domingo, 29 de abril de 2012

Box com cinco livros de José Lins do Rego resume o melhor da obra do escritor paraibano


Box Ciclo da Cana-de-Açucar - José Lins do Rego

Para os aficcionados da literatura nordestina, está disponível um box com os cinco romances de José Lins do Rego, compondo a série que ele mesmo denominou de “Ciclo da Cana de Açúcar” e que resume o melhor da sua carreira literária

O romancista José Lins do Rego escreveu cinco romances a que nomeou 'ciclo da cana-de-açúcar', numa referência ao papel que nele ocupa a decadência do engenho açucareiro nordestino, visto de modo mais realista pelo autor. "Menino de Engenho" (1932), "Doidinho" (1933) e "Banguê" (1934) estão centrados no personagem Carlos de Melo e apresentam grande unidade. "Usina" (1936) é a expansão desse núcleo inicial. E "Fogo Morto" (1943) é um livro síntese desse ciclo.

Em "Menino de Engenho" (1932), - seu livro autobiográfico, o personagem Carlos passa a infância e o início da adolescência em meio ao ambiente da seca e do trabalho duro no engenho de cana do avô.

O título de "Doidinho" (1933) se refere ao apelido de Carlos. O protagonista narra suas experiências como aluno de um rigoroso internato e cujo grande sonho é retornar ao velho engenho.

Dez anos após sair do engenho, Carlos chega à vida adulta em"Bangüê" (1934). José Lins do Rego foca a narrativa na contradição entre o antigo universo aristocrático onde cresceu e os novos rumos do Brasil.

"Usina" (1936) conclui o ciclo. O clássico da literatura brasileira mostra a decadência no espaço rural do Nordeste e o surgimento de novas maquinarias: as usinas.

Considerado sua obra-prima, "Fogo Morto" (1943) é a síntese desse ciclo.

José Lins do Rego, jornalista, romancista, cronista e memorialista, nasceu em São Miguel de Taipu (PB), no dia 3 de julho de 1901. Morreu no Rio de Janeiro (RJ) em 12 de setembro de 1957. Ocupava a cadeira número 25 da Academia Brasileira de Letras.

José Lins do Rego faz parte da excelente safra de escritores nordestinos, composta por Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto, José de Alencar, Graciliano Ramos, Ariano Suassuna, entre outros. O livro mais famoso da série, Menino de Engenho, já foi levado às telas do cinema, sob a direção de Walter Lima Júnior e tendo o ator Geraldo D’el Rey no papel principal.

*

*

sábado, 28 de abril de 2012

O OITAVO DIA: um caminho para a luz!


Santo Antonio de Jesus tem nomes de peso na arte e na cultura, com reconhecimento até no exterior como é o caso do renomado artista plástico Marepe, - em breve, teremos matéria especial com ele, aqui no blog, - premiado em várias exposições internacionais.

Seguindo esta trilha, temos o cineasta Tau Tourinho com seus vários curtas bastante elogiados pela crítica especializada, além de inúmeros músicos que batalham na noite santantoniense buscando um lugar ao sol e o reconhecimento de publico e critica.

Dentre ao artistas da Cidade das Palmeiras, quero destacar neste espaço o lançamento do livro “O oitavo dia – um atalho no tempo”. A obra da Carlos Reis Agni tem a apresentação do seu amigo Marepe, considerações de Helvécio Meira e prefacio do renomado professor  e apresentador de TV, Jorge Portugal.

A narrativa de Carlos Reis envolve pelos vários “mundos”que os personagens percorrem e as dificuldades que eles enfrentam para a consecução dos seus objetivos. Com seus nomes nada ortodoxos e suas peripécias ao longo da competente trama urdida pelo autor, a obra revela um final surpreendente para os protagosnistas Ziastro e Saana.

O livro está sendo lançado pela Editora Cazulo e é o mais recente de Carlos Reis que tem no seu currículo  “Lágrimas de um Espermatozoide”, (1999), “Prelúdio do Desejo”, (2000) e “Fronteira do Emocional”(2002).

Logo estará nas melhores livrarias, mas por enquanto o livro pode ser adquirido diretamente com o autor, na sua terra natal, Santo Antonio de Jesus.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Os efeitos da seca na Chapada Diamantina e no turismo baiano



A Chapada Diamantina, um dos mais belos cartões postais da Bahia está sofrendo com a maior estiagem dos últimos 30 anos, com efeitos danosos à economia daquela região. O grande número de cachoeiras e quedas d'água está entre as principais atrações daquele polo turístico e são exatamente estes cursos hídricos que estão sofrendo com a impiedosa seca que assola o Estado.

Na rodovia que liga a BR 242 a Andaraí, têm-se o acesso ao Poço Azul, que fica situado no município de Nova Redenção. O poço tem 80 metros de extensão, com duas cavernas de 20 m², mas a flutuação só é permitida na parte da frente, que é delimitada por cordas. Pode-se mergulhar com o auxílio de máscaras de mergulho e coletes para observar as formações rochosas lá embaixo. Fazer a flutuação e observação do poço é uma experiência ímpar, indescritível e, seguramente, uma dos maiores atrativos de toda a Chapada.


O Poço Azul surpreende pela transparência de suas águas e pelo tom azulado que elas têm quando os raios do sol entram por uma fresta na gruta. De acordo com o Guia, elas ficam prateadas em noite de lua cheia. Ao mergulhar o rosto se tem a impressão de estar lá no fundo, a nitidez é tamanha que temos a sensação de poder tocar o que estamos vendo, mesmo com a profundidade que chega a 16 metros.


Existe um acesso por balsa do Poço Azul para o Poço Encantado,  mas também em virtude da seca, ele está temporariamente desativado. A saída então é retornar à rodovia BA 142 e percorrer cerca de 80 km para chegar ao Poço Encantado, já no município de Itaeté.

