecimentos de medicina, plantas curativas e orações tradicionais, repassados de pai para filho. “Consigo curar o que não tem cura, câncer, AIDS, mas como não tenho estudo, não consigo comprovar. Minha profissão é transmitir isso a meus filhos e netos”, diz, ao comentar a dificuldade de o conhecimento dos povos tradicionais ser reconhecido no meio acadêmico. A fala de Raimundo foi parte da vasta programação da 12ª edição do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, que começou no dia 20 de julho e agita o povoado de São Jorge, em Goiás, até domingo.

Além das cachoeiras convidativas e da paisagem rústica que atrai visitantes de todos os cantos do mundo, São Jorge oferece, nesse período, uma série de shows, oficinas, debates e performances, todas girando em torno do mesmo eixo: dar visibilidade a povos formadores da cultura brasileira que acabam esquecidos nos ambientes das grandes cidades. No primeiro fim de semana, o bloco afro Ilê Aiyê, uma das mais tradicionais e cultuadas atrações culturais da Bahia,fez a festa foi a grande atração, em um show de mais de duas horas, com seus trajes multicoloridos e coreografias que reinventam a tradição e mostram toda a diversidade cultural da Bahia.


Renato Teixeira: uma das atrações do Encontro

Obra de Paulo Coelho contém versão própria do pergaminho descoberto em 1974 pelo arqueólogo Walker Wilkinson


Paulo Coelho lança 'Manuscrito encontrado em Accra', seu 22º livro



RIO DE JANEIRO - O escritor Paulo Coelho lançou nesta quarta-feira, 25, o livroManuscrito Encontrado em Accra, sua 22ª obra e que contém uma versão própria do célebre pergaminho descoberto em 1974 pelo arqueólogo inglês sir Walker Wilkinson. O romance, que terá 100 mil exemplares em sua primeira edição, estará à venda nas livrarias a partir desta quarta-feira, 25. O escritor, que já vendeu cerca de 140 milhões de livros em 168 países, tem seu trabalho reproduzido em 73 idiomas.

A data de lançamento da obra foi escolhida a dedo pelo autor devido ao dia de Santiago de Compostela, 25 de julho, e coincide também com o 25° aniversário da publicação "O diário de um mago", sua obra mais famosa, na qual relata uma peregrinação pelo Caminho de Santiago.
Manuscrito Encontrado em Accra é a primeira obra que o autor escreve após passar por uma cirurgia no coração, em janeiro. Paulo Coelho é integrante da Academia Brasileira de Letras e tem mais de 13 milhões de seguidores nas redes sociais.
Em seu novo livro, Paulo Coelho mistura realidade e ficção, narrando uma história do Manuscrito de Accra, que foi escrito em árabe, hebraico e latim. Na obra, contém um relato sobre os conselhos que um sábio grego deu à população de Jerusalém às vésperas da invasão da cidade.
"O livro é baseado em valores e os valores nunca são ficção. Atravessam o tempo", disse Coelho, de 65 anos, ao esclarecer que sua obra não pode ser catalogada nem como história nem como ficção.
"Distinguir fato e ficção é difícil não só para o escritor, mas também para qualquer pessoa. O livro não pretende explicar ou descrever os valores, mas mostrar como as perguntas que tínhamos há mil anos permanecem vivas; como foram explicadas há mil anos e como são explicadas hoje", contou o escritor durante entrevista divulgada pela editora Sextante.
"O verdadeiro conhecimento está nos amores vividos, nas perdas sofridas, nos momentos de crise e na convivência diária com a inevitável morte", completou o escritor, que mora em Genebra desde 2009.
Coelho afirma que o pergaminho existe, que sir Walter Wilkinson também existiu, e que teve acesso ao Manuscrito através do filho do arqueólogo, mas não deu mais informações sobre o assunto.
Segundo o escritor brasileiro, Wilkinson entregou o pergaminho ao Departamento de Antiguidades do Museu do Cairo e pouco tempo depois foi informado de que havia pelo menos 155 cópias do mesmo documento no mundo inteiro.
Porém, as provas de carbono dos especialistas confirmaram que o achado do arqueólogo inglês era o mais próximo ao original, datado em 1307.
"Conheci o filho de sir Walter Wilkinson no natal de 1982 no País de Gales, e recordo que na época ele mencionou o pergaminho, mas ninguém deu importância ao assunto. Em 30 de novembro de 2011, recebi uma cópia do texto. Este livro é a transcrição do Manuscrito Encontrando em Accra", explicou o brasileiro.
Fonte: estadão
 

sábado, 28 de julho de 2012

Missa na Grota de Angicos, homenageia aniversário de morte de Lampião



Pelo 15º ano consecutivo, aconteceu na Grota de Angicos, em Poço Redondo (SE), missa em homenagem ao aniversário de morte de Lampião

Mais um ano para reverenciar a memória de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, bandido para uns e herói rebelde para outros. Neste sábado (28), às 10h, no município de Poço Redondo, a 184 km de Aracaju, foi realizada uma missa em homenagem ao aniversário de morte de Lampião e Maria Bonita, líderes do maior grupo de cangaceiros que já existiu no país. A missa acontece há 15 anos na Grota da Fazenda Angico, local que se tornou um dos maiores roteiros turísticos de peregrinação do estado sergipano e também de Alagoas, com passeios de barco saindo de Piranhas, com parada no local onde foram emboscados Lampião e seu grupo.

A Grota de Angicos ficou conhecida em julho de 1938 por conta da ação da polícia que culminou com o fim da trajetória de Lampião e Maria Bonita e mais alguns cangaceiros que compunham o bando. Hoje é um local muito procurado por turistas de todo o Brasil e do mundo, sendo um dos grandes atrativos turísticos de Sergipe e Alagoas.
 
