domingo, 7 de abril de 2019

Espetáculo Ovo, do Cirque du Soleil, tem brasileiros no elenco


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O espetáculo Ovo está em turnê pelo Brasil e estreou, em Brasília na última sexta-feira. A autoria, direção e coreografia de Deborah Colker guiam o tom brasileiro da obra

Além do título em português, o show guarda outros traços tupiniquins, como as músicas, embaladas por ritmos regionais tais quais o samba, carimbó, maracatu e funk. Tudo realizado ao vivo por músicos brazucas. No entanto, o protagonismo brasileiro vai além, esteja ele diante dos holofotes ou não.

Ladybug
Ovo conta a história de uma colônia de insetos. Eles estão em harmonia até a chegada de um forasteiro ao local. Não bastasse o jeitão atabalhoado do novato, ele — uma mosca — se apaixona pela Ladybug, interpretada pela capixaba Neiva Nascimento. A atriz é a primeira brasileira a ocupar o posto de personagem principal no Cirque e, além de envolver o pretendente, ela também encanta o público com suas tiradas bem-humoradas e postura empoderada.

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Filha de artistas, Neiva deu os primeiros passos no circo quando ainda era criança. É formada pela Escola Nacional de Circo e já esteve em algumas caravanas. Ela está em Ovo há cinco anos e se apresentou em 14 países. Um sonho que demorou uma década para se realizar. “Eu fazia um trabalho social em uma ONG, até que o Cirque chegou para realizar audições em 2004. Foi lá que eles me conheceram, mas não passei. Porém, em 2014, 10 anos depois, eles me ligaram para esse papel”, recorda.

“Quando entro no palco, eu entro me entregando. Passando toda a energia que nós brasileiros temos de sobra. Os próprios estrangeiros, meus colegas, ficam parados me olhando e querendo saber da onde vem tudo isso. A força vem da gente mesmo, temos problemas, mas eles não dominam a gente. Brasileiro sempre tenta mostrar que está feliz”, se orgulha Neiva, em sua primeira apresentação em casa. “É diferente de todos os lugares que eu já estive”, revela.

Líder nos bastidores
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Já imaginou estar à frente de todo o treinamento físico e técnico dos artistas? É preciso considerar que são habilidades distintas como acrobacias, equilibrismo e contorcionismo. Soma-se a isso que o grupo é formado por 50 pessoas de 25 países. A faixa etária também é variada. Parece complicado, né? A tarefa requer, além do conhecimento técnico dos números, habilidades sociais para manter o grupo em paz. O responsável por essa engenharia humana é o paulistano Emerson Neves.

“Eu comecei no Cirque em 2006. Fui atleta de saltos ornamentais, fiz treinamento para um show e fui artista do espetáculo Saltimbanco. Depois, passei a ser treinador, tive uma experiência fora daqui e retornei para o Ovo há três anos. Minha vontade era continuar como artista, mas a idade e as lesões chegam. Como estive no palco e nessa rotina, com a experiência de ter vivenciado isso, eu acho que esse é o diferencial que eu tenho”, explica.

Em regra, os espetáculos ficam entre 10 e 12 semanas na estrada. Então, alguns problemas de relacionamento são naturais. “Eu tenho uma sensibilidade maior para ver essas coisas. Tem uns mais extrovertidos, outros são mais quietos. No meu começo como artista foi difícil, nem sempre a gente leva uma piadinha numa boa. Mas com o tempo você entende a diferença de cultura. Nem sempre todo mundo se entende. É preciso ter muito jogo de cintura”.

Serviço:

Ovo - Cirque du Soleil

Ginásio Nilson Nelson (SRPN). De 5 a 13 de abril. Os preços das entradas inteiras variam de R$ 260 a R$ 900. Confira os horários e valores detalhados no site do Correio.


Fonte: Correio Braziliense

A Cassiopeiae e a relação com o filme “A Espera de um Milagre”


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O longa, escolhido como um dos 5 filmes para se ver antes de morrer, segundo a rádio Capital FM em Londres, se desenvolve com o personagem Paul, já velho, contando à Elaine a história do "milagre"


Em uma das cenas do filme, quando Paul (Tom Hanks) e Brutal levam John para fora, o gigante olha para as estrelas e fala "Olhe Chefe, é a Cassie, a senhora na cadeira de balanço." Esta é uma referência à constelação Cassiopéia. Na mitologia grega a rainha Cassiopéia é constantemente caracterizada por estar sentada numa cadeira de balanço ou numa cadeira comum.

Alpha e Gamma

Também conhecida como Tamaquaré pelos brasileiros, a Cassiopeia é uma constelação em formato de W, localizada no hemisfério celestial norte. Essa constelação possui cerca de trinta estrelas que são visíveis a olho nu, além de outras, e as cinco principais, que formam o desenho da letra W.

A Alpha Cassiopeiae (ou Shedir) é a estrela mais brilhante de toda constelação e possui cor avermelhada. Já a Gamma Cassiopeiae é outra estrela bastante importante, que está no centro do desenho W, ou seja, no meio das estrelas principais, e é a terceira com mais luz. O W, ou M, também é formado pela Beta Cassiopeiae, Delta Cassiopeiae e Epsilon Cassiopeiae. 
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Em locais de latitudes médio setentrionais, ou seja, do hemisfério norte, ela pode ser observada em qualquer período do ano, mas sua visualização possui mais destaque durante o inverno. Esta constelação tem como característica grupos estelares abertos.

A Cassiopeia fica próxima às constelações Cepheus, Andrômeda, Perseus e Camelopardalis. O nome desta constelação tem origem grega, de Kassiópeia. Já a forma que o nome é escrito hoje vem do latim.

Mitologia Grega
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De acordo com a mitologia grega, esta constelação tem a ver com a rainha da Etiópia, a Cassiopeia, esposa de Cefeu e mãe de Andrômeda. O W formado pelas estrelas de Cassiopeia mostra a imagem da rainha, sentada em seu trono ou em uma cadeira de balanço, penteando os cabelos – isso porque ela era conhecida por sua beleza e sua vaidade.