Atrações como a Cachoeira da Fumaça , outrora ostentava 340m de queda d´água a 420m de altura, mas hoje não tem sequer um terço desta vazão, o que reduziu drasticamente seu encanto e, por consequência, o número de visitantes. A Cachoeira do Sossego, outra grande atração da Chapada, segue o mesmo caminho, com a falta de chuva que já dura alguns meses.

Bem perto de Lençóis, cidade com a melhor infraestrutura da área que compõe o Parque Nacional da Chapada Diamantina, tem vários roteiros nas suas imediações, todos eles dependentes da abundância das chuvas para que ostentem todo o glamour que os turistas esperam. O Serrano é o mais popular passeio de Lençóis, a menos de 1km da cidade. O chão de seu leito parece mármore, as águas escuras como chá propiciam reconfortantes mergulhos em suas “banheiras” formadas pela natureza, mas várias delas já estão vazias ou reduzidas a cerca de 50% da capacidade.

Ainda a partir de Lençóis via caminhada fácil de 3 km passando-se ao lado da Igreja do Rosário (rua dos Negros), fica o Ribeirão do Meio com várias piscinas naturais que são abastecidas a partir das águas que chegam por um acentuado declive. Nesta rampa natural, habilidosos nativos descem sentados pelas pedras escorregadias, praticando um esporte local denominado de “esquibunda”. Para decepção dos turistas, a “prática esportiva” está bastante reduzida, tendo em vista o baixo volume de água que desce, comprometendo inclusive o nível das “piscinas naturais”.


Essas atrações, mais Cachoeira Primavera , o Poço Halley ou Poço Paraíso e a Cachoeira do Rio Mucugezinho, fazem parte do chamado “roteiro das cachoeiras” em Lençóis, mas guias turísticos da cidade já estão bastante apreensivos com o futuro da atividade, caso não chova nos próximos 60 dias.


A situação ilustra bem como a seca que assola o território baiano, com reflexos negativos em quase 300 municípios, vem interferindo nos mais diversos segmentos da sociedade, atingindo não só quem vive da atividade agropecuária, mas também segmentos correlatos. O trading turístico é apenas mais uma vitima da estiagem, pois vários municípios já suspenderam micaretas e outros tantos estão temerosos com a possibilidade de cancelamento dos festejos juninos, caso não chova no mês de maio próximo.

Dentro deste rol, estão cidades com festas de São João concorridíssimas como Senhor do Bonfim, Piritiba, Ipirá e outros tantos municípios que, tradicionalmente, promovem festejos dedicados aos santos juninos, Santo Antônio, São João e São Pedro. Rezemos então para caiam as chuvas para mitigar o sofrimento dos que dela dependem para sobreviver e para que se mantenha acesa a chama de uma das mais autênticas manifestações da cultura nordestina, que são as festas de São João.

O Poço Azul é dos poucos atrativos da Chapada que ainda não sofreu com a seca,
graças ao seu complexo sistema de abastecimento por rios subterrâneos.



O Ribeirão do Meio, na sua plenitude!


Imagem com esta, só quando as chuvas chegarem...

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Rio de Janeiro: capital dos eventos!


Maratona de megaeventos deixa Rio de Janeiro em clima de expectativa

Passados 20 anos da Rio-92 e faltando dois meses para a Rio+20 -conferência da ONU sobre o desenvolvimento sustentável (www.rio20.gov.br ) que discute, de 13 a 22 de junho, mudanças climáticas no planeta-, o Rio vive o período do outono, estação que marca o fim da altíssima temporada turística. 

Mas, se a proximidade da Rio+20 já suscita a discussão sobre a possível carência de leitos na rede hoteleira carioca, o que dizer sobre a necessidade de acomodar os visitantes internacionais na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016? Oficialmente, a cidade anuncia que vai oferecer 17 mil novos leitos até 2016.

E até que as promessas se cumpram, o fantasma da escassez de quartos em hotéis seguirá rondando os megaeventos que o Rio hospeda num futuro próximo. Polêmicas à parte, é o outono, e não o verão, a estação do ano preferida por muitos dos cariocas que não veem lá tanta graça em tostar sob o implacável sol de 40 graus.

Agora, é hora de desligar o ar-condicionado e sair às ruas para aproveitar a cidade com temperaturas mais amenas. No Rio, essa cena outonal costuma tirar de cena as chuvas do verão. E se essas chuvas tiverem sido suficientes, a vegetação que cobre os morros da cidade deve rapidamente tingir-se de um verde especialmente intenso.

Num mundo em que há pelo menos 20 anos, desde a Rio-92, se discute o estudo sobre a elevação de temperatura do planeta, publicado na revista científica "Nature Climate Change" por estudiosos liderados por Dim Coumou e Stefan Rahmstorf, ninguém parece estar imune a eventuais tragédias climáticas.

Na contramão das previsões meteorológicas mundiais sombrias, o outono do carioca costuma ser ameno, perfeito para passear, com os dias bem iluminados e um céu tão limpo que torna cristalina a fruição da paisagem do Rio, tal como numa tela em alta definição.



