quarta-feira, 18 de julho de 2018

Mito da caverna de Platão | A questão do conhecimento e da ignorância sob o prisma de Platão


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O Mito da caverna de Platão narra o drama de prisioneiros que desde o nascimento foram isolados e acorrentados em uma caverna de forma que só era possível para eles ver uma parede, a qual estava iluminada por uma fogueira

O Mito da Caverna, também conhecido como Alegoria da Caverna, foi escrito por Platão, um dos mais importantes pensadores da história da Filosofia.

Através do método dialético, esse mito revela a relação estabelecida pelos conceitos de escuridão e ignorância, luz e conhecimento. Foi escrito em forma de diálogo e pode ser lido no livro VII da obra A República.

Platão descreve que alguns homens, desde a infância, se encontram aprisionados em uma caverna. Nesse lugar não conseguem se mover, em virtude das correntes que os mantém imobilizados.

Virados de costas para a entrada da caverna, veem apenas o seu fundo. Atrás deles há uma parede pequena, onde uma fogueira permanece acesa. Por ali passam homens transportando coisas, mas como a parede oculta o corpo dos homens, apenas as coisas que transportam são projetadas em sombras e vistas pelos prisioneiros.

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Um dia, um desses homens que estava acorrentado consegue escapar e é surpreendido com uma nova realidade. No entanto, a luz da fogueira, bem como a do exterior da caverna, agridem os seus olhos, já que ele nunca tinha visto a luz. Esse homem tem a opção de voltar para a caverna e manter-se como havia se acostumado ou, por outro lado, pode se esforçar por se habituar à nova realidade.

Se esse homem quiser permanecer fora pode, ainda, voltar para libertar os companheiros dizendo o que havia descoberto no exterior da caverna. Provavelmente eles não acreditariam no seu testemunho, já que para eles o verdadeiro era o que conseguiam perceber da sua vivência na caverna. 


Interpretação
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Com o Mito da Caverna, Platão revela a importância da educação e da aquisição do conhecimento, sendo esse o instrumento que permite aos homens estar a par da verdade e estabelecer o pensamento crítico.

O senso comum, que dispensa estudo e investigação, é representado pelas impressões aparentes vistas pelos homens através das sombras. O conhecimento científico, por sua vez, baseado em comprovações, é representado pela luz.

Assim, tal como o prisioneiro liberto, as pessoas também podem ser confrontadas com novas experiências que ofereçam mais discernimento. O fato de passar a entender coisas pode, no entanto, ser chocante e ser fato inibidor para que continuem a buscar conhecimento.

Isso porque a sociedade tem a tendência de nos moldar para aquilo que ela quer de nós, que é aceitar somente o que nos oferece através da informação transmitida em meios de comunicação e não só.

Desde a Antiguidade, Platão quer mostrar a importância da investigação para que sejam encontrados meios de combate ao sistema, o qual limita ações de mudança.

Referência: www.todamateria.com.br

Centenário de Nelson Mandela, um dos maiores líderes da história em todos os tempos


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Nesta quarta-feira,18,Nelson Mandela, considerado um dos maiores heróis da luta dos negros pela igualdade, celebraria o seu centenário

O mundo celebra hoje (18) o centenário de Nelson Mandela, um dos maiores líderes do século 20 e esta data é conhecida como o “Mandela Day”. Todos os anos o dia 18 de julho relembra a trajetória de “Madiba” e sua importância pelo fim do regime racista do apartheid, que ocorreu entre 1948 e 1993.

O primeiro presidente negro da África do Sul, que teve papel determinante no fim do sistema de segregação racial conhecido como “apartheid”, completaria 100 anos nesta quarta-feira (18). O homem, também chamado de Madiba, que nasceu livre para correr pelos campos ao redor da cabana onde morava e que passou 27 anos atrás das grades por seu engajamento na luta contra o racismo deixou lições para a humanidade.

Várias homenagens especiais serão realizadas no mundo inteiro em memória ao centenário. Uma extensa programação foi preparada e inclui exposições, debates, iniciativas de incentivo à educação, ao voluntariado, publicação de livros, lançamento de filmes, músicas e concertos em tributo ao líder que dedicou sua vida à luta pela liberdade e abriu caminho para a consolidação da democracia no continente africano.

Por sua contribuição à luta antirracista, o 18 de julho foi transformado pelas Nações Unidas (ONU) no Mandela´s Day, o Dia Internacional Nelson Mandela – pela liberdade, justiça e democracia, uma forma de lembrar a dedicação e seus serviços à humanidade, com forte atuação também no enfrentamento ao vírus HIV e na mediação de conflitos.

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“Lutei contra a dominação branca e lutei contra a dominação negra. Porque eu promovi o ideal de uma sociedade democrática e livre na qual todas as pessoas possam viver em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal que espero viver mas, se necessário for, é um ideal para o qual estou preparado para morrer.” 

Legado consistente

Achille Mbembe, o mais importante pensador africano vivo, chegou a ponderar tempos atrás se a reconciliação e a justiça inspiradas por Mandela de fato haviam conduzido os sul-africanos à soberania pátria e espiritual, quando seu sucessor Jacob Zuma (2009-18) ameaçou a imberbe democracia da África do Sul com o aparelhamento do Estado. O legado de Mandela, no entanto, se mostrou forte e consistente diante do assédio político e permanece como realidade institucional no país sul-africano.

"Desmentindo o mantra de que a hegemonia política do Congresso Nacional Africano (CNA) era incompatível com a formação de uma sociedade civil autônoma e de uma burocracia estatal independente, foram justamente os ativistas, jornalistas e funcionários públicos, devidamente protegidos pela Constituição, que forçaram a destituição, democrática e consensual, do presidente corrupto. 

Até ontem tida como inimaginável, a ainda incipiente, mas não menos notável, guinada democrática nos demais países da África austral surge como uma realização tardia da promessa de uma nova era proferida por Mandela há quase três décadas. As mudanças em curso em Angola e Zimbábue sugerem que, afinal, a CNA pode não ser o único movimento de luta armada anticolonial a liderar uma transição para uma democracia multipartidária." 

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quinta-feira, 12 de julho de 2018

Não é ficção: no jogo preferido dos mesoamericanos, perder significava morrer


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A concepção era absolutamente primitiva e o nome era 'ollamaliztli' em nahuatl (asteca) ou 'pitz' em maia e, nesse esporte que era o favorito dos povos mesoamericanos, quem perdia era sacrificado

Mas a ideia havia surgido muito tempo antes desses povos, por volta de 1400 a.C. na civilização olmeca, a primeira a construir grandes cidades no México - que incluíam colossais quadras de bola.

Assim, os mesoamericanos jogaram bola por quase 3 mil anos, até a conquista espanhola - ou bem mais, se você considerar o ulama, jogo praticado ainda hoje na região de Sinaloa, que usa os quadris para jogar a bola de um lado a outro.