Segundo José Roberto Lima, Secretário Adjunto de Turismo de Sergipe, a Grota do Angico representa uma parte cultural da história não só do sergipano como também do país. “Temos que usar esses aspectos da história e da cultura como um fator de atração turística. É muito importante que todas as pessoas conheçam mais da história de Sergipe que é muito rica.”
Para Vera Ferreira, neta de Lampião e Maria Bonita e responsável pela organização da homenagem, a missa será um momento de paz e um momento para se manter viva a história do líder cangaceiro. “Quero que a missa seja sempre um momento de paz, onde as energias positivas predominem e possa se manter viva a história.”

 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Malhador, Umburanas e Rio do Peixe: referências na indústria e artesanato de couro na Bahia


Se você possui carteiras e cintos de alguma marca de projeção nacional, tem grandes chances de estar usando um produto fabricado em um dos distritos produtores de artigos de couro de Ipirá (BA)

O Povoado Rio do Peixe surgiu aproximadamente no ano de 1907. Recebeu esse nome porque o rio que ali passava era muito piscoso e muitas pessoas vinham de outros lugares em busca da fartura do pescado. A pesca era uma fonte de sustento e lazer.

O distrito está localizado a 18 km da cidade de Ipirá e os povoados vizinhos são Malhador e Umburanas. O clima é semiárido e o maior problema é aquele comum em toda a região: a seca. A vegetação predominante é a caatinga, caracterizada por uma longa planície. A pecuária bovina é predominante, mas também existe um bom rebanho caprino, - animal que melhor se adapta à vegetação da região, - além de ovinos e suínos.



A prática de curtir couro e fabricar sandálias rudimentares é uma tradição de décadas da região, mas foi nos últimos 20 anos que a produção do artesanato de couro assumiu ares de indústria. Atualmente, os povoados de Malhador e Umburanas têm na atividade a redenção de um povo que deixou de depender das chuvas para poder ter o que por na mesa de refeições. Praticamente toda a população destas localidades vivem, direta ou indiretamente, da atividade ligada à industrialização do couro.

Esses distritos do município de Ipirá respondem por uma grande fatia dos produtos derivados do couro como cintos, carteiras, bolsas e sapatos que, após o acabamento, recebem as etiquetas de marcas famosas, mas são legítimos produtos “Made In Ipirá”. 

Você que nos acompanha aqui no Artecultural, muito provavelmente usa ou já utilizou algum produto fabricado em Umburanas, Rio do Peixe ou Malhador. No comércio de Ipirá, existem show rooms de marcas locais, que vendem produtos de alta qualidade, fabricados em couro legitimo.

O artesanato de couro de Ipirá é famoso ainda por fabricar os melhores uniformes de vaqueiros do Estado. Perneira, gibão, jaleco, luvas e chapéu fabricados pelos artesãos ipiraenses, são sinônimo de qualidade e exportados para outros estados da Federação.

Finalizo esta matéria prestando uma homenagem ao meu tio Aureliano Rodrigues Fernandes (Liano), um dos mais competentes artesãos de Ipirá. No início dos anos 70, convivi com Tio Liano e tive a honra de ajudá-lo a confeccionar os mais belos e bem talhados uniformes de vaqueiro da região.

A benção, meu tio. Que Deus lhe ilumine, sempre!

Zeca Baleiro e Lenine se apresentam em Salvador, no mesmo palco, mas com shows individuais



Dois do maiores nomes da musica nordestina, o maranhense Zeca Baleiro e o pernambucano Lenine, são as atrações da ConceitoCom no Café Hall, em Salvador, neste sábado (28.07)

Zeca traz o seu novo show, inédito em Salvador, “Calma Aí, Coração”, com canções do seu último álbum “O Disco do Ano” e o artista afirma que mesclará músicas do novo trabalho com os seus maiores sucessos.

Um show específico para apresentar no evento, é a promessa de Lenine, que revela: “não será o lançamento do novo CD, 'Chão', que será apresentado até o final do ano”. Na apresentação de amanhã ele promete mostrar um pouco de cada disco, sem esquecer os grandes sucessos da sua carreira.

Os artistas já dividiram o palco em outras oportunidades ao longo das suas carreiras, mas no Café Hall, não está previsto os dois cantarem juntos no palco. Nos planos de Zeca Baleiro, consta a gravação de um DVD ao vivo, enquanto Lenine está na estrada com a turnê Chão, cuja apresentação em Salvador está prevista para novembro.

“Saulo Laranjeira e Saldanha Rolim Cantam Vandré e Gonzagão”: espetáculo foi apresentado em São Paulo



Saulo Laranjeira também prestou tributo a Luiz Gonzaga, em turnê por várias cidades mineiras e em São Paulo. Outro ícone da MPB, Geraldo Vandré, também foi homenageado

Saulo Laranjeira, nascido Saulo Pinto Muniz, é natural de Pedra Azul, na região do Vale do Jequitinhonha (MG)e sempre se interessou pela vida artística, montando pequenos espetáculos quando era criança, baseado no que assistia no circo. Em 1966 muda-se para Belo Horizonte, onde começa a trabalhar com teatro infantil. Na década seguinte vai para o Rio de Janeiro, e começa a travar contato com o meio musical. Promove inclusive um festival de música em sua cidade natal. Em 75 vai para São Paulo, e começa a se apresentar ao lado de artistas como Dércio Marques (peão na Amarração, de Elomar), Zé Gomes e Doroty Marques, com que forma o grupo Ínkari.