Pedro Carrilho/Folhapress
Morro Dois Irmãos, Pedra da Gávea, lagoa Rodrigo de Freitas e bairros do Leblon e Gávea vistos desde o Mirante do Sacopã, no Parque da Catacumba
Morro Dois Irmãos, pedra da Gávea e lagoa Rodrigo de Freitas vistos de mirante no parque da Catacumba


OUTONO À CARIOCA

O melhor da estação é aproveitar essa luminosidade especial em passeios ao ar livre: mas, faça chuva ou sol, a programação cultural sempre garante boas alternativas. 
O Museu Nacional de Belas Artes (www.mnba.gov.br ), por exemplo, celebra 75 anos de fundação oferecendo entrada gratuita para os visitantes até o fim de maio, e tem como destaque a exposição "Modigliani: Imagens de uma Vida", com obras do pintor e escultor italiano, algumas expostas pela primeira vez na América Latina. 
Também o Centro, que é como o carioca chama o CCBB, ou Centro Cultural Banco do Brasil, (www.bb.com.br ) exibe, até o fim de abril, a exposição "Tarsila do Amaral - Percurso Afetivo", a primeira individual da artista no Rio nos últimos 40 anos. 
Outra alternativa para quem quer entrar no clima cultural carioca alheio a aberrações climáticas é a exposição e mostra de filmes "Tutto Fellini", que vai até o dia 17 de junho no Instituto Moreira Salles (www.ims.com.br ), na Gávea. 



Cuba, na visão de Ernest Hemingway


Bar frequentado por Hemingway em Cuba faz 70 anos

Os músicos do grupo "Entre cuerdas" entoam a canção "Hasta siempre comandante", em meio a dezenas de turistas que bebem apressados um mojito - coquetel cubano, com rum, açúcar, água com gás e folhas de hortelã -, na Bodeguita del Medio, o famoso bar de Havana que completa 70 anos nesta quinta-feira (26). 
"Mojito em La Bodeguita e daiquiri na Floridita", dizia o famoso escritor americano Ernest Hemingway (1899-1961), que viveu duas décadas na ilha, e seu exemplo é imitado, diariamente, por centenas de turistas que visitam a Havana Velha. 
Muitos bebem o mojito de pé, junto ao balcão, embora La Bodeguita tenha várias mesas. 
"O local é famoso, por isso tinha muita curiosidade de conhecê-lo. Fiquei encantada", disse à AFP a argentina Ana María Nacif, residente em Vancouver (Canadá), que percorreu Havana durante horas com um grupo de turistas de férias em Varadero, 140 km a leste da capital. 
La Bodeguita del Medio foi inaugurada no dia 26 de abril de 1942, por iniciativa do comerciante Ángel Martínez, e a empresa estatal que a administra já preparou diversas atividades para comemorar seus 70 anos, entre elas uma conferência sobre o mojito e um jantar de gala com pratos cubanos. 


Adalberto Roque/France Presse
Turistas visitam o famos bar La Bodeguita, na capital cubana
Turistas visitam o famos bar Bodeguita del Medio, na capital cubana
O preço do mojito é US$ 4, uma quantia inalcançável para a maioria dos cubanos, que recebem em média um salário de menos de US$ 20 ao mês. 
Por isto, desde os anos 1990 os estrangeiros são os principais clientes deste bar repleto de fotos de famosos, situado na rua Empedrado 207 - a meia quadra da Catedral de Havana - e que oferece também os inigualáveis charutos 'habanos' e uma seleção de pratos cubanos e suvenires, como camisetas e bandejas. 
Boa parte dos 2,7 milhões de turistas que visitam a ilha anualmente querem conhecer o bar, o que atrai à sua volta vendedores ambulantes, cantores de ruas como Rodovaldo Suárez, e outros cubanos que se deixam fotografar ao lado dos visitantes, em troca de uma gorjeta. 
A cada momento chegam ao bar ônibus com turistas que percorrem a Havana Velha, mas alguns se queixam de que a visita guiada a La Bodeguita dura apenas cinco minutos, tempo insuficiente para saborear mais demoradamente um mojito. 
"Vim porque fazia parte do tour e porque sempre quis conhecer o bar, por sua história. Parto contente por tê-lo conhecido, ter tirado fotos e vivido o clima, embora nem sequer pude tomar o mojito, porque nos deram pouquíssimo tempo", disse a chilena Catalina Quesada à AFP. 
Nas paredes de La Bodeguita há uma grande foto de Fidel Castro com Hemingway e uma infinidade de mensagens grafitadas deixadas por visitantes, tanto anônimos quanto famosos, entre eles o ex-presidente socialista chileno Salvador Allende (1970-1973), que escreveu: "Viva Cuba libre, Chile espera. 28 junio 1961". 


Adalberto Roque/France Presse
Barman prepara mojitos no bar Bodeguita del Medio, que completa 70 anos
Barman prepara mojitos no bar Bodeguita del Medio, que completa 70 anos
Na Bodeguita, que tem três andares, há duas mesas que ninguém pode ocupar, porque estão "reservadas" para dois clientes assíduos, já falecidos: o poeta cubano Nicolás Guillén (1902-1989) e o cantor americano Nat King Cole (1919-1965). 
"É o lugar ideal para ouvir música, saborear pratos tradicionais, desfrutar um 'habano' e provar o mojito", disse Liubersy Pérez Guillén, diretora comercial da empresa estatal Palmares, que administra bares e restaurantes em toda a ilha. 
Boleros e sons tradicionais, assim como canções de teor político como "Hasta siempre comandante", uma homenagem do músico cubano Carlos Puebla ao guerrilheiro Ernesto Che Guevara, recebem a toda a hora os visitantes. 
Antes de se transformar em bar, o local foi uma "bodega" (pequeno armazém). 
Nos anos 1960 foi nacionalizado junto com o restante dos negócios privados; em 1997 foi alvo de uma bomba que não causou vítimas, durante uma onda de atentados.

Fonte: FRANCE PRESS

Mais uma homenagem a Jorge Amado!