Entre os maias, que fizeram a maior quadra conhecida em Chichen Itza, os jogos eram revestidos de profundo significado religioso, relacionados ao mito dos Gêmeos Heróis, que teriam desafiado os senhores de Xibalba, o submundo, para uma partida. Os astecas também viam no jogo um sentido cósmico, a batalha do Sol contra a noite. Mas eles tinham uma atitude bem mais casual: a maioria dos jogos era feita por diversão, com ninguém saindo morto (salvo acidente). Os nobres eram os profissionais, mas plebeus batiam uma pelada em campos improvisados. Havia até banca de apostas.

Mostramos aqui a presumida versão asteca numa quadra inclinada - havia inúmeros tamanhos e variações, com a quadra maia em Chichen Itza com paredes verticais e o anel a impossíveis 6 metros de altura. "Presumida" porque as regras não são conhecidas em detalhes.

Confira os detalhes:

Sacrifícios

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Em jogos cerimoniais, o time perdedor era sacrificado por decapitação. Algumas figuras em quadras até mesmo mostram os vencedores jogando com suas cabeças. Como os sacrifícios na sociedade asteca eram de figuras de baixo status, podendo jogar contra verdadeiros ídolos da torcida, os historiadores acreditam que esses jogos eram pré-arranjados e o time dos prisioneiros não tinha a menor chance.
Regras
Como um jogo milenar que passou por muitas culturas, as regras variavam enormemente. Em todas elas, a ideia era não deixar a bola cair nem sair da quadra. Na versão asteca, depois de duas quicadas, no máximo, ela tinha de ser passada para o lado adversário. Se a parede do outro lado fosse atingida, era ponto. Se o time falhasse em passar, deixasse a bola ir para fora ou falhasse numa tentativa de passar pelo aro, era o adversário que ganhava pontos.
Variações

Acredita-se que a versão principal entre os astecas permitia apenas o uso dos quadris, talvez joelhos. Em outras variações (ou nessa, vai do historiador) podiam valer os punhos, cotovelos, cabeça ou até mesmo tacos, muito parecidos com os do hockey moderno.
Grande prêmio

Como tentar mandar a bola através do anel e errar dava pontos ao inimigo, e como era extremamente difícil fazer isso com os quadris, era raro ver uma bola passar por ele. Mas, quando passava, era o fim do jogo - vitória para quem conseguiu.
Bola

Era feita de uma mistura de borracha de plantas diferentes, para que quicasse de forma ideal. Podia ter 30 cm de diâmetro e pesar até 4 kg - o que fazia com que tivesse um impacto brutal. Os jogadores frequentemente saíam da quadra cheios de hematomas, às vezes com ossos quebrados e, em impactos contra a cabeça, podiam até mesmo acabar mortos.
Jogadores

Os nobres aprendiam a jogar na escola, a calmenac. Quem fosse realmente bom podia se tornar um profissional. Escravos e cativos de guerra, destinados ao sacrifício, também jogavam. Havia todo um equipamento, espécie de armadura de tecido, couro e madeira, usado para proteger de boladas e ajudar a mover a bola com mais impacto. A proteção nos joelhos era porque os jogadores tinham que se jogar no chão frequentemente.
Referência: aventurasnahistória

Antiga Livraria Cultura no Recife Antigo fecha suas portas


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Impasse que existe há dez anos entre os proprietários do imóvel culminou com o fechamento da Livraria Cultura que era locatária do imóvel

A Cultura do Recife Antigo fechou nesta sexta-feira (06), no mesmo dia em que o Brasil foi eliminado na Copa do mundo. A notícia foi um choque para os seus frequentadores e funcionários. 


A livraria foi inaugurada em 2004 e ficou aberta por 14 anos. Depois do fechamento da Livro 7, era uma espécie de oasis no Centro do Recife para quem gosta de cultura. Lá, era possível consumir literatura, música, ler jornais e revistas, estimular as crianças no caminho da leitura, ou tomar um bom café - seja sozinho ou com amigos.

Quando a loja foi inaugurada, não havia tanto impacto das mídias digitais. Ainda assim, ela era uma sobrevivente num mundo tão digital. Vendia artigos relacionados aos quadrinhos e video game, filmes e séries cults. Tinha sessões de best sellers, era para todos os gostos, um catálogo elogiável. A unidade do RioMar continuará a funcionar normalmente, mas o fechamento do imóvel no Bairro do Recife vai deixar saudades. 


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Sobre o fechamento do espaço cultural preposto da Prefeitura se posicionou: "A Prefeitura do Recife tem dado uma atenção muito grande ao bairro do Recife. A gente está desenvolvendo um mapeamento da área e atraindo investimentos para o bairro. Uma prova disso é o Moinho Recife, que vai ser um prédio totalmente reformado. Estamos aprovando o processo de construção dele agora e a obra vai começar no segundo semestre. Então, a gente está buscando vários atrativos para o local onde a cidade começou"

Referências: diariodepernambuco/livrariacultura.com.br

terça-feira, 10 de julho de 2018

Fortaleza | Os encantos da bela capital cearense


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Quando se pensa em viajar em julho, tem-se a opção de curtir um friozinho a exemplo de Campos do Jordão e Gramado / Canela ou destinos mais aventureiros como a Chapada Diamantina, Bonito e Pantanal, entre outros. Pegar um solzinho nessa época do ano? Nem pensar! Ledo engano, pois no Ceará tem sol e praias convidativas sim 

Quem visita a bela Fortaleza pode optar por várias atrações a exemplo da Praia do Futuro com suas barracas que mais parecem um mini resort, como a Croco Beach e Chico Caranguejo ou pode pegar as estradas, - muito bem conservadas e sem pedágio, - para destinos como Morro Branco e Canoa Quebrada. Se tiver com tempo , vale rodar cerca de 300 km e ir até Jericoacoara, um paraíso na terra de Iracema. 


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Diz-se que, ir a Fortaleza e não se aventurar no Beach Park é ‘ir à Roma e não ver o Papa...” (mas ele não fica no Vaticano? Ah, deixa isso prá lá e vamos conferir Fortal). 

Com preços salgadíssimos de entrada a R$ 225,00 por pessoa, o consumo de bebidas e comidas no interior é ainda mais exorbitante. Parece que você está em um cruzeiro em alto mar e não em um parque aquático em solo brasileiro. Mas se você resolveu adentrar ao Beach Park, esqueça os preços e aproveite as inúmeras atrações como INSANO, KALAFRIO, ARREPIUS E VAIKUNTUDO, esses para quem é chegado às mais radicais, mas tem outras opções para quem não curte tanta adrenalina assim. 



