domingo, 12 de agosto de 2018

Ilhas incríveis do Brasil que merecem uma visita e até o retorno de quem já conheceu


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Apesar da definição de Ilhas, - pedaço de terra separada do continente, – algumas delas estão tão perto da terra firma que nem percebemos

Foram ocupadas por diferentes espécies, sofreram as ações do vento, da chuva, do mar e mudaram de forma conforme o passar do tempo, adquirindo características únicas. Cada vez que desembarcamos em uma parece que estamos entrando em um novo mundo.

Praias incríveis não faltam por aqui, tanto que todos listam no nosso país variadas ilhas para que o turista não precisar ir ao Caribe. Mas e as ilhas do Brasil? Também temos muitas espetaculares que merecem entrar pra lista de destinos de qualquer andarilho.

10 ILHAS DO BRASIL

1. FERNANDO DE NORONHA 


Resultado de imagem para ilhas do brasil FERNANDO DE NORONHA

O arquipélago pode ser chamado de o “rei das ilhas” do Brasil. Águas verdinhas e transparentes, fauna protegida, pôr do sol de tirar o fôlego e atividades pra todos os gostos em meio à natureza são algumas das atrações. É aqui também que fica a Praia do Sancho, eleita mais de uma vez a mais linda do mundo. Como é um dos destinos mais caros do país, vale se planejar com antecedência, pois até para se permanecer na ilha paga-se por isso. E não é barato...

2. ILHA DE TINHARÉ 


Resultado de imagem para ilhas do brasil TINHARE

É nessa ilha paradisíaca da Bahia que fica Morro de São Paulo. Suas praias e o clima agitado da vila atraem turistas do mundo todo. O acesso é feito por barcos pequenos e catamarãs que partem em diversos horários de Salvador e, principalmente, de Valença. Mas quem quiser evitar o “saculejo” do barco, pode fazer boa parte do caminho por terra, embora nem mais longo.

3. ILHA GRANDE 


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Esse paraíso no litoral do Rio de Janeiro, próximo a Angra dos Reis, tem sua costa recortada por enseadas e penínsulas, que dão origem a diversas praias de águas claras em meio à mata preservada.

4. ABROLHOS 


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O Arquipélago de Abrolhos, na Bahia, é protegido e tem a visitação monitorada. É um prato cheio para mergulhadores e, com sorte, entre julho e novembro, você pode avistar baleias Jubarte durante o passeio.

5. ILHABELA 


Resultado de imagem para ilhas do brasil ILHABELA

Apesar de super badalada e disputada pelos paulistas, Ilhabela, em São Sebastião, guarda praias praticamente desertas e de águas claras, cachoeiras, ilhotas e montanhas.

6. ILHA DO MEL 


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O nome doce já adianta que essa reserva natural é perfeita pra casais ou viajantes que querem sossego. Para chegar à ilha no litoral do Paraná, é possível vir de Paranaguá ou Pontal do Sul, próximas da capital paranaense.

7. ILHA DE SANTA CATARINA 


Resultado de imagem para ilhas do brasil ILHA DE SANTA CATARINA

Com 54 km de comprimento e 18 km de largura, é onde fica Florianópolis. A ilha e outras ilhotas nas redondezas oferecem praias pra todos os gostos, das mais badaladas às mais tranquilas, além de lagoas e dunas.

8. ILHA DO CAJU 


Resultado de imagem para ilhas do brasil ILHA DO CAJU

Apesar de localizada no Maranhão, o acesso é feito principalmente pelo Piauí. Faz parte de um conjunto de dezenas de ilhas fluviais do Delta do Parnaíba, mas se destaca pelas dunas, piscinas naturais e praias de água doce. Na agenda dos visitantes, além de curtir o visual, normalmente estão atividades como caiaque e passeios a cavalo.

9. ILHA DE BOIPEBA
Resultado de imagem para ilhas do brasil ILHA BOIPEBA

Localizada ao lado da Ilha de Tinharé, no litoral da Bahia, Boipeba pertence ao município de Cairu. Apesar da proximidade, é o oposto de Morro de São Paulo. Aqui reina o sossego nas vilas de pescadores, coqueirais e praias vazias. Passeios de barco levam os turistas até as piscinas naturais de Moreré.

10. ILHA DE MARAJÓ 


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A maior ilha fluvial do mundo, localizada no Pará, é famosa por seus búfalos e paisagens naturais. Os turistas encontram ainda um lugar de cultura rica, com destaque para a culinária e o famoso artesanato marajoara. O principal acesso é via Belém.

Na dezena de ilhas citadas acima, algumas preservam santuários marinhos, como o Arquipélago de Abrolhos, outras foram palco de batalhas entre piratas e corsários, como a Ilha Grande. Já Fernando de Noronha encanta pelas praias que estão na lista das mais bonitas do Brasil.

O fato é que nenhuma ilha é igual à outra e explorá-las sempre nos trará novas experiências. Reserve o hotel, arrume as malas e boa viagem!

Referência: www.essemundoenosso.com.br

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Índios e comunidades isoladas do Norte Brasileiro correm risco de extinção


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Apesar de virem sendo dizimados há séculos por fazendeiros, grileiros e madeireiros, - sempre sob o manto da impunidade, - sabemos que ainda existe no Brasil uma grande população indígena

Depois de mais de meio milênio de sofrimento, até hoje eles enfrentam muitos problemas como o risco de extinção devido a doenças e perda de terras. Outro problema é a invasão de madeireiros ilegais e fazendeiros em suas terras, que também trazem doenças ao povo indígena. Como seres humanos, os índios devem ter seus direitos respeitados e é por essa causa que a sociedade civil deve lutar!

Nas profundezas da floresta amazônica do Brasil vivem tribos que não têm contato com o mundo exterior. A Amazônia brasileira é lar para um grande número de tribos isoladas, mais do que em qualquer outro lugar no mundo. Segundo estudos, acredita-se que existam pelo menos 77 grupos de índios isolados na parte brasileira da floresta amazônica.

A decisão desses índios de não manter contato com outras tribos e não-índios é quase certamente resultado de anteriores encontros desastrosos e da contínua invasão e destruição de sua floresta.

Muito pouco se sabe sobre esses povos. O que sabemos é que eles desejam permanecer isolados: eles já dispararam flechas contra intrusos e aviões, ou simplesmente evitam o contato escondendo-se floresta a dentro. 