No ano de 1978 montou um centro cultural, Fulô da Laranjeira, do qual derivou seu nome artístico. Atuou como produtor e agitador cultural, montando espetáculos musicais e teatrais. Em 1985 volta para Minas Gerais, onde passa a apresentador do programa Arrumação, na TV Cultura Minas, sobre música brasileira e manifestações populares. “Arrumação é um capítulo à parte da carreira de Saulo e uma das mais expressivas manifestações culturais da TV brasileira. A música de abertura, - com o mesmo nome do programa, - já mostrava a qualidade da atração: uma bela composição de Elomar Figueira de Melo, com magistral interpretação do piauiense radicado em Goiás, Francisco Aafa. Saulo dava vida a seus vários personagens e recebia convidados integrantes da fina flor da cultura regional.
Ainda em 1985, lançou o primeiro disco, "Minas da Lua", logo seguido por "Jeito Sonhador" (1989), "Sal" (94) e "Fulô da Laranjeira Vol. 1" (98). Também foi apresentador dos programas Raízes e Som Nascente, em emissoras locais de Minas, São Paulo e Paraná. No dia 29 de abril passado, o espetáculo “Saulo Laranjeira e Saldanha Rolim Cantam Vandré e Gonzagão”, que passou antes por diversas localidades mineiras, foi apresentado na Praça da Liberdade, em São Paulo, comemorando o centenário de nascimento de Luiz Gonzaga. Mais que uma homenagem, o show “Saulo Laranjeira e Saldanha Rolim Cantam Vandré e Gonzagão” foi uma perfeita sintonia entre os artistas transformando suas histórias e afinidades em momentos de pura arte!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

I Mostra em tradicional galeria de artes de São Paulo, tem obras de artistas nordestinos



De variadas tendências, treze artistas do Nordeste compõem a mostra coletiva em cartaz até setembro em São Paulo

Mapear a produção contemporânea da Região Nordeste e colocá-la sob os holofotes do grande público. O desafio foi encampado pelo projeto Metrô de Superfície, que há quase dois anos vêm pesquisando esta produção e adquirindo obras produzidas nestes 12 primeiros anos de século XXI para elaboração de um acervo do Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB). São instalações de vídeos, ensaios fotográficos, fotomontagens, pinturas e outras vias de experimentações, reunindo um total de 30 artistas de estados como Ceará, Pernambuco, Bahia e Maranhão.

Sob curadoria dos críticos Bitu Cassundé, de Fortaleza e Clarissa Diniz, de Recife, o acervo é exposto pela primeira vez ao público na Mostra I do projeto em cartaz desde a última terça- feira, dia 17, no Paço Municipal, em São Paulo, galeria tradicional de artes, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, com foco na produção contemporânea.

Para a mostra, foram selecionados 13 artistas do acervo, sendo eles Marina de Botas, Milena Travassos e Solon Ribeiro, do Ceará, além de Amanda Melo (PE), Bruno Vilela (PE), Carlos Mélo (PE), Cristiano Lenhardt (RS/PE), Juliana Notari (PE), Marcelo Gandhi (RN/SP), Rodrigo Braga (PE), Solange, tô aberta! (RN/Berlim), Thiago Martins de Melo (MA) e Virginia de Medeiros (BA/SP).


"Esta é a primeira vez que mostramos as obras selecionadas ao público. É um panorama da jovem produção do Nordeste que nunca foi mostrado conjuntamente. A intenção é organizarmos outras mostras, com a participação de todos", explica a coordenadora do setor de Artes Visuais do CCBNB, Jacqueline Medeiros. A parceria entre o centro cultural e o Paço Municipal foi intermediada por Priscila Arantes, diretora técnica da instituição, que foi também quem propôs o recorte no acervo.

"Eles optaram por obras que exploram o eu do artista em relação ao outro, o corpo. Deram ênfase também em artistas que pensam sua produção atual a partir do Nordeste", detalha Jacqueline. Ela cita exemplos como o de Cristiano Lenhardt, que nasceu  no Rio Grande do Sul, mas mora em Recife. "A produção dele é pensada a partir de Recife. Isso é uma coisa interessante entre os artistas selecionados. A maioria está neste trânsito", destaca.
 

Projeto

Esta mobilidade, ou mesmo, a dificuldade de circulação de artistas que produzem fora dos grandes centros, argumenta Jacqueline, é um dos pontos que justifica a metáfora que dá nome ao projeto. O Metrô de Superfície, argumenta, à medida que cruza cidades, estados, regiões, aponta para essa integração e para a chegada do desenvolvimento.

O projeto, detalha, preenche uma lacuna no acervo do CCBNB, que não dava  conta das produções mais recentes. "O centro cultural tem acervo significativo de gravuras, desenho e pintura moderna, em sua maioria do Nordeste. Eu quis dar continuidade, colocando artistas da virada do século até agora", diz.

Para o mapeamento, Bitú Cassundé e Clarissa Diniz utilizaram por base uma pesquisa que já desenvolviam - tendo atuado como assistentes curatoriais do Programa Rumos Artes Visuais 2008/2009 - e realizaram visitas a centros produtores de arte contemporânea como Bahia, Ceará e Paraíba. "A pesquisa durou quase dois anos. Eles conseguiram fazer um panorama desta produção que precisava ser mostrado", reforça.

Fora do eixo

Representando o Ceará, ao lado de Milena Travassos e Solón Ribeiro, a artista paulista (radicada desde criança em Fortaleza) Marina de Botas participa com três vídeo-performances: "Programa para nutrição da pele" (2007), "Entrevista" (2009) e "Centauro" (2010). Graduada em artes visuais pelo Instituto Federal de Educação Tecnológica do Ceará (IFCE), ela aponta a  dificuldade que há para artistas que residem e produzem fora dos grandes mercados de arte para divulgar sua produção nestes eixos. "Eu expus pouquíssimo em São Paulo. Para qualquer linguagem artística, a realidade continua muito semelhante à de décadas passadas. Você tem que estar lá para poder se inserir", analisa.

Marina destaca a importância de um projeto como o Metrô de Superfície "pelo menos como movimento de denúncia e resistência", mas pondera que, para que haja um efetivo alcance da produção de artistas de regiões como o Nordeste nestes centros, seria necessário uma política cultural descentralizadora.