Na área de bares e restaurantes, os preços são normais para um capital, mas chama à atenção o baixo preço que se paga por pratos à base de camarão. Explica-se: como o Estado é líder na produção de camarão em cativeiro, o preço é mais baixo e pode-se consumir uma porção de 01 kg do crustáceo à alho e óleo, ao preço de R$ 49,90 


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Falamos das praias e do Beach Park como introdução pra discorrermos sobre a terceira mais procurada atração de Fortaleza, - atrás apenas das duas citadas anteriormente, - que é o Mercado Central de Fortaleza, um complexo que conta com 553 boxes para vendas de produtos diversos. São cinco pavimentos, sendo que o subsolo é destinado apenas para um estacionamento pago, mas com manobrista gratuito.

História


mercado central de fortaleza

A capital cearense não tinha até 1809, um mercado para venda de carnes, verduras e frutas, quando foi autorizada a construção de um prédio no centro da cidade para que servisse de depósito e feira. Ele então foi batizado de Cozinha do Povo. O prédio era todo de madeira e possuía uma estrutura bem diferente da que existe hoje.

Quem vai ao Mercado encontra bem mais que uma montanha de boxs vendendo souvenires e lembrancinhas. O passeio é uma viagem pela cultura cearense e é possível encontrar shows de artistas locais, - todo cearense é um humorista em potencial, - e desde aquele garçom bem humorado até o vendedor que oferece seus produtos com uma lábia rimada, você pode dar de cara com repentistas, sanfoneiros e outros artistas performáticos. 


mercado central de fortaleza

Na entrada principal, é comum se apresentarem um casal de irmãos cegos onde ele toca sanfona e a outra cante e toca zabumba. Uma outra irmã, - com visão normal, - oferece CDs do grupo a módicos R$ 5 reais. Mais à frente uma figura absolutamente incrível: uma estátua caracterizada de cangaceiro, inteiramente pintada na cor prata mas que, quando alguém chega perto, ela sai do imobilismo e faz várias poses para fotos com turistas, devidamente acompanhado das suas armas como fuzil, pistola e punhal, todos confeccionados em madeira, evidentemente. Ele não emite uma única palavra mas interage com as pessoas através de assovios e faz a festa com os visitantes. 


Fortaleza tem ainda o Museu Dragão do Mar, a Ponte dos Ingleses, (em reforma), Centro de Eventos e a Arena Castelão, mas o Mercado de Fortaleza é realmente uma visita imperdível.


Euriques Carneiro

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Nome de peso da moderna literatura portuguesa, Valter Hugo Mãe acaba de lançar o seu mais novo livro ‘Homens imprudentemente poéticos'


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Escritor, editor e artista plástico, Mãe cursou pós-graduação em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea na Universidade do Porto, possui livros publicados de poesia, contos e narrativa longa, destacando-se no panorama da literatura portuguesa pelo carisma e o ecletismo
A coincidência de completar 20 anos de carreira e ter um novo romance, 'Homens imprudentemente poéticos', poderia não ter acontecido pois foi um parto difícil para Valter Hugo Mãe. Ele fala sobre a inimizade de dois artesãos japoneses, um texto que recomeçou dezessete vezes: "Em algumas versões já tinha passado da página 100."

O esforço valeu a pena, pois este novo romance do autor é - mais uma vez - tão diferente que o torna uma das mais importantes vozes da literatura nacional, porque foge à vulgaridade do que a maioria dos autores da geração do terceiro milênio está a apresentar. Aliás, se já o tinha conseguido com a máquina de fazer espanhóis, por exemplo; se subira um grande degrau na busca e execução do romance que tem como cenário a Islândia, A Desumanização, volta a realizar uma escrita inesperada nesta narrativa japonesa. 

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Onde transporta o leitor de uma forma elegante e íntima para aquela parte do mundo sem o fazer passar por um voyeur de costumes. Mais, o registro encontrado para estes homens imprudentes surpreende por poder ser assinado por um escritor daquele país, tal é o modo como evita a confluência baralhada do olhar ocidental e se cinge à verdade da natureza - presença importante -, impondo-se o relato com uma reprodução de personagens que não desvirtuam as prováveis pessoas.

Estranha-se bastante a linguagem, "escangalhada" por um escritor que não se quer repetir e que ao teimar nessa meta entrega um dos muito poucos bons romances portugueses deste ano.

Em recente entrevista, foi-lhe perguntado: Ter um filho ou um livro. Qual é que lhe faz mais falta?

R - Como já escrevi sete romances o que gostaria era de ter um filho. Até digo mais, sabendo hoje o que sei trocava os meus sete romances por um filho. Quem não tem romance e tem filho, tem a obrigação de ser mais feliz do que eu.
‘Homens imprudentemente poéticos' chega às livrarias terça-feira, é surpreendente na reinvenção da língua portuguesa, no tema e cenário e aparece como promessa no mercado literário português em 2018.

José Dumont: o talentoso ator que é a própria cara do Nordestino


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Versátil e dotado de talento ímpar, José Dumont é um dos rostos mais emblemáticos do cinema brasileiro, que traduz tanto o operário, como o bandido pobre

Depois de superar a infância difícil numa família de modestos recursos, no interior da Paraíba e as dificuldades de um migrante na cidade grande, José Dumont teve que vencer, também, os obstáculos no mercado de trabalho e na produção cinematográfica brasileira, quase extinta nas décadas de 60, 70 e 80. Hoje é um ator premiado no cinema e na televisão, participando de filmes que ajudaram a levantar o cinema nacional.


Nascido na cidade de Belém de Caiçara, Paraíba, em 01/07/1950, José Dumont começou a atuar no teatro ainda nos anos 70 e já participou de mais de trinta filmes, entre eles: Lúcio Flávio — O Passageiro da Agonia, Gaijin, O Homem Que Virou Suco, O Baiano Fantasma, Avaeté, Tigipó, A Hora da Estrela, Brincando nos Campos do Senhor, Kenoma e Abril Despedaçado.


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Na TV, além do clássico Morte e Vida Severina, José Dumont fez novelas e séries como: Terra Nostra, Brava Gente, Mandacaru, Tocaia Grande, Guerra Sem Fim, Amazônia, Rosa dos Rumos, Pantanal, Olho por Olho, Carmem, Grande Sertão Veredas, De Quina Pra Lua, Corpo a Corpo, Padre Cícero, Bandidos da Falange, Lampião e Maria Bonita (fez Zé Rufino) e o premiado Plantão de Polícia.

Autodidata, aprendeu a ler sozinho, através de folhetos de cordel que via em uma feira próxima a sua casa. Mais tarde, lá mesmo, na Paraíba, fez o curso primário e chegou até a 6ª série. Não pôde prosseguir por causa da pobreza tremenda. Brincalhão, costuma dizer que, de tão pobre, sua família fazia parte da classe miserável C, porque pobre A ele é hoje.

Mas, não se pense que Dumont parou de estudar no primário e ficou nisso. Ele lê muito e procura se informar. Está sempre inquieto e com um olhar aguçado para o mundo — o que, afirma, o ajuda a aprender a vida.