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Alguns, como os Awá, são caçadores-coletores nômades em constante movimento, capazes de construir uma casa dentro de horas e abandoná-la dias depois.Outros são mais sedentários, vivendo em casas comunitárias e cultivando plantações de mandioca e outros vegetais em clareiras na floresta, bem como praticando a caça e a pesca.

No Acre, estima-se que existam cerca de 600 índios pertencentes a quatro grupos diferentes. Eles vivem em relativa tranquilidade em vários territórios demarcados, que são praticamente intocados. É possível que 300 índios vivam isolados no território Massaco, em Rondônia.

No entanto, outros grupos isolados estão oscilando à beira da extinção com não mais que alguns indivíduos restantes. Esses pequenos grupos fragmentados que vivem principalmente em Rondônia, Mato Grosso e Maranhão são os sobreviventes da brutal grilagem de terras, quando foram alvejados e mortos por madeireiros, fazendeiros e outros. Hoje, eles ainda são deliberadamente caçados e suas florestas estão sendo rapidamente destruídas.

Todos são extremamente vulneráveis a doenças comuns como a gripe ou o resfriado que são transmitidas por pessoas de fora e para as quais os índios não apresentam resistência imunológica: esses são bons motivos para evitar o contato.

As tribos isoladas do Brasil devem ser protegidas e terem seus direitos à terra reconhecidos antes que elas, juntamente com as florestas das quais dependem, desapareçam para sempre.

Não ‘desconhecidas’
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Existem tribos em todo o mundo que decidiram permanecer isoladas da sociedade nacional, ou mesmo de outros povos indígenas. Isso não significa que elas permaneçam ‘desconhecidas’ ou ‘inalteradas’. Muitas já são conhecidas e, por mais isoladas que se encontrem, estão sempre em constante adaptação a mudanças. Muitas tribos mantêm contato ocasional, por vezes hostil, com tribos vizinhas. As tribos isoladas têm conhecimento de outras sociedades ao seu redor. Grupos de indígenas vizinhos e a FUNAI muitas vezes conhecem o paradeiro aproximado de tais grupos.

Desde 1987, a FUNAI tem um departamento dedicado aos índios isolados, cuja política é fazer contato somente nos casos em que sua sobrevivência está em risco imediato. Caso contrário, nenhuma tentativa de contato é feita. Em vez disso, a FUNAI busca demarcar e proteger as suas terras dos invasores através de seus postos de proteção.

As tribos isoladas devem ter o direito de decidir se preferem viver em isolamento ou não. Mas, a fim de exercer esse direito, elas precisam de tempo e espaço para desempenhá-lo.

Elas só sobreviverão caso suas terras, às quais têm direito perante leis internacionais e nacionais, sejam protegidas. Deve-se deixá-las viver em paz, sem medo de extermínio e de contatos desastrosos. O contato só deve acontecer quando e onde as tribos isoladas decidirem que elas estão prontas para tal.

Fonte: https://comunidadesisoladas.wordpress.com/

Santuário do Cristo Redentor do Corcovado e seu Monumento ao Cristo será restaurado


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Principal monumento e cartão-postal do país, confeccionado em concreto armado e pedra-sabão, o Cristo Redentor ganhará restauração de todo o seu Santuário

Dado o clima de insegurança que ronda a cidade do Rio de Janeiro, medidas que tragam de volta o turista ressabiado se fazem necessárias e, dentro desse contexto, um convenio foi celebrado entre a Arquidiocese e a Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio), que possibilitará a restauração e manutenção do Santuário do Cristo Redentor do Corcovado e seu Monumento ao Cristo

Para que não se dependa apenas dos poderes públicos, as obras que serão iniciadas fazem parte do programa Empresas Apoiadoras do Cristo Redentor, que teve início em 2013 com o objetivo de motivar o apoio de instituições públicas e privadas para promover o turismo, manutenção, restauração da iluminação interna e externa do monumento, e até mesmo a viabilização de obras sociais na capital fluminense.

Atração maior do Rio
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A estátua do Cristo Redentor, marco do Rio de Janeiro, está no topo do Monte Corcovado com vista para a cidade e pode ser vista a quilômetros de distância. É um monumento de proporções épicas. Para que se tenha uma ideia, a cabeça por si só mede quase 4 m de altura - e pesa 40 toneladas! O monumento foi construído de 1926 a 1931.

A camada externa do monumento (e do coração de Cristo no interior) é confrontada com revestimentos de mosaicos triangulares de pedra-sabão. Esta pedra é muito suave, mas altamente hidro-repelente.

O monumento
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Os criadores do Cristo Redentor são o desenhista Heitor da Silva Costa, o pintor Carlos Oswald e o escultor Maximiliam Paul Landowsky, que esculpiu a cabeça e as mãos do monumento.

O Cristo Redentor encontra-se de braços abertos, formando uma cruz, e tem 38 metros de altura, o que equivale a um edifício de 13 andares. Desse total, 30 metros são do monumento e oito do pedestal. Cada braço tem área de 88 metros quadrados e o pé mede 1,35 metro. Somente a cabeça pesa 30 toneladas.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Reviravolta no caso da morte de Emmett Till: caso reaberto pela justiça americana


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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos reabriu a investigação sobre o brutal assassinato de Emmett Till, um menino negro de 14 anos que foi sequestrado e linchado em 1955 no Mississippi

Apesar de terem se passado cerca de 60 anos, o caso de Emmett Till ainda paira na memória dos negros estadunidenses e da toda uma geração moldada na luta pelos diretos civis. Sua morte mudou os EUA e iniciou todo o processo de mobilização em torno dos direitos civis.

Histórico

Em agosto de 1955 no Mississipi, dois homens brancos, J.W. Milam e seu meio-irmão Roy Bryant, torturaram e assassinaram Emmett Louis Till, um rapaz negro de 14 anos, por ter supostamente assobiado para a noiva de Bryant, Carolyn, de 21 anos, enquanto ele estava um uma loja comprando chiclete. O primo de Emmett, Wheeler Parker, que estava com ele na loja, confirma o assobio do garoto, mas alega que não fizeram nada para a mulher.

Naquele momento, em que o sul dos EUA ainda era extremamente racista, onde a violência era tão cotidiana quanto aceitada, Bryant e Milam alguns dias mais tarde, em 28 de agosto de 1955, sequestraram o jovem Emmett Till. Colocaram-no na parte traseira da caminhonete e o levaram para um galpão na cidade vizinha Sunflower County, onde o espancaram quase até a morte, arrancaram-lhe um olho e lhe deram um “tiro de misericórdia”. Um descaroçador de algodão de 30 quilos foi amarrado ao pescoço de Till com arame farpado e em seguida lançado ao rio local, o Tallahatchie. O casal Roy e Carolyn eram donos do Mercado de Carnes e Comestíveis Bryant.