Uma vez, a rainha chegou à conclusão de que era a mais bela dentre todas as nereidas, o que desagradou a todas as outras. Desagradou, inclusive, Anfitrite, que registrou sua queixa ao deus dos mares, que também era seu marido, Poseidon. Em represália à atitude da rainha da Etiópia, Poseidon exigiu que Andrômeda, a filha da rainha, fosse sacrificada ao monstro marinho Cetus. Caso sua exigência não fosse cumprida, toda a Etiópia seria inundada.

Andrômeda foi, então, oferecida para o sacrifício. Mas, no último segundo, ela foi salva por Perseu, que se apaixonou por ela e matou a criatura marinha. Como castigo final, Cassiopeia foi colocada no céu em posições desconfortáveis (por isso que o W forma a rainha sentada de cabeça para baixo), para que ela permanecesse em posição de humilhação.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Mantendo uma tradição do seu Estado, Flávio Leandro firma-se como um dos maiores nomes da música Nordestina


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Sempre que me perguntam sobre os maiores compositores de forró de todos os tempos e eu costumo separar em dois grupos: os que já estão em outra dimensão e os que, graças a Deus, ainda estão entre nós, produzindo, cantando e encantando os apreciadores da boa música

Entre os que já partiram, não se pode deixar de fora, Humberto Teixeira, Zé Dantas e um compositor que foi importantíssimo na retomada da carreira de Gonzagão, quando este vivia um certo ostracismo após movimentos musicais como a Bossa Nova, o Tropicalismo e a Jovem Guarda. Estou falando do pernambucano João Silva, autor de canções que levaram Luiz Gonzaga a vender cerca de 500 mil cópias de um só disco. 
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No outro grupo, eu destaco um outro pernambucano de Caruaru e que tem um extenso rosário de músicas de sucesso: Petrúcio Amorim. Talvez, fora do seu Estado, a maioria das pessoas só conheçam suas musicas na voz de outros cantores, com destaque para o paraibano de Monteiro, Flávio José, que gravou quase todas as composições de Petrúcio. 
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Maciel Melo é outro ícone do forró, também nascido em Pernambuco, na cidade Iguaraci e, assim como Petrúcio, autor de inúmeros sucessos gravados por ele e por outros intérpretes. Lembro-me que na década de 90 eu chegava em um bar onde reuniam-se vários amigos e presenciei uma discussão sobre quem era o autor da música “Caboclo Sonhador”. Um grupo afirmava que era de Flávio José e outro contra argumentava que era Fagner, já que ambos gravaram a canção. “E aí, Euriques, qual dos dois é o autor? ”. “Sinto decepcioná-los, mas nenhum dos dois é o compositor e sim, Maciel Melo.

Perceberam que, dos compositores acima citados só um não é pernambucano? Pois é, o Humberto Teixeira é cearense de Iguatu. E para não fugir à regra, vamos abordar mais amiudemente a carreira de um outro pernambucano, - ô terra de cabra bom de forró... – este natural de Bodocó, Francisco Flávio Leandro Furtado, ou simplesmente Flávio Leandro, que também escreve seu nome nos anais da música nordestina, com canções que falam de amor, do sofrimento do povo da sua terra e de protesto por este mesmo povo viver ao desamparo de políticas públicas em todos os níveis.

Compositor precoce 
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Com apenas 13 anos de idade já começou a rabiscar suas primeiras composições e, em 1985, participou pela primeira vez de um festival, o Sementes da Terra, com o qual se apresentou cantando composições suas. Em 1987, ficou classificado em um dos primeiros lugares no Festival Estudantil da Canção, na cidade de Crato (PE).

Em 2004, recebeu o “Título de Cidadão Exuense”, na cidade natal de Luiz Gonzaga, Exu (PE), e, em agradecimento ao título, gravou o CD "Na casa do rei", interpretando canções do Rei do Baião. No ano seguinte, gravou a coletânea “Feliz da vida”. Em 2006, lançou seu primeiro DVD, “Dez léguas de Forrobodó”; dois anos depois, lançou mais um CD "Xô aparreio!". Em 2011, lançou mais um CD “Cheiro de nós”. Na mesma época, lançou seu segundo DVD.

Sempre privilegiando o forró pé-de-serra, ao longo da carreira teve composições suas gravadas por artistas como Elba Ramalho, Flávio José, Adelmário Coelho, Santanna O Cantador, Jorge de Altinho, Waldonys, Cristina Amaral, Maciel Melo e Petrúcio Amorim.

Realizou, em média, 150 apresentações por ano, em quase todas as regiões do país. Em 2012, participou da coleção tripla de CDs "Pernambuco forrozando para o mundo - Viva Dominguinhos!!!", produzida por Fábio Cabral, cantando a música "De mala e cuia", dele mesmo. Essa mesma canção foi um dos grandes sucessos da carreira de Flávio José, hoje um dos maiores intérpretes do gênero.

Outra grande composição de Flávio Leandro é “Oferendar”, canção na qual ele lançou sua filha Sarah Lopes nos palcos da vida. “Oferendar” foi gravada com uma linda roupagem pela paraibana Elba Ramalho e já faz parte dos grandes sucessos da carreira e Flávio Leandro.