Absolutamente crítico, fala sem rodeios sobre o massacre que a cultura popular, democrática e nacional sofreu a partir da ditadura. De forma objetiva e direta explica o cinema brasileiro, hoje, e no futuro.

Na trilha de um ator popular
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Tudo começou quando, em 1972, o brasileiro nordestino José Dumont deixou a Paraíba para tentar ser marinheiro em Santos, SP, depois de concluir um curso na Marinha Mercante. Como não conseguiu embarcar, ficou em São Paulo e trabalhou como carteiro, coisa que durou dois anos e pouco. "Tenho um caminho do migrante comum. Minha história é como a de qualquer outro migrante, que vem para a cidade grande tentar escapar da miséria", define.

Como vivia isolado, solitário na cidade grande, em um contexto cultural bem diferente do seu, começou a frequentar a noite paulistana em busca de boas companhias, de amigos. Em um determinado dia, quando foi assistir a uma peça de teatro, sem que planejasse, travou amizades com pessoas do meio artístico. Por isso, foi convidado a participar de uma peça que iriam encenar. Aceitou, sem saber que começava, naquele momento, sua carreira de ator.

Morte e Vida Severina
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Fui “apresentado” no início da década de 80, através do especial escrito por João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, que conta através de uma narrativa poética, a trajetória de um homem que migra da estéril caatinga para a cidade.

Em sua peregrinação atrás de uma vida melhor, o retirante Severino (José Dumont) – “filho de Maria e Zacarias, da serra da Costela, limites da Paraíba”, como ele mesmo se apresenta – percorre as mais diversas situações às quais está exposto o povo nordestino: o enterro da vítima de emboscada, o velório sob ladainhas, a busca por emprego, a presença da rezadeira, a morte do cortador de cana no latifúndio, os numerosos enterros de retirantes na cidade grande, os raros de usineiros.

A viagem termina na cidade grande, mais precisamente em Recife. Imerso em fome e desalento, Severino pensa em suicídio, mas decide seguir adiante ao testemunhar, à semelhança de um auto de Natal, um nascimento na favela à beira do mangue. O especial acabou vencedor do Emmy Internacional de 1982, e ainda hoje figura entre as mais destacadas produções da TV brasileira de todos os tempos, graças ao talento de João Cabral de Melo Neto e dos recursos cênicos dos atores que a estrelaram.

Euriques Carneiro, com referências da anovademocracia.com.br

segunda-feira, 18 de junho de 2018

80 ANOS APÓS SUA MORTE, PERSISTE A SAGA DE LAMPIÃO: INJUSTIÇADO OU BANDIDO?


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Como Mossoró rechaçou um ataque de Lampião em 13 de junho de 1927 e fez com que os filhos daquela terra se orgulhassem do feito e pudessem contar às novas gerações o que seus antepassados tiveram a coragem de fazer

Mossoró era uma das mais prósperas cidades do Rio Grande do Norte. O coronel Rodolfo Fernandes, o prefeito, já havia alertado, nos últimos dias, sobre o perigo do ataque do “'rei do cangaço'” ao município. A maioria dos habitantes, no entanto, parecia não acreditar.

As notícias advindas da vizinha vila de São Sebastião, davam conta de que Lampião havia incendiado um vagão de trem cheio de algodão e depredado a estação ferroviária. Havia também arrasado a sede do telégrafo, uma modernidade sempre combatida pelo chamado por Virgulino, na tentativa de impedir que o seu paradeiro fosse sendo informado e ajudasse a polícia a persegui-lo.

A estratégia da prefeitura – que havia conseguido ajuda oficial em armas e munição, mas não em combatentes – era manter na cidade apenas os habitantes que estivessem armados. Assim, mandaram para Areai Branca a maioria de mulheres e crianças, acreditando que, quanto mais vazio o lugar, na avaliação do prefeito, maior a chance de repelir o bando de cangaceiros. 

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Para impor medo, Lampião enviou um bilhete chantageando a prefeitura. Nele, pedia a quantia de 400 contos de réis para não atacar o município, um valor pelo menos dez vezes superior ao que costumava exigir em ocasiões semelhantes. Na tarde de 13 de junho, feriado de Santo Antônio, ele e o bando já se encontravam nos arredores do município potiguar me como não teve resposta ao primeiro comunicado, já impaciente, bufando de raiva, manda um segundo aviso. 

Os termos do bilhete, que consta nos arquivos do jornal O Mossoroense (um dos mais antigos do país), eram muito diretos e recheados de erros de português: “Cel. Rodopho, estando eu aqui pretendo é drº (dinheiro). Já foi um a viso, ai pª (para) o Sinhoris, si por acauso rezolver mi a mandar, será a importança que aqui nos pedi. Eu envito (evito) de Entrada ahi porem não vindo esta Emportança eu entrarei, ate ahi penço qui adeus querer eu entro e vai aver muito estrago, por isto si vir o drº (dinheiro) eu não entro ahi, mas nos resposte logo”. Ele assinava “Cap. Lampião”.

O coronel Rodolfo Fernandes e seus homens disseram não a Virgulino, para surpresa do mais temido cangaceiro de todos os tempos. A cidade tinha o dinheiro, informou o prefeito. Mas Lampião teria que entrar para apanhá-lo. Às 16 horas daquele dia 13, caía uma chuvinha fina e havia uma neblina de nada sobre Mossoró. Foi quando os primeiros estampidos de bala ecoaram.
Sangue e areia 

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Lampião tinha 53 cangaceiros no seu bando. Não imaginava, porém, que iria enfrentar pelo menos 150 homens armados na defesa da cidade. O repórter Lauro da Escóssia estava lá, vendo tudo de perto. “Durante toda a noite, a detonação de armas em profusão. Parecia uma noite de São João bem festejada”, escreveu em O Mossoroense. Mas as mulheres que ficaram na cidade rezavam para outro santo junino, o Antônio festejado naquele dia.

No ataque, Lampião perdeu importantes cabras de seu bando. Colchete teve parte do crânio esfacelado por balas. E Jararaca, depois de capturado, foi praticamente enterrado vivo. Em menos de uma hora após o início da luta, o capitão do sertão ordenou então a retirada da tropa, para evitar a perda de mais homens e não manchar ainda mais sua reputação. “A partir desse momento a estrela do bando lentamente passaria a brilhar cada vez menos”, escreveu o historiador Pernambucano de Mello.