Três dias depois, o cadáver inchado e desfigurado foi encontrado. Os irmãos assassinos e a polícia tentaram convencer a população que não era Till, que ele havia retornado para Chicago após as ameaças de Roy e Milan. As graves lesões tornaram a identificação do corpo de Emmett muito difícil, mas ele acabou sendo reconhecido graças ao anel que usava e que tinha sido de seu pai. Os irmãos Bryant foram acusados formalmente pelo assassinato e presos.

O conjunto de jurados de Sumner, composto em sua totalidade por homens brancos, demorou apenas uma hora para dar seu veredicto: absolvidos de todas as acusações. Com a proteção legal de não poderem mais ser julgados pela mesma causa, a revista Look pagou a J.W. Milam e Roy Bryant, cerca de 4 mil dólares para que contassem a verdadeira história. Os irmãos confirmaram em detalhes o crime e afirmaram não ter tido escolha diante da situação.

Velório aberto
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O corpo de Till foi colocado num caixão simples, feito de pinho que é um material de fácil degradação, para ser enterrado, mas sua mãe, Mamie Till Bradley, queria que o corpo voltasse para Chicago e se recusou a permitir o enterro no Mississipi. Já em Chicago, o caixão não podia ser aberto devido ao estado do corpo. Após muita insistência da mãe do jovem, o caixão permaneceu aberto durante o velório: "Eu quero que o mundo veja o que fizeram com meu bebê".

Seu assassinato foi um catalisador para o Movimento de Direitos Civis americanos, meses antes do boicote aos ônibus de Montgomery, após a prisão de Rosa Parks, que disse em uma entrevista na época: “Eu penso em Emmett Till e sei que não posso voltar atrás”.

Durante o julgamento, Carolyn Bryant testemunhou que Emmett "a tinha agarrado e a ameaçado verbalmente”. Ela disse que, enquanto ela não conseguia pronunciar a palavra "impronunciável" que ele usara ... "ele disse [que tinha]" feito alguma coisa "com mulheres brancas antes". Seu testemunho segundo o juiz não era relevante para o assassinato de Emmett, porém foi ouvido pelos espectadores da corte e colocado no registro porque a defesa queria usá-lo como provas em caso de recurso se os réus passaram a ser condenados.

Embora sempre se acreditasse que Bryant e Milam, agora mortos, agiram sozinhos, novas evidências, muitas delas propiciadas por um recente documentário sobre o caso de autoria de Keith Beauchamp, indicam que vários outros indivíduos poderiam estar envolvidos, alguns ainda vivos, inclusive testemunhas disseram ter visto Carolyn na caminhonete quando o menino foi raptado. Ela negou qualquer envolvimento. Dois anos depois, o FBI e os procuradores do Mississipi encerraram definitivamente o caso, por "falta de provas suplementares".

Quebra do silêncio

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No entanto, agora, Carolyn Bryant quebrou seu silêncio de décadas. Em um novo livro O sangue de Emmett Till, o autor Timothy Tyson, um estudioso da pesquisa da Universidade Duke, revela que em 2007 Carolyn, aos 72 anos, admitiu que ela havia inventado a parte mais condenatória de seu testemunho. "Essa parte não é verdade", disse Carolyn a Tyson sobre sua alegação de que Emmett fez avanços físicos e verbais em sua direção. Convenientemente, de acordo com Vanity Fair, ela disse que ela não conseguia lembrar o resto do que aconteceu naquela noite de agosto na loja.

Tyson disse que Carolyn foi mudada pelos avanços sociais e legais que envolveram os direitos dos negros e que varreram o Sul nas últimas décadas. "Ela estava feliz por as coisas terem mudado [e ela] achava que o velho sistema de supremacia branca estava errado, embora ela tivesse tomado mais ou menos como normal na época", acrescentou.

Realidade brasileira


Isso diz muito da naturalização que existe ainda hoje entorno da morte e encarceramento dos jovens negros no Brasil. Não é nada comum que cerca de 40% dos presos estejam lá sem julgamento e que a probabilidade de um jovem negro ser preso, mesmo que sem provas, seja 70% maior do que a probabilidade de um jovem branco receber o mesmo tratamento. A naturalização deste tipo de situação deve ser debatida pelo conjunto da sociedade, mas infelizmente se encontra somente nos círculos de debate dos diretos humanos e de associações que lutam pelo fim da violência contra os jovens negros no Brasil e no mundo. 



A morte de Emmett Till não pode ter sido em vão. No ano passado, uma placa colocada no rio em que Emmett foi encontrado que conta sua história foi vandalizada com quase 60 tiros. Enquanto isso a placa que mostra a antiga localização da casa de J. W. Milem segue preservada e foi adornada com flores.

Como naquela época, a luta pelos direitos civis plenos para os negros não pode ser deixada para trás. Devemos organizar fortes campanhas contra a mortes do e encarceramento dos jovens negros, de maneira a exigir do estado não apenas a liberdade imediata dos presos sem julgamento, mas também que esses jovens sejam julgados por um júri comporto por seus pares, ou seja, integrantes da comunidade em que vivem.

http://www.esquerdadiario.com.br

terça-feira, 24 de julho de 2018

Um desafio para as nações: o controle de armas de fogo


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Não é de hoje que se discute o porte de armas no Brasil, mas diante do aumento desenfreado da violência, o controle/liberação de armas para civis é assunto frequente nas rodas de discussão Brasil afora

Como sempre, há defensores e contrários à liberação, cada um com seus argumentos e tem até candidato a presidente que incluiu a liberação de armas para todos os cidadãos na sua plataforma de governo.

De outro lado, as pessoas que entendem que mais armas nas mãos de pessoas de bem, dará apenas uma pseudo sensação de segurança já que o bandido tem ao seu lado dois trunfos: o efeito surpresa nas suas investidas e a visão de quem não tem nada a perder. Assim, pessoas sem o devido treinamento portando armas de fogo, serviriam apenas para armar ainda mais os fora da lei.

Estatuto do Desarmamento
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A Lei 10.826 de 22 de dezembro de 2003, o Estatuto do Desarmamento, foi promulgada para conter a comercialização e uso de armas de fogo indiscriminadamente por civis no território nacional, dificultando a aquisição por quem seja desprovido de boas intenções, ou de condições racionais mínimas de uso.