Dentre as canções onde o compositor clama pela situação do povo nordestino é “Chuva de Honestidade”, que teve uma gravação histórica ao lado de Cícero Mendes e Chico Justino. A canção tem um refrão bastante sugestivo e retrata o momento que o país vive, com alguns bandidos de colarinho branco presos e a maioria solta e rindo da cara do cidadão brasileiro:

Eu sei que a chuva é pouca e que o chão é quente

Mas, tem mão boba enganando a gente, secando o verde da irrigação

Não! Eu não quero enchentes de caridade, só quero chuva de honestidade

Molhando as terras do meu sertão” 

Euriques Carneiro

domingo, 20 de janeiro de 2019

“Ressureição” | A saga de Jesus Cristo vista por outro prisma


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O mundo do cinema está repleto de filmes que abordam a história de Jesus Cristo, a exemplo de Jesus de Nazaré, Jesus Cristo Superstar, A Última Tentação de Cristo, A Paixão de Cristo, entre tantas outras

Desde 2016, chegou ao Brasil Ressurreição que narra a história de um ângulo um pouco diferente. Não mostra o nascimento de Cristo, crescimento, pregações ou encontros com apóstolos, mas já começa mostrando a crucificação do filho de Deus, a ressurreição e as consequências daí advindas.


A trama se passa no ano 33 DC e foca sua atenção, como o próprio título já diz, na ressurreição de Cristo. Após crucificá-lo, o exército romano deseja afastar qualquer ideia de que Jesus seria alguém especial ou objeto de fé.

A grande preocupação de Pilatos é afastar os boatos de que ele iria ressuscitar em três dias, os romanos decidem vigiar seu corpo, para provar que não tem nada de especial. No entanto, ele acaba desaparecendo. Diante disso, o oficial Clavius (Joseph Fiennes) é designado a encontrar seu corpo e abafar todos aqueles que idolatram Cristo.

Para cumprir as ordens de Pilatos, Clavius parte para um inquisição geral com requintes de maldades, até que ele mesmo testemunha a ressurreição, muda seu comportamento e o filme ganha um novo viés.


Orçamento modesto Imagem relacionada

Conhecido pelos trabalhos em Shakespeare Apaixonado e Elizabeth, Fiennes realiza uma performance competente e com algumas boas cenas, mas não passa disso. Destaque para o neozelandês Cliff Curtis(Fear The Walking Dead), que interpreta Cristo. Se não entrega uma atuação magistral, a escolha é interessante pela escolha de um ator com o tipo diferente daqueles loiros de olhos azuis que, no geral, interpretam Jesus Cristo.

Risen (no original) é um filme com bons cenários e figurinos. Ao mesmo tempo, é tudo muito simples. Não se trata de um mega-orçamento. De qualquer forma, é um filme que não ofende, mas também não tenta catequisar ninguém. Conta uma história. Tudo é muito simples e o ritmo não é bom, principalmente pelos 108 minutos de duração, mas não é algo ridículo, como tem sido a grande maioria dos filmes religiosos lançados nos últimos tempos.

Referência: adorocinema.com.br

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Uma das maiores tradições da Bahia, a Lavagem do Bonfim acontece nessa quinta, 17 de janeiro

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Foto: Euriques Carneiro
Com o mantra “Quem tem fé vai a pé,”, milhares de pessoas percorrem o trajeto de pouco mais de 8 km a caminho do Santuário de Senhor do Bonfim da Bahia para agradecer graças recebidas, fazer seus pedidos e, é claro, amarras as fitinhas no gradil do templo

Festa típica Popular que é comemorada na segunda quinta-feira do ano, a tradicional lavagem das escadarias Bonfim é considerada a segunda maior manifestação popular da Bahia, perdendo apenas para o Carnaval. O festejo começa em frente à Igreja da Conceição da Praia, onde acontece um Culto Ecumênico. 


Depois, dá-se início a uma caminhada de 8 km até a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim. A praça em frente ao Bonfim fica tomada de gente e barraquinhas de bebidas e comida boa. Vários cortejos fazem o trajeto, inclusive as baianas que ao chegarem, lavam a escadaria. 

Também é grande a quantidade de pessoas que se revezam no gradil da igreja para amarrarem suas fitinhas e fazerem seus pedidos. No final do dia, é comum grupos de amigos voltarem em festas dentro de barcos, escunas e lanchas pela Baía de todos os Santos. Vale cada centímetro dessa caminhada. 

Serviço

Local: Igreja da Conceição da Praia – Rua da Conceição da Praia, s/n – Comercio, Salvador.
Local: Igreja de Nosso Senhor do Bonfim – Largo do Bonfim, s/n – Bonfim, Salvador.
Preço: Gratuito

O Oscar 2019 promete acirradas disputas


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Tendo Roma, o filme de Alfonso Cuarón como o grande vencedor de mais uma cerimônia da temporada dos prémios, no Critics' Choice Awards, destacou-se ainda um empate : Lady Gaga e Glenn Close dividiram o prémio da atriz do ano

Mais uma cerimônia de prêmios na América, mais glória para Roma, de Alfonso Cuarón, que venceu em grande os prémios dos críticos americanos da rádio e televisão - Critics' Choice Awards (CCA). O projeto a preto e branco mexicano venceu melhor realização, filme, filme estrangeiro e fotografia (também assinada por Cuarón). Cuarón ouviu o seu nome da boca de Taye Diggs, o apresentador, por quatro vezes, reforçando o seu poderio para o Óscares, isto num ano em que parece haver uma grande divisão em termos de favoritos.

Se Roma não for a concurso para melhor filme, este poderá ser um dos poucos anos sem favorito, embora para realização e filme estrangeiro, Roma é quase um vencedor antecipado da Academia.

A escolha dos críticos também complicou as previsões na melhor atriz. Tal como nos Globos de Ouro, Glenn Close venceu o CCA de melhor intérprete, mas aqui empatada com Lady Gaga, de Assim Nasce uma Estrela, que antes da surpresa nos Globos parecia a favorita assumida. Olivia Colman, em A Favorita, perdeu aqui mas não na categoria de comédia, onde suplantou uma concorrência em que estavam Rachel McAdams, Constance Wu e Emily Blunt.


