segunda-feira, 18 de junho de 2018

80 ANOS APÓS SUA MORTE, PERSISTE A SAGA DE LAMPIÃO: INJUSTIÇADO OU BANDIDO?


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Como Mossoró rechaçou um ataque de Lampião em 13 de junho de 1927 e fez com que os filhos daquela terra se orgulhassem do feito e pudessem contar às novas gerações o que seus antepassados tiveram a coragem de fazer

Mossoró era uma das mais prósperas cidades do Rio Grande do Norte. O coronel Rodolfo Fernandes, o prefeito, já havia alertado, nos últimos dias, sobre o perigo do ataque do “'rei do cangaço'” ao município. A maioria dos habitantes, no entanto, parecia não acreditar.

As notícias advindas da vizinha vila de São Sebastião, davam conta de que Lampião havia incendiado um vagão de trem cheio de algodão e depredado a estação ferroviária. Havia também arrasado a sede do telégrafo, uma modernidade sempre combatida pelo chamado por Virgulino, na tentativa de impedir que o seu paradeiro fosse sendo informado e ajudasse a polícia a persegui-lo.

A estratégia da prefeitura – que havia conseguido ajuda oficial em armas e munição, mas não em combatentes – era manter na cidade apenas os habitantes que estivessem armados. Assim, mandaram para Areai Branca a maioria de mulheres e crianças, acreditando que, quanto mais vazio o lugar, na avaliação do prefeito, maior a chance de repelir o bando de cangaceiros. 

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Para impor medo, Lampião enviou um bilhete chantageando a prefeitura. Nele, pedia a quantia de 400 contos de réis para não atacar o município, um valor pelo menos dez vezes superior ao que costumava exigir em ocasiões semelhantes. Na tarde de 13 de junho, feriado de Santo Antônio, ele e o bando já se encontravam nos arredores do município potiguar me como não teve resposta ao primeiro comunicado, já impaciente, bufando de raiva, manda um segundo aviso. 

Os termos do bilhete, que consta nos arquivos do jornal O Mossoroense (um dos mais antigos do país), eram muito diretos e recheados de erros de português: “Cel. Rodopho, estando eu aqui pretendo é drº (dinheiro). Já foi um a viso, ai pª (para) o Sinhoris, si por acauso rezolver mi a mandar, será a importança que aqui nos pedi. Eu envito (evito) de Entrada ahi porem não vindo esta Emportança eu entrarei, ate ahi penço qui adeus querer eu entro e vai aver muito estrago, por isto si vir o drº (dinheiro) eu não entro ahi, mas nos resposte logo”. Ele assinava “Cap. Lampião”.

O coronel Rodolfo Fernandes e seus homens disseram não a Virgulino, para surpresa do mais temido cangaceiro de todos os tempos. A cidade tinha o dinheiro, informou o prefeito. Mas Lampião teria que entrar para apanhá-lo. Às 16 horas daquele dia 13, caía uma chuvinha fina e havia uma neblina de nada sobre Mossoró. Foi quando os primeiros estampidos de bala ecoaram.
Sangue e areia 

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Lampião tinha 53 cangaceiros no seu bando. Não imaginava, porém, que iria enfrentar pelo menos 150 homens armados na defesa da cidade. O repórter Lauro da Escóssia estava lá, vendo tudo de perto. “Durante toda a noite, a detonação de armas em profusão. Parecia uma noite de São João bem festejada”, escreveu em O Mossoroense. Mas as mulheres que ficaram na cidade rezavam para outro santo junino, o Antônio festejado naquele dia.

No ataque, Lampião perdeu importantes cabras de seu bando. Colchete teve parte do crânio esfacelado por balas. E Jararaca, depois de capturado, foi praticamente enterrado vivo. Em menos de uma hora após o início da luta, o capitão do sertão ordenou então a retirada da tropa, para evitar a perda de mais homens e não manchar ainda mais sua reputação. “A partir desse momento a estrela do bando lentamente passaria a brilhar cada vez menos”, escreveu o historiador Pernambucano de Mello.

O mito do Lampião invencível caíra por terra, o que reanimou a força policial, que passou a enfrentar o rei do cangaço com menos temor. Era o começo do declínio da carreira de Virgulino. Por causa do desastre no Rio Grande do Norte, as deserções no grupo foram consideráveis. Mossoró, cidade conhecida por marcas pioneiras (como quando foi o primeiro município brasileiro a admitir o voto feminino, em 1934), passaria também à história por esse acontecimento que assombrou todo o Nordeste. Até hoje, os filhos daquela terra se orgulham do feito de braveza ao contar que seus antepassados “botaram Lampião para correr”. Os inimigos do cangaceiro, entretanto, ainda teriam que esperar mais 11 anos pela morte do capitão, assassinado somente em 1938, na chacina da gruta de Angicos, em Sergipe.

Crimes desmentidos

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Um dia depois do combate, quando o povo de Mossoró ainda temia o possível retorno de Lampião sequioso por vingança, um dos principais cangaceiros do bando, Jararaca, foi capturado se arrastando por um matagal. O que se deu a seguir foi um roteiro tragicômico, conforme a narrativa de Lauro da Escóssia, então repórter do jornal O Mossoroense. O nome do pernambucano Jararaca era José Leite de Santana. Ele tinha apenas 22 anos – nos registros policiais, contudo, aparece com 26. Mesmo com um rombo de bala no peito, conseguiu gargalhar durante uma entrevista na cadeia.

O cabra de Lampião dizia que era por causa das “lembranças divertidas do cangaço”. Entre as memórias que ouviu do preso, Escóssia descreve o dia em que Lampião teria invadido a festa de casamento de um inimigo e, com seu próprio punhal, sangrado o noivo. Já a noiva teria sido estuprada na caatinga pelos cabras do bando. Segundo o relato de Jararaca, Virgolino também ordenou que os convidados de um baile tirassem as roupas e dançassem um xaxado completamente nus.