"É uma iniciativa bacana no sentido de jogar na cara que a produção nordestina é muito boa. Alguns editais do Governo Federal até ajudaram a melhorar a produção, mas a circulação continua local", argumenta. A exposição segue em cartaz até o dia 13 de setembro. No próximo dia 27, os expositores participam de um debate na galeria.

Mais informações

I Mostra do Projeto Metrô de Superfície, até 13/09, no Paço Municipal (Av. da Universidade, nº 1, Cidade Universitária, São Paulo). Contato: (11) 3814.4832

Chá, bebida típica do Oriente, ganha o mundo devido à grande versatilidade



Dizem os entendidos: “devemos chamar de 'chá', apenas a bebida preparada como Camellia sinensis. O resto é infusão.”
Champanhe é a definição exclusiva para a bebida produzida na região de Champagne, no nordeste de França. Todos os similares, devem ser chamados de “espumantes” já que o direito internacional reconheceu a propriedade da marca como restrita à bebida francesa. Raciocínio análogo acontece com o chá, como veremos adiante.

De acordo com a especialista em chá Carla Saueressig, proprietária da Tee Gschwendner, em São Paulo, a maior loja especializada do Brasil e da América Latina, há confusões em relação às definições da bebida. Ela conta que é comum generalizar e chamar toda a água quente com ervas de chá. “Chá é apenas aquilo preparado com a planta Camellia sinensis, o resto é infusão. Mas, como as pessoas já se acostumaram a falar errado, nós vamos corrigindo aos poucos para não criar ainda mais confusão”, conta.

Depois da água, o chá é a bebida mais consumida e democrática do mundo. Por ter preparação simples e muitas vezes barata, o produto está presente em diferentes níveis da sociedade. Aprovada por profissionais de saúde — desde que consumida em pouca quantidade —, a bebida acalma, reconforta e esquenta. Nos dias quentes, pode ser saboreada gelada, com a adição de frutas, flores e temperos. É essa simplicidade versátil que faz do chá algo adorado em todo o mundo e desperta cada local a produzir a sua versão da bebida.
 
O consumo de chá é fartamente utilizado com funções terapêuticas e, os mais tenazes defensores costumam afirmar que, “chá, se não fizer bem, mal não faz...” Médicos e especialistas no assunto não concordam com a máxima e chamam à atenção para a ingestão inadvertida da bebida. Defendem a tese que, determinados tipos de infusão, notadamente de plantas tidas como pouco usuais, podem sim trazer consequências danosas à saúde.

Na dúvida, os adeptos ficam naqueles sobejamente conhecidos e que, historicamente, não causam qualquer mal à saúde como o de camomila, erva-doce, erva cidreira, dentre outros tão consumidos nas diversas regiões do país.

William Shakespeare com sotaque nordestino: "Sua Incelença, Ricardo III"


SÃO PAULO - O universo de William Shakespeare transposto para o sertão nordestino. A saga de um rei inglês contada por sanfoneiros, montados em velhas carroças e empunhando máscaras de palhaço. É assim que o diretor Gabriel Villela e o grupo Clowns de Shakespeare criaram Sua Incelença, Ricardo III

Depois de passar pelos mais importantes festivais de teatro do País, o aclamado espetáculo chega ao Sesc Belenzinho. Com uma abordagem que se desprende da obra original, Villela e a trupe potiguar conceberam uma montagem que se apropria de cantigas populares do baião e brinca com o rock britânico. Usa a linguagem proclamada do teatro de rua, faz referências ao cangaço e, sobretudo, pinta com cores cômicas o soturno e grave drama histórico.


A opção não resulta em desprezo pelo enredo clássico. "A nossa vontade foi sempre manter a história, trazer à cena a fábula", observa o encenador.
Mas a saga do sanguinário monarca é contada em tom irreverente. Tão irreverente quanto lírico. De tal maneira que é quase inevitável não evocar Romeu e Julieta: transposição do universo shakespeariano feita pelo diretor com o grupo Galpão. "São histórias diferentes, mas existe um investimento estético semelhante", acredita Villela. "Explora-se o caráter popular das duas peças, e as particularidades das culturas de cada um dos grupos: um de Minas e outro do Rio Grande do Norte."


SUA INCELENÇA, RICARDO III


Sesc Belenzinho. Rua Padre Adelino, 1.000, tel. 2076-9700. 3ª a 5ª, 20h30. Grátis - retirar ingressos 1h antes. Até 16/8

Fonte: estadao

quarta-feira, 25 de julho de 2012

"Um Piano na Estrada" é o projeto itinerante de Arthur Moreira Lima



Com o projeto Um Piano pela Estrada, Arthur Moreira Lima já percorreu o Brasil inteiro com o piano montado em um caminhão palco

Um dos mais ilustres torcedores do Fluminense, o pianista Arthur Moreira Lima fica irritado quando lhe perguntam sobre os palcos como se os tivesse abandonado. Há 10 anos, quando deu início ao projeto Um Piano pela Estrada, o pianista passa 60% do tempo debruçado sobre o teclado de um piano instalado no caminhão palco com o qual já percorreu o Brasil inteiro. Os outros 40%, Moreira Lima dedica aos palcos tradicionais. “É um tremendo maniqueísmo achar que só pode fazer uma coisa, não pode fazer outra. Realmente, o caminhão me toma a maior parte do tempo, isso é verdade, mas não deixei de tocar no palco”, avisa. E é para tocar em um palco mais ou menos tradicional que ele desembarcou em Brasília nesta quarta-feira (25/7).

Mostrando o seu lado altruísta, o pianista participa do coquetel de lançamento do projeto Espaço de Talentos, criado pelo Instituto Chamaeleon para ensinar música, teatro, dança e idiomas a crianças vítimas de violência sexual e maus-tratos. Moreira Lima não vai fazer um recital tradicional, vai apenas tocar duas ou três músicas e dividir o piano com André von Frasunliewiecz e Romano Malacco. 