Fonte: dn.pt

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

X Jornada de Dança da Bahia movimenta a capital baiana até domingo, 18


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Artistas emprestam brilho à programação da X Jornada de Dança da Bahia com espetáculos, workshops, oficinas e debates que segue até domingo, em vários espaços de Salvador

Criada em 2005, a JORNADA DE DANÇA DA BAHIA é um encontro focado na relação entre dança e educação, realizado pela Escola Contemporânea de Dança, sob a coordenação da dançarina Fátima Suarez. Sua programação agrega três contextos interligados: o Fórum de Educadores de Dança, ação continuada voltada à reflexão sobre o ensino da dança na Bahia e no Brasil; as residências e oficinas artísticas, para contribuir na qualificação de dançarinos; e a mostra artística, que apresenta espetáculos com artistas locais, de outros estados e países, reunindo produções de dança moderna e contemporânea.

A JORNADA DE DANÇA DA BAHIA busca favorecer o intercâmbio, provocando a difusão de práticas artístico-pedagógicas e incentivando a discussão e a pesquisa. É um evento interessado no artista/professor/aluno e em como estabelecer conexões inventivas entre estes, tendo como pontos de apoio o aprimoramento técnico, o incentivo à criação e as observações e opiniões em torno de propostas com variadas metodologias.

Uma das marcas da JORNADA está em sua inspiração nos ideais e na filosofia de dança de Isadora Duncan, mãe da dança moderna. Este traço se revela em diversos aspectos técnicos e conceituais, permeando toda a programação. 


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Em 2018, a 10ª edição mergulha no tema “O Artista é o Espelho da Vida”, exaltando o papel questionador, reflexivo e aglutinador do artista na sociedade. A X JORNADA DE DANÇA DA BAHIA acontecerá de 14 a 18 de novembro, no Teatro Castro Alves, Goethe-Institut Salvador-Bahia, Escola de Dança da UFBA e praças públicas. A programação é quase toda gratuita, ou a preços populares.

Antes do marco efetivo do evento, o projeto realiza continuadamente a “Formação Itinerante de Professores de Dança”, que, em todos estes anos, já circulou por cerca de 20 localidades da Bahia, envolvendo mais de 1.500 alunos/educadores e criando uma rede de comunicação e troca de saberes. Neste ano, a iniciativa extrapola os territórios baianos e chegou ao Distrito Federal e outros quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Minas Gerais.

Difundindo as múltiplas técnicas de dança para experimentação do corpo e suas possibilidades de expressão, a JORNADA propicia a professores, profissionais da dança, artistas e estudantes, crianças, adolescentes, jovens e adultos o estímulo a uma sensibilidade crítica que instiga ao aprimoramento. A JORNADA DE DANÇA DA BAHIA, ao perseguir o caminho da investigação da educação em dança, firma-se como evento fundamental para o desenvolvimento desta área, desenhando com seus participantes um futuro promissor para a dança no país.

Igreja do Rosário dos Pretos | Um dos mais emblemáticos das centenas de templos católicos de Salvador


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No século XVII, os negros eram proibidos de frequentar as igrejas de Salvador e, para professar a fé, eles resolveram construir sua própria igreja, tarefa que consumiu recursos que eles não dispunham e quase um século de árduo trabalho

Como outros grupos da colônia, os negros se organizavam em agrupações religiosas de ajuda mútua, as chamadas irmandades ou confrarias e eram particularmente devotos de Nossa Senhora do Rosário, São Benedito.

A Igreja da Venerável Ordem Terceira do Rosário de Nossa Senhora às Portas do Carmo, mais conhecida como Igreja do Rosário dos Pretos, situada no Largo do Pelourinho, na antiga rua das Portas do Carmo, foi fundada em 1685, por uma das primeiras irmandades dos homens pretos do Brasil. A Irmandade foi elevada à categoria de ordem terceira em dois de julho de 1899.

Inicialmente, o culto dessa Irmandade era realizado em uma capela da antiga Sé, dedicada à Nossa Senhora do Rosário, com uma imagem de 1685. A atual Igreja do Pelourinho começou a ser construída em 1704 pela própria Irmandade, pelos próprios irmãos negros, incluindo escravos. A imagem barroca de N.S. do Rosário, de 1685, foi transladada da Sé e está no altar-mor. 

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Em 1710, já se celebravam atos religiosos no local. Em 1718, a Igreja passou a abrigar também a Irmandade do Santíssimo Sacramento do Passo, até a construção da Igreja do Passo, a partir de 1736. O templo tem notável mérito arquitetônico. As torres, com terminações em bulbo, são revestidas de azulejos e foram concluídas em 1781, junto com a fachada em estilo rococó, pelo mestre Caetano José da Costa.

No início do século 19, são realizadas obras de reforma e ampliação. Seu interior é decorado com azulejos que retratam temas da devoção à N.S. do Rosário de Lisboa (cerca de 1790) e da vida de São Domingos. Acredita-se que esses azulejos foram confeccionados na Fábrica do Rato, em Portugal pelo renomado artista português Francisco Gonçalves da Costa. 
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O retábulo do altar-mor, de 1871 e inspiração neoclássica, é de autoria do entalhador João Simões F. de Souza. A pintura do teto da nave e do altar-mor é da mesma época, feita pelo artista José Pinto Lima dos Reis. Além da Imagem de N.S. do Rosário, a Igreja também abriga as imagens de São Benedito, de Santo Antônio de Catigerona e do Cristo Crucificado, em marfim.

Em 1872, foi demolido o cemitério da Irmandade. Entre 1873 e 1875, a fachada foi alterada com a construção de duas novas portas, ao lado da porta principal (veja uma fotografia de Ben Mulock, de 1859, com a fachada anterior). No final do século 19, outras melhorias foram realizadas, como a construção de um altar na sacristia (1894) e o douramento da Igreja (1895). Em 2011, a Igreja foi restaurada.

O conjunto arquitetônico da Igreja foi tombado pelo Iphan, em 1938. Todo o Pelourinho é um patrimônio da humanidade, na lista da Unesco.