JORGE AMADO E UNIVERSAL: UM OLHAR INUSITADO SOBRE O HOMEM E A OBRA
Até 22 de julho
Museu da Língua Portuguesa
Praça da Luz, s/nº, Centro, São Paulo
O místico. Entre os fiéis, na lavagem do Bonfim (1975). Foto: Acervo Zelia Gattai/Fundação Casa de Jorge Amado

Em seu processo de criação, Jorge Amado assumia o papel de executor das vontades de seus personagens. Em Dona Flor e seus Dois Maridos (1966), o escritor queria que a protagonista fosse embora com Vadinho, mas ela quis ficar com os dois maridos. Zélia Gattai, a mulher, e Paloma, a filha, contam em depoimento gravado os caminhos criativos do autor baiano, cujo centenário de nascimento ganha a exposição Jorge Amado e Universal, parceria entre a Grapiúna, Fundação Casa de Jorge Amado, Secretaria de Cultura do Governo de São Paulo e Museu da Língua Portuguesa.

“A mostra aproximará do grande público um dos autores que melhor retrataram nosso povo através de seus cerca de 5 mil personagens cheios de grandezas, fraquezas, sabedoria popular, sensualidade encantadora, malícia, fé e esperança”, diz Antônio Carlos de Moraes Sartini, diretor do Museu da Língua Portuguesa.

Em seis módulos, vida e obra de Amado. Num deles, originais corrigidos à mão pelo autor, fotos, ilustrações das obras publicadas em 50 países. Em outro, a Bahia reinventada pelo escritor. Na Casa dos Milagres, as coloridas camisas do autor.

Fonte: folha.com

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Espetáculos e exposições pelo Brasil



Você vai viajar para capitais neste mês de abril? Veja algumas opções de espetáculos pelo Brasil:

Ø  Dia 26: show do cantor Roger Hodogson (Hodogson Concert) no Via Funchal (SP)

Ø  Dia 27: pré-estréia nacional do filme Os Vingadores (National Premiere), nas salas de cinema de várias capitais;

Ø  Exposição Tarsila do Amaral, no percurso afetivo do Centro Cultural Banco do Brasil (RJ)

Ø  Temporada do Musical Cabaret, no Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro;

Ø  De abril a junho, no Teatro do SESC, em São Paulo, temporada do Musical Tim Maia;
e
Ø  No Teatro Sérgio Cardoso (SP), montagem da obra de Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos, de abril a junho.



Viajando pela cultura Pernambucana



Sexta-feira, 20.04, desço no Aeroporto de Guararapes e apanho uma van com destino ao bairro de Tejipió. Nas Avenidas Recife e Agamenon Magalhães, vários outdoors anunciam a atração maior do final de semana na capital pernambucana: show do ex-beatle Paul McCartney, no Mundão do Arruda, como é eufemisticamente conhecido o estádio do Santa Cruz.

Todos os 60 mil ingressos vendidos com antecedência, grande expectativa pelo mega espetáculo, caravanas de várias capitais do Nordeste e até fãs do sul do país. Mas nem só do ex-beatle sessentão vive o Recife, pois o Teatro Guararapes apresentaria no sábado e no domingo, outra estrela, só que nacional: Chico Buarque na sua nova turnê (show esse já comentado aqui no blog).

Pensam que acabou? Ainda tinha Los Hermanos no Chevrolet Hall, outra excelente casa de espetáculos recifense. Não pude deixar de lembrar um anúncio que vi a caminho do Aeroporto 2 de Julho (desculpem, mas para mim ele ainda se chama 2 de julho): “Não percam a festa Porradão do P, neste final de semana em Salvador, com Psirico, Parangolé e Pagodart, com participação especial de Pablo.” Realmente imperdível!

Voltando a falar de Recife, em passeio pela orla de Boa Viagem, passamos no Parque Dona Lindú, um mimo do prefeito da cidade ao então Presidente Lula. Um espaço para visitação onde uma das maiores atrações é uma escultura onde é retratada a homenageada Dona Lindú com uma “renca”de meninos, entre eles, aquele que viria a ser o seu filho ilustre, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Sábado, fomos à Cabo de Santo Agostinho há cerca de 60 km da capital. A pequena cidade está “inchada”pelo repentino boom de investimentos da região e, como não tem estrutura para abrigar a legião de trabalhadores das obras de Suape, vive um binômio comum nestes casos: experimenta um extraordinário crescimento na atividade comercial, mas áreas como habitação e saneamento não conseguem acompanhar o ritmo.

Passando ao lado da feira livre da cidade, não pude conter o meu espanto com o volume da área, algo próximo da decantada Feira de Caruarú. Na feira do Cabo se encontra todos os frutos do mar, aí incluídas belíssimos espécimes de lagosta e camarões pistola. Frutas de todos os tipos, legumes os mais diversos iguarias oriundas de outros estados e também as locais: queijo coalho, queijo manteiga (o nosso “requeijão” baiano), fava, mangalô, feijão macassar...

  À noite a caminho do ótimo restaurante japonês, Narim, havia uma  grande concentração de carros e pessoas e o meu filho Victor, que já mora há um ano no Recife, falou: “deve estar tendo alguma “grea”por aqui...” Tradução: quando nós baianos vamos para a “night” não falamos “reggae”? pois é, lá é “grea”.

Praia no Recife há muito tempo não tem mesas e cadeiras fixas; todos os dias os barraqueiros transportam-nas para a praia juntamente com caixas térmicas e, no final da tarde, recolhem todo o material para, no dia seguinte, começar tudo de novo. Sabem qual a fundamental diferença de Salvador? Lá não se cobra nada pela utilização de mesas e cadeiras, paga-se apenas a consumação. Da ultima vez que estive no Porto da Barra, paguei, - e caro, - para utilizar estes equipamentos.

Domingo à noite, a pedida é a “feirinha”de Boa Viagem. La se pode comprar exemplares do artesanato pernambucano que convivem pacificamente com peças de vestuário e até bugigangas chinesas importadas do Paraguai. Separando a área de artesanato da “praça de alimentação”, fica a igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, cuja construção foi finalizada no século XXVIII.