O evento será realizado na Embaixada da Argentina, que recebe a festa de lançamento, e é fechado para convidados das instituições que vão investir no projeto. O recital mesmo, o pianista só faz em outubro, quando promete tocar peças incorporadas ao repertório durante as quase seis décadas de carreira. “Devo tocar a velha receita: clássicos que se tornaram populares e populares que se tornaram clássicos”, avisa. Nos planos, estender suas apresentações aos palcos tradicionais das principais capitais do país.

Expocrato foi mais um evento a homenagear os 100 anos de Luiz Gonzaga


A 61ª Exposição de Crato (CE) – Expocrato, realizada de 08 a 15 de julho, prestou uma abrangente homenagem no centenário de nascimento de Gonzagão, com exposição e até interatividade do público com melodia e letra das músicas do Rei do Baião

A inspiração na trajetória do cantor e compositor Luiz Gonzaga em cantar a cultura e a natureza do Cariri inspirou a criatividade para homenagear o Rei do Baião durante a Expocrato. São diversas formas de manifestação em comemoração ao centenário do artista. No stand da Universidade Regional do Cariri (Urca), é realizada exposição que traça a sua relação com as áreas do Geopark Araripe, com a mostra "(en)cantos: Natureza e Cultura do Araripe na obra de Luiz Gonzaga". A exposição deverá continuar para as escolas do Município. No mesmo espaço funciona o Centro de Interpretação do Geopark.

Passaram por dia pelo local em média 5 mil pessoas. O espaço abria às 10 horas e os admiradores das músicas do Rei do Baião puderam contemplar o seu trabalho de forma interativa na exposição. No painel onde podiam ser vistas paisagens da região, como a cachoeira de Missão Velha, a música relacionada como inspiração levava o ouvinte a acompanhar a letra e a imagem ao mesmo tempo. As lembranças estavam por toda parte, desde o gibão de couro, até um quadro do Museu Asa Branca, exposto no local.

As 500 músicas gravadas por Luiz Gonzaga estavam escritas na linha que traça a trajetória da exposição. No meio do caminho, foi possível o encontro com os artesãos do barro, do couro e madeira da região. Os filmes expuseram a confecção do artesanato produzido na região. E para quem não teve a oportunidade de acompanhar a Escola Unidos da Tijuca, este ano, na Marquês de Sapucaí, pode admirar fantasias que ficaram expostas, do desfile que homenageou os 100 anos do Rei do Baião. Segundo uma das curadoras da exposição, a historiadora Sandra Nancy, a pretensão da mostra foi mostrar essa interface do artista, por meio da sua forte relação com o Cariri. Conforme a curadora, a exposição foi concebida com múltiplas linguagens da arte, o que evidencia a relação existente entre a cultura e a natureza, no contexto do Geopark Araripe, figurada na produção do cantor pernambucano.

A exposição no Crato é um dos eventos marcados na voz do Rei do Baião, como a música, além da própria canção "Eu vou pro Crato", que evoca a cidade de forma doce. "... cratinho de açúcar, tijolo de buriti". Além da fé, centrada no Padre Cícero, e a festa de Santo Antônio, de Barbalha, são destacadas na musicalidade do artista, que segundo Sandra Nancy, foram trabalhadas dentro da exposição de forma a contemplar a música de Luiz Gonzaga e a cultura da região.
 
A fachada trouxe o colorido das imagens do cantor, com chapéu de couro, e faz uma releitura da obra do artista norte-americano, Andy Warhol, com luzes e a dinâmica dos festejos tradicionais e populares do Araripe. "Por essa mostra, trouxemos representações dos saberes, fazeres, e ofícios do povo do Cariri, os quais inspiraram o artista", diz. E essa realidade leva a horizontes da arte com as xilogravuras, por meio do trabalho de xilógrafos como Zé Lourenço, a pintura do artista plástico Paulo Bento, os filmes elaborados pelo cinegrafista Fernando Garcia, a poética do carnavalesco Paulo Barros, da Unidos da Tijuca.

Toda uma programação musical foi desenvolvida em torno do trabalho do Rei do Baião, com apresentações de artistas regionais. O desfile de grupos de tradição mirins de Barbalha abriu a programação, com reisado, cangaceiro, brincantes que aprendem ofício da arte popular, para dar sequência ao legado cantado pelo rei do baião.

Este ano, a 61ª Exposição Centro-Nordestina de Animais e Produtos Derivados (Expocrato) faz uma homenagem ao centenário do Rei do Baião. A alusão ao cantor encontrava-se por toda a cidade. O evento, que acontece anualmente, abriu a temporada de férias no Interior, especialmente no Cariri. A festa contou com a realização de 32 shows e teve uma maciça presença de público que prestigiou a sexagenária exposição.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Último filme da trilogia Batman fatura apesar de tragédia em Aurora (Colorado)



Insanidade do atirador que vitimou 12 pessoas em um cinema do Colorado não abalou os milhares de fãs do homem-morcego, que lotaram os cinemas nos EUA e no Canadá para a estreia do filme que encerra a trilogia

A arte se sobrepôs à realidade e o último filme da trilogia Batman - "O Cavaleiro das Trevas ressurge" - obteve o terceiro melhor fim de semana da história após ser lançado na sexta-feira passada (20) nos Estados Unidos e no Canadá, apesar da tragédia em um cinema de Aurora (Colorado), onde um jovem atirador matou 12 pessoas na pré-estreia.


O massacre não abalou os milhares de fãs do homem-morcego, que lotaram os cinemas da América do Norte para a estreia do filme que encerra a trilogia e Batman faturou 160,9 milhões de dólares neste final de semana. Segundo números definitivos da empresa Exhibitor Relations, o filme ficou atrás apenas da estreia de "Os Vingadores" (207,4 milhões de dólares) e de "Harry Potter e as Relíquias da Morte" (169,2 milhões).