Funcionamento:
Às terças, missa em louvor a Santo Antônio de Categeró – Terça da Benção.

Festas:
Santo Antônio de Categeró (2º dom janeiro)
São Benedito (Último dom abril)
Santa Bárbara (4/dez)
Aniversário da Irmandade (2/jul)
Festas dos santos negros (Elesbão, Efigênia), e N. Sra. Senhora dos Anjos, N. Sra. do Rosário (último dom de out).

Missas:
Segunda e domingo – 9h. Terça, última quarta do mês, 1ª quinta do mês e sexta, às 18h.

Visitação:
De seg a sáb, das 8 às 12h e das 13 às 17h
Taxa visitação: R$ 3,00 

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

'Amor sin límite' é o álbum de Roberto Carlos com repertório em espanhol, após 22 anos de ausência do mercado


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A edição em LP do álbum "Amor sin límite", de Roberto Carlos, chega às lojas do Brasil a partir da próxima sexta-feira (16), com o vinil da cor azul, revelando a paixão do cantor e compositor por essa cor

Após virar meme na internet em virtude da ausência durante o ano e a aparição anual no especial de Natal de uma rede de TV, o capixaba chega com o novo trabalho, dedicado ao mercado latino americano. 
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Essa é a primeira vez em 22 anos que o cantor e compositor tem lançado um álbum em LP. O último saiu em 1996. Desde o álbum de 1980, o azul é cor recorrente nas capas dos discos do Rei.

“ Amor Sin Límite ” é mais um integrante na discografia do rei Roberto Carlos, sendo o primeiro de canções inéditas em espanhol em 25 anos. O álbum de Roberto Carlos, que soma 10 canções inéditas em espanhol após 25 anos, tem as participações especiais de Alejandro Sanz e Jennifer Lopez.

Com um total de dez músicas no idioma, o disco possui quatro novas composições e outras seis que, pela primeira vez, foram gravadas em espanhol e, claro, prometem muito sucesso entre os fãs do cantor romântico. O álbum produzido pelo CEO e Presidente da Sony Latino Ibérica, Afo Verde, teve seu primeiro single Regreso , lançado no dia 8 de junho, e já é popular entre os fãs do cantor. 
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A canção traz piano e arranjo de cordas. Já o som que mistura violão, percussão, toques de salsa e mambo, que soam como um clássico na terceira faixa do trabalho, Que Yo Te Vea , foi lançado em dezembro passado pelo Rei. 
Embora “Amor Sin Límite” seja o primeiro álbum de inéditas em espanhol após 25 anos, Roberto é nome comum na região Latino Ibérica. Por lá ele marcou presença com dois grandes projetos nos últimos anos, além de uma grande turnê em 2016, com um total de 19 shows em países como Argentina, Chile, Colômbia, México e Uruguai.

Além de todo o romantismo típico de Roberto, o novo álbum do Rei também conta com grandes nomes mundiais da música. Alejandro Sanz, por exemplo, participa da segunda faixa do álbum, Esa Mujer , sobre os arranjos de Tim Mitchell e do pianista Pete Wallace.

domingo, 11 de novembro de 2018

Em seu novo livro 'Viver Entre Línguas', escritora e ensaísta Sylvia Molloy discute língua e identidade


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 Viver entre línguas é uma coleção de textos breves que podem ser lidos como ensaios ou peças de ficção autobiográfica 

Neles, uma mulher narra memórias e anedotas de sua vida enquanto reflete sobre língua, linguagem, plurilinguismo. Relatos sobre Jules Supervielle, Guillermo Hudson, George Steiner e Elias Canetti são intercalados com episódios de sua infância, atravessados por diferentes idiomas.

Na obra, Sylvia Molloy – argentina radicada há décadas em Nova Iorque e uma das maiores críticas literárias da América Latina – conta que, quando pequena, falava espanhol com a mãe, inglês com o pai e uma mistura de ambos com a irmã, quando ninguém as ouvia. Então veio o francês, como uma espécie de recuperação da língua que sua mãe herdara – e perdera – de seus pais. Cada idioma passou a ocupar espaços diferentes, colorindo-se de afetividades diversas. Vieram os anos de estudos na França, depois a mudança para os Estados Unidos. "Por que falo de bilinguismo, do meu bilinguismo, a partir de um idioma só, e por que escolhi fazê-lo a partir do espanhol?", pergunta-se a narradora. "Em que língua acorda o bilíngue?", "Em que língua sou?".


Trajetória da autora
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Sylvia Molloy nasceu em Buenos Aires e vive nos Estados Unidos há mais de 40 anos. Doutora em Literatura Comparada pela Sorbonne, lecionou nas universidades de Princeton e Yale e atualmente é professora emérita da cátedra Albert Schweitzer em Humanidades na Universidade de Nova Iorque, onde dirigiu o programa de escrita criativa em espanhol. 


É autora dos ensaios Las letras de Borges (1979), Acto de presencia (1996) – publicado no Brasil como Vale o escrito: a escrita autobiográfica na América Hispânica (Argos, 2004), Poses de fin de siglo - Desbordes del género en la modernidad (2012) e Citas de lectura(2017), e coeditora dos livros Women's Writing in Latin America (1991), Hispanisms and Homosexualities (1998) e Poéticas de la distancia (2006). Publicou ainda o livro de contos Varia imaginación (2003) e os romances El común olvido (2002), Em breve cárcere (Iluminuras, 1995) e Desarticulações (2010), adaptado como monólogo teatral no Brasil e publicado pela revista Serrote.


Sobre a Coleção Nosostras


Pronome feminino na primeira pessoa do plural. Desinência de gênero própria da língua espanhola. Uma coleção de textos escritos por autoras latino-americanas, mulheres brasileiras e hispanofalantes de hoje e de ontem, daqui, dali e de lá. Uma coleção a favor da alteridade e da sororidade, este substantivo ainda não-dicionarizado. Nós e outras, nós e elas, nós nelas e elas em nós. 