Fato é que, na cadeia, Jararaca virou atração pública na cidade potiguar. Quando já apresentava alguma melhora do ferimento, mesmo sem ser medicado, ouviu que seria transferido para a capital, Natal. Era mentira. “Alta noite, da quinta para a sexta-feira, levaram Jararaca para o cemitério, onde já estava aberta sua cova”, relata Escóssia. Pressentindo a armação, Jararaca diz: “Sei que vou morrer. Vão ver como morre um cangaceiro!” O capitão Abdon Nunes, que comandava a polícia em Mossoró, relatou dias depois os momentos finais do capanga de Lampião: “Foi-lhe dada uma coronhada e uma punhalada mortal. O bandido deu um grande urro e caiu na cova, empurrado. Os soldados cobriram-lhe o corpo com areia”. Pelas circunstâncias da morte, o túmulo de Jararaca virou local de romaria. Até hoje as pessoas rezam e fazem promessas com pedidos ao cangaceiro executado. Na terra do Sol, Deus e o Diabo ainda andam juntos.

Vera Ferreira, neta de Lampião, vê muito folclore nesse tipo de história de crimes hediondos praticados por ou com a complacência do seu avô. Nega, a partir de suas pesquisas, que o cangaceiro tenha ordenado ou praticado estupros (ela é co-autora do livro independente De Virgolino a Lampião, que escreveu com o pesquisador Amaury Corrêa, dono de um dos maiores acervos sobre o rei do cangaço, em São Paulo). A neta do cangaceiro mantém um site oficial que contém inclusive o texto de uma longa entrevista concedida por Lampião em 1927: http://www.infonet.com. br/lampiao/

Referência: aventurasnahistoria.uol.com.br

sábado, 16 de junho de 2018

90 anos de Che Guevara o controverso revolucionário argentino, mas idolatrado em Cuba


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Argentino de nascimento, Cuba reúne um enorme rol de fãs e foram eles que comemoraram na quinta-feira os 90 anos do "insuperável soldado e revolucionário" Ernesto 'Che' Guevara (1928-1967)

A data contou com eventos em todo o país e o centro a cidade de Santa Clara, onde jazem os restos mortais do guerrilheiro cubano-argentino recebeu uma grande cerimônia no Mausoléu dedicado a ele. As comemorações começaram pela manhã com uma peregrinação do obelisco em homenagem ao herói independentista cubano Antonio Maceo até a praça do Mausoléu, na qual foi carregada uma estátua de mais de 16 metros que representa o Che com uniforme militar e com um braço em uma tipoia.

O túmulo de Che e de seus companheiros de luta em Santa Clara foi visitado por mais de 4,5 milhões de pessoas desde que seus restos mortais chegaram ao país em 1997, e serviu de sede central em outubro para a celebração nacional dos 50 anos da morte do guerrilheiro.

Trajetória
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De criança asmática e semi-moribunda a um dos principais líderes da Revolução Cubana. Leitor insaciável de Goëthe e Baudelaire, mas também atleta, inventor e médico oncologista pesquisador de plantas amazônicas. Mais do que el Comandante, o argentino Che Guevara construiu em seus parcos 39 anos de vida uma trajetória meteórica, num jogo de espelhos fascinante entre seus vários personagens. A exposição Le Che à Paris, em cartaz na Prefeitura de Paris, recupera sua estreita ligação com a capital francesa.

E na histórica capital francesa, ele cumpria um ritual específico: descer a pé a longa avenida de Champs Elysées até o Museu do Louvre para passar longas horas em frente ao quadro “A Nau dos Loucos”, de Jérôme Bosch. O motivo dessa excursão simbólica de Ernesto Che Guevara, quando em Paris, remonta a um ancestral do poeta revolucionário. Felipe Guevara, nobre de Flandres, defendeu [com sucesso] o célebre pintor do século 15 das acusações de “satanista” por parte da Inquisição.

Personagem controverso
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Um dos maiores críticos de Che, Humberto Fontova publicou o livro “O Verdadeiro Che Guevara” que, apesar declarar estar alicerçado em um levantamento de fatos históricos e testemunhas diretas do período revolucionário, ele é tão veementemente anti Che Guevara que o seu livro perde grande parte da credibilidade. Ao lutar tão ferozmente para desmistificar a imagem de um dos ícones políticos mais controversos do século XX, ele se perde em misto de raiva e até mesmo falta de educação ao estampar como sub título “e os idiotas úteis que o idolatram”. Faz lembrar inclusive as palavras carregadas de fel com as quais o jornalista de ultra direita Aloísio Nunes se refere a um certo ex-presidente do Brasil.

Fazendo um contra ponto com a narrativa de Fontova, um crítico escreveu: “Mas qual o interesse dos cérebros reaças de enlamear Che Guevara? Será que é porque não tem nenhum ídolo do lado de lá para servir de modelo aos jovens a não ser torturadores, generais ditadores e exploradores da miséria do mundo?”

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Como é da nossa linha, o Artecultural não emite juízo de valor. Deixamos as informações para análise e reflexão dos nos acompanham.


domingo, 10 de junho de 2018

“Amor sem Fronteiras” | Quinze anos de um filme que poderia ter marcado época


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Em um raro momento em que a indústria cinematográfica americana se esforçou tanto para retratar um tipo de tragédia social além-fronteiras dos EUA, “Amor sem Fronteiras” merece ser revisto mesmo quando o longa despenca para o romance água com açúcar

Logo no início de Amor Sem Fronteiras, o médico Nick Callahan, interpretado por Clive Owen, invade uma festa beneficente com o objetivo de protestar contra a hipocrisia de seu organizador, que havia cancelado, por motivos políticos, a verba destinada à ajuda humanitária na Etiópia. 


O forte discurso de Callahan provoca um impacto visível na socialite Sarah Jordan (Angelina Jolie), que decide doar 40 mil libras em alimentos para o acampamento chefiado pelo médico – os quais ela resolve entregar pessoalmente, partindo para a África sob os moderados protestos do marido. Lá, Sarah se depara com uma realidade desesperadora e conhece a tragédia da fome, que transforma seres humanos em esqueletos semi-vivos atormentados pela dor constante – e a aparência assustadora de uma criança à beira da morte (numa recriação da premiada fotografia tirada no Sudão por Kevin Carter, em 1993) demonstra a coragem da produção em chocar o espectador com imagens que, mesmo verdadeiras, parecem ter saído de um filme de terror. 

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Poucas vezes, aliás, um projeto hollywoodiano se esforçou tanto para retratar este tipo de tragédia social (provocada ou complicada por problemas políticos e/ou climáticos) com esta riqueza de detalhes – e, por isto, o roteirista estreante Caspian Tredwell-Owen foi, no mínimo, corajosa. Pena que resvalou para a pieguice quanto tira o foco da dura realidade e passa a mostrar um inverossímil romance entre Nick e Sarah.