O objetivo maior era reduzir os índices de violência, sobretudo os números de homicídios provocados por armas de fogo, muitos deles perpetrados por banalidades, garantindo, dessa forma, aos cidadãos de bem, um mínimo de segurança desejável. No entanto, uma comissão especial do Congresso Nacional aprovou em 26 de outubro de 2015 um projeto que tem, entre outros objetivos, facilitar a obtenção do porte de armas por cidadãos civis.

No ano de 2005, realizou-se referendo autorizado pelo Decreto Legislativo n.º 780 de 07 de julho de 2005, onde a população brasileira foi consultada a respeito da proibição ou permissão da comercialização de armas de fogo em território nacional.

Países onde o porte de armas é proibido
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Em algumas nações do mundo, o porte de armas é terminantemente proibido. No Japão, na Austrália e no Reino Unido, por exemplo, nenhum civil é autorizado a usar armas.

O controle da proliferação de armas aponta para dois desafios. De um lado, a dificuldade em fazer com que as regras sejam respeitadas – interesses econômicos e políticos contrários são gigantescos. Por outro, há de se fazer com que a produção de normas acompanhe o desenvolvimento da indústria. A maneira como a indústria permite a aplicação de tecnologias, cada vez mais destruidoras, gera quase uma corrida entre formas de controlar as armas e processos de modernização da destruição. 


O espaço político para a geração de regras de controle não pode ser limitado aos governos e Estados. A sociedade civil tem papel crucial na pressão para que armas não sejam usadas ou desenvolvidas e na estigmatização dos que desrespeitam as regras. Campanhas fazem parte dos movimentos da sociedade e vinculam a preocupação com questões humanitárias, a segurança humana, os direitos humanos e as regras de controle.

O tema é por demais controverso e muitas discussões ainda vão ser travadas em busca de um senso comum, se é que ele virá um dia. Mas todos concordam que, reduzir os índices de violência é vital até para a sobrevivência da raça humana.


Euriques Carneiro

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Mito da caverna de Platão | A questão do conhecimento e da ignorância sob o prisma de Platão


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O Mito da caverna de Platão narra o drama de prisioneiros que desde o nascimento foram isolados e acorrentados em uma caverna de forma que só era possível para eles ver uma parede, a qual estava iluminada por uma fogueira

O Mito da Caverna, também conhecido como Alegoria da Caverna, foi escrito por Platão, um dos mais importantes pensadores da história da Filosofia.

Através do método dialético, esse mito revela a relação estabelecida pelos conceitos de escuridão e ignorância, luz e conhecimento. Foi escrito em forma de diálogo e pode ser lido no livro VII da obra A República.

Platão descreve que alguns homens, desde a infância, se encontram aprisionados em uma caverna. Nesse lugar não conseguem se mover, em virtude das correntes que os mantém imobilizados.

Virados de costas para a entrada da caverna, veem apenas o seu fundo. Atrás deles há uma parede pequena, onde uma fogueira permanece acesa. Por ali passam homens transportando coisas, mas como a parede oculta o corpo dos homens, apenas as coisas que transportam são projetadas em sombras e vistas pelos prisioneiros.

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Um dia, um desses homens que estava acorrentado consegue escapar e é surpreendido com uma nova realidade. No entanto, a luz da fogueira, bem como a do exterior da caverna, agridem os seus olhos, já que ele nunca tinha visto a luz. Esse homem tem a opção de voltar para a caverna e manter-se como havia se acostumado ou, por outro lado, pode se esforçar por se habituar à nova realidade.

Se esse homem quiser permanecer fora pode, ainda, voltar para libertar os companheiros dizendo o que havia descoberto no exterior da caverna. Provavelmente eles não acreditariam no seu testemunho, já que para eles o verdadeiro era o que conseguiam perceber da sua vivência na caverna. 


Interpretação
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Com o Mito da Caverna, Platão revela a importância da educação e da aquisição do conhecimento, sendo esse o instrumento que permite aos homens estar a par da verdade e estabelecer o pensamento crítico.

O senso comum, que dispensa estudo e investigação, é representado pelas impressões aparentes vistas pelos homens através das sombras. O conhecimento científico, por sua vez, baseado em comprovações, é representado pela luz.

Assim, tal como o prisioneiro liberto, as pessoas também podem ser confrontadas com novas experiências que ofereçam mais discernimento. O fato de passar a entender coisas pode, no entanto, ser chocante e ser fato inibidor para que continuem a buscar conhecimento.

Isso porque a sociedade tem a tendência de nos moldar para aquilo que ela quer de nós, que é aceitar somente o que nos oferece através da informação transmitida em meios de comunicação e não só.

Desde a Antiguidade, Platão quer mostrar a importância da investigação para que sejam encontrados meios de combate ao sistema, o qual limita ações de mudança.

Referência: www.todamateria.com.br

Centenário de Nelson Mandela, um dos maiores líderes da história em todos os tempos


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Nesta quarta-feira,18,Nelson Mandela, considerado um dos maiores heróis da luta dos negros pela igualdade, celebraria o seu centenário

O mundo celebra hoje (18) o centenário de Nelson Mandela, um dos maiores líderes do século 20 e esta data é conhecida como o “Mandela Day”. Todos os anos o dia 18 de julho relembra a trajetória de “Madiba” e sua importância pelo fim do regime racista do apartheid, que ocorreu entre 1948 e 1993.

O primeiro presidente negro da África do Sul, que teve papel determinante no fim do sistema de segregação racial conhecido como “apartheid”, completaria 100 anos nesta quarta-feira (18). O homem, também chamado de Madiba, que nasceu livre para correr pelos campos ao redor da cabana onde morava e que passou 27 anos atrás das grades por seu engajamento na luta contra o racismo deixou lições para a humanidade.

Várias homenagens especiais serão realizadas no mundo inteiro em memória ao centenário. Uma extensa programação foi preparada e inclui exposições, debates, iniciativas de incentivo à educação, ao voluntariado, publicação de livros, lançamento de filmes, músicas e concertos em tributo ao líder que dedicou sua vida à luta pela liberdade e abriu caminho para a consolidação da democracia no continente africano.

Por sua contribuição à luta antirracista, o 18 de julho foi transformado pelas Nações Unidas (ONU) no Mandela´s Day, o Dia Internacional Nelson Mandela – pela liberdade, justiça e democracia, uma forma de lembrar a dedicação e seus serviços à humanidade, com forte atuação também no enfrentamento ao vírus HIV e na mediação de conflitos.