A improvisada praça de alimentação é uma série de barracas onde se pode degustar os mais variados bolos e tortas, tapioca de incontáveis sabores, pastéis com os recheios mais saborosos, além de sucos, caldo de cana e os usuais refrigerantes e cerveja.

A emoldurar este quadro, um multifacetado artista popular mostra as suas variadas habilidades andando numa corda entre um coqueiro e um poste, fazendo números de mágica, ou mergulhando o seu esguio corpo de não mais de 50 quilos num aro de roda de bicicleta, repleta de pregos em chamas.

Foram menos de 72 horas na capital de Pernambuco, nas quais procurei captar imagens das mais variadas nuances que me permitissem montar um pequeno mosaico à disposição daqueles que acompanham este espaço de cultura e arte.

Euriques Carneiro

Parque Dona Lindú


A histórica igreja e o artista popular

A criatividade do artesão

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Museu do Prado anuncia descoberta de cópia da "Mona Lisa"


O museu espanhol do Prado anunciou nesta quarta (1º) a descoberta de uma cópia da "Mona Lisa", de Leonardo da Vinci, encontrada em seus depósitos. A instituição apresentou à imprensa a pintura, que esteve abandonada por décadas em um sótão, depois de sua restauração.
De acordo com um relatório sobre os detalhes descobertos pelos especialistas, publicado na revista britânica "The Art Newspaper", o trabalho é uma cópia da pintura de Da Vinci realizado por algum de seus alunos ao mesmo tempo que o retrato original (1503-1506), no ateliê do artista italiano.
Acredita-se, segundo o jornal "El País", que o tal aluno possa ter sido Andrea Salai (que se tornou um dos amantes de Da Vinci) ou Francesco Melzi.
A pintura retrata a mesma mulher pintada por Da Vinci, mais jovem e com o rosto mais fresco, mas com a mesma pose e o mesmo sorriso enigmático.
O fundo, porém, estava completamente preto, coberto por várias camadas de tinta escura, que foram removidas por especialistas cuidadosamente.
A versão restaurada mostra no fundo uma paisagem de colinas e rios que muito se parece com a pintura original, atualmente no Museu do Louvre, em Paris.
A publicação acrescentou que a descoberta ajudará a entender como a obra-prima de Leonardo foi pintada. O texto nota, ainda, que o aspecto um pouco mais envelhecido da mulher representada no célebre quadro pode ser resultado da ação do verniz na tela.
"Esta descoberta sensacional vai transformar a nossa compreensão da mais famosa pintura do mundo", apontou a publicação.
O museu confirmou as informações da imprensa e se comprometeu a oferecer maiores detalhes em breve. 

 Fonte: folha.com.br
Mona Lisa de Leonardo da Vinci (à esquerda) e cópia descoberta no Museu do Prado





O governo brasileiro, através da Embratur afirmou na última sexta-feira (13.04), que a organização de doze espaços Fifa Fan Fest no Brasil durante a Copa do Mundo de 2014 será uma oportunidade de aumentar o interesse dos turistas pelo evento. 
 
O Fifa Fan Fest é um local público onde os jogos são transmitidos em telões e no qual existem várias atrações, como bares, restaurantes e shows. A organização do evento entende que as atrações permitem que a Copa não seja desfrutada apenas por quem adquiriu ingressos para os jogos e o órgão já pensa numa campanha para promover os doze pontos de transmissão para os turistas internacionais. 
 
"A ação nos permitirá que pensemos em iniciativas promocionais, principalmente visando ao turista internacional que vem para ver um ou dois jogos e pode assistir a outras partidas pelos Fan Fests", afirmou o presidente da Embratur, Flávio Dino.

A Fifa anunciou na sexta-feira os locais dos doze Fan Fest, que ficarão nas cidades que serão sede da Copa de 2014. Os pontos escolhidos foram a praça da Estação, em Belo Horizonte, a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, o Parque de Exposições, em Cuiabá;,o parque Barigui, em Curitiba, a praia de Iracema (Aterrão), em Fortaleza, memorial Encontro das Águas, em Manaus, a praia do Forte, em Natal, o largo Glênio Peres, em Porto Alegre, o Marco Zero, em Recife, a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro,o  Jardim de Alah, em Salvador; e o vale do Anhangabaú, em São Paulo.

A primeira vez que a Fifa organizou a atração foi em 2006, nas cidades alemãs onde ocorreram jogos da Copa. Em 2010, os Fan Fest foram organizados em várias cidades do mundo, como por exemplo o Rio de Janeiro. 
 
A entidade calcula que cerca de seis milhões de torcedores assistiram aos jogos nesses locais durante o Mundial 2010. A Embratur calcula que pelo menos 600 mil turistas estrangeiros visitarão o Brasil durante a Copa do Mundo e que um quarto deles irá para outras cidades além das quais serão realizadas as partidas. 
 
Falando em Fan Fest aqui na Bahia, a comitê organizador local vai interiorizar o evento que, além das atrações do Jardim de Alah, em Salvador, estarão em Porto Seguro, Ilhéus, Itacaré e Praia do Forte. Outras localidades fora do circuito “sol e praia” estão sendo analisados, a exemplo de Chapada Diamantina (Lençóis), Paulo Afonso, Barreiras, entre outros, na tentativa de tornar o evento abrangente, atingindo regiões que, normalmente, ficam de fora dos circuitos da espécie.

Caso confirmada esta intenção de interiorizar o Fan Fest, será uma excelente oportunidade para levar às regiões mais longínquas desse estado com dimensões continentais que é a Bahia, algo que agregará valores artísticos ao acervo do povo do interior, enriquecendo assim a bagagem cultural dessa camada da população. Agora é aguardar para ver.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Um verdadeiro discípulo de Gonzagão.