O mito do Lampião invencível caíra por terra, o que reanimou a força policial, que passou a enfrentar o rei do cangaço com menos temor. Era o começo do declínio da carreira de Virgulino. Por causa do desastre no Rio Grande do Norte, as deserções no grupo foram consideráveis. Mossoró, cidade conhecida por marcas pioneiras (como quando foi o primeiro município brasileiro a admitir o voto feminino, em 1934), passaria também à história por esse acontecimento que assombrou todo o Nordeste. Até hoje, os filhos daquela terra se orgulham do feito de braveza ao contar que seus antepassados “botaram Lampião para correr”. Os inimigos do cangaceiro, entretanto, ainda teriam que esperar mais 11 anos pela morte do capitão, assassinado somente em 1938, na chacina da gruta de Angicos, em Sergipe.

Crimes desmentidos

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Um dia depois do combate, quando o povo de Mossoró ainda temia o possível retorno de Lampião sequioso por vingança, um dos principais cangaceiros do bando, Jararaca, foi capturado se arrastando por um matagal. O que se deu a seguir foi um roteiro tragicômico, conforme a narrativa de Lauro da Escóssia, então repórter do jornal O Mossoroense. O nome do pernambucano Jararaca era José Leite de Santana. Ele tinha apenas 22 anos – nos registros policiais, contudo, aparece com 26. Mesmo com um rombo de bala no peito, conseguiu gargalhar durante uma entrevista na cadeia.

O cabra de Lampião dizia que era por causa das “lembranças divertidas do cangaço”. Entre as memórias que ouviu do preso, Escóssia descreve o dia em que Lampião teria invadido a festa de casamento de um inimigo e, com seu próprio punhal, sangrado o noivo. Já a noiva teria sido estuprada na caatinga pelos cabras do bando. Segundo o relato de Jararaca, Virgolino também ordenou que os convidados de um baile tirassem as roupas e dançassem um xaxado completamente nus.

Fato é que, na cadeia, Jararaca virou atração pública na cidade potiguar. Quando já apresentava alguma melhora do ferimento, mesmo sem ser medicado, ouviu que seria transferido para a capital, Natal. Era mentira. “Alta noite, da quinta para a sexta-feira, levaram Jararaca para o cemitério, onde já estava aberta sua cova”, relata Escóssia. Pressentindo a armação, Jararaca diz: “Sei que vou morrer. Vão ver como morre um cangaceiro!” O capitão Abdon Nunes, que comandava a polícia em Mossoró, relatou dias depois os momentos finais do capanga de Lampião: “Foi-lhe dada uma coronhada e uma punhalada mortal. O bandido deu um grande urro e caiu na cova, empurrado. Os soldados cobriram-lhe o corpo com areia”. Pelas circunstâncias da morte, o túmulo de Jararaca virou local de romaria. Até hoje as pessoas rezam e fazem promessas com pedidos ao cangaceiro executado. Na terra do Sol, Deus e o Diabo ainda andam juntos.

Vera Ferreira, neta de Lampião, vê muito folclore nesse tipo de história de crimes hediondos praticados por ou com a complacência do seu avô. Nega, a partir de suas pesquisas, que o cangaceiro tenha ordenado ou praticado estupros (ela é co-autora do livro independente De Virgolino a Lampião, que escreveu com o pesquisador Amaury Corrêa, dono de um dos maiores acervos sobre o rei do cangaço, em São Paulo). A neta do cangaceiro mantém um site oficial que contém inclusive o texto de uma longa entrevista concedida por Lampião em 1927: http://www.infonet.com. br/lampiao/

Referência: aventurasnahistoria.uol.com.br

sábado, 16 de junho de 2018

90 anos de Che Guevara o controverso revolucionário argentino, mas idolatrado em Cuba


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Argentino de nascimento, Cuba reúne um enorme rol de fãs e foram eles que comemoraram na quinta-feira os 90 anos do "insuperável soldado e revolucionário" Ernesto 'Che' Guevara (1928-1967)

A data contou com eventos em todo o país e o centro a cidade de Santa Clara, onde jazem os restos mortais do guerrilheiro cubano-argentino recebeu uma grande cerimônia no Mausoléu dedicado a ele. As comemorações começaram pela manhã com uma peregrinação do obelisco em homenagem ao herói independentista cubano Antonio Maceo até a praça do Mausoléu, na qual foi carregada uma estátua de mais de 16 metros que representa o Che com uniforme militar e com um braço em uma tipoia.

O túmulo de Che e de seus companheiros de luta em Santa Clara foi visitado por mais de 4,5 milhões de pessoas desde que seus restos mortais chegaram ao país em 1997, e serviu de sede central em outubro para a celebração nacional dos 50 anos da morte do guerrilheiro.

Trajetória
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De criança asmática e semi-moribunda a um dos principais líderes da Revolução Cubana. Leitor insaciável de Goëthe e Baudelaire, mas também atleta, inventor e médico oncologista pesquisador de plantas amazônicas. Mais do que el Comandante, o argentino Che Guevara construiu em seus parcos 39 anos de vida uma trajetória meteórica, num jogo de espelhos fascinante entre seus vários personagens. A exposição Le Che à Paris, em cartaz na Prefeitura de Paris, recupera sua estreita ligação com a capital francesa.

E na histórica capital francesa, ele cumpria um ritual específico: descer a pé a longa avenida de Champs Elysées até o Museu do Louvre para passar longas horas em frente ao quadro “A Nau dos Loucos”, de Jérôme Bosch. O motivo dessa excursão simbólica de Ernesto Che Guevara, quando em Paris, remonta a um ancestral do poeta revolucionário. Felipe Guevara, nobre de Flandres, defendeu [com sucesso] o célebre pintor do século 15 das acusações de “satanista” por parte da Inquisição.

Personagem controverso
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Um dos maiores críticos de Che, Humberto Fontova publicou o livro “O Verdadeiro Che Guevara” que, apesar declarar estar alicerçado em um levantamento de fatos históricos e testemunhas diretas do período revolucionário, ele é tão veementemente anti Che Guevara que o seu livro perde grande parte da credibilidade. Ao lutar tão ferozmente para desmistificar a imagem de um dos ícones políticos mais controversos do século XX, ele se perde em misto de raiva e até mesmo falta de educação ao estampar como sub título “e os idiotas úteis que o idolatram”. Faz lembrar inclusive as palavras carregadas de fel com as quais o jornalista de ultra direita Aloísio Nunes se refere a um certo ex-presidente do Brasil.

Fazendo um contra ponto com a narrativa de Fontova, um crítico escreveu: “Mas qual o interesse dos cérebros reaças de enlamear Che Guevara? Será que é porque não tem nenhum ídolo do lado de lá para servir de modelo aos jovens a não ser torturadores, generais ditadores e exploradores da miséria do mundo?”