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“Lutei contra a dominação branca e lutei contra a dominação negra. Porque eu promovi o ideal de uma sociedade democrática e livre na qual todas as pessoas possam viver em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal que espero viver mas, se necessário for, é um ideal para o qual estou preparado para morrer.” 

Legado consistente

Achille Mbembe, o mais importante pensador africano vivo, chegou a ponderar tempos atrás se a reconciliação e a justiça inspiradas por Mandela de fato haviam conduzido os sul-africanos à soberania pátria e espiritual, quando seu sucessor Jacob Zuma (2009-18) ameaçou a imberbe democracia da África do Sul com o aparelhamento do Estado. O legado de Mandela, no entanto, se mostrou forte e consistente diante do assédio político e permanece como realidade institucional no país sul-africano.

"Desmentindo o mantra de que a hegemonia política do Congresso Nacional Africano (CNA) era incompatível com a formação de uma sociedade civil autônoma e de uma burocracia estatal independente, foram justamente os ativistas, jornalistas e funcionários públicos, devidamente protegidos pela Constituição, que forçaram a destituição, democrática e consensual, do presidente corrupto. 

Até ontem tida como inimaginável, a ainda incipiente, mas não menos notável, guinada democrática nos demais países da África austral surge como uma realização tardia da promessa de uma nova era proferida por Mandela há quase três décadas. As mudanças em curso em Angola e Zimbábue sugerem que, afinal, a CNA pode não ser o único movimento de luta armada anticolonial a liderar uma transição para uma democracia multipartidária." 

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quinta-feira, 12 de julho de 2018

Não é ficção: no jogo preferido dos mesoamericanos, perder significava morrer


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A concepção era absolutamente primitiva e o nome era 'ollamaliztli' em nahuatl (asteca) ou 'pitz' em maia e, nesse esporte que era o favorito dos povos mesoamericanos, quem perdia era sacrificado

Mas a ideia havia surgido muito tempo antes desses povos, por volta de 1400 a.C. na civilização olmeca, a primeira a construir grandes cidades no México - que incluíam colossais quadras de bola.

Assim, os mesoamericanos jogaram bola por quase 3 mil anos, até a conquista espanhola - ou bem mais, se você considerar o ulama, jogo praticado ainda hoje na região de Sinaloa, que usa os quadris para jogar a bola de um lado a outro.

Entre os maias, que fizeram a maior quadra conhecida em Chichen Itza, os jogos eram revestidos de profundo significado religioso, relacionados ao mito dos Gêmeos Heróis, que teriam desafiado os senhores de Xibalba, o submundo, para uma partida. Os astecas também viam no jogo um sentido cósmico, a batalha do Sol contra a noite. Mas eles tinham uma atitude bem mais casual: a maioria dos jogos era feita por diversão, com ninguém saindo morto (salvo acidente). Os nobres eram os profissionais, mas plebeus batiam uma pelada em campos improvisados. Havia até banca de apostas.

Mostramos aqui a presumida versão asteca numa quadra inclinada - havia inúmeros tamanhos e variações, com a quadra maia em Chichen Itza com paredes verticais e o anel a impossíveis 6 metros de altura. "Presumida" porque as regras não são conhecidas em detalhes.

Confira os detalhes:

Sacrifícios

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Em jogos cerimoniais, o time perdedor era sacrificado por decapitação. Algumas figuras em quadras até mesmo mostram os vencedores jogando com suas cabeças. Como os sacrifícios na sociedade asteca eram de figuras de baixo status, podendo jogar contra verdadeiros ídolos da torcida, os historiadores acreditam que esses jogos eram pré-arranjados e o time dos prisioneiros não tinha a menor chance.
Regras
Como um jogo milenar que passou por muitas culturas, as regras variavam enormemente. Em todas elas, a ideia era não deixar a bola cair nem sair da quadra. Na versão asteca, depois de duas quicadas, no máximo, ela tinha de ser passada para o lado adversário. Se a parede do outro lado fosse atingida, era ponto. Se o time falhasse em passar, deixasse a bola ir para fora ou falhasse numa tentativa de passar pelo aro, era o adversário que ganhava pontos.
Variações

Acredita-se que a versão principal entre os astecas permitia apenas o uso dos quadris, talvez joelhos. Em outras variações (ou nessa, vai do historiador) podiam valer os punhos, cotovelos, cabeça ou até mesmo tacos, muito parecidos com os do hockey moderno.
Grande prêmio

Como tentar mandar a bola através do anel e errar dava pontos ao inimigo, e como era extremamente difícil fazer isso com os quadris, era raro ver uma bola passar por ele. Mas, quando passava, era o fim do jogo - vitória para quem conseguiu.
Bola

Era feita de uma mistura de borracha de plantas diferentes, para que quicasse de forma ideal. Podia ter 30 cm de diâmetro e pesar até 4 kg - o que fazia com que tivesse um impacto brutal. Os jogadores frequentemente saíam da quadra cheios de hematomas, às vezes com ossos quebrados e, em impactos contra a cabeça, podiam até mesmo acabar mortos.
Jogadores

Os nobres aprendiam a jogar na escola, a calmenac. Quem fosse realmente bom podia se tornar um profissional. Escravos e cativos de guerra, destinados ao sacrifício, também jogavam. Havia todo um equipamento, espécie de armadura de tecido, couro e madeira, usado para proteger de boladas e ajudar a mover a bola com mais impacto. A proteção nos joelhos era porque os jogadores tinham que se jogar no chão frequentemente.
Referência: aventurasnahistória

Antiga Livraria Cultura no Recife Antigo fecha suas portas


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Impasse que existe há dez anos entre os proprietários do imóvel culminou com o fechamento da Livraria Cultura que era locatária do imóvel

A Cultura do Recife Antigo fechou nesta sexta-feira (06), no mesmo dia em que o Brasil foi eliminado na Copa do mundo. A notícia foi um choque para os seus frequentadores e funcionários. 


A livraria foi inaugurada em 2004 e ficou aberta por 14 anos. Depois do fechamento da Livro 7, era uma espécie de oasis no Centro do Recife para quem gosta de cultura. Lá, era possível consumir literatura, música, ler jornais e revistas, estimular as crianças no caminho da leitura, ou tomar um bom café - seja sozinho ou com amigos.

Quando a loja foi inaugurada, não havia tanto impacto das mídias digitais. Ainda assim, ela era uma sobrevivente num mundo tão digital. Vendia artigos relacionados aos quadrinhos e video game, filmes e séries cults. Tinha sessões de best sellers, era para todos os gostos, um catálogo elogiável. A unidade do RioMar continuará a funcionar normalmente, mas o fechamento do imóvel no Bairro do Recife vai deixar saudades. 