 
São João chegando, vários municípios preparando as suas festas juninas e um nome está se firmando no cenário do forró tradicional: Quininho de Valente. Dono de uma poderosa e afinada voz, o artista navega pelos diversos mares do autêntico forró, indo de Luiz Gonzaga ao compositor iniciante, desde que ele mantenha a linha do forró autêntico o nosso decantado “pé de serra”. 
 O cantor e compositor Quininho de Valente é um artista autodidata da MPB, nasceu na cidade que lhe empresta o “de”, município do interior da Bahia, uma região que vive da cultura do sisal e cujo povo já tem o “lombo calejado” pela seca. O filho do “Véio Zuca” desde cedo aprendeu que a agricultura no Valente era inviável e cuidou de buscar outros caminhos. Foi mecânico de automóveis, - dos mais respeitados na cidade, - mas nunca desistiu da sua verdadeira vocação que era a vida dos palcos.

A carreira artística teve inicio em Valente-Ba, onde desde adolescente já fazia parte de grupos musicais como "Os Valentes do Ritmo", "Os Terríveis" e "Grupo Samba Show", muito embora o seu gosto pelo forró predominasse.

Fã incondicional do Trio Nordestino e colecionador de toda a sua obra, veio fazer parte e acompanhar o referido grupo por todo o Brasil, em 1981. Nas excursões juninas durante 10 anos, se juntou a Genaro, Coroné e Cobrinha, substituindo o cantor Lindolfo Mendes Barbosa, o Lindú, seu compadre e com o qual mantinha uma inabalável amizade..

Em outubro de 1990, resolveu gravar o seu primeiro disco intitulado "Dê Uma Chance Ao Meu Prazer" que teve a participação do referido trio nas doze faixas. Seguiu então, sua carreira solo, uma vez que a possibilidade de mostrar um trabalho novo vinha amadurecendo a cada ano.

Como um bom nordestino e baiano, incorporou à sua vida a musica e o sentimento de tristeza proporcionado pela seca. Ao usar a dualidade tristeza de seca e a alegria do forró, xote, xaxado e baião, não excluiu as canções da MPB tornando eclético seu trabalho. Para ilustrar a saga do valentense, Missinho compôs e Quininho gravou "Sertão Valente" , música que compõe o repertório do DVD que levou o felicíssimo título "Do Sisal à Capital".

O seu talento é comprovado através de repertórios escolhidos com temas voltados para o sertão, para a metrópole e outros que fazem parte denosso cotidiano, com músicas de sua autoria e de compositores consagrados nacionalmente.

O forrozeiro Quininho de Valente está nessa estrada há 22 anos com 18 discos e 01 DVD, que foi gravado na sua cidade natal, em praça pública, com a participação de diversos artistas como o Trio Nordestino, Genaro, Walkyria, Targino Gondim, Missinho, Dinho Oliveira e o Gaúcho Cambará.

Um fato inusitado aconteceu na gravação desse DVD: choveu torrencialmente em Valente (acredite!) e o show foi adiado para o dia seguinte, mas ainda sob ameaça da chuva. Aí a festa foi completa pois além da gravação do DVD do filho ilustre de Valente, ainda choveu como não se via desde janeiro de 1990, última grande enchente no município.

Já está na praça o seu novo disco “A festa da família brasileira," onde interpreta composições suas e de autores da fina estampa do forró como Dominguinhos, Anastácia, João Silva, Genaro e Missinho. Mesmo gravando músicas destas verdadeiras “feras” do forró, Quininho também prestigia novos compositores como Cássio Sampaio, Erval Valente e Paulo Prata, além de parceiros em outros discos como Berê Paim, e Elber Mota.

Fique atento à agenda do Quininho de Valente nesse São João e vá conferir uma verdadeira manifestação do autêntico forró “pé de serra”, como pregava o mestre maior nesta área, Luiz Gonzaga, um dos mentores do trabalho de Quininho de Valente.
 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Mais um legitimo representante da cultura Nordestina!