Com essa virada da câmara, Amor Sem Fronteiras desperdiça a chance de se tornar um projeto relevante. Em alguns momentos, o filme parece disposto a discutir temas importantes, como a dificuldade em se levar ajuda a países cujos sistemas de governo desagradam aos Estados Unidos e os dilemas éticos vividos pelos voluntários das ONGs, que devem se abster de qualquer envolvimento com a política local (por mais revoltante que esta seja) para que não haja um comprometimento de seus trabalhos assistenciais – mas o roteiro logo descarta estes temas e retorna ao lado piegas do longa. 


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Depois de atuar nesta produção, Angelina Jolie decidiu adotar uma criança cambojana e se tornou Embaixadora da Boa Vontade da ONU – num claro indício de que suas experiências nas diversas locações utilizadas pelo projeto a afetaram sensivelmente. É lamentável, portanto, que o filme em si seja tão fútil, já que seus bastidores parecem ter representado uma forte experiência para todos os envolvidos.

Nesse contexto, fica empanado o brilho cênico do bom ator Owen, assim como as locações bem escolhidas pelo diretor de fotografia Phil Meheux. Quanto a Jolie, que depois desse filme se aproximou do altruísmo -, a atriz poderia esquecer essa atuação.

Após "Amor Sem Fronteiras" (2003), Angelina Jolie adotou seu primeiro filho, Maddox, durante as filmagens no Camboja. A atriz chegou a afirmar que o filme que ela gostaria de mostrar para ele, quando o menino tivesse idade suficiente para entendê-lo.

terça-feira, 5 de junho de 2018

2018 MARCA OS 83 ANOS DO “LEBENSBORN”, O INSANO PROGRAMA NAZISTA DE REPRODUÇÃO HUMANA


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Em mais uma aberração nazista, “As crianças de Hitler” tentou criar gente 'ariana' com o programa 'Lebensborn' que, entre outras atrocidades, arrancou crianças dos braços de seus pais para encontrar os genes 'desejáveis'

Algumas histórias que estão nos escritos históricos, de tão loucas e inadmissíveis parecem ficção fruto do imaginário dos escritores, mas chega a ser aterrorizante saber das atrocidades que certos seres humanos são capazes de cometer. E a realidade nesse caso, é mais cruel do que podemos imaginar.

Durante a Alemanha nazista, sob o controle da SS (organização militar nazista) e do de Heinrich Himmler, foi criado um programa secreto chamado ‘Lebensborn’, “fonte de vida” em alemão. 


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Em um arroubo de loucura que só poderia sair da mente doentia dele, surgiu o rumor sobre a intenção de Adolf Hitler de criar uma raça perfeita finalmente se tornava um fato; estava convencido de que apenas os arianos puros deveriam ser os governantes do mundo. Deste modo, adaptou um laboratório SS para realizar os experimentos com a nova geração pertencente à elite nazista.

O ‘Lebensborn’ era um programa contrário ao Holocausto, pois aqui o objetivo principal era, a todo custo, preservar a pureza da raça ariana, independentemente dos meios para alcançá-lo.

Como a narrativa é bastante longa, resumimos abaixo os pontos principais do programa com seus dados mais relevantes, evidenciando outra faceta cruel da era nazista.

Gestação 


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A entrada de mulheres grávidas no programa foi condicionada a características raciais rígidas e específicas: deviam ter fundamentalmente olhos azuis, cabelos loiros, pele branca e alta estatura. Também foi necessário verificar a identidade do pai (da mesma fisionomia) e verificar que não apresentavam problemas genéticos.

Himmler encorajou a procriação de seus oficiais da SS com mulheres qualificadas para o programa, buscando o nascimento de crianças arianas mais puras.

Expansão de Lebensborn
Devido à escassez de crianças classificadas como arianas puras na Alemanha, o regime nazista ampliou o programa Lebensborn aos países ocupados no norte e oeste da Europa, principalmente na Polônia e na Noruega.

Os vikings
A origem da raça ariana se deu na Noruega. Os antigos vikings eram considerados progenitores da “raça perfeita”. Himmler afirmou que os escandinavos possuíam a aparência física ideal da raça ariana, bem como o sangue mais puro. Eles criaram clínicas exclusivas para o nascimento de bebês de mães norueguesas e militares alemãs.

Finalmente, quando a guerra terminou, essas “crianças de Hitler” tiveram que suportar atos discriminatórios, já que foram consideradas “filhos do inimigo”.

Crianças raptadas
Milhares de crianças que apresentavam características de um ariano puro foram sequestradas de seus lares com o objetivo de serem enviadas para a Alemanha e criadas por famílias nazistas. Em abrigos especiais, receberam nomes alemães, aprenderam a língua, a cultura, os costumes e foram induzidos a ideologia nazista.

Extermínio de “impuros”
As crianças sequestradas que não cumpriram as condições de pureza foram levadas a campos de concentração e, em seguida, exterminadas, impedindo, assim, a propagação de seus “genes impuros”.

Sem identidade
Entre os anos 1936 e 1945, as clínicas alemãs produziram cerca de 8 mil nascimentos. Por se tratar de um programa secreto, muitas dessas pessoas não foram oficialmente registradas, nunca conheceram sua origem, nem sua identidade, muito menos a de seus pais.

Retorno dos raptados
Após o fim da guerra, em 1947, as crianças sequestradas pela SS foram procuradas e questionadas se deveriam ou não retornar para suas famílias. A maioria deles já se consideravam alemães, porém não se lembravam do passado e temiam ser separados de suas famílias adotivas. Apenas 3% retornaram aos seus países de origem.

Germanização
Estima-se que existiram dez clínicas Lebensborn na Alemanha e nos países ocupados, e cerca de 25 mil crianças foram sequestradas e levadas para a Alemanha para “germanização”.

Fim do programa
Não se sabe quantas crianças foram sequestradas. Ao perceberem que iriam perder, os nazistas trataram de queimar os arquivos.

Estimativas feitas pelo governo polonês sugerem que 10 mil crianças foram tomadas e menos de 15% devolvidas a suas famílias biológicas. Já estimativas feitas pelo historiador australiano Dirk Moses sugerem que esse número é o dobro. A maioria dessas crianças não teve a (duvidosa) sorte de Matko em descobrir seu passado.