NOS.OTRAS pretende aproximar-nos, cruzando fronteiras temporais, geográficas, idiomáticas e narrativas. A proposta é pelo diálogo plural, dar voz e visibilidade a projetos literários heterogêneos que nem sempre encontram espaço editorial. Publicaremos sobretudo não-ficção – ensaios, biografias, crônicas, textos epistolares –, mas prosas de gênero híbrido, fronteiriças à ficção, também são bienvenidas. Porque nosotras somos múltiplas. Curadoria e coordenação editorial: Mariana Sanchez e Maíra Nassif.


Ficha
Viver entre línguas

Sylvia Molloy
Tradução de Julia Tomasini e Mariana Sanchez
Coleção Nosotras

68 p.| 2018 | 13 x 19 cm
ISBN: 978-85-66786-xx-x

“O Outro Lado do Vento” | Um filme de Orson Welles rodado há 40 anos, mas moderno como nunca


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A notícia se tornou um dos acontecimentos do ano no mundo dos cinéfilos, mesmo que a sua rodagem começou no início da década de 70: O Outro Lado do Vento (Netflix), filme póstumo de Orson Welles, expõe os bastidores do cinema num momento dramático da vida de Hollywood

Se o cinema moderno renascesse com Orson Welles? A pergunta pode ser encarada como exercício de absurdo - afinal de contas, o autor de O Mundo a Seus Pés (1941), A Dama de Xangai (1947) ou O Processo (1962) morreu em 1985, contava 70 anos. O certo é que a sua motivação provém de um novo filme de ... Orson Welles: chama-se O Outro Lado do Vento (título original: The Other Side of the Wind) e está a passar, em estreia, na Netflix.

A história da produção, desaparecimento e renascimento de O Outro Lado do Vento parece ser, ela própria, um conto moral sobre as atribulações que podem assombrar a vida dos filmes e respetivos criadores. Assim, é verdade que o filme entra na história com a data de 2018, uma vez que a conclusão da respetiva pós-produção ocorreu há poucos meses; mas não é menos verdade que a sua rodagem começou há mais de quatro décadas.

Na altura, Welles era há muito conhecido e consagrado como um dos pais da modernidade cinematográfica: as histórias do cinema garantem-nos, e com boas razões para isso, que há uma fronteira de linguagens e narrativas a separar o "antes" de O Mundo a Seus Pés e o "depois" de O Mundo a Seus Pés. Seja como for, e apesar do seu prestígio, Welles ia lutando com crescentes dificuldades para montar os seus projetos pessoais. A sua filmografia como ator (em filmes realizados por outros) é disso uma prova esclarecedora: não poucas vezes, foi surgindo no elenco de títulos claramente menores de modo a obter rendimentos para investir nas suas próprias realizações.

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Em termos simples: O Outro Lado do Vento foi sendo rodado ao longo da primeira metade da década de 70, Welles avançou com a montagem, mas nunca conseguiu meios para concluir o filme. Consciente das dificuldades que enfrentava, deixou a tarefa da sua conclusão entregue ao seu amigo, também cineasta, Peter Bogdanovich (n. 1939). Na prática, Bogdanovich foi uma personalidade central na recuperação das bobinas do filme, no seu tratamento laboratorial e, acima de tudo, na mobilização da Netflix para patrocinar a conclusão técnica do filme.

E se a modernidade no cinema fosse essa consciência magoada que nos leva a perguntar se o próprio cinema não estará à beira de desaparecer? Eis uma pergunta mais presente do que nunca: os novos recursos digitais operaram uma vertiginosa transformação dos filmes, desde a produção até à difusão, parecendo anunciar uma outra idade audiovisual que, sejamos realistas, ninguém sabe descrever de modo definitivo. Eis, afinal, a pergunta que Welles enuncia, num misto de ironia e angústia, em O Outro Lado do Vento.

Este é um espelho do que estava a acontecer no arranque da década de 70, em particular no sistema industrial do cinema dos EUA. O fim da organização clássica dos estúdios de Hollywood e a crescente transferência de públicos das salas escuras para o ecrã caseiro de televisão levavam a geração de Welles a interrogar-se sobre o sentido e o futuro do seu próprio trabalho.

O Outro Lado do Vento tem mesmo como figura central um realizador, Jake Hannaford, interpretado por John Huston (outro autor marcante da geração de Welles, falecido em 1987, contava 81 anos). Ele está no centro de uma insólita encruzilhada: por um lado, os meios jornalísticos e críticos mostram-se mais interessados do que nunca em dar conta, por vezes de modo leviano e irresponsável, da evolução do seu trabalho; por outro lado, o seu novo filme (intitulado, justamente, O Outro Lado do Vento), além de se distinguir por um experimentalismo que suscita muitas reticências, corre o risco de não ser concluído...

Não será preciso grande especulação simbólica para identificar as atribulações de Hannaford como uma projeção das dificuldades do próprio Welles naquele momento da sua carreira. Mais do que isso: há uma personagem de um outro cineasta, mais jovem, de seu nome Brooks Otterlake, uma espécie de discípulo relutante de Hannaford, cuja interpretação está entregue a... Peter Bogdanovich.

Através de um sarcasmo recheado de desespero, O Outro Lado do Vento evolui como a história breve (dir-se-ia que tudo acontece durante um dia e uma noite) de uma projeção falhada: Hannaford quer mostrar o seu filme inacabado, mas alguns incidentes técnicos vão obrigando a deslocar os seus convidados de um cenário para outro. Daí o delírio de peripécias a que assistimos, como se aquelas personagens - dos que fazem filmes aos que os comentam, passando pelos simples curiosos fascinados pela aura das estrelas de cinema - fossem já corpos transfigurados em fantasmas de uma civilização das imagens (e dos sons) à beira de ruir.