 
O poeta Jessier Quirino, arquiteto por profissão, mas profundo conhecedor da alma do matuto nordestino, nasceu no ano de 1954 na cidade de Campina Grande, Paraíba e é filho adotivo de Itabaiana, - e conterrâneo de Sivuca, -  também na Paraíba, onde reside desde 1983.
Completou o curso ginasial em Campina Grande no Instituto Domingos Sávio e no Colégio Pio XI, o curso científico em Recife e fez faculdade de Arquitetura na UFPB – João Pessoa, concluindo  em 1982. Apesar da agenda artística literária sempre requisitada, ainda atua na arquitetura, tendo obras espalhadas por todo o Nordeste, principalmente na área de concessionárias de automóveis.  Como artista, é autodidata como instrumentista (violão) e fez cursos de desenho artístico e desenho arquitetônico. Na área de literatura, não fez nenhum curso especifico e trabalha a prosa, a métrica e a rima como um mero domador de palavras.
Com maestria, preenche uma lacuna deixada pelos grandes menestréis do pensamento popular nordestino e tem chamado a atenção do público e da crítica, principalmente pela presença de palco, por uma memória extraordinária e pelo varejo das histórias. Elas navegam por caminhos  que vão desde a poesia matuta, impregnada de humor, neologismos, sarcasmo, amor e ódio, até causos, cocos, cantorias músicas, piadas e textos de nordestinidade apurada.
Com incomparável capacidade e estilo próprio, o "domador de palavras" - até discutido em sala de aula – tem  uma verve apurada e de um extremo preciosismo no manejo da métrica e da rima. Jessier, ao contrário dos repentistas que se apresentam em duplas, mostra-se sozinho, enfrentando o trabalho feito boi de arado e sabe como ninguém, prender a atenção do distinto público.
Nos espetáculos com fundo musical, apresenta-se acompanhado de músicos de primeira grandeza, entre os quais, dois filhos, que dão um tom majestoso e solene ao recital. São eles: Vitor Quirino (violão clássico), e Matheus Quirino (percussão). Os músicos Letinho (violão) e China (percussão) atuam nos espetáculos mais elaborados.
Apesar de muitos considerá-lo um humorista, opta pela denominação de poeta, onde procura mostrar o bom humor e a esperteza do matuto sertanejo, sem, no entanto fugir ao lirismo poético e literário.
Para aqueles que reconhecem o linguajar matuto, ler ou ouvir as obras-primas desse artista é como viajar ao sertão sem sair do canto. Cada expressão que inclui em seus versos é a mais pura encarnação do matuto. As palavras parecem ser destiladas em alambique de cobre antes de serem oferecidas como pequenas doses de alegria. É o típico poeta erudito que nos deleita com as variedades regionais da língua portuguesa e enriquece a todos com seu fabuloso espírito nordestino.
Seus “causos” mais conhecidos, “Paisagem do interior”, “Agruras da lata d’água”, “Parafuso de serrote”, entre outros, conseguem captar com uma perspicácia incomum, os flagrantes e os detalhes da vida interiorana, naquilo que ela tem de mais pueril.
Jessier também se aventura pelo mundo da musica e é da sua autoria, a belíssima “Bolero de Izabel” que você pode escolher na voz de quem quer ouvir, se na do próprio autor ou na impagável interpretação de Xangai.
Quer conhecer um pouco mais do poeta Jessier Quirino? Acesse o site poesiamatuta.com.br e veja vários momentos do paraibano em shows e entrevistas como a que ele concedeu ao Programa do Jô. Confira, pois não vai se arrepender.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

O retorno da Doce Bárbara, Gal Costa!


See full size image
Um dos expoentes da MPB está de volta. Após sete anos longe de disco e show inéditos, Gal Costa estreou a turnê do elogiado álbum Recanto no Rio de Janeiro no final do mês de março. Com direção de Caetano Veloso, autor de todas as músicas do CD, o show inaugurou a sofisticada casa Miranda, um espaço localizado na Lagoa, zona sul do Rio.

Os preços dos ingressos também foram “sofisticados” e bem fora da ralidade da maioria dos mortais comuns, o que gerou alguns protestos, sobretudo nas redes sociais. Chegaram a ser anunciados por R$ 800 (o melhor setor) e, mais tarde, a casa abriu a possibilidade do público se cadastrar como “cliente fidelidade” e pegar metade desse valor. Havia ainda alguns setores com ingressos a R$ 200.

A turnê em São Paulo, será um pouco diferente. Antes mesmo de chegar a uma casa de show, Gal apresentará “Recanto “de graça, ao ar livre. Será  neste domingo, dia 8, às 11h 30, no Parque da Juventude, na zona norte da cidade, dentro do projeto Cultura Livre, do governo do Estado de São Paulo. Em maio, Gal volta à cidade para apresentar seu Recanto na Virada Cultural, promovida pela Prefeitura de São Paulo.

No repertório, além de canções inéditas como “Neguinho”, “Segunda”, “Tudo dói” e o funk “Miami Maculelê”, sucessos da carreira da cantora baiana, entre eles, “Dia de domingo” e “Vapor barato”, e canções que há muito ela na cantava, como “Da maior importância” e “Mãe”. No palco, Gal será acompanhada pelo trio Domenico Lancellotti (bateria e MPC), Pedro Baby (guitarra e violão) e Bruno Di Lullo (baixo e violão).

A sonoridade eletrônica é especial, reproduzindo o que foi proposto por Caetano Veloso para o CD, o que causou estranheza a uma senhora durante a turnê carioca. Ela disse a Caetano, que estava na plateia, que o som estava “todo arranhado”. Caetano não gostou e a mandou “calar a boca”. Com todo o respeito que o maior letrista vivo da MPB nos merece, mandar uma espectadora “calar a boca” por expressar sua opinião, - ainda que de leiga, - convenhamos que não é uma atitude de quem está há mais de meio século nos palcos da vida.

Quando vi no 3º parágrafo acima que o Projeto Cultura Livre, do governo de São Paulo está presenteando a população com o show gratuito da Gal, fiquei a pensar: por que a a Bahia, berço da cantora, não tem iniciativas da espécie? Seria uma ótima opção para agradar a nós baianos, com os ouvidos já combalidos de tanto axé, pagode, arrocha e outros ritmos menos votados.

Euriques Carneiro

quarta-feira, 11 de abril de 2012



Amigos que acompanham o nosso espaço Artecultural, vejam que excelente idéia dos poderes públicos da cidade de Vinhedo (SP). Iniciativas da espécie não dependem de dinheiro pois o investimento é mínimo, o que vale mesmo é capacidade de empreender no âmbito cultural. É um ótimo exemplo a ser seguido pelas nossas autoridades constituídas.