Revitalização do Recife AntigoResultado de imagem para livraria cultura centro - recife antigo

Sobre o fechamento do espaço cultural preposto da Prefeitura se posicionou: "A Prefeitura do Recife tem dado uma atenção muito grande ao bairro do Recife. A gente está desenvolvendo um mapeamento da área e atraindo investimentos para o bairro. Uma prova disso é o Moinho Recife, que vai ser um prédio totalmente reformado. Estamos aprovando o processo de construção dele agora e a obra vai começar no segundo semestre. Então, a gente está buscando vários atrativos para o local onde a cidade começou"

Referências: diariodepernambuco/livrariacultura.com.br

terça-feira, 10 de julho de 2018

Fortaleza | Os encantos da bela capital cearense


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Quando se pensa em viajar em julho, tem-se a opção de curtir um friozinho a exemplo de Campos do Jordão e Gramado / Canela ou destinos mais aventureiros como a Chapada Diamantina, Bonito e Pantanal, entre outros. Pegar um solzinho nessa época do ano? Nem pensar! Ledo engano, pois no Ceará tem sol e praias convidativas sim 

Quem visita a bela Fortaleza pode optar por várias atrações a exemplo da Praia do Futuro com suas barracas que mais parecem um mini resort, como a Croco Beach e Chico Caranguejo ou pode pegar as estradas, - muito bem conservadas e sem pedágio, - para destinos como Morro Branco e Canoa Quebrada. Se tiver com tempo , vale rodar cerca de 300 km e ir até Jericoacoara, um paraíso na terra de Iracema. 


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Diz-se que, ir a Fortaleza e não se aventurar no Beach Park é ‘ir à Roma e não ver o Papa...” (mas ele não fica no Vaticano? Ah, deixa isso prá lá e vamos conferir Fortal). 

Com preços salgadíssimos de entrada a R$ 225,00 por pessoa, o consumo de bebidas e comidas no interior é ainda mais exorbitante. Parece que você está em um cruzeiro em alto mar e não em um parque aquático em solo brasileiro. Mas se você resolveu adentrar ao Beach Park, esqueça os preços e aproveite as inúmeras atrações como INSANO, KALAFRIO, ARREPIUS E VAIKUNTUDO, esses para quem é chegado às mais radicais, mas tem outras opções para quem não curte tanta adrenalina assim. 



Na área de bares e restaurantes, os preços são normais para um capital, mas chama à atenção o baixo preço que se paga por pratos à base de camarão. Explica-se: como o Estado é líder na produção de camarão em cativeiro, o preço é mais baixo e pode-se consumir uma porção de 01 kg do crustáceo à alho e óleo, ao preço de R$ 49,90 


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Falamos das praias e do Beach Park como introdução pra discorrermos sobre a terceira mais procurada atração de Fortaleza, - atrás apenas das duas citadas anteriormente, - que é o Mercado Central de Fortaleza, um complexo que conta com 553 boxes para vendas de produtos diversos. São cinco pavimentos, sendo que o subsolo é destinado apenas para um estacionamento pago, mas com manobrista gratuito.

História


mercado central de fortaleza

A capital cearense não tinha até 1809, um mercado para venda de carnes, verduras e frutas, quando foi autorizada a construção de um prédio no centro da cidade para que servisse de depósito e feira. Ele então foi batizado de Cozinha do Povo. O prédio era todo de madeira e possuía uma estrutura bem diferente da que existe hoje.

Quem vai ao Mercado encontra bem mais que uma montanha de boxs vendendo souvenires e lembrancinhas. O passeio é uma viagem pela cultura cearense e é possível encontrar shows de artistas locais, - todo cearense é um humorista em potencial, - e desde aquele garçom bem humorado até o vendedor que oferece seus produtos com uma lábia rimada, você pode dar de cara com repentistas, sanfoneiros e outros artistas performáticos. 


mercado central de fortaleza

Na entrada principal, é comum se apresentarem um casal de irmãos cegos onde ele toca sanfona e a outra cante e toca zabumba. Uma outra irmã, - com visão normal, - oferece CDs do grupo a módicos R$ 5 reais. Mais à frente uma figura absolutamente incrível: uma estátua caracterizada de cangaceiro, inteiramente pintada na cor prata mas que, quando alguém chega perto, ela sai do imobilismo e faz várias poses para fotos com turistas, devidamente acompanhado das suas armas como fuzil, pistola e punhal, todos confeccionados em madeira, evidentemente. Ele não emite uma única palavra mas interage com as pessoas através de assovios e faz a festa com os visitantes. 


Fortaleza tem ainda o Museu Dragão do Mar, a Ponte dos Ingleses, (em reforma), Centro de Eventos e a Arena Castelão, mas o Mercado de Fortaleza é realmente uma visita imperdível.


Euriques Carneiro

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Nome de peso da moderna literatura portuguesa, Valter Hugo Mãe acaba de lançar o seu mais novo livro ‘Homens imprudentemente poéticos'


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Escritor, editor e artista plástico, Mãe cursou pós-graduação em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea na Universidade do Porto, possui livros publicados de poesia, contos e narrativa longa, destacando-se no panorama da literatura portuguesa pelo carisma e o ecletismo
A coincidência de completar 20 anos de carreira e ter um novo romance, 'Homens imprudentemente poéticos', poderia não ter acontecido pois foi um parto difícil para Valter Hugo Mãe. Ele fala sobre a inimizade de dois artesãos japoneses, um texto que recomeçou dezessete vezes: "Em algumas versões já tinha passado da página 100."

O esforço valeu a pena, pois este novo romance do autor é - mais uma vez - tão diferente que o torna uma das mais importantes vozes da literatura nacional, porque foge à vulgaridade do que a maioria dos autores da geração do terceiro milênio está a apresentar. Aliás, se já o tinha conseguido com a máquina de fazer espanhóis, por exemplo; se subira um grande degrau na busca e execução do romance que tem como cenário a Islândia, A Desumanização, volta a realizar uma escrita inesperada nesta narrativa japonesa. 

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Onde transporta o leitor de uma forma elegante e íntima para aquela parte do mundo sem o fazer passar por um voyeur de costumes. Mais, o registro encontrado para estes homens imprudentes surpreende por poder ser assinado por um escritor daquele país, tal é o modo como evita a confluência baralhada do olhar ocidental e se cinge à verdade da natureza - presença importante -, impondo-se o relato com uma reprodução de personagens que não desvirtuam as prováveis pessoas.