Estamos perante um exercício de reflexão e autorreflexão que não pode ser dissociado de outros títulos que Welles assinou na mesma época. A saber: F de Fraude (1973), retrato de um falsificador de arte que, com macabro humor, nos questiona sobre o próprio valor do trabalho artístico, e Filming Othello (1978), exercício de ambíguo e, mais uma vez, bem-humorado confessionalismo em que Welles recorda as atribuladas condições de rodagem do seu Otelo (1951), em si mesmo uma história shakespeariana.

Vemos, por isso, O Outro Lado do Vento com o fascínio perturbante de um luto interminável. O ecrã de cinema, seja ele qual for, existe, assim, como lugar de discussão da identidade dos filmes e, por isso mesmo, da nossa condição de espectadores.

Hannaford e os seus acompanhantes movimentam-se como zumbis de um paraíso cinematográfico. Naqueles anos 70 de todas as futilidades, dir-se-ia que Hollywood nunca existiu, sobrevivendo apenas como mitologia minada pela cegueira económica dos produtores, exponenciada pela miséria existencial do meio jornalístico (agora, sustentada por câmaras de filmar empunhadas como pistolas).

Apesar disso - ou melhor, através disso - deparamos ainda com o fulgor sensual do cinema como uma arte perversa: não se trata de reproduzir o mundo à nossa volta, mas de ocupar esse mesmo mundo com a obstinada promessa de uma existência alternativa, se não mais pura, pelo menos mais verdadeira. Há uma maneira muito simples de dizer tudo isso: O Outro Lado do Vento é um dos acontecimentos centrais da vida do cinema neste nosso ano de 2018. Da vida ou da morte.

Fonte: www.dn.pt

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Oxe Oxente | “A cultura Nordestina não precisa de DEFENSOR e sim de DIVULGADOR”

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Em tempos onde os investimentos oficiais em cultura estão cada vez mais parcos, o agitador cultural Nivaldo Cruz empunha a bandeira da cultura nordestina tal qual o Dom Quixote de jaleco e chapéu de couro, embrenhando-se na mata em defesa das manifestações e costumes da região mais sofrida do país

O multifacetado Nivaldo Cruz, - além de radialista e exímio declamador, atua como mestre de cerimonias em eventos diversos, - é um profundo conhecedor das raízes da cultura de um modo geral, com ênfase na vertente Nordestina. Em seu programa de rádio, costuma receber personagens das mais variadas vertentes da cultura, desde nomes consagrados da música até os simples trovadores e poetas do improviso.

Na sua página na web ele define o seu trabalho, da seguinte forma:


“Acreditando que a identidade cultural é a principal responsável pelo sentimento de valor individual de um povo, valor esse responsável direto por vários outros, como cidadania e educação moral e ética. Pois só que conhece a grandeza da sua cultura se sente inserido e responsável por ela e nela. Esse é o sentido que move o "Oxe,Oxente", que tem o objetivo principal de divulgar a Boa Cultura Popular do Nordeste do Brasil. Então aqui é o lugar para desfilar principalmente músicas nordestinas, poesias e causos e se caminho para outras formas de cultura nordestina como as artes plásticas, o artesanato, a culinária, a xilogravura dentre outras.” 

Trajetória 


O Projeto "Oxe, Oxente" nasceu, em setembro de 2013, no Rádio convencional através de um Programa do mesmo nome, na Rádio Subae AM de Feira de Santana, na Bahia e em setembro de 2018, ele chega a internet através da Rádio Oxe, Oxente WEB, adaptando-se assim aos novos tempos e novas mídias, sempre no intuito de divulgar as nuances das tradições do Nordeste.

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Nivaldo, fala ainda sobre seu trabalho: “A Rádio Oxe, Oxente WEB, defende a tese de que a "A Boa Cultura Nordestina não precisa de defensor, ela precisa é de DIVULGADOR. Pois, existe muita gente boa fazendo coisa BOA, aliás, ela acredita que exista mais gente boa fazendo coisa boa, do que gente fazendo o que não presta. O problema é que a grande mídia (e algumas outras vão atrás) só divulgam o que não presta. Por isso, ESSE É O CANTINHO DA BOA CULTURA NORDESTINA.”.

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Lembrete do Nivaldo Cruz: "PS:. Não quero aqui dizer que a Cultura Nordestina é melhor que as outras, porque não é. Defendemos e compartilhamos da ideia de que não existe Cultura Boa e Cultura Ruim, existe sim culturas diferentes que devem ser respeitadas. A escolha de divulgar só a Boa Cultura Nordestina é porque somos do Nordeste, acho e incentivo que quem é do Sul deve compartilhar a do Sul, quem é do Sudeste, a do Sudeste, quem é do Norte, a do Norte, quem é do Centro-Oeste, a do Centro-Oeste."

E viva a cultura, valores e tradições do valoroso Nordeste, terra da resistência!


terça-feira, 25 de setembro de 2018

Rennan Mendes: um talento raro que mescla sofisticação com o melhor do forró tradicional


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Rennan Mendes: uma agradável surpresa ao participar do evento especial, a Conexão Uauá / Feira, no espaço Cúpula do Som, em Feira de Santana
O cartaz ressaltava como atração Rennan Mendes & Banda, até então um desconhecido para mim.

Aceitamos com prazer o convite dos amigos e fomos ao agradável espaço que tinha como fundo musical forró autêntico e uma canção em especial me fez prever que teríamos uma noite de musicalidade da melhor espécie. Estou falando de “Tributo a Zé Marcolino”, de Ton Oliveira que foi gravada pelo autor em parceria com Flávio José. Trata-se de uma música que dificilmente toca em rádios e só um público restrito tem conhecimento dela.

Por volta das 22:30 horas, abriram-se as cortinas e tem início o show da noite com Rennan Mendes trazendo no peito uma bela sanfona preta de 120 baixos, acompanhado de zabumba, triângulo e contrabaixo. Foram quase 3 horas de agradabilíssima apresentação com o Renan dando um show particular. 