Quanto às mulheres que participaram do programa, foram escorraçadas pela sociedade. Tinham o cabelo raspado, as roupas rasgadas, foram espancadas e desfiladas pela cidade - por uma população que, dias antes, ainda jurava fidelidade ao Fuhrer. Certamente alguns deles ainda cuidando de crianças tomadas de longe. 


Referência: http://www.editoracontexto.com.br/



domingo, 3 de junho de 2018

Cruz das Almas BA | São João 2018 só com atrações ligadas ao forró


Na contramão da maioria dos municípios da Bahia que promovem festejos juninos, Cruz das Almas repete 2017 e só tem forró autêntico no seu tradicional São João

No afã de agradar gregos e troianos, até festejos com décadas de história como Caruaru PE e Campina Grande PB, há muito já abandonaram as tradições e passaram a incluir na grade de atrações nomes do sertanejo, do axé e até o arrocha. Uma grande parte da população se indigna, mas outra parcela gosta dessa diversidade, ainda que isso descaracterize o autêntico festejo junino que homenageia os santos Antonio, João e Pedro.

Mas um município da Bahia resolveu desde o ano passado que o seu afamado São João teria apenas atrações ligadas ao forró de verdade. O prefeito da cidade já anunciou a sua decisão de contratação exclusiva de bandas e artistas de Forró para os festejos juninos de Cruz das Almas, um dos mais tradicionais do estado.

De acordo com o prefeito, a proposta visa resgatar a tradição do São João, que sempre foi marcada pelos passos do forró, mas que ultimamente vem sendo cooptada por artistas de outros ritmos, principalmente axé, arrocha e sertanejo. A medida logo virou polêmica nas redes sociais.

Enquete publicada na página do São João da Bahia, questionou internautas sobre a validade da medida e advinha o resultado? Sim! A maioria concorda que o São João em Cruz das Almas deve ter somente bandas/artistas de Forró Resultado positivo também para enquete lançada pelo prefeito no Facebook.

Trabalho de 10 artistas é atração de nova exposição do Museu de Arte da Bahia - MAB


Resultado de imagem para museu de arte da bahia - Arte de Passagem.
Com programação multi artística que reúne bate-papos poéticos, pinturas, esculturas e outras expressões artísticas contemporâneas, MAB recebe visitantes desde o sábado 02.06

Um programa diferente onde você pode ir ao museu conhecer o trabalho de dez artistas contemporâneos e depois pegar uma van para circular por seus ateliês com direito a muitos bate-papos. Tudo isso sem precisar levar nada – nem dinheiro – além da vontade de ouvir e participar. É a partir dessa experiência que a arte itinerante e a interatividade tomam o Museu de Arte da Bahia desde o último sábado (02), através da exposição intitulada de Arte de Passagem.

Na mostra, os artistas expõem trabalhos que tratam de temas relevantes para a sociedade, como intolerância à escolha sexual e/ou preconceitos diante de certos tipos de arte. As exibições contam com pinturas, esculturas e outras expressões artísticas, que são marcadas pela interação entre artistas e público. 

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Com papos intimistas, os criadores prometem abrir os corações, das 13h às 19h, e contar sobre os processos criativos de cada obra presente. Para os encontros, que acontecem apenas aos sábados, uma van sai do MAB para circular pelos espaços, que ficam nos bairros do Rio Vermelho, Barra, Centro e Calçada.

"Ao receber em seus ateliês, o Coletivo Arte de Passagem borra as fronteiras do pensar e fazer artístico, constituindo-se em um exercício contemporâneo que dialoga com práticas inclusivas e acolhedoras, contrapondo-se dialeticamente a um manto de intolerância e ódio que ameaça tomar o país", analisa Pedro Arcanjo, diretor do MAB. 

A exposição coletiva é composta apenas por obras de artistas visuais da capital baiana. Entre eles, estão nomes como: Willyams Martins, Ana Paula Pessoa, Beth Souza, Daniela Steele e Sandro Pimentel. “É uma temporada que serve como metáfora para falar de subjetividades e sobre como elas produzem células estéticas”, explica Willyams Martins, um dos expositores.

O Museu



Fundado em 1918, o Museu de Arte da Bahia é considerado o mais antigo museu da cidade e destaca pinturas de mestres da arte sacra baiana, datadas dos séculos 18 e 19, como José Joaquim da Rocha e seu discípulo, José Theófilo.

Em seu acervo estão peças de porcelanas europeias e orientais, joias, moedas, fotografias, manuscritos e prataria. O Governo do Estado da Bahia incentivou uma campanha de popularização e simplificação dos nomes de peças antigas, para facilitar a compreensão dos visitantes. O local passou a oferecer também apresentações de música, teatro e poesia para atrair um público diversificado.

Serviço:

MAB (Corredor da Vitória).
De terça a domingo, das 13h às 19h. até 7/7.
Itinerâncias com van gratuita: todos os sábados.

Referência: Ibahia.com

sábado, 26 de maio de 2018

Drácula | De Vlad Empalador guerreiro ao Conde Drácula vampiro


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Vlad Drácula era um inimigo implacável, que no século 15 deteve o avanço do Império Otomano e envergava com orgulho uma alcunha hoje mundialmente famosa: Drácula

Ele era Vlad III da Valáquia, embora seus conterrâneos e inimigos tenham usado também o sinistro apelido de Tepes, "o Empalador", em romeno. Por uma série de acasos literários, esse príncipe virou sinônimo de vampiro sem ter nenhuma ligação com as criaturas da noite, mas o verdadeiro caráter do Empalador é quase tão misterioso quanto os desses seres: herói nacional, tirano sanguinário ou uma mistura improvável das duas coisas?

Personagem real x fictício
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Muitos mitos giram em torno de Conde Drácula. A maioria deles, falsos. Pra começar: ele não era um vampiro. Segundo, ele não morava na Transilvânia, mas sim em outra região da Romênia. Especificamente, no pequeno vilarejo de Arefu, no condado de Curtea de Arges, a cerca de 180 km da capital romena. Foi onde nasceu o príncipe Vlad III Dracul, que era na verdade um conde, mas fazia papel de príncipe.