Estranha-se bastante a linguagem, "escangalhada" por um escritor que não se quer repetir e que ao teimar nessa meta entrega um dos muito poucos bons romances portugueses deste ano.

Em recente entrevista, foi-lhe perguntado: Ter um filho ou um livro. Qual é que lhe faz mais falta?

R - Como já escrevi sete romances o que gostaria era de ter um filho. Até digo mais, sabendo hoje o que sei trocava os meus sete romances por um filho. Quem não tem romance e tem filho, tem a obrigação de ser mais feliz do que eu.
‘Homens imprudentemente poéticos' chega às livrarias terça-feira, é surpreendente na reinvenção da língua portuguesa, no tema e cenário e aparece como promessa no mercado literário português em 2018.

José Dumont: o talentoso ator que é a própria cara do Nordestino


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Versátil e dotado de talento ímpar, José Dumont é um dos rostos mais emblemáticos do cinema brasileiro, que traduz tanto o operário, como o bandido pobre

Depois de superar a infância difícil numa família de modestos recursos, no interior da Paraíba e as dificuldades de um migrante na cidade grande, José Dumont teve que vencer, também, os obstáculos no mercado de trabalho e na produção cinematográfica brasileira, quase extinta nas décadas de 60, 70 e 80. Hoje é um ator premiado no cinema e na televisão, participando de filmes que ajudaram a levantar o cinema nacional.


Nascido na cidade de Belém de Caiçara, Paraíba, em 01/07/1950, José Dumont começou a atuar no teatro ainda nos anos 70 e já participou de mais de trinta filmes, entre eles: Lúcio Flávio — O Passageiro da Agonia, Gaijin, O Homem Que Virou Suco, O Baiano Fantasma, Avaeté, Tigipó, A Hora da Estrela, Brincando nos Campos do Senhor, Kenoma e Abril Despedaçado.


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Na TV, além do clássico Morte e Vida Severina, José Dumont fez novelas e séries como: Terra Nostra, Brava Gente, Mandacaru, Tocaia Grande, Guerra Sem Fim, Amazônia, Rosa dos Rumos, Pantanal, Olho por Olho, Carmem, Grande Sertão Veredas, De Quina Pra Lua, Corpo a Corpo, Padre Cícero, Bandidos da Falange, Lampião e Maria Bonita (fez Zé Rufino) e o premiado Plantão de Polícia.

Autodidata, aprendeu a ler sozinho, através de folhetos de cordel que via em uma feira próxima a sua casa. Mais tarde, lá mesmo, na Paraíba, fez o curso primário e chegou até a 6ª série. Não pôde prosseguir por causa da pobreza tremenda. Brincalhão, costuma dizer que, de tão pobre, sua família fazia parte da classe miserável C, porque pobre A ele é hoje.

Mas, não se pense que Dumont parou de estudar no primário e ficou nisso. Ele lê muito e procura se informar. Está sempre inquieto e com um olhar aguçado para o mundo — o que, afirma, o ajuda a aprender a vida.

Absolutamente crítico, fala sem rodeios sobre o massacre que a cultura popular, democrática e nacional sofreu a partir da ditadura. De forma objetiva e direta explica o cinema brasileiro, hoje, e no futuro.

Na trilha de um ator popular
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Tudo começou quando, em 1972, o brasileiro nordestino José Dumont deixou a Paraíba para tentar ser marinheiro em Santos, SP, depois de concluir um curso na Marinha Mercante. Como não conseguiu embarcar, ficou em São Paulo e trabalhou como carteiro, coisa que durou dois anos e pouco. "Tenho um caminho do migrante comum. Minha história é como a de qualquer outro migrante, que vem para a cidade grande tentar escapar da miséria", define.

Como vivia isolado, solitário na cidade grande, em um contexto cultural bem diferente do seu, começou a frequentar a noite paulistana em busca de boas companhias, de amigos. Em um determinado dia, quando foi assistir a uma peça de teatro, sem que planejasse, travou amizades com pessoas do meio artístico. Por isso, foi convidado a participar de uma peça que iriam encenar. Aceitou, sem saber que começava, naquele momento, sua carreira de ator.

Morte e Vida Severina
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Fui “apresentado” no início da década de 80, através do especial escrito por João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, que conta através de uma narrativa poética, a trajetória de um homem que migra da estéril caatinga para a cidade.

Em sua peregrinação atrás de uma vida melhor, o retirante Severino (José Dumont) – “filho de Maria e Zacarias, da serra da Costela, limites da Paraíba”, como ele mesmo se apresenta – percorre as mais diversas situações às quais está exposto o povo nordestino: o enterro da vítima de emboscada, o velório sob ladainhas, a busca por emprego, a presença da rezadeira, a morte do cortador de cana no latifúndio, os numerosos enterros de retirantes na cidade grande, os raros de usineiros.

A viagem termina na cidade grande, mais precisamente em Recife. Imerso em fome e desalento, Severino pensa em suicídio, mas decide seguir adiante ao testemunhar, à semelhança de um auto de Natal, um nascimento na favela à beira do mangue. O especial acabou vencedor do Emmy Internacional de 1982, e ainda hoje figura entre as mais destacadas produções da TV brasileira de todos os tempos, graças ao talento de João Cabral de Melo Neto e dos recursos cênicos dos atores que a estrelaram.

Euriques Carneiro, com referências da anovademocracia.com.br

segunda-feira, 18 de junho de 2018

80 ANOS APÓS SUA MORTE, PERSISTE A SAGA DE LAMPIÃO: INJUSTIÇADO OU BANDIDO?


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Como Mossoró rechaçou um ataque de Lampião em 13 de junho de 1927 e fez com que os filhos daquela terra se orgulhassem do feito e pudessem contar às novas gerações o que seus antepassados tiveram a coragem de fazer

Mossoró era uma das mais prósperas cidades do Rio Grande do Norte. O coronel Rodolfo Fernandes, o prefeito, já havia alertado, nos últimos dias, sobre o perigo do ataque do “'rei do cangaço'” ao município. A maioria dos habitantes, no entanto, parecia não acreditar.

As notícias advindas da vizinha vila de São Sebastião, davam conta de que Lampião havia incendiado um vagão de trem cheio de algodão e depredado a estação ferroviária. Havia também arrasado a sede do telégrafo, uma modernidade sempre combatida pelo chamado por Virgulino, na tentativa de impedir que o seu paradeiro fosse sendo informado e ajudasse a polícia a persegui-lo.