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Como é da nossa linha, o Artecultural não emite juízo de valor. Deixamos as informações para análise e reflexão dos nos acompanham.


domingo, 10 de junho de 2018

“Amor sem Fronteiras” | Quinze anos de um filme que poderia ter marcado época


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Em um raro momento em que a indústria cinematográfica americana se esforçou tanto para retratar um tipo de tragédia social além-fronteiras dos EUA, “Amor sem Fronteiras” merece ser revisto mesmo quando o longa despenca para o romance água com açúcar

Logo no início de Amor Sem Fronteiras, o médico Nick Callahan, interpretado por Clive Owen, invade uma festa beneficente com o objetivo de protestar contra a hipocrisia de seu organizador, que havia cancelado, por motivos políticos, a verba destinada à ajuda humanitária na Etiópia. 


O forte discurso de Callahan provoca um impacto visível na socialite Sarah Jordan (Angelina Jolie), que decide doar 40 mil libras em alimentos para o acampamento chefiado pelo médico – os quais ela resolve entregar pessoalmente, partindo para a África sob os moderados protestos do marido. Lá, Sarah se depara com uma realidade desesperadora e conhece a tragédia da fome, que transforma seres humanos em esqueletos semi-vivos atormentados pela dor constante – e a aparência assustadora de uma criança à beira da morte (numa recriação da premiada fotografia tirada no Sudão por Kevin Carter, em 1993) demonstra a coragem da produção em chocar o espectador com imagens que, mesmo verdadeiras, parecem ter saído de um filme de terror. 

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Poucas vezes, aliás, um projeto hollywoodiano se esforçou tanto para retratar este tipo de tragédia social (provocada ou complicada por problemas políticos e/ou climáticos) com esta riqueza de detalhes – e, por isto, o roteirista estreante Caspian Tredwell-Owen foi, no mínimo, corajosa. Pena que resvalou para a pieguice quanto tira o foco da dura realidade e passa a mostrar um inverossímil romance entre Nick e Sarah.

Com essa virada da câmara, Amor Sem Fronteiras desperdiça a chance de se tornar um projeto relevante. Em alguns momentos, o filme parece disposto a discutir temas importantes, como a dificuldade em se levar ajuda a países cujos sistemas de governo desagradam aos Estados Unidos e os dilemas éticos vividos pelos voluntários das ONGs, que devem se abster de qualquer envolvimento com a política local (por mais revoltante que esta seja) para que não haja um comprometimento de seus trabalhos assistenciais – mas o roteiro logo descarta estes temas e retorna ao lado piegas do longa. 


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Depois de atuar nesta produção, Angelina Jolie decidiu adotar uma criança cambojana e se tornou Embaixadora da Boa Vontade da ONU – num claro indício de que suas experiências nas diversas locações utilizadas pelo projeto a afetaram sensivelmente. É lamentável, portanto, que o filme em si seja tão fútil, já que seus bastidores parecem ter representado uma forte experiência para todos os envolvidos.

Nesse contexto, fica empanado o brilho cênico do bom ator Owen, assim como as locações bem escolhidas pelo diretor de fotografia Phil Meheux. Quanto a Jolie, que depois desse filme se aproximou do altruísmo -, a atriz poderia esquecer essa atuação.

Após "Amor Sem Fronteiras" (2003), Angelina Jolie adotou seu primeiro filho, Maddox, durante as filmagens no Camboja. A atriz chegou a afirmar que o filme que ela gostaria de mostrar para ele, quando o menino tivesse idade suficiente para entendê-lo.

terça-feira, 5 de junho de 2018

2018 MARCA OS 83 ANOS DO “LEBENSBORN”, O INSANO PROGRAMA NAZISTA DE REPRODUÇÃO HUMANA


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Em mais uma aberração nazista, “As crianças de Hitler” tentou criar gente 'ariana' com o programa 'Lebensborn' que, entre outras atrocidades, arrancou crianças dos braços de seus pais para encontrar os genes 'desejáveis'

Algumas histórias que estão nos escritos históricos, de tão loucas e inadmissíveis parecem ficção fruto do imaginário dos escritores, mas chega a ser aterrorizante saber das atrocidades que certos seres humanos são capazes de cometer. E a realidade nesse caso, é mais cruel do que podemos imaginar.

Durante a Alemanha nazista, sob o controle da SS (organização militar nazista) e do de Heinrich Himmler, foi criado um programa secreto chamado ‘Lebensborn’, “fonte de vida” em alemão. 


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Em um arroubo de loucura que só poderia sair da mente doentia dele, surgiu o rumor sobre a intenção de Adolf Hitler de criar uma raça perfeita finalmente se tornava um fato; estava convencido de que apenas os arianos puros deveriam ser os governantes do mundo. Deste modo, adaptou um laboratório SS para realizar os experimentos com a nova geração pertencente à elite nazista.

O ‘Lebensborn’ era um programa contrário ao Holocausto, pois aqui o objetivo principal era, a todo custo, preservar a pureza da raça ariana, independentemente dos meios para alcançá-lo.

Como a narrativa é bastante longa, resumimos abaixo os pontos principais do programa com seus dados mais relevantes, evidenciando outra faceta cruel da era nazista.

Gestação 


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A entrada de mulheres grávidas no programa foi condicionada a características raciais rígidas e específicas: deviam ter fundamentalmente olhos azuis, cabelos loiros, pele branca e alta estatura. Também foi necessário verificar a identidade do pai (da mesma fisionomia) e verificar que não apresentavam problemas genéticos.

Himmler encorajou a procriação de seus oficiais da SS com mulheres qualificadas para o programa, buscando o nascimento de crianças arianas mais puras.

Expansão de Lebensborn
Devido à escassez de crianças classificadas como arianas puras na Alemanha, o regime nazista ampliou o programa Lebensborn aos países ocupados no norte e oeste da Europa, principalmente na Polônia e na Noruega.

Os vikings
A origem da raça ariana se deu na Noruega. Os antigos vikings eram considerados progenitores da “raça perfeita”. Himmler afirmou que os escandinavos possuíam a aparência física ideal da raça ariana, bem como o sangue mais puro. Eles criaram clínicas exclusivas para o nascimento de bebês de mães norueguesas e militares alemãs.

Finalmente, quando a guerra terminou, essas “crianças de Hitler” tiveram que suportar atos discriminatórios, já que foram consideradas “filhos do inimigo”.

Crianças raptadas
Milhares de crianças que apresentavam características de um ariano puro foram sequestradas de seus lares com o objetivo de serem enviadas para a Alemanha e criadas por famílias nazistas. Em abrigos especiais, receberam nomes alemães, aprenderam a língua, a cultura, os costumes e foram induzidos a ideologia nazista.

Extermínio de “impuros”
As crianças sequestradas que não cumpriram as condições de pureza foram levadas a campos de concentração e, em seguida, exterminadas, impedindo, assim, a propagação de seus “genes impuros”.

Sem identidade
Entre os anos 1936 e 1945, as clínicas alemãs produziram cerca de 8 mil nascimentos. Por se tratar de um programa secreto, muitas dessas pessoas não foram oficialmente registradas, nunca conheceram sua origem, nem sua identidade, muito menos a de seus pais.