Na época (século 15), Conde Vlad Dracul defendeu seu reino contra ataques do Império Otomano. Ele era governador da Valáquia, uma província no sul da Romênia. Ele matou milhares de inimigos de forma cruel, e ganhou uma reputação sombria. Apesar de ter resistido bravamente a invasão turca na Europa, ele foi derrotado pelos otomanos.

Contudo, em vez de se alimentar de sangue humano, Conde Vlad Dracul gostava mesmo era de empalar seus adversários. Para aqueles que se lembrar o que é o empalamento, vale lembrar que é uma técnica de tortura na qual pega-se uma estaca de madeira, de mais ou menos uns três metros, e a introduz em posição vertical no ânus do seu inimigo; ele eventualmente desliza estaca abaixo com o decorrer das horas, rompendo órgãos, sangrando, gritando de dor e, quase sempre, morrendo. Muitos inimigos sucumbiram desta forma nas mãos de Vlad, inclusive quem se voltou contra a corte. A fama era tão grande que o conde ficou conhecido como Vlad, O Empalador.

De Conde a Vampiro
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A cruel fama do conde inspirou o escritor irlandês Bram Stoker a escrever o conto "Drácula", publicado originalmente em 1897. Com isso, mais de quatro séculos após sua morte, Vlad O Empalador virou celebridade, graças ao seu alterego literário, o vampiro Conde Drácula.

Foi também Bram Stoker que tornou famoso o Castelo de Bran, na Transilvânia, associando o local ao Drácula. A fortaleza, construída em 1211, era parecida com a descrição do castelo do vampiro de Stoker, e foi interpretada como a real (ex)moradia de Drácula. Cerca de 700 mil turistas visitam o local todos os anos.

Ninguém sabe se Vlad chegou a conhecer o castelo de verdade, mas alguns especialistas garantem que O Empalador tenha ficado pelo menos por 10 dias como prisioneiro do rei da Hungria nos aposentos do recinto.

Sucesso nas telonas
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Embora tenha feito sucesso considerável como livro, a história do conde só atingiu mesmo o estrelato quando chegou ao cinema. A primeira encarnação de respeito do vampiro na tela grande veio com Nosferatu (1922), obra-prima do expressionismo alemão. O ator húngaro Bela Lugosi, por muitos considerado o melhor de todos os intérpretes vampirescos, fez a primeira versão hollywoodiana com Dracula (1931). A imagem do conde sensual e sedutor deu as caras pela primeira vez com um novo Dracula (1958), que consagrou o britânico Christopher Lee.

Nos anos 90, Francis Ford Coppola lançou seu estiloso e romântico Dracula de Bram Stoker, com Gary Oldman no papel-título e, pela primeira vez, referências explícitas ao Vlad Tepes histórico. Finalmente, não dá para deixar de citar a sátira Drácula: Morto, Mas Feliz, com Leslie Nielsen, de Corra que a Polícia Vem Aí. Em Hotel Transylvania, 2012, o vampiro ganhou uma versão mais simpática. 


A animação, mostra os conflitos e as relações pessoais do Conde Dracula dublado pelo ator Adam Sandler, com a sua filha Mavis dublada pela atriz Selena Gomez. Em 2014, Drácula: A História Nunca Contada, misturou história e ficção ao retratar um Vlad Dracula do século 15 que se transforma em vampiro para enfrentar os otomanos - e salvar toda a Europa de sua invasão.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Herói da resistência na defesa da música de qualidade, Timbaúba segue como um dom Quixote Nordestino


Sem abrir mão das suas raízes nordestinas e sertanejas, Timbaúba toca a sua carreira que conta com um acervo respeitável, com vários discos gravados e participação em vários festivais

Pernambucano nascido na cidade de Timbaúba(PE), Ubirandi Tavares de Albuquerque chegou na Bahia de junho de 1972 para tomar posse no Banco do Brasil S.A. na agencia de Mundo Novo(BA). Pouco tempo depois também tomava posse na mesma agencia Marcelo Melo, ex cantor e guitarrista de bandas de baile (Trogloditas e Leopardos) de Feira de Santana. 




Hospedados no mesmo hotel e trabalhando no mesmo banco sempre estavam ligados a música tocando juntos na AABB e casas de colegas do banco. Logo fundaram uma banda de nome Quarta Dimensão que depois tornou-se Fourth Dimension, sugestão dada pelo baixista da banda, Wilson Semanal. Transferidos depois para Feira de Santana Ubirandi e Marcelo continuaram tocando juntos e gravaram em 1979 o primeiro LP de musica popular gravado na cidade. Titulo disco - UM - Ubirandi e Marcelo, sugestão de Giberval Melo, irmão de Marcelo, também compositor, cantor e pintor o qual fez a capa do disco. 



Dois anos depois, seguindo carreira solo, Timbaúba gravou seu primeiro LP intitulado SONHOS & CRISTAIS. Participou de vários festivais no Rio de Janeiro, São Paulo, Londrina, Brasília, Fortaleza e Feira de Santana onde conquistou alguns prêmios como melhor letrista, melhor intérprete e melhor música.

Gravou 03 (discos de vinil (Sonhos & Cristais, Caminhos do Litoral e Desafio Soberano) e 04 CDs (Punhal de Desejo, Retinas, Rede na Varanda e O Forró já Começou). Participou do Projeto Banco de Talentos produzido pela Febraban em todas as suas edições de 1998 a 2009.( todos a partir do ano 2000 com CDs e DVDs gravados com os finalistas.

Participou do CD Forró da Lua - volume dois, produzido pela Produtora Baiana Perto da Selva e do CD Bahia de Todos os Forrós juntamente com outros nove artistas baianos. Tem convidados especiais como Xangai, Dércio Marques, Tonton Flores e Carlinhos Marques nos discos que gravou. 




Tem músicas gravadas pelo Trio Elétrico Novos Bárbaros e Banda Gente Brasileira de Salvador, Hugo Luna de Seabra, Gilton Della Cella de Ubaíra, Cristina Amaral de Recife, Pádua de Goiás, Zezé Mota do Rio de Janeiro, Roberto Barbosa de Maceió, Chico de Pombal de João Pessoa, Geraldo Cardoso de Maceió(AL), Kelvin Diniz de Capim Grosso(BA), Ednaldo Santana do Vale do Jequiricá, Duda Carvalho, Neném do Acordeon, Cescé Amorim, Pheka Jerusalém e Rá Nascimento de Feira de Santana, entre outros.