A estratégia da prefeitura – que havia conseguido ajuda oficial em armas e munição, mas não em combatentes – era manter na cidade apenas os habitantes que estivessem armados. Assim, mandaram para Areai Branca a maioria de mulheres e crianças, acreditando que, quanto mais vazio o lugar, na avaliação do prefeito, maior a chance de repelir o bando de cangaceiros. 

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Para impor medo, Lampião enviou um bilhete chantageando a prefeitura. Nele, pedia a quantia de 400 contos de réis para não atacar o município, um valor pelo menos dez vezes superior ao que costumava exigir em ocasiões semelhantes. Na tarde de 13 de junho, feriado de Santo Antônio, ele e o bando já se encontravam nos arredores do município potiguar me como não teve resposta ao primeiro comunicado, já impaciente, bufando de raiva, manda um segundo aviso. 

Os termos do bilhete, que consta nos arquivos do jornal O Mossoroense (um dos mais antigos do país), eram muito diretos e recheados de erros de português: “Cel. Rodopho, estando eu aqui pretendo é drº (dinheiro). Já foi um a viso, ai pª (para) o Sinhoris, si por acauso rezolver mi a mandar, será a importança que aqui nos pedi. Eu envito (evito) de Entrada ahi porem não vindo esta Emportança eu entrarei, ate ahi penço qui adeus querer eu entro e vai aver muito estrago, por isto si vir o drº (dinheiro) eu não entro ahi, mas nos resposte logo”. Ele assinava “Cap. Lampião”.

O coronel Rodolfo Fernandes e seus homens disseram não a Virgulino, para surpresa do mais temido cangaceiro de todos os tempos. A cidade tinha o dinheiro, informou o prefeito. Mas Lampião teria que entrar para apanhá-lo. Às 16 horas daquele dia 13, caía uma chuvinha fina e havia uma neblina de nada sobre Mossoró. Foi quando os primeiros estampidos de bala ecoaram.
Sangue e areia 

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Lampião tinha 53 cangaceiros no seu bando. Não imaginava, porém, que iria enfrentar pelo menos 150 homens armados na defesa da cidade. O repórter Lauro da Escóssia estava lá, vendo tudo de perto. “Durante toda a noite, a detonação de armas em profusão. Parecia uma noite de São João bem festejada”, escreveu em O Mossoroense. Mas as mulheres que ficaram na cidade rezavam para outro santo junino, o Antônio festejado naquele dia.

No ataque, Lampião perdeu importantes cabras de seu bando. Colchete teve parte do crânio esfacelado por balas. E Jararaca, depois de capturado, foi praticamente enterrado vivo. Em menos de uma hora após o início da luta, o capitão do sertão ordenou então a retirada da tropa, para evitar a perda de mais homens e não manchar ainda mais sua reputação. “A partir desse momento a estrela do bando lentamente passaria a brilhar cada vez menos”, escreveu o historiador Pernambucano de Mello.

O mito do Lampião invencível caíra por terra, o que reanimou a força policial, que passou a enfrentar o rei do cangaço com menos temor. Era o começo do declínio da carreira de Virgulino. Por causa do desastre no Rio Grande do Norte, as deserções no grupo foram consideráveis. Mossoró, cidade conhecida por marcas pioneiras (como quando foi o primeiro município brasileiro a admitir o voto feminino, em 1934), passaria também à história por esse acontecimento que assombrou todo o Nordeste. Até hoje, os filhos daquela terra se orgulham do feito de braveza ao contar que seus antepassados “botaram Lampião para correr”. Os inimigos do cangaceiro, entretanto, ainda teriam que esperar mais 11 anos pela morte do capitão, assassinado somente em 1938, na chacina da gruta de Angicos, em Sergipe.

Crimes desmentidos

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Um dia depois do combate, quando o povo de Mossoró ainda temia o possível retorno de Lampião sequioso por vingança, um dos principais cangaceiros do bando, Jararaca, foi capturado se arrastando por um matagal. O que se deu a seguir foi um roteiro tragicômico, conforme a narrativa de Lauro da Escóssia, então repórter do jornal O Mossoroense. O nome do pernambucano Jararaca era José Leite de Santana. Ele tinha apenas 22 anos – nos registros policiais, contudo, aparece com 26. Mesmo com um rombo de bala no peito, conseguiu gargalhar durante uma entrevista na cadeia.

O cabra de Lampião dizia que era por causa das “lembranças divertidas do cangaço”. Entre as memórias que ouviu do preso, Escóssia descreve o dia em que Lampião teria invadido a festa de casamento de um inimigo e, com seu próprio punhal, sangrado o noivo. Já a noiva teria sido estuprada na caatinga pelos cabras do bando. Segundo o relato de Jararaca, Virgolino também ordenou que os convidados de um baile tirassem as roupas e dançassem um xaxado completamente nus.

Fato é que, na cadeia, Jararaca virou atração pública na cidade potiguar. Quando já apresentava alguma melhora do ferimento, mesmo sem ser medicado, ouviu que seria transferido para a capital, Natal. Era mentira. “Alta noite, da quinta para a sexta-feira, levaram Jararaca para o cemitério, onde já estava aberta sua cova”, relata Escóssia. Pressentindo a armação, Jararaca diz: “Sei que vou morrer. Vão ver como morre um cangaceiro!” O capitão Abdon Nunes, que comandava a polícia em Mossoró, relatou dias depois os momentos finais do capanga de Lampião: “Foi-lhe dada uma coronhada e uma punhalada mortal. O bandido deu um grande urro e caiu na cova, empurrado. Os soldados cobriram-lhe o corpo com areia”. Pelas circunstâncias da morte, o túmulo de Jararaca virou local de romaria. Até hoje as pessoas rezam e fazem promessas com pedidos ao cangaceiro executado. Na terra do Sol, Deus e o Diabo ainda andam juntos.

Vera Ferreira, neta de Lampião, vê muito folclore nesse tipo de história de crimes hediondos praticados por ou com a complacência do seu avô. Nega, a partir de suas pesquisas, que o cangaceiro tenha ordenado ou praticado estupros (ela é co-autora do livro independente De Virgolino a Lampião, que escreveu com o pesquisador Amaury Corrêa, dono de um dos maiores acervos sobre o rei do cangaço, em São Paulo). A neta do cangaceiro mantém um site oficial que contém inclusive o texto de uma longa entrevista concedida por Lampião em 1927: http://www.infonet.com. br/lampiao/

Referência: aventurasnahistoria.uol.com.br