Retorno dos raptados
Após o fim da guerra, em 1947, as crianças sequestradas pela SS foram procuradas e questionadas se deveriam ou não retornar para suas famílias. A maioria deles já se consideravam alemães, porém não se lembravam do passado e temiam ser separados de suas famílias adotivas. Apenas 3% retornaram aos seus países de origem.

Germanização
Estima-se que existiram dez clínicas Lebensborn na Alemanha e nos países ocupados, e cerca de 25 mil crianças foram sequestradas e levadas para a Alemanha para “germanização”.

Fim do programa
Não se sabe quantas crianças foram sequestradas. Ao perceberem que iriam perder, os nazistas trataram de queimar os arquivos.

Estimativas feitas pelo governo polonês sugerem que 10 mil crianças foram tomadas e menos de 15% devolvidas a suas famílias biológicas. Já estimativas feitas pelo historiador australiano Dirk Moses sugerem que esse número é o dobro. A maioria dessas crianças não teve a (duvidosa) sorte de Matko em descobrir seu passado.

Quanto às mulheres que participaram do programa, foram escorraçadas pela sociedade. Tinham o cabelo raspado, as roupas rasgadas, foram espancadas e desfiladas pela cidade - por uma população que, dias antes, ainda jurava fidelidade ao Fuhrer. Certamente alguns deles ainda cuidando de crianças tomadas de longe. 


Referência: http://www.editoracontexto.com.br/



domingo, 3 de junho de 2018

Cruz das Almas BA | São João 2018 só com atrações ligadas ao forró


Na contramão da maioria dos municípios da Bahia que promovem festejos juninos, Cruz das Almas repete 2017 e só tem forró autêntico no seu tradicional São João

No afã de agradar gregos e troianos, até festejos com décadas de história como Caruaru PE e Campina Grande PB, há muito já abandonaram as tradições e passaram a incluir na grade de atrações nomes do sertanejo, do axé e até o arrocha. Uma grande parte da população se indigna, mas outra parcela gosta dessa diversidade, ainda que isso descaracterize o autêntico festejo junino que homenageia os santos Antonio, João e Pedro.

Mas um município da Bahia resolveu desde o ano passado que o seu afamado São João teria apenas atrações ligadas ao forró de verdade. O prefeito da cidade já anunciou a sua decisão de contratação exclusiva de bandas e artistas de Forró para os festejos juninos de Cruz das Almas, um dos mais tradicionais do estado.

De acordo com o prefeito, a proposta visa resgatar a tradição do São João, que sempre foi marcada pelos passos do forró, mas que ultimamente vem sendo cooptada por artistas de outros ritmos, principalmente axé, arrocha e sertanejo. A medida logo virou polêmica nas redes sociais.

Enquete publicada na página do São João da Bahia, questionou internautas sobre a validade da medida e advinha o resultado? Sim! A maioria concorda que o São João em Cruz das Almas deve ter somente bandas/artistas de Forró Resultado positivo também para enquete lançada pelo prefeito no Facebook.

Trabalho de 10 artistas é atração de nova exposição do Museu de Arte da Bahia - MAB


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Com programação multi artística que reúne bate-papos poéticos, pinturas, esculturas e outras expressões artísticas contemporâneas, MAB recebe visitantes desde o sábado 02.06

Um programa diferente onde você pode ir ao museu conhecer o trabalho de dez artistas contemporâneos e depois pegar uma van para circular por seus ateliês com direito a muitos bate-papos. Tudo isso sem precisar levar nada – nem dinheiro – além da vontade de ouvir e participar. É a partir dessa experiência que a arte itinerante e a interatividade tomam o Museu de Arte da Bahia desde o último sábado (02), através da exposição intitulada de Arte de Passagem.

Na mostra, os artistas expõem trabalhos que tratam de temas relevantes para a sociedade, como intolerância à escolha sexual e/ou preconceitos diante de certos tipos de arte. As exibições contam com pinturas, esculturas e outras expressões artísticas, que são marcadas pela interação entre artistas e público. 

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Com papos intimistas, os criadores prometem abrir os corações, das 13h às 19h, e contar sobre os processos criativos de cada obra presente. Para os encontros, que acontecem apenas aos sábados, uma van sai do MAB para circular pelos espaços, que ficam nos bairros do Rio Vermelho, Barra, Centro e Calçada.

"Ao receber em seus ateliês, o Coletivo Arte de Passagem borra as fronteiras do pensar e fazer artístico, constituindo-se em um exercício contemporâneo que dialoga com práticas inclusivas e acolhedoras, contrapondo-se dialeticamente a um manto de intolerância e ódio que ameaça tomar o país", analisa Pedro Arcanjo, diretor do MAB. 

A exposição coletiva é composta apenas por obras de artistas visuais da capital baiana. Entre eles, estão nomes como: Willyams Martins, Ana Paula Pessoa, Beth Souza, Daniela Steele e Sandro Pimentel. “É uma temporada que serve como metáfora para falar de subjetividades e sobre como elas produzem células estéticas”, explica Willyams Martins, um dos expositores.

O Museu



Fundado em 1918, o Museu de Arte da Bahia é considerado o mais antigo museu da cidade e destaca pinturas de mestres da arte sacra baiana, datadas dos séculos 18 e 19, como José Joaquim da Rocha e seu discípulo, José Theófilo.

Em seu acervo estão peças de porcelanas europeias e orientais, joias, moedas, fotografias, manuscritos e prataria. O Governo do Estado da Bahia incentivou uma campanha de popularização e simplificação dos nomes de peças antigas, para facilitar a compreensão dos visitantes. O local passou a oferecer também apresentações de música, teatro e poesia para atrair um público diversificado.

Serviço:

MAB (Corredor da Vitória).
De terça a domingo, das 13h às 19h. até 7/7.
Itinerâncias com van gratuita: todos os sábados.

Referência: Ibahia.com

sábado, 26 de maio de 2018

Drácula | De Vlad Empalador guerreiro ao Conde Drácula vampiro


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Vlad Drácula era um inimigo implacável, que no século 15 deteve o avanço do Império Otomano e envergava com orgulho uma alcunha hoje mundialmente famosa: Drácula

Ele era Vlad III da Valáquia, embora seus conterrâneos e inimigos tenham usado também o sinistro apelido de Tepes, "o Empalador", em romeno. Por uma série de acasos literários, esse príncipe virou sinônimo de vampiro sem ter nenhuma ligação com as criaturas da noite, mas o verdadeiro caráter do Empalador é quase tão misterioso quanto os desses seres: herói nacional, tirano sanguinário ou uma mistura improvável das duas coisas?

Personagem real x fictício
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Muitos mitos giram em torno de Conde Drácula. A maioria deles, falsos. Pra começar: ele não era um vampiro. Segundo, ele não morava na Transilvânia, mas sim em outra região da Romênia. Especificamente, no pequeno vilarejo de Arefu, no condado de Curtea de Arges, a cerca de 180 km da capital romena. Foi onde nasceu o príncipe Vlad III Dracul, que era na verdade um conde, mas fazia papel de príncipe.