Tem se apresentado com destaque em várias cidades da Bahia e outros estados durante os festejos juninos, exposições agropecuárias, vaquejadas, barzinhos, e outras festas populares.


terça-feira, 22 de maio de 2018

Os Bambas do Nordeste: décadas de sucesso sem abrir mão das suas raízes!


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Formada por adeptos do Forró Pé de Serra e fiel a Cultura Nordestina, Os Bambas do Nordeste se reescreve, mostrando alegria e boa música por onde passa

Decano da arte de tocar sanfona, André Galdino dos Santos, popularmente conhecido como Baio do Acordeon, se tornou uma lenda após ser descoberto por Luiz Gonzaga em Feira de Santana – BA e ser presenteado com uma das suas famosas Sanfonas Brancas. 


A imagem pode conter: 1 pessoa, tocando um instrumento musical

Na década de 60, Baio convidado por amigos para assistir uma apresentação do Rei do Baião no Campo do Gado em Feira de Santana, leva consigo uma sanfona, aproveitando o momento acompanha o Rei tocando seu fole. Luiz reconhecendo nele o talento de poucos lhe presenteia com uma Sanfona Scandalli Branca de 80 baixos, e assim, Baio passa a ser integrante da turnê.

Para quem não sabe, Gonzagão distribuiu mais de 200 sanfonas ao longo da sua longeva carreira. Sempre que ele chegava em uma localidade e percebia que um tocador talentoso usava um instrumento ruim, ele doava uma sanfona nova em folha.

Parceria com Jacinto Limeira
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Após ter o reconhecimento de Luiz Gonzaga, Baio do Acordeon foi convidado pelo compositor, instrumentista e cantor Jacinto Limeira para tocarem sob supervisão do Diretor Artístico da Gravadora CBS, formando assim o grupo Os Bambas do Nordeste que tinha em sua formação Baio (Acordeon), Binha (Triângulo) e Jorge (Zabumba). Dessa união com o Cantor Trombonista, - como era conhecido Jacinto Limeira, - foram duas décadas de amizade, 09 discos gravados e muitos arranjos utilizados em grandes canções.

Durante 06 anos, Baio foi sanfoneiro de um projeto que rendeu vários discos que reunia renomados artistas, denominado Caravana Pau de Sêbo, da “Gravadora CBS” que era composta na época por Abdias e sua Sanfona de Oito Baixos; Os 3 do Nordeste, Jacinto Limeira, Benedito Nunes, Marinês e sua Gente, Elino Julião, Messias Holanda, Edson Duarte, Marlene Vidal, Coronel Ludugero, Gennaro, Trio Nordestino e Jackson do Pandeiro, dentre outros.

Versão Século XXI
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Adepta do Forró Pé de Serra e fiel a cultura nordestina a banda de sucesso se reescreve, tendo hoje em sua composição principal Baio (Acordeon), Mattheus (Triângulo e Voz) e Vivaldo (Zabumba e Voz) deixando alegria por onde passa com seu jeito simples e encantando a todos, sempre que são requisitados, notadamente na Região de Feira de Santana e cidades circunvizinhas.

O sonho excêntrico de um bilionário que transportou um mosteiro para os EUA


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Com um surto de megalomania, o multibilionário William Hearst, que serviu de inspiração para o filme Cidadão Kane, transferiu construções de 800 anos da Espanha para a América

Séculos de história. No ano de 1141 os operários terminaram as obras do Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de La Real em Sacramenia, Segóvia – Espanha. Em 1925 os americanos chegaram e descobriram o mosteiro que há mais de cem anos vinha sendo usado como celeiro. William Randolph Hearst o comprou e decidiu levá-lo a Nova York como uma pitoresca recordação.

Devido a um foco de febre aftosa em Segóvia e aos problemas financeiros do comprador, o mosteiro ficou guardado em caixas até 1952, ano em que Raymond Moss e William Edgemon começaram a reconstruí-lo pedra por pedra ao norte de Miami. Possivelmente muitas dessas pedras devem ter sobrado ao voltar a montar esse quebra-cabeças gigante. 


A história do Ancient Spanish Monastery
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O Mosteiro de São Bernardo de Clairvaux foi chamado originalmente de O Mosteiro de Nossa Senhora, Rainha dos Anjos”. Mas depois foi renomeado em homenagem a canonização de Bernard de Clairvaux. Monges ocuparam o mosteiro por quase 700 anos. Mas em 1925 William Randolph comprou os claustros e as dependências do local. Tudo foi desmantelado e enviado em mais de 11 mil caixas de madeira para os Estados Unidos. 

Mas logo após chegar, problemas financeiros forçaram a vender a coleção para um leilão. As caixas ficaram por 26 anos em um armazém em Brooklyn. Um ano depois da morte de Randolph, dois empresários compraram como atração turística e investiram o equivalente a US$ 20 milhões de dólares para colocar o mosteiro de volta.

Em 1964 um coronel multimilionário, chamado Robert Pentland Jr, comprou os claustros, os apresentou ao bispo da Flórida e hoje a igreja paroquial de São Bernardo de Clairvaux é uma congregação ativa nos Estados Unidos. É realmente uma história e tanto.


Resumo
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Isso é um resumo da história do Antigo Mosteiro Espanhol de Miami, um dos prédios mais antigos do hemisfério oeste. Na visita podemos conhecer o claustro, a igreja St. Bernard de Clairvaux e os jardins. Pouco mais de meia hora é suficiente para percorrer estes lugares. O mais interessante é poder ver um mosteiro tipicamente espanhol, rodeado por uma exuberante selva tropical, parecendo o cenário de algum filme.

A entrada ao complexo custa 8 dólares para adultos e 4 dólares para crianças, um preço razoável, afinal nem todos os dias temos a oportunidade de ver um mosteiro espanhol em terras norte-americanas. Uma visita recomendada para quem está em Miami e quer algo mais além de compras e praia.

Endereço:
16711 West Dixie Highway
North Miami Beach, FL 33160

domingo, 20 de maio de 2018

Uma lenda antarctico anglo-irlandesa, o explorador Shackleton destacou-se por liderar a expedição "Endurance”


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Ele foi um dos mais importantes exploradores da Antártica do chamado período heroico. Ernest Shackleton liderou três expedições que entraram para a história

Numa delas, cujo objetivo era atravessar o polo Sul a pé, seu navio, o Endurance, acabou preso no gelo no mar de Weddel. Era julho de 1915. O navio foi esmagado pela pressão.