"Os Vingadores" e "Harry Potter" foram exibidos em 3D, com preços de ingressos mais elevados, o que torna Batman o maior sucesso no lançamento da história de filmes 2D, superando, inclusive, o segundo filme da trilogia, "O Cavaleiro das Trevas", que faturou 158,4 milhões de dólares na estreia em 2008. este é o último filme da trilogia, mas o homem morcego certamente ainda voltará às telas pois, pelos números acima expostos, ainda existe um público ávido por acompanhar as aventuras do septuagenário personagem da historia em quadrinhos.
Um dos filmes mais aguardados do ano, "Batman: o Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises)" chega às telas de cinema brasileiras na próxima sexta-feira, 27 de julho e a expectativa é de cinemas lotados.

As incontáveis atrações de Salvador: é preciso não ter pressa para apreciá-las




Fim de semana com sol em Salvador, em pleno julho? Tem mais é que aproveitar a boa vontade dos céus!

Meados de julho, pleno inverno, não é exatamente um período auspicioso para um fim de semana em Salvador. Para nossa agradável surpresa, a capital baiana era de sol, com um céu azul a iluminar a belíssima Baia de Todos os Santos.

Quando fiz a reserva no Grand Tulip, a competente e atenciosa Gerente Geral, Cláudia Simões, me fez uma recomendação: “Sr. Euriques, não deixe de ver e fotografar o por do sol do Rio Vermelho, a partir da piscina do nosso hotel. Asseguro-lhe que é um dos mais belos de toda Salvador.” Fiquei devendo, minha cara Cláudia, mas é mais um motivo para retornar a Salvador e desfrutar dos ótimos serviços e da simpatia daqueles que compõem o staff do Grand Tulip.


Salvador, apesar da administração desastrosa dos últimos anos, continua linda e acolhedora. O nó do transito é uma mazela comum às metrópoles, mas nada que uma boa dose de paciência e bom humor não resolva. Se a praia ainda não está com a água morna, que é uma característica da orla soteropolitana, as barracas agora improvisadas dão um colorido especial e o cheiro convidativo do acarajé invade o ar e se mistura ao da maresia, emoldurando a manhã de domingo.


Praia “não é sua praia”? Você tem a opção do zoológico para conferir o mais novo hóspede: um jacaré-açu de quase cinco metros que cochila preguiçosamente enquanto aguarda a lauta refeição. Prefere os shoppings? Além dos já existentes, foi inaugurado recentemente mais um, para deleite dos que adoram ir às compras ou simplesmente “bater perna”, olhar as vitrines e terminar o passeio na praça de alimentação.

Salvador dispõe de mais uma infinidade de atrações, mas para apreciá-las na sua plenitude exige um período mais prolongado de estadia. Para olhar o belo casario do Pelourinho, ver as atrações do Teatro Castro Alves, visitar as presumíveis 365 igrejas, passar uma “tarde em Itapoan” e experimentar os mais de 50 sabores da Sorveteria da Ribeira, você vai precisar de alguns dias a mais. Para melhor aproveitar as incontáveis atrações de Salvador, é preciso ter tempo e não ter pressa. Algo como seguir o ritmo de Dorival Caymmi..

O mar quando quebra na praia / É bonito, é bonito...

Euriques Carneiro



"Quem Viver, Verá": novo trabalho de Toquinho



Toquinho canta e encanta os madrilenhos ao apresentar seu novo trabalho, no Teatro Circo Price

O cantor Toquinho representou a Bossa Nova na noite de segunda-feira em Madri ao apresentar seu novo álbum, Quem Viver, Verá. Em turnê que o levará ao Festival Grec, em Barcelona,Toquinho conseguiu levantar o público madrilenho presente no Teatro Circo Price.

O músico começou com Samba de Orly, em um show no qual esteve acompanhado pela voz de Anna Setton, jovem artista descoberta por Toquinho, em São Paulo. Tarde em Itapuã e Que Maravilha deram passagem a Garota de Ipanema, no qual o artista compartilhou os holofotes com a pianista Silvia Goes.

Depois delas, Toquinho recebeu no palco Anna Setton, que participou de duas das canções do álbum Quem Viver, Verá. "Aprendeu a comer paella?", perguntou o cantor a sua companheira de palco antes de cantar Carolina Carol Bela e Felicidade.

Na sequência, Toquinho deixou sua apadrinhada sozinha para interpretar Deixa, com a qual conquistou Madri graças a seu doce timbre de voz. Toquinho voltou ao palco depois para demonstrar sua destreza ao violão com Asa Branca e uma homenagem a uma de suas referências, o compositor barroco Johann Sebastian Bach.

As músicas seguintes foram Cavalo Marinho, Berimbau e Chega de Saudade, que foram sucedidas pela canção mais famosa do brasileiro em solo espanhol, Aquarela. Depois de levantar o público, Toquinho encerrou sua apresentação com Na Tonga da Mironga do Kabuletê, sendo aplaudido de pé pelos presentes Teatro Circo Price.

Vinhos & pratos: harmonizá-los é importante, mas não se prenda a regras



Por sugestão de vários amigos que nos acompanham aqui no Artecultural, pesquisamos sobre os melhores vinhos e como harmonizá-los com vários pratos e até com sobremesas. Neste trabalho, tivemos a oportunidade de verificar com prazer, que já temos vinhos nacionais tão bons ou até melhores que muitos importados

Na matéria abaixo, procuramos saber a opinião de enólogos e sommeliers alguns conhecidos do grande público, como é o caso de Ed Mota e do apresentador da Globo, Renato Machado. Obviamente, não temos a pretensão de esgotar o assunto, mesmo porque, ele é dos mais complexos e várias das opiniões são divergentes quando se trata de harmonizar vinhos e pratos. Após muita leitura e entrevista com autoridades no assunto, fica claro que, apesar das etiquetas e das “regras” que imperam no metier, cada indivíduo deve escolher mesmo é aquele que melhor se adapta ao seu paladar.