Na época (século 15), Conde Vlad Dracul defendeu seu reino contra ataques do Império Otomano. Ele era governador da Valáquia, uma província no sul da Romênia. Ele matou milhares de inimigos de forma cruel, e ganhou uma reputação sombria. Apesar de ter resistido bravamente a invasão turca na Europa, ele foi derrotado pelos otomanos.

Contudo, em vez de se alimentar de sangue humano, Conde Vlad Dracul gostava mesmo era de empalar seus adversários. Para aqueles que se lembrar o que é o empalamento, vale lembrar que é uma técnica de tortura na qual pega-se uma estaca de madeira, de mais ou menos uns três metros, e a introduz em posição vertical no ânus do seu inimigo; ele eventualmente desliza estaca abaixo com o decorrer das horas, rompendo órgãos, sangrando, gritando de dor e, quase sempre, morrendo. Muitos inimigos sucumbiram desta forma nas mãos de Vlad, inclusive quem se voltou contra a corte. A fama era tão grande que o conde ficou conhecido como Vlad, O Empalador.

De Conde a Vampiro
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A cruel fama do conde inspirou o escritor irlandês Bram Stoker a escrever o conto "Drácula", publicado originalmente em 1897. Com isso, mais de quatro séculos após sua morte, Vlad O Empalador virou celebridade, graças ao seu alterego literário, o vampiro Conde Drácula.

Foi também Bram Stoker que tornou famoso o Castelo de Bran, na Transilvânia, associando o local ao Drácula. A fortaleza, construída em 1211, era parecida com a descrição do castelo do vampiro de Stoker, e foi interpretada como a real (ex)moradia de Drácula. Cerca de 700 mil turistas visitam o local todos os anos.

Ninguém sabe se Vlad chegou a conhecer o castelo de verdade, mas alguns especialistas garantem que O Empalador tenha ficado pelo menos por 10 dias como prisioneiro do rei da Hungria nos aposentos do recinto.

Sucesso nas telonas
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Embora tenha feito sucesso considerável como livro, a história do conde só atingiu mesmo o estrelato quando chegou ao cinema. A primeira encarnação de respeito do vampiro na tela grande veio com Nosferatu (1922), obra-prima do expressionismo alemão. O ator húngaro Bela Lugosi, por muitos considerado o melhor de todos os intérpretes vampirescos, fez a primeira versão hollywoodiana com Dracula (1931). A imagem do conde sensual e sedutor deu as caras pela primeira vez com um novo Dracula (1958), que consagrou o britânico Christopher Lee.

Nos anos 90, Francis Ford Coppola lançou seu estiloso e romântico Dracula de Bram Stoker, com Gary Oldman no papel-título e, pela primeira vez, referências explícitas ao Vlad Tepes histórico. Finalmente, não dá para deixar de citar a sátira Drácula: Morto, Mas Feliz, com Leslie Nielsen, de Corra que a Polícia Vem Aí. Em Hotel Transylvania, 2012, o vampiro ganhou uma versão mais simpática. 


A animação, mostra os conflitos e as relações pessoais do Conde Dracula dublado pelo ator Adam Sandler, com a sua filha Mavis dublada pela atriz Selena Gomez. Em 2014, Drácula: A História Nunca Contada, misturou história e ficção ao retratar um Vlad Dracula do século 15 que se transforma em vampiro para enfrentar os otomanos - e salvar toda a Europa de sua invasão.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Herói da resistência na defesa da música de qualidade, Timbaúba segue como um dom Quixote Nordestino


Sem abrir mão das suas raízes nordestinas e sertanejas, Timbaúba toca a sua carreira que conta com um acervo respeitável, com vários discos gravados e participação em vários festivais

Pernambucano nascido na cidade de Timbaúba(PE), Ubirandi Tavares de Albuquerque chegou na Bahia de junho de 1972 para tomar posse no Banco do Brasil S.A. na agencia de Mundo Novo(BA). Pouco tempo depois também tomava posse na mesma agencia Marcelo Melo, ex cantor e guitarrista de bandas de baile (Trogloditas e Leopardos) de Feira de Santana. 




Hospedados no mesmo hotel e trabalhando no mesmo banco sempre estavam ligados a música tocando juntos na AABB e casas de colegas do banco. Logo fundaram uma banda de nome Quarta Dimensão que depois tornou-se Fourth Dimension, sugestão dada pelo baixista da banda, Wilson Semanal. Transferidos depois para Feira de Santana Ubirandi e Marcelo continuaram tocando juntos e gravaram em 1979 o primeiro LP de musica popular gravado na cidade. Titulo disco - UM - Ubirandi e Marcelo, sugestão de Giberval Melo, irmão de Marcelo, também compositor, cantor e pintor o qual fez a capa do disco. 



Dois anos depois, seguindo carreira solo, Timbaúba gravou seu primeiro LP intitulado SONHOS & CRISTAIS. Participou de vários festivais no Rio de Janeiro, São Paulo, Londrina, Brasília, Fortaleza e Feira de Santana onde conquistou alguns prêmios como melhor letrista, melhor intérprete e melhor música.

Gravou 03 (discos de vinil (Sonhos & Cristais, Caminhos do Litoral e Desafio Soberano) e 04 CDs (Punhal de Desejo, Retinas, Rede na Varanda e O Forró já Começou). Participou do Projeto Banco de Talentos produzido pela Febraban em todas as suas edições de 1998 a 2009.( todos a partir do ano 2000 com CDs e DVDs gravados com os finalistas.

Participou do CD Forró da Lua - volume dois, produzido pela Produtora Baiana Perto da Selva e do CD Bahia de Todos os Forrós juntamente com outros nove artistas baianos. Tem convidados especiais como Xangai, Dércio Marques, Tonton Flores e Carlinhos Marques nos discos que gravou. 




Tem músicas gravadas pelo Trio Elétrico Novos Bárbaros e Banda Gente Brasileira de Salvador, Hugo Luna de Seabra, Gilton Della Cella de Ubaíra, Cristina Amaral de Recife, Pádua de Goiás, Zezé Mota do Rio de Janeiro, Roberto Barbosa de Maceió, Chico de Pombal de João Pessoa, Geraldo Cardoso de Maceió(AL), Kelvin Diniz de Capim Grosso(BA), Ednaldo Santana do Vale do Jequiricá, Duda Carvalho, Neném do Acordeon, Cescé Amorim, Pheka Jerusalém e Rá Nascimento de Feira de Santana, entre outros.

Tem se apresentado com destaque em várias cidades da Bahia e outros estados durante os festejos juninos, exposições agropecuárias, vaquejadas, barzinhos, e outras festas populares.