Ernest Henry Shackleton nasceu em 15 de fevereiro de 1874 em County Kildare, na Irlanda. Seu pai era médico. A família mudou-se para Londres, onde Shackleton foi educado. Rejeitando o desejo de seu pai de que ele se tornasse um médico, ele se juntou à marinha mercante quando tinha 16 anos e se qualificou como um mestre em 1898. Ele viajou muito, mas estava ansioso para explorar os polos.

Em 1901, Shackleton foi escolhido para participar da expedição antártica liderada pelo oficial da marinha britânica Robert Falcon Scott no navio Discovery. Com Scott e mais um explorador, Shackleton viajou em direção ao Polo Sul em condições extremamente difíceis, aproximando-se mais do Polo do que qualquer um antes. Shackleton ficou gravemente doente e teve que voltar para casa, mas ganhou uma valiosa experiência.

De volta à Grã-Bretanha, Shackleton passou algum tempo como jornalista e foi então eleito secretário da Royal Geographical Society escocesa. Em 1906, ele defendeu sem sucesso o parlamento em Dundee. Em 1908, ele retornou à Antártida como o líder de sua própria expedição, no navio 'Nimrod'. Durante a expedição, sua equipe escalou o Monte Erebus, fez muitas descobertas científicas importantes e estabeleceu um recorde ao se aproximar ainda mais do Polo Sul do que antes. Ele foi condecorado em seu retorno à Grã-Bretanha.

Uma terceira aventura
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Em 1911, o explorador norueguês Roald Amundsen chegou ao Polo Sul, seguido por Scott, que morreu na viagem de volta. Em 1914, Shackleton fez sua terceira viagem à Antártida com o navio 'Endurance', planejando cruzar a Antártida através do Polo Sul. No início de 1915, o Endurance ficou preso no gelo e, dez meses depois, afundou. 


A tripulação de Shackleton já havia abandonado o navio para viver no gelo flutuante. Em abril de 1916, eles partiram em três pequenos barcos, chegando à Ilha Elefante. Levando cinco membros da tripulação, Shackleton foi procurar ajuda. Em um pequeno barco, os seis homens passaram 16 dias cruzando 1.300 km do oceano para chegar à Geórgia do Sul e, em seguida, atravessaram a ilha em direção a uma estação baleeira. Os homens restantes do 'Endurance' foram resgatados em agosto de 1916. Nenhum membro da expedição morreu. 'South', relato de Shackleton da expedição 'Endurance', foi publicado em 1919.

A quarta expedição de Shackleton tinha o objetivo de circunavegar o continente antártico, mas em 5 de janeiro de 1922, Shackleton morreu de um ataque cardíaco ao largo da Geórgia do Sul, sendo enterrado na ilha.


Referência: www.bbc.co.uk/history/historic

A Passagem do Noroeste, grande sonho dos marinheiros, pode se tornar viável ainda no século XXI


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Um grande sonho dos marinheiros pode se tornar viável graças aos efeitos do aquecimento global: tornar navegável a Passagem do Noroeste, uma via que liga o oceano Atlântico ao Pacífico, no topo da América do Norte
Essa passagem cercada de mistérios e de medo poderá tornar-se uma via marítima navegável ainda neste século. Isso reduziria em 11 mil quilômetros a rota Europa—Ásia pelo canal do Panamá e em 19 mil quilômetros a viagem contornando o cabo Horn, no caso dos superpetroleiros que não conseguem passar pelo canal devido ao seu tamanho gigantesco.

Já se idealizava essa passagem há mais de 500 anos. As primeiras tentativas de encontrar um caminho marítimo pelo norte foram feitas logo depois que Cristóvão Colombo descobriu a América. Em 1497 o Rei Henrique VII, da Inglaterra, incumbiu John Cabot de encontrar uma rota marítima para o Oriente. Assim como Colombo, Cabot partiu da Europa em direção ao oeste, mas rumou mais para o norte. Quando desembarcou, possivelmente em Terra Nova, na América do Norte, Cabot tinha certeza de que havia chegado à Ásia. Embora mais tarde se entendesse que havia um inteiro Novo Mundo entre a Europa e a Ásia, a ideia de uma passagem norte para o Oriente não foi esquecida. Será que essa nova terra poderia ser circunavegada ao norte?

Barreira congelada
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Teoricamente, encontrar e cruzar a passagem do noroeste talvez tenha parecido algo simples. Mas na prática, as condições inóspitas do Ártico tornavam o empreendimento muito mais difícil do que se poderia imaginar na época. O gelo era o maior obstáculo. “Ele se movia, flutuava e se rompia, permitindo a passagem de navios, depois se fechava, aprisionando ou esmagando navios e tripulações”, escreve James P. Delgado no seu livro Across the Top of the World (Atravessando o Topo do Mundo).

Sir Martin Frobisher, que chefiou a primeira expedição ao norte do continente americano em busca da passagem do noroeste pelo Ártico, se deparou com gelo. Uma frota composta de dois navios e um barco partiu de Londres em 1576. Frobisher também encontrou os inuits, povo nativo do Ártico. Ao avistá-los, achou que eram focas ou peixes, “mas, quando se aproximou, viu que eram homens em pequenos barcos feitos de couro”, conta um livro sobre a viagem de Frobisher. Ao todo, ele fez três viagens ao Ártico, mas nenhuma delas levou ao estabelecimento da passagem do noroeste. Porém Frobisher teve a felicidade de voltar para casa são e salvo de todas as suas expedições ao Ártico. O mesmo não aconteceu com outros exploradores que foram à procura da lendária passagem. Muitos não resistiram ao gelo, ao frio e à falta de alimento fresco no Ártico. Ainda assim, nos anos após as expedições de Frobisher, dezenas de navios e milhares de homens seguiram rumo ao norte, tentando abrir caminho pelo gelo.