Semana de Incentivo à Leitura de Vinhedo oferece diversas atrações culturais

Evento movimenta a cidade de 11 a 18 de abril com atividades gratuitas espalhadas por vários locais
Semana de Incentivo à Leitura de Vinhedo oferece grande programação cultural, de 11 a 18 de abril. Haverá desde contadores de histórias nos terminais rodoviários e dentro dos ônibus declamando poesias, cantando e contando histórias, até cortejo literático, biblioteca itinerante, palestras, oficinas saraus, teatroatrações musicais, com destaque para o projeto "Um Caminhão para Jorge Amado", que já percorreu diversos estados brasileiros. Toda a programação é gratuita (veja roteiro completo abaixo)

Feira de livro


Uma das atividades é a Feira do Livro Infantil, que terá venda de 400 livros para crianças a R$ 1, na Praça Sant’Anna. Entre os títulos estão livros de histórias clássicas, para colorir, piadinhas, bíblicas e outros gêneros. Além desses exemplares, a população terá à disposição outros 220 títulos com histórias para colorir, CDs interativos e livros cartonados com divertidas histórias e preços que variam entre R$ 5 e R$ 10.
Na feira também vai ser possível encontrar livros de pano, de banho, com sons, livros travesseiros, quebra-cabeça, técnicos e coleções pedagógicas, entre outros, a custos acessíveis.
Exposição 

Outra atração é a exposição “Descubra Vinhedo”, com 50 fotos de Maria Ivone Degelo, Coordenadora de Cultura, que ficarão expostas no Memorial do Imigrante até o dia 30 de abril. 
São fotos de várias localidades, turísticas ou não, onde o visitante poderá assinar um formulário cedido pelos monitores do Memorial do Imigrante com os locais numerados e tentar adivinhar que lugar é aquele. O objetivo é promover ações culturais e educativas com várias finalidades: formação de leitura de fotos/obras de artes, desenvolver  a memória visual e incentivar a visitação nos pontos/locais importantes da cidade de Vinhedo.
Serviço:
Local: Memorial do Imigrante de Vinhedo. Avenida dos Imigrantes, s/nº, Portal. (19) 3826-7800
Horário: de segunda a sexta, das 9 às 16 horas; sábados, domingos e feriados, das 10 às 16 horas

terça-feira, 10 de abril de 2012

2012: o centenário de nascimento de Luiz Gonzaga

O Nordeste está se preparando para as diversas homenagens a Luiz Gonzaga, já que o Rei do Baião completaria 100 anos de vida no dia 13.12.2012. Já existem logomarcas as mais variadas, com temas alusivos ao centenário daquele que foi eleito O Nordestino do Século XX, músicas sendo compostas, cordéis e livros sendo impressos, enfim, um grande leque de opções para se lembrar os 100 anos do ícone da música nordestina e fonte inspiradora das mais diversas vertentes artísticas da nossa região.

Estudando há quase duas décadas a vida e a obra de Luiz Gonzaga, estive em janeiro de 2005 na cidade de Exú (PE), para visitar o Museu do Gonzagão. Além da sensação indescritível de visitar aquele espaço, fui agraciado com a oportunidade de conversar por várias horas com Raimunda dos Anjos, ou simplesmente, D. Mundica, que trabalhou com o casal Gonzaga e D. Helena, nos últimos 16 anos da vida do Rei do Baião. Depois de ler tudo que há disponível sobre o meu ídolo, ficaram alguns pontos obscuros e algumas discrepâncias entre as narrativas dos dos autores dos livros que versam sobre o assunto. Foi na pessoa de D. Mundica que tive a oportunidade de jogar uma luz e colocar em pratos limpos, dúvidas levantadas nas diversas narrativas a que tive acesso.

O Parque Aza Branca, - é grafado assim mesmo, com "z", -fica na entrada da cidade de Exú e, além do museu propriamente dito, existem vários espaços que compõem o cenário do Parque Aza Branca, incrustado em uma área de cerca de 2 hectares. Ali estão  instalados o mausoléu da família, - onde foram sepultados o próprio Gonzaga, sua esposa Helena, seu pai Januário, sua mãe Santana, seu filho Gonzaguinha e seu irmão Severino Januário, - a Pousada Januário, a casa principal onde viveu o seu proprietário por alguns anos, a casa de hóspedes, o parque de vaquejada, a loja de souvenir e uma pequena casa de taipa simbolizando o tema da música “Sala de Reboco”, composta por José Marcolino (1930 – 1987), sendo um dos grandes sucessos da carreira de Gonzaga.

Acompanhando o nosso passeio pelo Parque Aza Branca, D. Mundica nos levou até o viveiro de espécimes da ave “asa branca”, mostrando-nos uma delas já sem as penas da cauda e afirmando com voz melancólica: “... esta asa branca era filhotinho quando “seo” Luiz morreu...”. Sentar na cadeira de balanço onde o Velho Lua descansou tantas vezes, à mesa onde ele recebeu inúmeros amigos, - famosos e anônimos, - sentir toda aquela atmosfera onde se respira música, poesia e arte, elevou-me a um estado de pura contemplação. Eu não tinha palavras para descrever aquele momento mágico.

Como na manhã daquela sexta-feira não havia quaisquer outros visitantes no parque, nossa afável cicerone abriu uma exceção e nos levou até os aposentos do casal Gonzaga, onde tudo permanece como eles deixaram: as alpercatas ao lado da cama, a bengala que ele já utilizava no fim dos seus dias, atormentado pelas dores oriundas da lesão na coluna, o aparelho telefônico cinza, de disco, da marca Ericsson, a capa do primeiro triângulo com as iniciais “LG”, enfim, tudo da maneira organizada que D. Helena gostava, a dedicada Mundica, mantinha. Ela nos concedeu ainda a honra de se deixar fotografar ao nosso lado, não sem antes protestar por não estar arrumada a contento para a ocasião.

Saímos do museu por volta do meio-dia, pesarosos por não poder ficar ali por mais tempo. É que ainda teríamos que percorrer pouco mais de 600 km até Feira de Santana, o destino final da nossa viagem.


Logomarca do Parque



Casa principal, onde viveu Gonzagão

 

Uma das logomarcas do Centenário de Gonzagã0
Entrada do Museu
Casa de taipa, simbolizando a "Sala de Reboco"