O jovem sanfoneiro toca tudo de Dominguinhos sem esquecer de beber na fonte suntuosa de Gonzagão e outros nomes consagrados do forró como o maior compositor vivo de forró, Petrúcio Amorim, Maciel Melo e Flávio Leandro. Mas ele vai além e toca seresta, música baiana, - só as de qualidade, - e capricha no regionalismo da musicalidade da sua terra natal: Uauá. Como o ambiente estava repletos de uauaenses, cada canção que exaltava aquele pedaço do Nordeste levava o público a um estado de êxtase.

História
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Natural da conhecida “Terra do Bode”, Rennan está atualmente radicado em Juazeiro, tendo feito apresentações recentes em Angola, ao lado do consagrado sanfoneiro, cantor e compositor, Targino Gondim. Com raro talento, Rennan mistura o melhor do tradicional com pitadas de sofisticação, criando um ambiente para todas as tribos com qualidade e leveza incontestáveis.

Filho do também sanfoneiro Veinho de quem herdou o talento, ele tem influências musicais que vão além dos nomes consagrados, tendo como inspiradores Cavachão, Eugênio Cruz, Zé Manoel, Nilton Freitas, Maciel Melo, Maviael Melo, João Sereno, Sivuca, Adelmário Coelho, Trio Nordestino, Flávio José, Alcymar Monteiro, Amelinha, Acyoli Neto, Djavan, Zé Ramalho, Caetano Veloso, Villa Lobos, Tom Jobim, Gilberto Gil e muitos, muitos outros, além dos sons que vagam ao ar, poesias, causos, contos, jornais, revistas e notícias do cotidiano. 

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O que mais chamou a minha atenção no músico foi a sua intimidade com a sanfona. Mesmo quem não toca nenhum instrumento como eu, percebe a simbiose entre ele a sua companheira que traz colada no peito. Ele não faz qualquer esforço para tocar pois a música flui com incrível naturalidade. 

Prova disso foram as 3 horas ininterruptas de show sem aparentar qualquer cansaço. A impressão que eu tive é que ele tocaria mais 3 horas, pegaríamos o sol com a mão, com diz o verso da célebre canção de Luiz Gonzaga e ficaria inteiro como se tivesse começado a tocar há meia hora.

Um talento nato, desses que só aparecem de quando em vez. Esse é o Renan Mendes que ainda vai dar muito que falar no universo da música nordestina.

Euriques Carneiro

terça-feira, 28 de agosto de 2018

A saga de Yasuke, o escravo negro que se tornou samurai no século XVI


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“Ele media cerca de 1,90 metros, era negro ... e sua pele era como carvão”. Este testemunho é o de Matsudaira Ietada, um samurai, que conta a primeira vez que viu, em 1582, Yasuke, o samurai negro

Quando ele chegou ao Japão, provavelmente em 1579, Yasuke era servo de um jesuíta italiano. Se os japoneses começaram a se acostumar a ver comerciantes brancos europeus, eles descobriram homens negros da África. O fato era tão inimaginável na época que algumas testemunhas teriam sido executadas por contar sua experiência, suspeitas de mentiras.

Vale a pena contar a história de Yasuke, o escravo negro que se tornou um samurai no Japão, pois a história antepassada mostra que o Japão era um país fechado para estrangeiros há muito tempo. Por isso, é muito raro ver na história deste país que os estrangeiros se integram perfeitamente com as normas sociais.

Descoberta segundo Lévi-Strauss
O Japão foi descoberto duas vezes, escreve Lévi-Strauss: em meados do século XVI, quando os jesuítas vieram na esteira dos mercadores portugueses e três séculos depois, quando os Estados Unidos forçaram o Japão a se abrir para o comércio internacional. Relatos da época, compilados por observadores japoneses e europeus, evocam a relação entre um dos maiores senhores da guerra, Oda Nobunaga, e um escravo da África. 


O que é um samurai? Quando falamos de samurai, todos temos praticamente uma imagem que nos vem à mente. Mas nem todos sabem realmente qual é o período correspondente a esses guerreiros, ou qual é seu status social ou simplesmente sua função.

A palavra significa "aquele que serve" e é usada desde o início do século XVII, mas é em torno do século XII que a casta guerreira samurai aparece. Na verdade, este período é um período agitado, cheio de guerras civis.

O samurai é um homem (e sim o feminismo não era muito desenvolvido na época) a serviço de um senhor. Ele é unido a esse senhor por um código que exige lealdade absoluta. O samurai recebe uma educação severa que visa não ter medo do sofrimento e da morte, respeitar um código ( bushido ) de honra e torná-lo um guerreiro eficaz no manejo de armas. Em caso de perda de honra ou culpa, o samurai se mata em uma cerimônia pública ( seppuku ). Um samurai não ligado a um senhor é chamado de ronin .

Trajetória de Yasuke
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Com o a ausência de, Nobunaga cometeu seppuku – suicídio ritual, - Yasuke se juntou ao filho de Nobunaga, Oda Nobutada. Ele lutou ao lado das forças do herdeiro por um longo tempo, mas o daimiô não passaria do fim do dia, sendo forçado a se matar.

Yasuke, sem ter para onde ir, propôs se juntar ao lado inimigo. Ao invés de cometer o suicídio de honra, ele seguiu o costume ocidental e ofereceu a sua espada a Mitsuhide. Foi esnobado pelo general, que o chamou de "fera que não sabia nada".

Talvez melhor para ele. O xogunato de Mitsuhide duraria 13 dias. Ele morreria em condições misteriosas em junho, assassinado na estrada. O poder passaria a outro general de Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi. Que unificaria o Japão.

Quanto a Yasuke, voltou a servir os jesuítas. E nada mais se ouviu dele.


Fonte: https://planetenomade.com/yasuke-samourai-noir