Os mistérios que cercam a aventura de Franklin
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No século 19, a Marinha Britânica organizou diversas expedições grandes em busca da passagem do noroeste. Uma delas resultou no maior desastre da história das viagens ao Ártico. Sir John Franklin, experiente explorador do Ártico, foi escolhido para chefiar a expedição. Instalaram-se motores a vapor em dois grandes navios. Os tripulantes eram os homens mais qualificados da marinha, e as embarcações foram abastecidas com provisões para três anos. Além disso, deu-se bastante atenção ao bem-estar emocional da tripulação. Por exemplo, os navios foram equipados com extensas bibliotecas e havia até realejos. Certo oficial que fazia parte da expedição escreveu: “Temos aqui praticamente tudo que vamos precisar. Estou certo de que, se pudesse ir a Londres por uma hora ou duas, não iria querer nada que já não tenhamos aqui.” A expedição partiu da Inglaterra em maio de 1845 e chegou à baía de Baffin em julho.

Passou-se um ano. E mais outro. Por fim se passaram até mesmo os três anos previstos para a pior das hipóteses, mas não se tinha notícias da expedição de Franklin. O desaparecimento misterioso dos dois navios e suas tripulações provocou um súbito aumento das viagens ao Ártico. Dezenas de expedições ajudaram a esclarecer não somente o que teria acontecido com a expedição de Franklin, mas também o mistério da passagem do noroeste.

O capitão Robert McClure foi o comandante de um dos dois navios enviados para ir em busca de Franklin. Partindo de Londres em 1850, os navios se aproximaram da costa norte da América pelo Pacífico, atravessando o estreito de Bering. Determinado, McClure deixou um navio para trás e foi em direção ao oceano Ártico. Logo estava navegando em águas onde nenhum europeu estivera antes. Assumindo muitos riscos, ele finalmente chegou à costa da Ilha Banks. Emocionado, constatou que a ilha era a mesma que Edward Parry avistara anos antes quando procurava a passagem do noroeste a partir do leste. Se conseguisse navegar até o outro lado da ilha, McClure completaria a travessia da passagem do noroeste!

Mas o navio ficou retido no gelo. Dois anos depois, McClure e seus homens ainda estavam presos no gelo. Quando parecia não haver mais esperança, avistaram no horizonte homens vindo em direção ao navio. Parecia um milagre. Henry Kellett, capitão de outra expedição, havia encontrado uma mensagem deixada por McClure na ilha Melville e conseguiu enviar resgate. Os homens de McClure, que a essa altura estavam semimortos, foram levados ao navio de Kellet, no qual voltaram para casa pela rota leste. Kellett havia alcançado a costa norte da América pelo Atlântico! McClure “foi assim o primeiro a atravessar a passagem do noroeste, muito embora tenha coberto o trajeto em mais de um navio e parcialmente a pé”, diz The New Encyclopedia Britannica.

Mas o que aconteceu com a expedição de Franklin? Há diversas pistas sobre os eventos que ocorreram após 1845. Os dois navios da expedição ficaram presos no gelo, no estreito de Victoria. Quando já fazia um ano e meio que estavam retidos, vários homens, incluindo o próprio Franklin, estavam mortos. Os demais decidiram abandonar os navios e caminhar em direção ao sul, mas estavam fracos e morreram no caminho. Ninguém da tripulação sobreviveu. Ainda há muita especulação sobre o que realmente aconteceu. Sugeriu-se até que o envenenamento por chumbo, causado pelo consumo de enlatados, tenha sido responsável pela morte rápida dos homens.

Primeira tentativa bem-sucedida
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Embora a existência da passagem do noroeste já tivesse sido comprovada, a travessia por essa via marítima só se tornou realidade no século 20. O jovem Roald Amundsen chefiou o grupo de sete noruegueses que fizeram a viagem. Eles usaram um pequeno barco de pesca chamado Gjøa, totalmente diferente dos imponentes navios de guerra britânicos. A pequena embarcação de calado raso revelou ser o meio de transporte ideal no oceano Ártico, com suas muitas passagens estreitas, rochas e bancos de areia. Em 16 de junho de 1903, Amundsen e sua tripulação começaram a longa viagem a partir de Oslo rumo ao Ártico (no extremo norte da América no Norte) seguindo a rota leste. Mais de dois anos depois, em 27 de agosto de 1905, a tripulação a bordo do Gjøa avistou um baleeiro que tinha vindo do oceano Ártico pela rota oeste, passando pelo estreito de Bering. Amundsen escreveu a respeito desse encontro: “Conseguimos atravessar a passagem do noroeste. Meu sonho de infância tornou-se realidade nesse momento . . . Não pude conter as lágrimas.”

Contudo, até hoje não foi possível iniciar um tráfego regular pela passagem. Desde a época de Amundsen, diversos navios já navegaram pela parte setentrional da América do Norte, mas essa viagem ainda apresenta muitas dificuldades. No entanto, é possível que as coisas logo mudem.

Ajuda do aquecimento global?
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O gelo do Ártico está derretendo com surpreendente rapidez. Por causa disso, no ano 2000, um navio da polícia canadense conseguiu atravessar a passagem do noroeste em cerca de um mês. Quando o jornal The New York Times entrevistou o capitão, o sargento Ken Burton, após a viagem, ele estava preocupado pelo fato de não terem encontrado dificuldades com o gelo. “Havia alguns icebergs, mas nada preocupante. Vimos algumas faixas de banquisas de gelo compostas de várias camadas. Mas como eram pequenas e fragmentadas, pudemos contorná-las”, declarou Burton. De acordo com a revista Science, “o gelo ártico encolheu 5% nos últimos 20 anos, sua espessura diminuiu, e as projeções climáticas preveem que o encolhimento continuará ao passo que a temperatura global for se elevando”. Segundo o relatório da Comissão Americana de Pesquisa do Ártico, citado no artigo, em questão de uma década a passagem do noroeste “poderá ser aberta a embarcações sem reforço para navegação no gelo, por pelo menos um mês durante o verão”.

Ironicamente, “pelo simples fato de as pessoas ficarem em casa e queimarem bilhões de toneladas de combustíveis fósseis”, diz a revista Science, o sonho que um dia exigiu tanto sacrifício poderá tornar-se realidade. Ainda assim, os pesquisadores estão preocupados com os efeitos que o derretimento do gelo e o tráfego regular de navios poderão ter sobre os ursos-polares, as morsas e os habitantes nativos no Ártico. Além disso, a navegabilidade da passagem do noroeste poderá levar a conflitos políticos. O que mais acontecerá com a possível abertura da passagem do noroeste? Só o tempo dirá.

Referência: wol.jw.org/pt/