Após o aumento da renda dos brasileiros verificada nos últimos anos, conjugada com a queda nos preços dos vinhos, o interesse pela bebida vem crescendo, tornando cada vez mais comum encontrá-lo nas mesas de diversos restaurantes, até os menos sofisticados. Não poderia ser diferente. O vinho é a bebida gastronômica por excelência. Não é por acaso que as grandes mecas da gastronomia (França e Itália) são também os mais tradicionais países vitivinicultores. Com o vinho, uma refeição se completa mais do que com qualquer outra bebida. De fato, uma bela harmonização é uma experiência única, em que ambos, prato e vinho, saem ganhando e se mostram muito melhores do que desacompanhados. 

Com o vinho mais frequente à mesa, é natural que surjam dúvidas sobre a combinação de vinhos e comidas. Antes de tudo, é preciso ressaltar que não trataremos aqui de regras ou princípios absolutos pois o excesso de rigor pode transformar o enófilo em um enochato,  ligando o vinho ao esnobismo. Ninguém deve deixar de tomar um vinho especial porque a combinação não é a ideal, e nem deixar de considerar o ambiente e a temperatura: um prato que poderia se dar melhor com um tinto muitas vezes pode ser escoltado por um branco, se o dia estiver quente ou se esta for a vontade do grupo.

Pode ser que nesse caso não haja uma verdadeira harmonização, que resulte em acréscimo às qualidades de cada um, mas desde que não haja incompatibilidade, não há problema. O que se deve evitar são apenas os “casamentos litigiosos”. Por exemplo, um peixe de água salgada não deve acompanhar um vinho tânico não porque fere as regras da etiqueta (que nada tem a ver com harmonização), mas porque a combinação do sal com os taninos provocam um sabor metálico, desagradável.

Mas, deixando os extremos de lado, a harmonização é um desafio interessante e, muitas vezes, recompensador. Como dito acima, é fazer um verdadeiro casamento, em que as partes se completam, de forma sinérgica, em harmonia. Em suma, tal qual em uma relação saudável, as partes ganham com a soma e se tornam mais que dois: um realçando as qualidades e virtudes do outro. Ademais, nenhum dos dois prevalece, ninguém é mais importante: os dois simplesmente se entrelaçam, lado a lado, em equilíbrio. 

Assim como uma pessoa deve se conhecer para se relacionar verdadeiramente com outra, é imprescindível conhecer as características do vinho (corpo, taninos, intensidade aromática, dulçor, acidez...) e da comida que se pretende harmonizar. A coisa se complica um pouco mais, pois a combinação ora pode se dar pela similaridade, ora por contraste. No primeiro caso, um vinho doce como acompanhamento de uma sobremesa. No segundo, esse mesmo vinho doce escoltando um queijo salgado, como um roquefort. Consultar um bom guia é válido, para se ter uma ideia preliminar. Mas o melhor mesmo é fazer experiências e tirar suas próprias conclusões, lembrando que o que se busca é o prazer: portanto, nada de beber o que não se gosta só porque se trata, em tese, de uma harmonização perfeita.


Apenas para facilitar, seguem alguns princípios:
·         Considere o corpo do vinho e do prato. Pratos mais fortes e com muito sabor pedem vinhos mais encorpados, enquanto para pratos mais delicados, vinhos mais leves.
·        
- Pratos gordurosos e suculentos, como carnes e assados, pedem a tanicidade dos tintos, contrapondo a secura que eles causam no palato à untuosidade do prato. A acidez também se contrapõe à gordura e é desejável em pratos em que ela se faça bem presente.
·        
- A intensidade aromática não pode ser esquecida. Pratos com muitas especiarias pedem vinhos igualmente aromáticos e também com maciez para se contrapor à sensação das especiarias no palato. Um bom tinto da casta Syrah ou um branco Gewurztraminer, dependendo do prato, podem ser bons acompanhamentos.
·        
- Não se apegue a ela, mas tampouco esqueça a tradição. O vinho de determinada região, especialmente do velho mundo, muitas vezes é muito apropriado para o prato típico daquele mesmo local. A ideia é a de que, ao longo do tempo, o nativo vinifica de tal forma a possibilitar o casamento perfeito, já que nesses países essa bebida sempre foi pensada para estar à mesa.
·        
- Pratos doces pedem vinhos igualmente doces. Aqueles à base de frutas se dão bem com vinhos brancos doces, como os de colheita tardia. Melhor se tiverem boa acidez, para não ficar tudo muito enjoativo.
·        
- Peixes e frutos do mar, por sua suavidade e acidez, se dão melhor com brancos. Os peixes de sabor mais forte, como salmão, ou mais temperados são bem acompanhados por brancos de mais corpo, como chardonnays barricados. Peixes delicados pedem vinhos acídulos e leves.
·        
- Aves e caças variam de acordo com a intensidade do sabor. Patos e coelhos selvagens se dão bem com tintos de bom corpo e intensidade aromática. Frangos e perus se casam com brancos de bom corpo ou tintos não muito tânicos e frutados.
·        
- Não se esqueça dos molhos e ingredientes, principalmente se ditarem o sabor predominante no prato.
·        
- Espumantes são coringas, realmente. Mas até eles variam em estrutura e intensidade aromática.

Há alguns alimentos que geram casamentos difíceis. Comida japonesa e seu wasabi parecem aceitar apenas brancos e espumantes bem acídulos. Chocolate e vinho não são vistos como amigos, mas um Pedro Ximenes ou um Porto LBV são boas opções e que se saem melhor que o tradicionalmente recomendando Banyuls, no gosto dos entendidos do assunto. Todavia, não há como limitar a harmonização a fórmulas e regras exaustivas, seja pela complexidade que permeia o vinho e a gastronomia, seja porque o gosto pessoal é um elemento indispensável. Enfim, brinque com as experiências, esqueça o excesso de formalismo...e bom casamento!

Mesmo existindo regras específicas para harmonizar sabores de um prato e de um vinho, o fundamental é o equilíbrio entre ambos: o prato e o vinho devem se completar e não se sobrepor.
 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Festival de Cinema de Gramado: em agosto, começa a disputa pelo "Kikito", o Oscar brasileiro



Na sua 40ª edição, o Festival de Cinema de Gramado ganha reformulação. A principal delas  é a presença de José Wilker na curadoria do festival. O ator é uma das maiores autoridades em cinema do país e, como o crítico Rubens Ewald Filho, pode discorrer por horas a fio sobre a sétima arte


Com quase 50 filmes selecionados para mostras competitivas, o 40º Festival de Cinema de Gramado — entre 10 e 18 de agosto — ganha uma reformulada versão. As mudanças começam na curadoria, agora integrada pelos críticos de cinema Rubens Ewald Filho, Marcos Santuário e José Wilker. Sem esquecer da aliança mantida com o cinema latino-americano, que estará representado por cinco longas-metragens, a fatia de representatividade nacional está mais encorpada.

Quarentão, o festival trará oito títulos brasileiros, entre eles o road movie Colegas (de Marcelo Galvão), o aguardado pernambucano O som ao redor (de Kleber Mendonça Filho) e a comédia romântica gaúcha Insônia (de Beto Souza). Igualmente na linha cômica, o brasiliense Matheus Souza participará da disputa, à frente de uma produção carioca intitulada Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida. O peso da desorientação reveste o cotidiano da estudante de medicina Clara, que, em secretas incursões matutinas, inicia um percurso de autoconhecimento.

Na programação competitiva, dois longas já foram vistos em outros importantes festivais brasileiros: Futuro do pretérito: Tropicalismo Now! (22º Cine Ceará) e Jorge Mautner — O filho do Holocausto (17º É Tudo Verdade). Exibido em Brasília, no CCBB, o segundo (com direção de Pedro Bial e Heitor D’Alincourt) aponta Mautner como exemplo artístico e filosófico para a cultura do século 21, ressaltando as origens criativas, germinadas nos anos 1960.

Morto em janeiro, o diretor Pio Zamuner — que conduziu uma dúzia de filmes do comediante Mazzaropi — responde pelo teor de homenagem ao próprio cinema, como figura central  do curta-metragem Piove, il film di Pio, um dos 14 curtas-metragens selecionados por comissão que incluiu na disputa filmes diversificados como O duplo (de Juliana Rojas), premiado no Festival de Cannes; o catarinense Dicionário, em torno de acontecimento misterioso que cerca um homem solitário, e A triste história de Kid-Punhetinha, que tem como cenário uma clínica de aborto.

Produções chilenas, cubana, argentina e uruguaia despontam na competição oficial, entre os filmes estrangeiros. No tapete vermelho, que faz parte da tradição do Festival de Gramado, estão asseguradas as passagens de personalidades como Arnaldo Jabor, Betty Faria e Eva Wilma, que serão homenageadas com o premiado diretor argentino Juan José Campanella (de sucessos como O segredo dos seus olhos).

Referência: CB

Os curadores José Wilker, Marcos Santuário e Rubens Ewald Filho

Festival de Inverno de Garanhus foi repleto de atrações


Festival de Inverno de Garanhuns se firma com uma das mais marcantes manifestações culturais de Pernambuco. Um publico cada vez mais fiel e seleto prestigia todos os anos o festival que se tornou a marca registrada da “Suíça Nordestina”

Terminou com reggae e dub, no Palco Guadalajara - principal polo de shows musicais do Festival de Inverno de Garanhuns -, a última série de shows musicais da 22a edição do evento considerado um dos mais importantes do Nordeste. De acordo com relatório preliminar divulgado pela produção do FIG, cerca de 300 mil pessoas tinham passado pela Guadalajara, até o início da noite de sábado. O fundador e ex-guitarrista do Ira!, Edgar Scandurra, foi a primeira grande atração do sábado. Ele mesclou seu lado roqueiro com a faceta eletrônica e conseguiu prender a atenção das milhares de pessoas que já se apresentavam na Guadalajara.

Com o jogo praticamente ganho, Jorge Benjor fez a enorme massa humana que tomou a praça Guadalajara cantar, gritar e pular com um repertório formado por boa parte dos sucessos do artista devoto de São Jorge. Não tinha como não funcionar. Detalhe para o modo como o papa do balanço nacional montou a formação da sua banda: todos tocando bem juntos, como se estivessem em uma casa de shows de pequeno tamanho.
Atração do Carnaval Multicultural do Recife deste ano, o rei do pop brasileiro Lulu Santos, a exemplo de Benjor, também realizou uma apresentação repleta de hits. Pense em qualquer grande sucesso radiofônico do carioca. Pensou? Certamente, a música esteve presente na apresentação impecável do cantor. Ele ainda prestou homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga, com uma versão para Respeita Januário e tocou a melodia de Asa branca na guitarra.

Encerrando a madrugada de sábado para domingo, N´Zambi, Buguinha Dub e seus convidados tocaram para uma plateia ainda animada. Parte do público ainda esticou as comemorações até a festa Altos Brotos, que tradicionalmente acontece no Tebas, no centro do Recife, mas que em sua versão garanhuense se deu na churrascaria Escritório. 

CIRCO

Um dos grandes fenômenos do Festival de Inverno de Garanhuns é o interesse do público pelas apresentações. Mesmo com o aumento das apresentações – que dobraram -, muita gente ficava de fora das sessões. Produtores do FIG comentaram com a reportagem do JC que uma das soluções para amenizar o incomodo seria aumentar a lona e o número de lugares da plateia.

Fonte: JC Online